sábado, 26 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Jimi Hendrix "Blues" (1994)


Para mim sempre foi claro que Hendrix tinha bases sólidas no blues, mas pareceu conveniente para alguém lançar uma coletânea póstuma exclusivamente dedicada ao blues do guitarrista. Esse álbum contém composições próprias e covers, jams e gravações de 11 faixas, prevalecendo alguns dos mais fantásticos licks de blues com bends, hammer-ons e pull-offs, dentre outros tantos truques de Hendrix, com o timbre matador da Fender Stratocaster, que tanto tenho cultuado ultimamente. Está me parecendo que o passo seguinte para realmente admirar a obra de Hendrix é tentar tocar na guitarra alguns desses riffs e licks e incorporar alguma coisa ao meu já defasado e genérico vocabulário guitarrístico. Nesse sentido, coisas muito boas são ouvidas durante "Red House", "Catfish Blues" (o início é bem clássico e o solo é furioso e o timbre de Strato é matador - cumpre notar as alavancadas expressivas durante os solos), "Jelly 292" (os turnarounds) dentre todas as demais.

Resenha de CD - Jimi Hendrix "Blue Wild Angel: Live at the Isle of Wight" (2002)


Admito que às vezes é preciso um pouco de dedicação para ouvir os álbuns ao vivo de Hendrix, pois frequentemente as músicas tomam o rumo de extensas jams, as quais perdem a novidade a partir de um par de audições. Se esse CD contém apenas parte do lendário show na Ilha de Wight em 31/08/1970, pelo menos o set list é bem representado por algumas das melhores e mais (então) recentes composições do guitarrista. Não me abri para a faixa de abertura, uma rendição do hino britânico, ao contrário do que particularmente achei do cover para "Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band" dos Beatles, imediatamente emendado com uma arrasadora versão de "Spanish Castle Magic". Uma pequena pausa e então vem o espetacular cover para "All Along the Watchtower" de Bob Dylan (é comum dizer-se que a versão de Hendrix é a definitiva para essa faixa, superando o original). Gosto bastante do timbre da guitara de Hendrix na introdução e nos solos. Gosto mais da "Machine Gun" que aparece em "Band of Gypsies" (sobretudo em razão da introdução bem mais marcante dessa última), mas é interessante ouvi-la com outro baterista e em outro ambiente - e realmente dá pra ouvir o som do rádio da polícia vazar para os amplificadores pouco antes de Hendrix cantar os primeiros versos. Duas das minhas favoritas mais recentes seguem de "Lover Man" e de "Red House", respectivamente: "Freedom" e "Dolly Dagger". Nesta última fica mais evidente que na versão de estúdio a estrutura dessa faixa que começa com uma brilhante introdução, segue o refrão, volta para o riff inicial, finalmente aparecem os versos, novamente o refrão, o riff introdutório e o solo de guitarra sobre a base dos versos. Lamentavelmente não conto com a íntegra desse show realizado poucas semanas antes de 18.09.1970.

Resenha de CD - Jimi Hendrix "First Rays of the New Rising Sun" (1997)


Nesses últimos dias tenho me interessado mais de perto pelo timbre da Fender Stratocaster, então veio em boa hora uma promoção da Saraiva com CDs relançados da Universal, sobretudo porque tive a oportunidade de aumentar a coleção com discos do Cream, Clapton e, fundamentalmente, Hendrix. Já estou familiarizado com a noção de que "First Rays of the New Rising Sun" é uma espécie de tentativa de antecipar o que eventualmente seria o quarto disco de Jimi Hendrix, com base no material que o cara gravou e/ou executou ao vivo até setembro de 1970. Com os ouvidos um pouco mais treinados, estou curtindo algumas das boas faixas desse disco, que ao meu sentir não é tão bom quanto poderia ser o quarto álbum de Hendrix, se fosse o caso. Já conhecia "Freedom" em versão de Glenn Hughes, mas o original é muito superior, notadamente pelo fantástico timbre de Stratocaster que desde logo abre a faixa. "Izabella" é muito boa, ressalvado o refrão, e admito que o solo de guitarra, que conta com um timbre bem característico e expressivo na hora dos bends nas casas mais agudas, acaba se tornando um pouco abusivo por conta, justamente, de um monte de bends nas casas mais agudas. Particularmente, minha favorita é "Dolly Dagger", em razão de sua introdução ameaçadora, que me lembra menos rock do que jazz fusion ou algo que o valha. Além disso, a linha de baixo é muito legal e também vale a pena prestar atenção nas bases das guitarras. Lembro de quando o Barboza me mostrou uma música do Hendrix e dizia que Lenny Kravitz havia roubado um lick de tal faixa para criar o espetacular riff de "Are You Gonna Go My Way"; entendo que ele se referiu erroneamente a "Lover Man", pois particularmente acho que um riff que aparece no meio (i. é, logo após o solo de guitarra) de "Ezy Rider" é exatamente os primeiros compassos do riff da música clássica de Kravitz. Se "Drifting" é mais uma balada bonita de Hendrix (convém reparar na beleza dos timbres limpos da Stratocaster), "Stepping Stone" tem uns licks com pedal wah que serviram como inspiração imediata para muitos dos licks de Steve Vai e Joe Satriani. "Hey Baby (New Rising Sun)" é majestosa demonstração da capacidade de Hendrix preencher o som com base e solo simultaneamente, algo que só Eddie Van Halen conseguiu repetir satisfatoriamente. Já percebi que se impõe dedicar atenção aos discos de Hendrix mediante repetidas audições com ouvidos pesquisadores para bases, solos, timbres, efeitos, etc.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Jimi Hendrix "Live at Berkeley" (2003)


Há uns 15 anos atrás, quando quis conhecer o som de Hendrix, não tolerava os CDs ao vivo, pois queria ouvir as composições do guitarrista, e ao invés disso ouvia o cara solando quase o tempo todo. Agora já consigo apreciar a loucura que essa lenda provocava nos shows. Entretanto, os CDs de Hendrix desapareceram das prateleiras das lojas. Confio numa reedição remasterizada da discografia para 2010, face aos 40 anos da perda do guitarrista. A venda de usados da Espaço Vídeo veio me socorrer: trouxe para casa, dentre outros, o "Live at Berkeley", com parte do repertório de 30.05.1970, quando Hendrix voltava a se apresentar com o Experience, formado agora por Mitch Mitchell e Billy Cox. Se as versões de "Machine Gun" e de "Star Spangled Banner" não são tão fortes quanto às que apareceram em "Band of Gypsies" e "Woodstock", pelo menos esse bom CD tem uma excepcional versão para "Hey Joe", além de outras muito boas para "Stone Free", "Foxey Lady", "Purple Haze" e "Voodoo Child (Slight Return)", sem contar "Lover Man" e "I Don´t Live Today". O timbre da Fender Stratocaster e os múltiplos efeitos empregados por Hendrix (wah-wah, notadamente) estão dignamente representados nesse CD, e é aqui que centro minhas pesquisas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Iron Maiden "The Eternal Flame" (1996, bootleg)


Talvez maior que a curiosidade de saber como seria o Iron Maiden com o vocalista novo (Blaze Bailey) era saber como seriam as músicas antigas com o vocalista novo. Afinal, Bruce Dickinson é um espetacular frontman, totalmente identificado com a banda, e Bailey, desde o lançamento de "The X Factor", tem estilo completamente diferente. Quais músicas do repertório antigo seriam eleitas para combinar com a voz de Bailey e como o cara mandaria esses clássicos? Lembro bem de todas essas inquietações em 1995, e me recordo da surpresa de ver na TV3 um bootleg com parte dos shows da banda em 01 e 05 de novembro de 1995 em Gothenburg e Glasgow, respectivamente. Boa parte do set list era das músicas do disco novo ("Man on the Edge", "Lord of the Flies", "The Aftermath", "Sign of the Cross", "Fortunes of War"), em relação ao qual houve pouca alteração em relação à versão original (entretanto, fica mais evidente o limitado alcance de Bailey, que repete sempre a mesma melodia no refrão, pouco mudando as notas para dar um novo colorido, além do fato de que o cara parece murmurar a letra - por tê-la esquecido - antes dos solos de "The Aftermath"); das antigas, "Wrathchild", "Heaven Can Wait", "Afraid to Shoot Strangers", "The Evil That Men Do", e "Iron Maiden". Em boa parte delas, Bailey desafina, mas tenta manter a animação durante os shows. O som, em geral, é bom para o padrão bootleg, e é da distribuidora que colocava na contracapa uma etiqueta informando a fonte ("source: soundboard digital recording") e a qualidade da gravação (quatro sinais de positivo). A guitarra de Dave Murray é mais evidente na mixagem. Seja como for, a banda estava bem ensaiada e tocando com perfeição.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

CDs do Kiss - Parte VII "Alive II" (1977)


Em 1977 o sucesso do Kiss em sua terra natal era tão forte que os caras e a gravadora se sentiram à vontade para lançar mais um disco ao vivo, almejando repetir o êxito de “Alive!”. Se este contava com o repertório baseado nos três primeiros discos, para “Alive II” a banda utilizou os três discos lançados desde então, e ainda agregou faixas novas gravadas em estúdio. Ainda que não tenha se tornado tão bem sucedido quanto o primeiro, o segundo disco duplo ao vivo é ainda considerado um clássico da banda. Sabe-se que o Kiss gravou shows no Japão da turnê de “Rock and Roll Over” para o lançamento de um disco ao vivo, mas eventualmente se optou pelo arquivamento do projeto e o ingresso em estúdio para a gravação de mais um disco de inéditas em 1977, que viria a ser o “Love Gun”.

As lojas de CDs costumavam prestar um grande serviço em época pré-internet: mediante encomenda, os caras gravavam de um dia para o outro numa fita k7 os CDs disponibilizados para venda. Era um excelente recurso para quem não podia comprar todos os CDs que quisesse, e mesmo servia para conhecer álbuns só lançados no exterior, sobretudo os importados e os bootlegs. Assim, pedi para uma loja que ficava na R. Fernando Machado e agora está na Gal. Chaves o “Alive II” e o “Ace Frehley”, no Natal quente de 1993. E lembro que gostei bastante dos dois discos. Eventualmente, comprei numa loja de CDs de uma grande rede local que ficava perto do supermercado do Praia de Belas em 1996 por um bom preço para um importado (pouco mais que um disco simples – jamais vi o disco lançado em CD nacional).

No caso do “Alive II”, já estava familiarizado com parte do repertório. Entre conhecidas e desconhecidas, curti muito “Makin´ Love” pelo riff, pela levada faceira da bateria, e pelo refrão. Acredito que essa é a versão definitiva dessa faixa do “Rock and Roll Over”.

Ace Frehley manda muito bem em “Shock Me”, e ao final há espaço para o seu solo de guitarra. Mesmo não contando com os elementos visuais da apresentação ao vivo (fumaça pelo captador da guitarra, além dos “tiros” a partir do braço do instrumento), o solo de guitarra é memorável por conter uma série de licks posicionados de forma início-meio-fim. Trata-se do melhor registro de solo de guitarra de Ace e parâmetro para aferição dos demais.

Peter Criss canta em duas faixas: “Hard Luck Woman”, uma das minhas favoritas, ganha uma versão decente e muito parecida com a de estúdio; e “Beth”, que é sua marca registrada. O baterista se destaca, no entanto, pela excelente performance na maior parte das faixas; o cara realmente estava no ápice da forma musical, e isso fica evidente logo na abertura com a levada rápida de "Detroit Rock City".

Algumas faixas me parecem fracas, apesar de ser bom tê-las em versão ao vivo em todo o caso: “Ladies Room”, de Gene, “Tomorrow and Tonight” e “King of the Nighttime World”, de Paul. De outro lado, uma das minhas favoritas é “I Stole Your Love”, e jamais ouvi versão ao vivo que superasse a de estúdio, notadamente pelos vocais e pelo próprio destaque do som das guitarras. “God of Thunder” tem espaço para o “solo” de Gene Simmons (no qual cospe “sangue” e é elevado para uma estrutura bem alta no palco) e a banda executa a música em alta velocidade (mais parece a versão demo original de Paul do que a original de “Destroyer”).

O chamado “lado quatro”, ou lado B do disco 2 (na época do vinil) é composto por músicas registradas em estúdio: um cover (“Anyway You Want It”) e quatro originais. Para fins de Kisstory esse registro é importante, pois deu andamento ao início do fim da formação original. Afinal, Ace Frehley só contribuiu com suas guitarras na faixa de sua composição (a excelente “Rocket Ride”, com belo riff, vocal competente, solos de guitarra muito legais, e até um acelerado solo de bateria de Peter Criss); em todas as demais, os solos de guitarra foram gravados por Bob Kulick. Das inéditas remanescentes, a melhor é "All American Man", por todos os riffs de guitarra, e pelo solo de Kulick, no qual há um lick com um truque que permite guitarras com ponte fixa soarem como guitarras com ponte móvel (alavanca): o cara faz repetidos hammer-ons e pull-offs nas casas 12 e 15 da 2.ª corda (B) e com a outra mão pressiona a corda perto das tarraxas, simulando uma alavancada para cima, elevando a altura das notas.

“Alive II” é um bom registro de uma banda no auge da fama e marca o início da transição para a fase seguinte, de dissolução da formação original.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Eric Clapton "Slowhand" (1977)


A capa, mostrando apenas a mão esquerda de Eric Clapton no braço de uma Fender Stratocaster das antigas (digitando um perfeito acorde sol maior), o título "Slowhand" (referente ao apelido dado por um bluesman a Clapton sobre o modo como suas mãos se moviam apesar da quantidade de notas tocadas), e o fato de abrir com "Cocaine" davam os indícios de que se trataria de um disco espetacular do guitarrista. Posso dizer, no entanto, que ainda estou pesquisando as razões pelas quais se considera Clapton um dos maiores guitarristas de todos os tempos; diria, ainda, que se houvesse mais uma ou duas músicas nesse álbum como "Cocaine", o disco seria um dos meus favoritos. No entanto, não consegui apreciar adequadamente boa parte do repertório de "Slowhand", de maneira que fico ouvindo repetidamente "Cocaine", que é a mais familiar, particularmente, pois o riff magnífico de abertura é conhecido desde a minha infância. A música tem estrutura muito simples, apenas duas partes, mas o riff utilizando apenas os power chords E e D é muito ouro, valorizado pelo timbre cortante da Fender Stratocaster. O primeiro solo de guitarra também é marcante, pela escolha das notas iniciais.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Ensaio The Osmar Band - "Neunundzwanzig" 15.12.2009

Todos ficamos empolgados com o som que rolou do ensaio passado, embora o Alemão tenha identificado que as músicas estavam muito parecidas umas com as outras. É provável que isso seja correto, mas o mesmo talvez se possa dizer de outros tantos ensaios, e no geral não há grandes problemas quando nos deparamos com grandes mega hits. Depois de muita negociação, conseguimos nos reunir para o último ensaio de 2009. Estávamos, no entanto, mais cansados do que o de costume, por diversas razões, e talvez tenha contribuído a frutífera concentração antes de descermos com os instrumentos. De qualquer maneira, fizemos umas 3 ou 4 jams e compusemos uma música nova, cujo título é dedicado ao meu novo pedal de efeitos (o qual ainda adestrando). Essa nova foi motivada a partir de um padrão de bateria eletrônica do Triton, sobre o qual toquei um riff com escala do tipo menor melódica, ou coisa que o valha. Ficou bem diferente do que costumamos tocar, quase um hip hop (pela batida e pelo vocal) e tentei empregar o pedal no refrão. O Alemão tocou uns acordes muito bons na nossa primeira jam, e lembrou-me das músicas que tocavam durante os episódios do Snoopy (talvez a referência esteja errada, pois ninguém concordou na hora). Das antigas, tocamos aquela sobre um sério problema masculino, e uma outra das favoritas que é com sotaque do centro do país. Em regra o Marcelo entrou nos momentos certos com a harmônica, de modo que estão cada vez menos frequentes os espaços nos quais ficamos apenas repetindo a base da música, i. é, sem alguém solando ou cantando; além disso, o encerramento das músicas está cada vez mais aprimorado. 2010 continuamos. "Iiiissa!".













Resenha de CD – Slayer “World Painted Blood” (2009)


Há um ano atrás aproveitei o balaio de uma grande rede gaúcha de eletrodomésticos e comprei por aproximadamente 14 pila cada quase toda a discografia do Slayer (dispensei o disco de covers de bandas de punk). Trata-se de uma banda que dispensa apresentações – é uma das fundadoras do thrash metal, com Metallica, Anthrax e Megadeth – e lança discos com regularidade, mantendo cativo público fiel. Caracteriza-se pela velocidade das músicas que aproxima o Slayer do punk. Particularmente, nunca acompanhei a banda de São Francisco e durante muito tempo não curti o som dos caras (sobretudo em meados dos anos 1990, quando passavam os clipes da banda no Fúria Metal). Hoje em dia acho graça de uma noção que vi na internet, segundo a qual não há melodia nos vocais de Tom Araya. Realmente, o cara só grita as letras. O que me interessa no entanto, e o que efetivamente comecei a reparar a partir da audição desses álbuns todos do Slayer, é o trabalho das guitarras e os riffs de Kerry King e Jeff Hannemann.

Com as bandas de heavy metal em renovada evidência neste final dos anos 2000 (uma das causas é o Guitar Hero), o Slayer experimentou uma grande fase a partir de “Christ Illusion”, o álbum anterior, que marcou a volta de Dave Lombardo nas baquetas, apareceu bem no Top 200 da Billboard e valeu indicação para o Grammy daquele ano. Com a proximidade da data do lançamento do novo álbum “World Painted Blood” aumentou o interesse geral sobre a banda, conforme notícias dos sites especializados (a melhor revista de guitarra – Guitar World – em uma de suas edições teve uma sessão com depoimentos de várias bandas de heavy metal, novas e velhas, sobre a expectativa em relação ao disco novo do Slayer). Particularmente, ouvi uma vez as faixas disponibilizadas no MySpace e aguardei a chegada do disco na Cultura, por preço nada atrativo.

Está me parecendo que Dave Lombardo, além de excepcional baterista de thrash metal, exerce uma influência positiva sobre os demais músicos, pois geralmente os discos que ele participa soam bastante inspirados. O melhor disco do Testament, por exemplo, contou com Lombardo nas baquetas (“The Gathering”). “Christ Illusion”, o disco anterior do Slayer, marcou espécie de retorno à forma, e agora “World Painted Blood” parece um Slayer revigorado. As correrias estão todas lá, então é despiciendo descrevê-las. O que me importa são os riffs de guitarra. E há um punhado de bons deles nesse álbum. A faixa-título é muito boa (a melhor do disco, com várias partes), sobretudo pela alternância entre riffs rápidos e cadenciados. Se "Unit 731" é uma correria típica do Slayer, achei legal as pausas que Dave Lombardo enfiou durante o refrão no final de determinado número par de compassos, criando um efeito stop-start bem tenso. "Beauty Through Order" tem um interessante riff melódico. "Human Strain" é das mais diferentes do disco, tanto quanto "Playing With Dolls", e por essa razão se destacam na audição. "Americon" tem o melhor riff do disco, perfeito para headbanging.


No CD não constou uma faixa que havia sido resenhada pela própria banda para a melhor revista de guitarra do mundo, a Guitar World, numa entrevista que teve um dos momentos mais engraçados que já li. a música é "Atrocity Vendor" e sobre ela Kerry King disse o seguinte: "This one was built around two phrases I took from my notebook: 'atrocity vendor', and 'equal-opportunity offender'. The first line is 'You´re staring at the atrocity vendor, f*cking equal-opportunity offender'. When I got to the third verse, which repeated that line, I realized I was singing about being an offender but I hadn´t written anything offensive yet. So I wrote the most offensive thing I could think of: 'I´ll introduce you to my own morbid charm, and fist-f*ck you with your own severed arm'". É realmente impressionante o raciocínio e todo o trabalho intelectual por trás da composição de letras desse tipo (risos).

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Resenha de CD - AC/DC "Black Ice" (2008)

Geralmente o lançamento dos discos do AC/DC somente são aguardados pelos fãs mais ardorosos, entendidos como aqueles que seguem a banda há anos, diferentemente do resto público em geral que consome música. De minha parte, ouço a banda australiana desde 1993 e ouvi todos os seus discos desde então. Como o AC/DC é o tipo de banda que lança dois discos a cada 10 anos, pude notar que jamais houve muito estardalhaço em volta dos lançamentos de "Ballbreaker" e "Stiff Upper Lip". Então foi com surpresa que acompanhei as notícias prévias, contemporâneas e posteriores à edição de "Black Ice". De fato, esse disco foi bastante antecipado e desde sempre se divulgou a noção de que se trataria do melhor disco desde "Back in Black". Pois o disco ganhou espaço generoso nas prateleiras das lojas (desde o lançamento e até hoje encontro com facilidade o disco na Saraiva ou na Cultura, sendo que até em Buenos Aires, em abril - meses após o lançamento do disco - ainda há um grande cartaz de "Black Ice" em uma das lojas da Musimundo, suplantando discos que chegaram ao mercado mais recentemente, como o último do U2), além de destaque no noticiário musical. As resenhas seguiram esse espírito "melhor desde 'Back in Black'" e as vendas foram excelentes, despachando outros discos talvez mais aguardados como o do Metallica e o do Guns´n´Roses.

Não precisei ouvir nenhuma música para trazer o disco para casa e para isso ajudou bastante o preço acessível (pelo menos em comparação com o de outros cds). Esperava um disco com guitarras mais pesadas, pois o álbum anterior ("Stiff Upper Lip") tinha uma levada bem mais sossegada de blues. Entretanto, as 15 faixas de "Black Ice" soam parecidas (todas as músicas do AC/DC são familiares e isso faz parte do estilo dos caras, e não há dúvidas de que as coisas devem permanecer assim; eles só usam acordes abertos e maiores, e ninguém está esperando que eles resolvam agregar novos sons), e o tom das composições é no blues e no soft rock. Só por isso já dá para discordar de quem disse que seria o melhor disco desde "Back in Black", pois a banda lançou discos excelentes nesse período, nomeadamente "The Razor´s Edge" (um dos meus favoritos) e "Flick of the Switch" (um dos meus favoritos de todos os tempos), sendo certo que recentemente descobri o quão divertida é a audição de "Fly on the Wall" (disco que considerava o pior da banda, mas, bem vistas as coisas, está longe de ser um disco ruim, antes pelo contrário).

"Black Ice" fez parte da trilha sonora para as viagens a Rio Grande ano passado, e tive oportunidade para reparar que "Rock and Roll Train", a faixa de abertura e música-de-trabalho, é do tipo clássico, com tudo perfeitamente encaixado, inclusive o solo típico de Angus Young, com bends, double-stops, entre outros recursos e licks ouvidos em tantas outras músicas da banda. As primeiras músicas soam boas e tal, mas depois de uns 25min de audição tudo começa a parecer igual, com o mesmo andamento e as mesmas partes. Mas há destaques, como "Anything Goes", bem melódica e com refrão muito legal de Brian Johnson, talvez uma das novidades marcantes em termos de AC/DC.

Aliás, o vocalista está em excelente forma, e em "Black Ice" é provável que os caras tenham conseguido os melhores registros de toda a fase da banda com Brian Johnson. A voz dele está excelente - o cara está mandando ver tão bem quanto no início da década de 1980 (são poucos os vocalistas que não perdem a voz com o passar dos anos).

No final de novembro desse ano, o AC/DC veio ao Brasil para apresentação única em São Paulo. Achei que ia rolar pacotes e tudo mais, mas não vi nada e na última hora as coisas eram caras demais, inclusive assistir o show em Buenos Aires, onde teve show extra. O evento foi espetacular, conforme descrições, sobretudo pelo fato de que a banda veio fazer o show completo, com todos os sinos, trens, canhões e a Rosie de costume.

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