sexta-feira, 6 de abril de 2007

Discoteca Erga Omnes - GLENN HUGHES

É impossível desvencilhar Glenn Hughes de sua (gloriosa) passagem pelo Deep Purple entre 1974-1976, afinal acho improvável que alguém se interesse pela carreira do vocalista/baixista autonomamente, sem prévio contato com os álbuns BURN, STORMBRINGER, COME TASTE THE BAND e MADE IN EUROPE.

BURNING JAPAN LIVE (1994)

Durante muito tempo, particularmente, tive grande resistência para buscar conhecer a fase do Deep Purple sem Ian Gillan (futura resenha sobre os CDs do Deep Purple será a sede própria para desenvolver essa idéia). Mas fiquei muito impressionado com o alcance vocal de Glenn Hughes quando tomei contato com os registros ao vivo da época (MADE IN EUROPE e os incontáveis bootlegs disponíveis). Assim, tornei-me fã da voz do cara, de modo que providenciei uma fita para os caras da Grammy/Classic´n´Rock gravarem o BURNING JAPAN LIVE. O álbum traz um registro da turnê de divulgação do FROM NOW ON..., e mostra um Glenn Hughes em espetacular forma, com um repertório divino e uma banda de apoio clássica (simplesmente metade do Europe e mais dois guitarristas muito técnicos). Toda a carreira de Hughes até aquela época está representada no CD. O disco inicia com uma bela performance de BURN e segue com uma bela música do disco FROM NOW ON...: THE LIAR. Até esse momento o cara já deu vários gritos incríveis e de tirar o fôlego. Após MUSCLE AND BLOOD, composta com Pat Thrall, seguem mais duas do FROM NOW ON...: LAY MY BODY DOWN e a faixa-título. INTO THE VOID é outra do mesmo disco e é muito boa. Depois de STILL IN LOVE WITH YOU e COAST TO COAST, as coisas ficam de arrepiar com a seqüência de músicas do Deep Purple: THIS TIME AROUND/OWED TO G, GETTIN´ TIGHTER, YOU KEEP ON MOVING, LADY DOUBLE DEALER (essa eu não entendo porque o cara resolveu incluir no repertório pois é uma faixa Coverdale/Blackmore; de qualquer maneira é uma das minhas favoritas e ficou muito bem nesse disco ao vivo). I GOT YOUR NUMBER é uma boa música com um belo refrão e um ritmo legal. O disco encerra com STORMBRINGER, que dispensa comentários. A banda contou com 3/5 do Europe (com o batera Ian Haughland, que não havia tocado no FROM NOW ON...). Demorou anos para eu conseguir o cd, e finalmente o fiz, por incrível que pareça, na Banana por um preço camarada (!).

BLUES (1992)


Numa tarde de inutilidade típica da ingenuidade da época (1996), fui com o grande amigo Giulia na Megaforce e lá encontrei, por preço bastante convidativo, um CD que nem sabia existir (e em versão nacional, ainda por cima): BLUES. Sem dúvida que é um disco bem curioso, pois a proposta é a de mostrar o músico em cenário não tão familiar quanto seria o funk ou o rock. Contando com um grande número de convidados - evidentemente proporcionado pela gravadora Shrapnel do Mike Varney - o disco tem umas músicas muito boas e a melhor delas, certamente, é a primeira com o sugestivo título de THE BOY CAN SING THE BLUES, na qual o grande John Norum toca a introdução e um dos solos - o outro solo é comandado por Warren DeMartini. Os dois guitarristas tocam solos na faixa seguinte, I´M THE MAN, que tem um ritmo bem legal. As outras faixas são boas, mas a audição vai perdendo um pouco o interesse. Vale, basicamente, como a retomada da carreira solo de Hughes, sobretudo porque os gritos estão lá. Tony Franklin divide as funções no baixo com Hughes, e alguns convidados mais destacados são, além dos já citados, Richie Kotzen, Mick Mars, Darren Householder, Mark Kendall, além do baterista Gary Ferguson, que aparecerá nos discos posteriores.

FROM NOW ON... (1994)


A sessão de CDs das Americanas, lá por 1996/1997, às vezes, trazia algumas surpresas muito legais, e uma delas foi encontrar esse belo disco (por um belo preço): FROM NOW ON... As melhores músicas já são aquelas que constaram do BURNING JAPAN LIVE, e as versões de estúdio são muito boas (a gravação é excelente) - mas o disco ao vivo é superior. PICKIN´ UP THE PIECES abre os trabalhos num ritmo acelerado, mas o refrão lembra demais o estilo Robert Plant (do qual não sou fã). Algumas outras faixas são exageradamente comerciais ou produzidas como WHY DON´T YOU STAY. A última música é uma versão para BURN. A bateria é comandada por Hempo Hilden, conhecido também pelo seu trabalho com John Norum. No baixo e nos teclados participam os músicos do Europe, John Levén e Mic Michaeli.

ADDICTION (1996)

Ainda em 1996, em outra tarde desocupada, encontrei na Banana do Praia de Belas na sessão de CDs importados o disco que Glenn estava lançando na época: ADDICTION. Lembro que na hora eu cheguei a hesitar um instante, mas logo fui adiante e adquiri esse baita disco, no qual Hughes registrou uma performance altamente emotiva - e, também por isso, fora de série. No seu site, o cara conseguiu, em poucas palavras, descrever o impressionante registro da sua voz: "I sang with raw emotion, spitting out lyric after lyric of torment and destruction" - não poderia ter sido mais feliz. O disco é muito influenciador - pode muito bem ser considerado um disco essencial - pelo uso talentoso da afinação drop-D, de responsabilidade do guitarrista Marc Bonilla, co-autor de quase todas as faixas. Outra característica que se verifica de logo é a limitação dos solos - durante muito tempo eu me senti desconfortável com esses solos que começam devagar, ou se limitam a uns barulhos e tal, e quando finalmente parece que vão começar os bends, as pentatônicas e tudo mais, termina o solo e a música volta para uma parte cantada. Para mim, às vezes, continua sendo perturbador (não faço idéia de como recriar e reproduzir alguns dos solos desse disco). O disco começa com o 1,2,3,4 no hi-hat em DEATH OF ME, e Glenn Hughes não demora para demonstrar que não está disposto a fazer (muitas) concessões. Quando comprei o disco esperava que o cara berrasse e se esgoelasse daquele jeito que ele fazia nos shows do Purple, de modo que fiquei um tanto desapontado com uma certa contenção do vocalista nesse álbum, mas, de qualquer maneira, alguns gritos legais estão lá, tipo "Pull the rope and SEEEEEEEET me free", e toda última estrofe ("Slam the spike into my vein (...)"). As coisas dão uma acalmada em DOWN, que é uma música muito boa com um refrão bem legal (tanto o riff como o vocal), e o grito legal em "My eyes are burnin´ reeeeeeeeed". A faixa-título é a minha favorita da carreira solo de Hughes. É uma composição coxuda, com um baita riffão que se vale da 6.ª corda em D e que acompanha toda a música. A performance do vocalista é irrepreensível e quem já curtiu essa música certamente sente arrepios toda vez que a ouve. As outras músicas, todas, são muito legais e todas têm algum Momento Lucky Strike - geralmente algum verso cantado/interpretado de uma maneira particularmente brilhante por Hughes. O disco inicia a parceria com o instrumentista e compositor Joakim Marsh.

THE WAY IT IS (1999)

Em meados de 1999 a saudosa MadSound colocou a venda (em versão nacional, recém lançada, e com preço meio salgado) o disco THE WAY IT IS ("Glenn Hughes é Glenn Hughes, vamos lá, vale a pena"). Nesse disco, o cara iniciou a jornada sem retorno em rumo ao seu "verdadeiro som", que sempre cuidou de enfatizar em todas as entrevistas que eu li: o funk. O peso bem colocado de ADDICTION (o produtor é o mesmo Michael Scott) e o hard rock legal de FROM NOW ON... foram postos de lado, em favor de um clima bem mais ameno. Assim é que rocks como YOU KILL ME (com participação de Steve Salas e do bom batera Matt Sorum - mais conhecido por segurar as baquetas do Guns´n´Roses), dividem espaço com músicas mais tranqüilas (e meio ruinzinhas como DON´T LOOK AWAY). O solo shred/virtuose de NEVERAFTER é bem incomum para um disco de Hughes e surpreendente, mas nem isso serve para salvar essa música bem mediana. Outras músicas como RAIN ON ME são bem descartáveis ("filler"). Seguramente não é dos meus favoritos.


BUILDING THE MACHINE (2001)


Depois de lançar mais alguns discos como RETURN OF THE CRYSTAL KARMA (R.O.C.K.), ficou claro que Glenn Hughes passou a investir seriamente na exposição de seu lado funky, conforme sempre apregoou em entrevistas, o que proporcionamente acaba diminuindo o meu interesse nos lançamentos de Glenn Hughes (é triste admitir). Adquiri esse disco numa das promoções da memorável MadSound, mas nunca o ouvi com toda a atenção. O álbum tem faixas boas como a de abertura - CAN´T STOP THE FLOOD, e tem uma versão - inesperada para mim - de HIGH BALL SHOOTER da sua época Deep Purple (STORMBRINGER). Mas sinto falta do cara num ambiente mais rocker (talvez não tão pesado quanto ADDICTION, conquanto este seja o melhor disco, na minha opinião, do músico).

Como fã de Glenn Hughes é altamente positivo ver que o cara lança discos com músicas inéditas regularmente. Hughes está sempre em atividade, tendo gravado 2 discos com um projeto com Joe Lynn Turner, além dos discos solo SONGS IN THE KEY OF ROCK, SOUL MOVER e MUSIC FOR THE DIVINE. Ainda restou tempo para um disco em pareceria com Tony Iommi (FUSED).

segunda-feira, 19 de março de 2007

Formula 1 (1.ª etapa, GP da Austrália, 18.03.2007, 0h)

Para a temporada 2007 várias (boas) modificações se fizeram em termos de pilotos e equipes. A McLaren estreou uma nova dupla com o bicampeão Alonso e o novato (e badalado) inglês Lewis Hamilton. A Renault, com nova pintura (o branco no lugar do azul foi bem criticado, mas eu achei que funcionou), manteve Fisichella e promoveu a estréia do promissor Heikki Kovalainen. A aposentadoria de Schumacher produziu muitos efeitos, dentre os quais o de abrir uma vaga na Ferrari, que afinal restou ocupada por Raikkonen (agora o finlandês terá a chance de provar o quão bom e talentoso ele parece ser); por outro lado, a disputa pela preferência da equipe fica, aparentemente, em aberto, dado que Massa encerrou 2006 em alta e nos testes pré-temporada sempre foi o mais rápido, sendo apontado por muitos como favorito ao título deste ano. Entre as equipes do meio do pelotão, a BMW parece que é a que tem o carro mais competitivo, e com uma boa dupla - Heidfeld e Kubica; a Williams, de motor Toyota, vai de Rosberg e (revigorado) Wurz; a Toyota não apresentou mudanças significativas; a Honda, que não andou nada nos testes, trouxe uma nova pintura, sem patrocínios, com uma vista do satélite do globo terrestre; a Super Aguri vem com um carro melhor e com uma dupla experiente - Sato e Davidson; a Red Bull acabou dando espaço para Weber ao lado de Coulthard; a Toro Rosso insiste em Liuzzi e Speed; por fim, uma "nova" equipe, a Spyker, com pintura laranja tipo Arrows do início dos anos 2000, agregou o novato Adrian Sutil ao já conhecido Albers.

Nos treinos classificatórios, Rubinho decepcionou ao fazer o 17.º tempo e ficar de fora das etapas posteriores; e Massa, por sua vez, que tinha grandes chances de fazer a pole, acabou tendo problemas com o câmbio e não fez nenhuma volta cronometrada na 2.ª parte do treino. Assim, o caminho ficou livre para Raikkonen marcar a melhor volta, seguido de Alonso, Heidfeld (com a veloz BMW), Hamilton (o "Robinho, como é chamado pelos brasileiros; anota esse nome aí, amigo"), "Kubitza" (afinal, aparentemente resolvida definitivamente a questão da pronúncia do nome do piloto polaco). Sato, com a Super Aguri (ou "Suzuki", como diz o outro), alinhou em 10.º, antecipando o que pode ser a supremacia da equipe sobre a Honda.

Antes da corrida passou um vídeo com alguns momentos do 1.º GP da Austrália, em Adelaide, em 1985. Felizmente consegui gravar tudo.

A largada foi sensacional com Raikkonen saindo na frente, seguido de Heidfeld e Hamilton (demorou para o narrador se dar conta de que o inglês, premido por Kubitza, deu a volta para o outro lado e passou Alonso por fora). Não demorou e o finlandês abriu larga vantagem sobre os demais. Legal foi ver Hamilton abrindo distância de Alonso. Massa largou em último - a equipe trocou o motor - e foi cauteloso, ganhando posição por posição. Quando se posicionou atrás de Rubinho acabou ficando retido pela Honda bem mais lenta de Button. Após mais de 10 voltas, Rubinho conseguiu passar do seu companheiro de equipe e conseguiu fazer quase 2s por volta - mas em seguida teve que fazer o primeiro pit-stop.

Dos estreantes, não há dúvidas de que Hamilton apresentou as credenciais de que se trata de um grande piloto e foi uma pena quando Alonso saiu do último pit na frente do inglês para chegar em 2.º. Kovalainen, por sua vez, não poderia ter sido mais desastrado; o cara saiu umas 4 vezes da pista, e se antes do início da temporada era Fisichella quem tinha o posto ameaçado pelo Nelsinho Piquet, agora as atenções se voltam para o finlandês novato (ainda assim o cara finalizou na frente do Rubinho).

Kubitza lamentavalmente abandonou, e Coulthard - literalmente - passou por cima de Wurz: quase que a Red Bull bateu na cabeça do austríaco.

A temporada inicia com a Ferrari disposta a retomar a supremacia exercida nos 2 útltimos anos pela Renauld (com Alonso). Mas a McLaren com a excepcional dupla Alonso/Hamilton promete poles, vitórias e pódios. Resta a Massa superar os incidentes do fim-de-semana e se recuperar já para o próximo GP da Malásia, onde terá oportunidade para desde logo partir para consolidar sua condição de postulante ao título.

Australian Grand Prix Results - 18 March 2007 - 58 Laps
1. Kimi Raikkonen Finland Ferrari 58 1h25m28.770
2. Fernando Alonso Spain McLaren-Mercedes 58 7.242
3. Lewis Hamilton Britain McLaren-Mercedes 58 18.595
4. Nick Heidfeld Germany BMW 58 38.763
5. Giancarlo Fisichella Italy Renault 58 1m06.469
6. Felipe Massa Brazil Ferrari 58 1m06.805
7. Nico Rosberg Germany Williams-Toyota 57 1 Lap
8. Ralf Schumacher Germany Toyota 57 1 Lap
9. Jarno Trulli Italy Toyota 57 1 Lap
10. Heikki Kovalainen Finland Renault 57 1 Lap
11. Rubens Barrichello Brazil Honda 57 1 Lap
12. Takuma Sato Japan Super Aguri-Honda 57 1 Lap
13. Mark Webber Australia Red Bull-Renault 57 1 Lap
14. Vitantonio Liuzzi Italy Toro Rosso-Ferrari 57 1 Lap
15. Jenson Button Britain Honda 57 1 Lap
16. Anthony Davidson Britain Super Aguri-Honda 56 2 Laps
17. Adrian Sutil Germany Spyker-Ferrari 56 2 Laps
R Alexander Wurz Austria Williams-Toyota 48 Damage
R David Coulthard Britain Red Bull-Renault 48 Accident
R Robert Kubica Poland BMW 36 Gearbox
R Scott Speed United States Toro Rosso-Ferrari 28 Tyre
R Christijan Albers Netherlands Spyker-Ferrari 10 Accident
FASTEST LAP: Kimi Raikkonen Finland Ferrari 41 1:25.235

1. KIMI RAIKKONEN Finland Ferrari 10
2. FERNANDO ALONSO Spain McLaren-Mercedes 8
2. LEWIS HAMILTON Britain McLaren-Mercedes 6
4. NICK HEIDFELD Germany BMW 5
5. GIANCARLO FISICHELLA Italy Renault 4
6. FELIPE MASSA Brazil Ferrari 3
7. NICO ROSBERG Germany Williams-Toyota 2
8. RALF SCHUMACHER Germany Toyota 1

1. MCLAREN-MERCEDES 14
2. FERRARI 13
3. BMW 5
4. RENAULT 4
5. WILLIAMS-TOYOTA 2
6. TOYOTA 1

domingo, 18 de março de 2007

Burnin´ Boat - Gravando de novo

A Burnin´ Boat reiniciou - ainda timidamente - suas atividades nessa semana com uma sessão de gravações de guitarras na casa do Bruce.

Maiores detalhes sobre essa sessão no blog da Burnin´ Boat.

Depois desse dia resolvi dar uma ouvida - depois de muito tempo - no cd "Damnation" do OPETH. Impõe-se valorizar a inciativa dos caras, reconhecidamente uma banda de metal muito pesado, de gravar um disco inteiro com guitarras limpas, sem distorções; serve para demonstrar, afinal, que os caras são muito bons músicos. As composições são boas, mas a inspiração parece que vai diminuindo conforme as faixas vão avançando - a primeira música é muito boa, a segunda um pouco menos, e assim por diante. Inegavelmente é um disco inspirador, mas não é um clássico para toda a hora.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Discoteca Erga Omnes - BRUCE DICKINSON

BALLS TO PICASSO (1994)

Quando Bruce Dickinson deixou o Iron Maiden em 1994, eu já estava familiarizado com discos como “FEAR OF THE DARK”, e lembro de quando a ZH publicou uma resenha do primeiro álbum solo lançado pelo vocalista nessa fase pós-Maiden, na qual se disse que “BALLS TO PICASSO” tinha pouco que diferenciasse do trabalho anteriormente desenvolvido na banda de Steve Harris. Ouvi o disco na época e dei muito pouca atenção, a não ser pelo fato de achar TEARS OF A DRAGON uma música “ok” – afinal, é inegável que se trata de uma balada com estilo radiofônico, além de que se me fosse dado escolher algo do vocalista para ouvir, eu iria de alguma coisa do “POWERSLAVE” ou do próprio “FEAR OF THE DARK”. No entanto, a Saraiva anda fazendo uma promoção legal de cds, de modo que pude recentemente tomar novo contato com o disco. Algumas músicas, desde ALIVE IN STUDIO A, eu já achava estupendas como 1000 POINTS OF LIGHT e SACRED COWBOYS, que têm bons riffs e bons refrões, que, geralmente, é o tanto quanto basta para se fazerem boas músicas. Mas se impõe reconhecer que se “BALLS TO PICASSO” representa alguma coisa como um disco no repertório de Bruce Dickinson, tal se deve grandemente por causa de TEARS OF A DRAGON, que, de fato, é uma baita música – simples, mas muito eficiente e poderosa. Talvez seja fazer pouco da música dizer que se trata de uma música “simples”, sobretudo porque começa com um dedilhado, incorpora algumas guitarras, ganha velocidade no expressivo solo, e tem uma parada tipo “reggae”, para depois voltar ao dedilhado e ao refrão. Mas a simplicidade se dá porque o terreno percorrido por Bruce nessa música é conhecido (não por acaso, o vocalista compôs a música sem a participação do valoroso Roy Z). Cumpre, ainda, destacar a excelente interpretação de Bruce, que ganha a música - o refrão é, como se diz hoje em dia, tudo de bom. Bem vistas as coisas, pois, TEARS OF A DRAGON é (a) um clássico da sua carreira solo; (b) muito melhor que a balada do Iron – WASTING LOVE; (c) e mesmo melhor que muitas coisas que o Iron compôs.

ACCIDENT OF BIRTH (1997)

Após o resultado mediano alcançado pelo lançamento seguinte – “SKUNKWORKS” – foi sem muito entusiasmo que eu aluguei na saudosa MadSound o cd “ACCIDENT OF BIRTH”, conquanto a (legal) capa do disco contivesse o traço de Derek Riggs, e à banda de apoio capitaneada pelo Roy Z se tenha feito ingressar o mítico guitarrista Adrian Smith (não estranho aos fãs de Iron Maiden). Mas foi só botar o cd pra rodar que fiquei positivamente surpreendido com as boas composições do álbum; a faixa de abertura – FREAK – é muito boa. De pronto se percebe que o som das guitarras está diferente, e aparentemente tal se deve à afinação dropped-D e a incorporação de cordas mais pesadas ao instrumento. Seja como for, sempre me pareceu difícil, na audição do disco, imaginar as notas e as posições dos riffs. STARCHILDREN também é uma boa faixa, com um refrão muito bem aproveitado pelo vocalista. TAKING THE QUEEN tem uma bela levada no violão, mas o clássico do disco é a música seguinte – DARKSIDE OF AQUARIUS -, que durante um bom tempo foi cogitada – e ensaiada parcialmente – para compor o repertório dos shows da Burnin´ Boat. A música é boa, e utiliza a afinação drop-D de maneira bastante interessante, sobretudo no riff que acompanha os solos. ROAD TO HELL não é das minhas favoritas – parece uma música fácil demais (o teminha de abertura não me emociona), e o refrão parece ser daqueles pré-fabricados. Segue-se uma balada com pianos e tudo mais – MAN OF SORROWS – do tipo que Bruce sabe cantar muito bem. A faixa-título é pesada e boa, com bom riff e me lembra um pouco o Iced Earth, sobretudo pelas guitarras harmonizadas durante o refrão. THE MAGICIAN é outro tipo de música que parece que os caras fizeram em 5 minutos – mas pelo menos está em drop-D. WELCOME TO THE PIT lembra, de certa maneira, o que o Kiss e o Bruce Kulick acabaram fazendo no disco “CARNIVAL OF SOULS”. THE GHOST OF CAINS, em que pese o teminha de abertura, tem um bom riff principal e, sobretudo, um refrão legal. Essas últimas músicas são todas bem razoáveis, mas nada marcantes. Até que chegam as duas últimas: OMEGA e ARC OF SPACE. A primeira tem uma levada tradicional de Roy Z no violão e ganha corpo com umas guitarras, mas é a performance de Bruce que faz valer a música. A segunda fica no violão, mas ganha um apoio no sempre bem cotado Mellotron. Bruce ganha mais uma vez no vocal, e o refrão, notavelmente, é bem emotivo (“In my heart I reach you...”). Aqui o solinho de violão é muito legal, também. Nesse disco, em todas as faixas, sobressai o trabalho competente e seguro do baterista David Ingraham. Não consigo visualizar até que ponto o disco seria diferente se não contasse com Adrian Smith – afinal a grande maioria das faixas foi composta por Dickinson e Z -, mas, no mínimo, as faixas ganharam mais credibilidade com a presença do guitarrista.

THE CHEMICAL WEDDING (1998)

Do próximo disco – “THE CHEMICAL WEDDING”, adquirido de barbada numa feira em Itapema/SC no verão de 1999 – eu já sabia, basicamente, o que esperar: um belo disco. E a música de abertura – KING IN CRIMSON – superou as minhas expectativas, pois se trata de uma composição melhor que todas as do “ACCIDENT OF BIRTH”, pelo menos para o meu gosto. Os caras conseguiram fazer uma música ainda mais pesada, mas dinâmica, com um belo riff que acompanha os versos, finalizados com uma descidinha neo-clássica bem ao estilo Blackmore no Rainbow (DEATH ALLEY DRIVER). A faixa-título tem um belo refrão. THE TOWER é uma boa música que acabou sendo representada ao vivo pela Burnin´ Boat (tratou-se de um dos poucos casos nos quais ficou decidido que determinada música seria tocada e a mim caberia apenas aprender o que os outros já sabiam). O dueto (em que pese o baixo também reproduzir o riff) após os solos é sensacional. KILLING FLOOR é bem pesada e parece ser uma música decente. BOOK OF THEL é uma baita composição, irmã-gêmea de DARSKIDE OF AQUARIUS (lembro que o Bruce - o da Burnin´ Boat/Wordlengine - , na época, se abriu bastante para essa). Tem uns bons mini-solos de bateria lá pelas tantas. GATES OF URIZEN tem um estilo bastante familiar, com introdução lenta, uma encorpada no decorrer, mas nada muito significativo. JERUSALEN traz de volta uma interpretação bastante própria de Dickinson ("Let it rain, let it rain...") - o cara é mestre em criar momentos marcantes nas faixas. A levadinha no violão, como geralmente ocorre nas composições do Roy Z, é bem fácil e legal. O peso volta com força em TRUMPETS OF JERICHO (estranhamente, contudo, para abrir o disco ao vivo "SCREAM FOR ME...". Seja como for, não há nada de errado nessa música, ao contrário do que ocorre com MACHINE MEN, que não traz nada de relevante para o disco - exceto o solo com wah. Os versos de THE ALCHEMIST, da forma como cantados por Dickinson, lembram muito o Black Sabbath com Ozzy. REALWORLD fecha o disco, mas se trata de uma música dispensável, aparentemente fora de sintonia com o resto do álbum.

Da forma como Bruce Dickinson saiu do Iron para retomar sua carreira solo faz com que seja inevitável a comparação dos 4 discos lançados com os 2 álbuns registrados pelo Iron com Blaze Bailey, e é fácil concluir que Dickinson se saiu muito melhor, pois no mínimo ACCIDENT OF BIRTH e THE CHEMICAL WEDDING (que podem ser considerados em conjunto, pois têm sonoridade muito próxima, assim como ROCK AND ROLL OVER e LOVE GUN, e DINASTY e UNMASKED do Kiss) são discos mais interessantes e com melhores composições (pelo menos quantidade de melhores composições) que THE X FACTOR (que eu curto) e VIRTUAL ELEVEN.

No início dos anos 2000, Bruce e Steve Harris acabaram se rendendo ao apelo comercial que renderia o retorno ao Iron Maiden, e após uma turnê promoveu-se o lançamento de BRAVE NEW WORLD. O vocalista ainda lançou um disco solo - TYRANNY OF SOULS -, que não conta com Adrian Smith (as guitarras são empunhadas exclusivamente por Roy Z), e os músicos de acompanhamento são outros.

TOP 5 - Bruce Dickinson

1. King in Crimson
2. Tears of a Dragon
3. Freak
4. 100 000 Points of Light
5. Sacred Cowboys

domingo, 18 de fevereiro de 2007

DVD - Malmsteen



YNGWIE MALMSTEEN - "Far Beyond the Sun"

Sou favorável a que se lance em DVD todos os antigos VHS lançados no decorrer da carreira de artistas como Yngwie Malmsteen, de modo que foi em boa hora que a Universal resolveu lançar em DVD dois shows da época na qual o guitarrista sueco estava sob contrato de uma grande gravadora. O DVD Far Beyond the Sun traz um resumo de duas performances de Malmsteen: a primeira, no Japão em 1985, na época do grande disco Marching Out, com um “dream team” composto dos irmãos Johansson (Jens e Anders), do baixista fora-de-série Marcel Jacob, e do insuperável vocalista Jeff Scot Soto; a segunda, em Leningrad em 1989, na turnê de Odissey, com os mesmos irmãos Johansson, desta vez acrescidos do baixista Barry Dunaway e do carismático vocalista Joe Lynn Turner. Os repertórios de ambos os shows têm a virtude de apresentar músicas que já não são mais tocadas ao vivo por Malmsteen; mas, se no show de 1985, há um excesso de músicas do Alcatrazz (desgraçadamente ficaram de fora desse DVD as melhores músicas do Marching Out: Anguish and Fear, Don´t Let it End, Disciples of Hell), no show de 1989 o repertório fica quase exclusivamente sobre os discos Trilogy e Odissey. Mas vá lá, pelo menos os vídeos mostram Jeff Scot Soto e Joe Lynn Turner no auge da forma, e não faltam os clássicos I´ll See the Light Tonight, Far Beyond the Sun (melhor versão ao vivo que eu já ouvi, conquanto a versão de estúdio reste sem comparação), Rising Force, You Don´t Remember, I´ll Never Forget, Heaven Tonight e uma das melhores músicas obscuras do guitarrista, Riot in the Dungeons (com vários riffs legais).

domingo, 21 de janeiro de 2007

DVDs - Satriani e Vai

JOE SATRIANI - "Satriani Live!"

"Live in San Francisco", gravado durante a turnê do "Engines of Creation", parecia ser o registro definitivo das performances ao vivo de Satriani. O set list do DVD duplo compreendia toda a discografia do guitarrista e serviu para mostrar todo o seu arsenal de truques.

Após isso, Satriani lançou mais 3 cds de estúdio ("Strange Beautiful Music", "Is There Love in Space?" e "Super Colossal"). Pois no final de 2006 fui surpreendido quando me deparei com um CD e um DVD duplos ao vivo com registro de um show da turnê de Super Colossal. Nesses casos de lançamento de CD e DVD, entendo que o que vale a pena é comprar o último, pois os CDs ao vivo diferem pouco uns dos outros (as diferenças entre "Time Machine", "Live in San Francisco" e esse "Satriani Live!" é apenas de repertório e mesmo a diferença entre os músicos que acompanham Satriani é irrelevante).

O primeiro DVD traz o show inteiro. Satriani se faz acompanhar do seu baterista de sempre (Jeff Campitelli) e do lendário baixista Dave LaRue (Dixie Dregs, John Petrucci), bem como de um guitarra-base desconhecido (Galen Henson). O set list é decepcionante, pois enfatiza demais o Super Colossal (não tem nenhuma música de "Strange (...)" e "Is There (...)". Além disso, o guitarrista perdeu a oportunidade de recuperar músicas obscuras tipo "Back to Shalla-Ball" ou qualquer outra do "Joe Satriani" que não a boa mas batida Cool #9. E quem precisa de mais versões de Flying in a Blue Dream, The Extremist, Satch Boogie, The Mystical Potato Head Groove Thing?). Faltou também uma música do excelente "Crystal Planet", como a minha favorita Up in the Sky (que aparece apenas no DVD 2, num documentário bônus). Assim, o repertório não empolga (duvido que Redshift Riders, A Cool New Way, Just Like Lightnin, One Robot´s Dream, Ten Words, Made of Tears sejam tocadas nas próximas turnês). Os bons momentos ficam com Super Colossal e Crowd Chant.

O DVD 2 tem um longo documentário sobre a parte da turnê na Índia (o baixista foi Matt Bissonette) e uns podcasts sobre a turnê européia. É legal a parte que mostra a gravação de "Super Colossal", especialmente da música Crowd Chant - aparecem os ensaios do guitarrista com a galera que compareceu para fazer o "crowd chant").


STEVE VAI - "Live at the Astoria London"

Essa apresentação de 2001, que ocupa o DVD 1, foi cobiçada por muito tempo pois, fundamentalmente, reúne uma das melhores bandas de apoio que se pode encontrar: Billy Sheehan, Virgil Donati e Tony Macalpine (acrescidos de Dave Weiner). O set list reúne clássicos como Erotic Nightmares, For the Love of God, Liberty, The Attitude Song, músicas excelentes como Giant Balls of Gold, The Crying Machine e Bad Horsie, e outras para mim desconhecidas como Chameleon, Down Deep Into the Pain, sem contar covers de Hendrix (Fire e Little Wing).

É sabido que Vai também é um autêntico performer - o cara faz poses o tempo todo enquanto toca, e consegue fazê-lo de um jeito legal. Mas acho que nenhum dos DVDs lançados pelo guitarrista fez jus a essa sua característica essencial - para mim, a melhor apresentação foi aquela que eu vi no Salão de Atos da UFRGS em março de 1998, na turnê do "Fire Garden".

O DVD 2 tem os bônus, com making of, ensaios em Los Angeles, entre outras tranqueiras, tudo muito mal aproveitado.


STEVE VAI - "Alien Love Secrets"

Esse é outro DVD cobiçado há anos: aqui, Vai e banda interpretam o meu CD favorito do guitarrista (que dá nome ao DVD) na íntegra. Uma pena que a trilha sonora é a do CD, e não um registro da banda tocando as músicas uma depois da outra como o Metallica fez no DVD bônus de "St. Anger". Mesmo assim é possível ver que alguns efeitos de estúdio podem ser repetidos ao vivo, especialmente na bateria em Bad Horsie. O melhor momento é a interpretação de Tender Surrender, cujo tema principal, aparentemente, é um "rip-off" de um riff do Hendrix. O DVD vale por mostrar o virtuosismo de Vai - as alavancadas inacreditáveis, os harmônicos artificiais gritantes e os arpejos feitos com naturalidade impressionante (a palheta desliza com facilidade sobre as cordas).

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