A cada 20 anos renovo meu interesse na façanha que celebrizou Armstrong, Aldrin e Collins. Se em 1989 deveria ficar satisfeito com o Globo Repórter e com a Superinteressante, agora em 2009 a situação é mais favorável: diversos programas nos canais dedicados a documentários científicos, além das fontes na internet.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
40 anos da chegada do homem à lua
A cada 20 anos renovo meu interesse na façanha que celebrizou Armstrong, Aldrin e Collins. Se em 1989 deveria ficar satisfeito com o Globo Repórter e com a Superinteressante, agora em 2009 a situação é mais favorável: diversos programas nos canais dedicados a documentários científicos, além das fontes na internet.
terça-feira, 7 de julho de 2009
CD - Heaven and Hell "The Devil You Know" (2009)
Foi só depois de ler uma entrevista do Doug Aldrich que comecei a apreciar as músicas dos discos mais recentes da carreira solo de Dio; o guitarrista informou que Dio curte as composições mais lentas, e por isso alguns dos seus discos soariam “chatos”, como de fato eu achava. A partir daí resolvi ouvir as faixas e com renovada disposição achei boas coisas. Além disso, acredito que essa predileção de Dio dá a tônica para as novas criações do Heaven and Hell – ou Black Sabbath com Dio.Como já antecipei, a reunião do Black Sabbath com Dio e a gravação de um disco com músicas inéditas – após as bem sucedidas três faixas da coletânea “The Dio Years” e da turnê e disco ao vivo “Live From Radio City Music Hall” – foi a melhor notícia possível. Os caras voltaram ao estúdio no qual gravaram o meu favorito “Dehumanizer” e o resultado é “The Devil You Know”, recém disponibilizado no Brasil depois de mais de um mês lançado lá fora (inclusive na Argentina – por pouco não comprei uma edição argentina por 40 pila, mas não levei muita fé na informação dos caras de uma loja de CDs de metal mal-localizada no Centro de que o CD, caso fosse lançado aqui, custaria uns 38, 39 reais – uma semana depois dessa conversa, vi no site da Cultura a chegada do disco por 28 pila). Conforme divulgado, as músicas foram compostas por Iommi, Butler e Dio a partir de CDs com riffs e acordes, dos quais foram selecionados os melhores para compor as faixas. A ninguém escapou o fato de que predomina um andamento mais lento nas músicas, e Iommi esclareceu que como as composições estavam boas, decidiu-se pela desnecessidade de incorporar outros riffs ou mudanças de andamento. Vinny Appice também admitiu que experimentou outras batidas e tal, mas optou por simplesmente acompanhar a cadência e manter o ritmo. Bem vistas as coisas, “The Devil You Know” não difere muito das três novas (“The Devil Cried”, “Shadow of the Wind” e “Ear in the Wall”) do “The Dio Years”. Particularmente, preferia que houvesse um pouco mais de ousadia, com mudanças de andamento, e riffs diferentes no meio das músicas (como em algumas de “Dehumanizer”), mas Dio curte músicas lentas, Iommi, Butler e Appice não se opuseram, e assim, de qualquer forma, saúdo os caras por terem se desincumbido bem da tarefa que eles mesmos se propuseram: mostrar a todos que ainda tinham aptidão para fazer um bom disco.
A afinação é meio tom abaixo (Eb Ab Db Gb Bb eb), com exceção de “Follow the Tears” e “Rock and Roll Angels” que estão afinadas em dropped-D meio tom abaixo (Db Ab Db Gb Bb eb). As melhores de “The Devil You Know” são, indiscutivelmente, “Bible Black” (eleita para primeiro single) e “Follow the Tears”. É bem conhecida a extraordinária capacidade de Tony Iommi para criar riffs excepcionais (em todo o disco do cara há pelo menos dois ou três desse tipo), e o riff principal de “Bible Black” é uma verdadeira aula do mestre. A música começa com um delicado dedilhado na região mais grave do violão com cordas de aço; à medida que se intensificam os versos de Dio, acompanhados da mudança dos acordes para G e A e de umas frases legais no baixo de Butler, a faixa segue para atingir o clímax no verso “you´re reading from the bible black” (toda essa parte e o clima de tensão crescente são demonstrações de excelência dos veteranos músicos) e o riff vem com tudo em A, exigindo uns slides da 2.ª para a 8.ª e 7.ª casas. O riff que acompanha os versos é mais tradicional, mas igualmente ganchudo. A outra clássica é “Follow the Tears”. Com direito à introdução climática (teclados e tudo), o riff principal é simples, seco e de efeito devastador, valorizado pela afinação dropped-D e o andamento rasteiro. Tanto quanto em “Bible Black”, aqui as partes são encaixadas perfeitamente, e o bom ouvinte perceberá as sutis alterações na execução de riffs que num primeiro momento parecem idênticos.
O melhor solo do disco aparece durante a parte acústica de “Rock and Roll Angels”: bem expressivo, com várias pausas e bends. Geralmente não aprecio os solos de Iommi – que me parecem todos improvisados, cheios de pentatônicas rápidas e tudo mais -, mas nesse caso o guitarrista se superou no famigerado “feeling”. No mais, o disco é do tipo coeso, no sentido de que todas as faixas parecem fazer parte do mesmo tipo de música (e não uma coletânea de riffs, ou de músicas boas e ruins). Iommi, Butler, Dio e Appice se propuseram a mostrar que ainda eram capazes de fazer um bom disco de som pesado e alcançaram êxito com folga.
sábado, 27 de junho de 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Ensaio The Osmar Band: "I´m Eighteen" 23.06.2009
Ensaio típico de inverno, com frio e chuva. Ajustamos os instrumentos e quando a coisa engrenou ficou claro que se impunha montar novamente o micro para gravar o ensaio. Rapidamente o Marcão botou a máquina para funcionar e não demorou para as criações ganharem forma, com qualidade muito boa. Utilizei a BFG com a pedaleira Korg do Alemão; este se alternou no violão de corda de aço e o Triton. O Marcelo, por sua vez, se mostrou inspirado nas novas letras. Gravamos, então, quatro faixas: uma já tradicional, sobre um problema que aflige o sexo masculino (essa versão ficou meio truncada, pois não lembrei da entrada do solo); uma outra que pelo menos para mim era nova, na qual segui os acordes que o Alemão estava tocando, e com letra cujo título remete a uma antiga propaganda de refrigerante; já nos descontos, a saideira foi uma na qual utilizei um timbre com distorção e um efeito chorus bem anos 1980, e toquei um riff básico com a cavalgada típica do Iron Maiden sobre os power chords B-A e E-G-A, o qual foi acompanhado pelo Alemão no baixo com captadores ativos; a melhor, que desde já é um autêntico clássico da banda, foi uma com letra inspirada nos mais recentes escândalos envolvendo membros das casas legislativas federais, na qual o Alemão empregou os acordes B-A-E.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
CD ao vivo - Iron Maiden "Death on the Road" (2005)
"Death on the Road" é o CD duplo e DVD triplo ao vivo registrado em Dortmund no final de 2003 durante a turnê de "Dance of the Death". Levei três anos para firmar convicção na aquisição do CD e um ano para encontrá-lo com preço não exorbitante (achei na Cultura por uns R$ 39,00, bem melhor do que os salgados 69, 59 ou 54 pila que andava vendo durante todo esse tempo).Como registro ao vivo do Iron, não é tão bom quanto o recém lançado "Flight 666", ou a dupla "A Real Live One" e "A Real Dead One", mas é melhor que "Rock in Rio", especialmente por contar com a formação atual - com três guitarristas - e se destaca por contar com as melhores músicas do "Dance of the Death", tornando aceitável a audição de algumas já batidas como "Wrathchild", "The Number of the Beast", "Run to the Hills", "The Trooper" e, principalmente, "Iron Maiden" ("Fear of the Dark" e "Can I Play With Madness", por outro lado, são sempre bem-vindas). Muito legal ouvir Bruce Dickinson cantando uma da fase Blaze Bailey, no caso, "Lord of the Flies" do "The X-Factor" (uma das melhores faixas compostas por Janick Gers com a banda).
O maior destaque é a versão ao vivo da faixa que encerra "Dance of Death", caracterizada por uma levada acústica atípica em se tratando de Iron Maiden: a bela "Journeyman" com seu refrão repetitivo mas marcante: "I know what I want and say what I want". Frequentemente acho que Steve Harris e Cia se repetem em demasia em muitas composições, mas em "Journeyman" os caras ousaram e mandaram muito bem.
Esse disco ao vivo facilitou bastante a tarefa de curtir músicas como "Dance of Death", "Paschendale" (aquele início com o lick de tappings na guitarra e o acompanhamento no hi-hat me parecia irritante nas primeiras audições) e "No More Lies", que são das melhores do "Dance of Death" e ficaram excelentes em suas versões "live", e para mim só isso já faz valer o cd duplo ao vivo, que ajuda a concentrar a atenção nas faixas novas mais representativas do álbum novo.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
DVD - "Iron Maiden - Flight 666 The Film"
No começo do ano vi que ficou em cartaz por algumas poucas semanas o filme-documentário do Iron Maiden a respeito da turnê "Somewhere Back in Time" de 2008. Agora lamento ter deixado passar a oportunidade de ver na tela grande imagens muito boas da banda. O que me consola é que o documentário não é do tipo espetacular. A direção ficou por conta dos mesmos caras que fizeram o bom "Metal, A Headbangers Story", e isso fica bem claro logo no início quando aparece o mesmo sujeito apresentando o filme da mesma forma pessoal do outro filme, i. é, em primeira pessoa ("fui convidado para fazer um documentário sobre a turnê da minha banda favorita"). É o mesmo recurso que utilizo neste espaço, mas não sou cineasta; achei que faltou criatividade - será que o cara vai aparecer em todos os seus filmes e declarar suas preferências musicais (quantas bandas favoritas o cara tem?)?Acredito que em seis semanas devem ter sido filmadas cenas melhores que muitas das que aparecem, e achei exagerado o número de cenas que vamos ver no DVD bonus, com o set list na íntegra, com cada música registrada em uma cidade diferente. Independentemente disto, algumas sequências são antológicas, como as bonitas cenas captadas na Argentina e uma brilhante com Nicko McBrain: no show em Los Angeles apareceram diversas figuras conhecidas, como Dio, Tom Morello entre outros; Lars Ulrich é perguntado sobre eventual influência de Nicko em seu estilo, e o líder do Metallica responde "com certeza, a única coisa sobre Nicko é que ele deveria tocar numa bateria menor para podermos ver o que ele está tocando"; a cena seguinte mostra Nicko praticando numa bateria bem menor, com poucas peças, para aquecimento, e o baterista exclama "veja, tenho plateia", e então aparece o grande Vinny Appice. Momento Lucky Strike do vídeo. Além disso, e como mera curiosidade, ainda em Los Angeles, é bem documentado o estilo workaholic de Steve Harris; o baixista vai ao estúdio para encontrar Kevin Shirley e conferir a mixagem de "For the Greater Good of God", e finalmente descobri porque o produtor também atende pela alcunha de "Caveman" (conforme consta dos encartes dos discos do Dream Theater e do próprio Iron).
No DVD bônus com a íntegra do set list ainda é emocionante a performance da banda e do público durante "Ace´s High". Particularmente, achei interessantes as cenas da câmera posicionada na bateria mostrando o bumbo; Nicko toca descalço e não se vale de pedal duplo ou de dois bumbos, mesmo nas passagens mais rápidas: o cara tem o pé direito bem rápido mesmo (conferir o final de "2 Minutes to Midnight", entre outras até mais expressivas). Nicko sempre aparece tirando sarro ou falando bobagem, ao mesmo tempo em que só conhecemos o seu trabalho no Iron, de maneira que fica difícil levá-lo a sério, mas devo admitir que se trata de um excelente baterista de heavy metal. Não lembrava que havia um dueto de solos em "Can I Play With Madness" e foi interessante ver Murray e, principalmente, Smith deixando para Gers alguns solos das músicas das antigas.
De todos os CDs e DVDs ao vivo lançados pelo Iron, esse "Flight 666" é talvez o mais valoroso.
domingo, 31 de maio de 2009
CD ao vivo - Iron Maiden "Flight 666 - The Original Soundtrack" (2009)
Poderia ser mais um dos tantos discos ao vivo do Iron Maiden (os caras lançam um cd duplo, pelo menos, para cada turnê, com, pelo menos, duas finalidades: manter os fãs saciados entre os lançamentos dos discos de estúdio e evitar a inevitável disseminação de bootlegs com gravações dos shows e lucrar alguma coisa com isso). Mas "Flight 666 - The Original Soundtrack" é um excelente registro, tão bom quanto os "A Real Live One", "A Real Dead One" e o "Live at Donnington" - que são os meus favoritos -, melhor que "Live After Death" (para muitos - provavelmente a maioria esmagadora - esse é o melhor de todos os tempos), e muito melhor que o "Rock in Rio". É espantoso que as 17 faixas do disco foram gravadas em cidades diferentes durante a turnê que se desenvolveu em 2008, e a qualidade de som foi preservada, desde logo servindo para demonstrar a excelência da voz de Bruce Dickinson (disparado é o melhor álbum que contém registro do vocalista), agregada à boa qualidade das três guitarras e do baixo (não tão alto quanto em outros discos) e até dos teclados (gostei muito de ouvi-los no refrão de "Powerslave" - nem sabia que tinha teclados naquela parte...).Essa turnê tinha como propósito (o qual ainda não consigo entender exatamente) de recriar a lendária "World Slavery Tour", de 1985, na qual a banda divulgava o fenomenal "Powerslave", e para isso a banda tocou grande parte do set list da época e formatou o palco de forma similar à de 23 anos atrás. Logo no início dessa "Somewhere Back in Time Tour" foi lançada uma coletânea e o próprio DVD oficial do "Live After Death". Agora podemos ver e ouvir os registros dessa turnê de 2008 que passou por Porto Alegre (estive lá, como tantos, no emocionante show de 04.03.2008, não sem exagero um dos melhores shows da história da cidade). Além disso, da turnê resultou o documentário "Flight 666", que até ficou em cartaz por algumas semanas (ainda não assisti, o DVD foi lançado simultaneamente, então é uma questão de tempo). O nome do documentário faz referência ao fato de que a banda se deslocou entre as cidades durante a turnê pelo avião "Ed Force One" pilotado pelo próprio Dickinson (como se sabe, o cara é esgrimista e também piloto). O show em São Paulo acabou se notabilizando por contar com o maior público da banda (sem contar os festivais).
Honestamente, preferia algo que contivesse músicas que ainda não tivessem constado de outros cds ao vivo (apenas "Moonchild" e "Wasted Years" são novidades), bem como alguma novidade no set list (sempre previsível com a maior parte das músicas sendo executadas obrigatoriamente). Mas ouvindo apenas uma vez "Flight 666" (e algumas vezes depois disso) constato que se trata de um registro único e muito bem feito de músicas que - segundo as palavras de Steve Harris no encarte do cd - não mais serão apresentadas ao vivo (provavelmente é o caso de "Revelations" e "Rime of the Ancient Mariner", e com sorte será o caso de "Iron Maiden").
Do set list, que desta vez não é apresentado como se fosse de um show só (há fade in e fade out em todas as faixas, e não constam as falas de Dickinson entre uma música e outra), destaco "Aces High" (muito emocionante o refrão, com as guitarras executando aqueles fáceis e bem posicionados power chords, e o público cantando junto com Dickinson, além de que o próprio vocalista tomou algumas liberdades com a melodia que ficaram muito legais), "Moonchild" (nunca foi das minhas favoritas, mas essa versão ao vivo ficou matadora e muito superior a de estúdio, com Adrian Smith tocando com todos os delays possíveis aquela melodia de abertura; particularmente entendo que a versão que eles tocaram aqui em Porto Alegre ficou melhor do que Porto Rico que eles usaram nesse disco), "Powerslave" (pela presença dos teclados no refrão e pelo timbre das guitarras, bem evidenciado no perfeitamente afinado acorde Em que precede a parte com dedilhado e guitarras limpas e solos inspirados após o segundo refrão). Também achei melhor e mais pesada - e mais emocionante - a versão de "Rime of the Ancient Mariner" apresentada por aqui ao invés da apresentada em New Jersey que eles escolheram para o disco).
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Ensaio The Osmar Band: "Seventeen" 26.05.2009
Superada a pressão psicológica das esposas, dos cachorros e da filha (no caso do Marcelo), reunimo-nos, após longo período de inatividade, e o fizemos de maneira low profile: levei apenas o baixo (que não toquei), não gravamos nada (o micro não está instalado) e tocamos basicamente os clássicos da banda. O Marcão teve problemas com a bateria eletrônica, que está em vias de ser substituída; esses problemas têm sido recorrentes, e nos faz questionar a seriedade do trabalho da assistência técnica da marca do instrumento. O Alemão tocou o tempo todo no Triton, e eu no violão de cordas de aço Yamaha. Começamos com uma jam, e logo afinei o violão no estilo dropped-D para facilitar a execução dos acordes que o Alemão estava tocando (D-A-G, algo do tipo); fiz um riff com acordes Am-G que ficou bem legal e diferente com a afinação alternativa. O Marcelo começou a cantar versos de clássicos da banda sobre uns acordes F#-A-G que estávamos tocando. Em seguida tocamos as faixas propriamente ditas: aquela em Am-G-F sobre um problema que aflige parte do sexo masculino; uma das favoritas com os acordes Am-(...). Na maioria dos casos o Alemão não recordou do timbre do Triton que servia para cada música. Esse não foi o caso de uma das clássicas da época anterior ao meu ingresso, e tive a oportunidade para aprender os acordes: Fm e C7 (para mim é F5 e C5), embora não tenha conseguido acompanhar o Alemão nas trocas entre um e outro acorde. Ao final ainda deu tempo de acompanhar o último quarto do quarto jogo entre Cavaliers e Magic (vitória do time de Orlando, que jogava em casa e fez 3x1 na final da conferência leste).
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Discos Essenciais - Megadeth "Youthanasia" (1994)
É bem provável que assistir ao vídeo de "Train of Consequences" na MTV na época do lançamento de "Youthanasia" tenha contribuído decisivamente para a aquisição deste disco e de "Countdown to Extinction" no verão de 1995. Megadeth estava, então, no auge da sua popularidade - pelo menos na sua terra natal - ganhando boa exposição nos canais dedicados à música e boas colocações no Top 200 da Billboard; assim, era ficar esperto nos programas mais legais que apareceria o vídeo cedo ou tarde."Youthanasia" é um disco bem diferente do que lhe precedeu, "Countdown to Extinction", e isso fica evidente nas letras mais pessoais (e menos politizadas), na afinação das guitarras (meio tom abaixo), no andamento das faixas (li em algum lugar que o produtor Max Norman sugeriu que todas as faixas se submetessem ao metrônomo a 120bpm, que facilitaria a assimilação nas rádios e aos ouvidos dos não iniciados), e no próprio visual dos caras (o encarte tem várias fotos nas quais Mustaine/Ellefson/Friedman/Menza aparecem com roupas fashion). Além disso, o álbum contém uma faixa que é o mais próximo que Mustaine chegou, até então, de compor uma balada, a clássica "A Tout Le Monde". Bem vistas as coisas, trata-se de mais um passo dado por Mustaine em busca do seu sonho - confessado nas notas da edição remasterizada - de emplacar um disco n.º 1 na Billboard Top 200.
As melhores do disco são "Train of Consequences", "Reckoning Day", "A Tout Le Monde", "Family Tree", "The Killing Road" e "Victory".
Algumas músicas são tão bem compostas - todas as suas partes se encaixam, não há nada que poderia ter ficado de fora ou com menores repetições, enfim, todas as partes são enfatizadas adequadamente e não tem nada fora do lugar - que eu costumo chamá-las de "músicas perfeitas". Um exemplo de música perfeita é "Train of Consequences". Temos um riff ao mesmo tempo marcante e tecnicamente sofisticado: não há notas nos primeiros compassos, apenas o som das cordas abafadas pela mão esquerda, e o ritmo é dado por palhetadas para cima e para baixo com a mão direita (numa coluna do Mustaine na Guitar World ele ensinou que a primeira palhetada nesse riff é para cima, ao contrário do que seria natural). Esse riff é espetacular, e serve também para acompanhar os versos. O pre-chorus (ou ponte) é um riff com as notas soltas dos power chords de F#, C# e A com floreios rápidos, que flui para o refrão perfeito, com as notas dos arpejos dos acordes fundamentais tocadas uma-a-uma e todas soando ao mesmo tempo, casando perfeitamente com a letra cantada por Mustaine (prestar atenção na parte "Set the ball a-ro-llin´ (...) My thinking is de-railed (...)". Após a segunda repetição vem o interlúdio ou breakdown: um riff cheio de notas, muito legal, que acaba servindo de base para o solo de Friedman. Volta para o pre-chorus, chorus, e riff principal para encerramento, com uns solos de harmônica. As mudanças mais significativas da edição remasterizada foram a supressão das baquetas "one, two, three, four" de Nick Menza no começo da faixa, e o acréscimo de um solo inútil de Mustaine no final. Parece-me que todas as alterações promovidas por Mustaine para essa edição remasterizada foram impertinentes.
"Reckoning Day" é a música que abre o disco e nunca vou esquecer do dia, no colégio, em que uma amiga da época (Dige) emprestou o cd-player no meio da aula e tão logo pressionei o play dei um pulo da cadeira: o volume estava alto e a música começa com uma paulada na cabeça. O riff principal é simples mas muito efetivo, utilizando a 6.ª corda solta e os power chords invertidos nas posições 7, 6 e 5 nas 5.ª e 4.ª cordas. Durante os versos as guitarras progridem para uma modulação para F# e depois para A, seguindo-se o pre-chorus e o chorus. A fórmula é consagrada, e Mustaine conhece com perfeição: após a segunda repetição do refrão, vem o interlúdio ou breakdown, e dessa vez uma das guitarras faz arpejos com timbre limpo e outra toca uma melodia com distorção e com dobra oitavada. Volta para o refrão e encerra com o riff principal (na verdade encerra com a batida típica no surdo).
"A Tout Le Monde" tem um dedilhado que sempre achei típico de Friedman, mas parece que foi o próprio Mustaine quem o compôs. Acho bem sofisticado; exige um pouco de abertura das mãos e força (ou jeito) para fazer com que todas as notas soem corretamente. Não é das minhas faixas favoritas, mas reconheço que é um dos clássicos da banda e uma boa música lenta de heavy metal. O solo de Friedman é perfeito. Mustaine, por alguma razão, resolveu regravar essa faixa para o disco "United Abominations" de 2007, com participação da vocalista do Lacuna Coil; particularmente, prefiro o original, com interpretações muito melhores na bateria e na guitarra solo.
A partir de certo momento da audição do disco fica a impressão de que todas as faixas começam com um power chord em Em, aliado ao andamento típico de 120 bpm de quase todas as faixas. Uma das melhores desse estilo é "Family Tree", que conta com um refrão marcante.
Uma das poucas que abre direto com um riff, sem acompanhamento de bateria ou dos outros instrumentos, é de "The Killing Road", que começa bem fácil mas depois ganha uma porção de notas e mudanças na posição da mão esquerda. No refrão, há um padrão de power chords bem parecido com o de "Psychotron", entre outras. Para a base do solo há um outro riff bem legal. É uma música com andamento mais acelerado, e serve para dar uma energizada no track list.
A música que fecha o disco é "Victory", que se notabiliza pela letra, na qual Mustaine se vale da sacada genial de mencionar os nomes de várias composições de todos os discos da banda, tudo para dizer no refrão que ele passou por várias dificuldades, mas ao final é um vitorioso. A parte mais legal é o sensacional duelo de solos entre Mustaine e Friedman, no qual fica bem evidente a diferença de estilos entre os guitarristas: Friedman é mais técnico e seus solos são mais sofisticados; Mustaine é mais emotivo e seus solos, por vezes, são mais expressivos (nos discos mais recentes tenho achado os solos de Mustaine repetitivos, seguindo os mesmos padrões já explorados em "Holy Wars", por exemplo).
Encontrei a edição remasterizada na Musimundo por menos de 10 reais, e notei diferença (para pior) no som da bateria e em algumas modificações introduzidas por Mustaine (já referidas). As faixas bônus trazem como curiosidade (em "Millenium of the Blind") parte introdutória de uma das músicas de "The World Needs a Hero", assim como uma faixa com a parte acústica de "Trust" (em "Absolution"). Além disso, a já conhecida "New World Order" a uma demo de "A Tout Le Monde", com ligeiras alterações na letra."Youthanasia" não é tão bom nem tem tantas músicas quanto o "Countdown to Extinction", mas é um bom álbum de heavy metal e um bom álbum do Megadeth, com momentos inspirados e inspiradores suficientes para fazê-lo um disco essencial.
sábado, 2 de maio de 2009
Bootleg - Kiss "Fuego en Buenos Aires - 16,09.1994"
Para mim é inesquecível a turnê do Kiss pela América do Sul em 1994, pois como já tive oportunidade de enfatizar, a formação Stanley/Simmons/Kulick/Singer era incrível e ainda estava no áuge da forma musical. Dessa turnê saíram registros dos shows na Argentina em 04.09.1994, no Monumental de Nuñez, e em 05.09.1994, no Obras Sanitarias. Em ambos, e também no show em São Paulo alguns dias antes (próximo ao aniversário do Gene Simmons), o repertório foi bastante parecido. De modo que foi com surpresa que tomei conhecimento de um show da mesma época, apenas alguns dias depois, no qual o set list foi totalmente modificado (Paul Stanley esclarece, após a banda executar "Deuce" - a 2.ª daquela noite -, que o repertório será bastante diferente daquele dos shows da semana anterior). Encontrei essa preciosidade há uns 5 ou 6 anos, na já extinta MadHouse (não confundir com a também extinta MadSound), numa promoção que, olhando em retrospecto, era para liquidação do acervo.Diferentemente dos shows anteriores, nos quais a música de abertura fora "Creatures of the Night", neste show de 16.09.1994 os caras abriram com "Love Gun" - "Creatures..." ficou para a segunda metade do show, depois de "Forever". Além desta balada clássica, foram incorporadas ao repertório "Tears Are Falling", "Strutter" e "She", "100.000 Years" além dos riffs e acordes de "La Bamba". Os argentinos estavam enlouquecidos, como de costume, e cantaram "Soy kissero" a todo momento. Particularmente esse set list me agrada bastante, pois incorpora músicas que faltaram no "Alive III" como "Tears Are Falling" e "War Machine", além de "I Stole Your Love", e "Black Diamond" com os vocais de Eric Singer. Nessa época, talvez mais do que em qualquer outra, Bruce Kulick aprendeu e dominou grande parte do material dos anos 1970 (acho que é a única oportunidade que ouvi essa formação tocar "She", sendo que Kulick tocou o solo de Ace nota-por-nota).
O som da gravação é bom em se considerando que é um bootleg registrado em 1994. Muito bom ouvir com clareza a introdução de bateria de Eric Singer para "Creatures of the Night". Como se sabe, o Kiss utilizou o palco da turnê "Hot in the Shade", e Stanley promete voltar à capital argentina com um "bigger, bigger show". Isso eventualmente ocorreu, mas já com as máscaras de volta.
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