terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ensaio URSO #5 (Complexo Master, 23.08.2010)

Faltando um mês para o show de estreia, reunimo-nos para o ensaio #5, acompanhados pela Sr. Maquenzi, Liege. Desta vez não havia ninguém tocando no estúdio antes de nós, então instalei meu equipamento já na chegada. Utilizei, mais uma vez, o timbre Soldano com Fuzz, só que com resultados variados de médio para ruim pela equalização que fui mudando no decorrer. Sem demora, passamos o set list duas vezes: "Conselhos", "All Black", "Malzbier", "Sem Prejuízo" e "Imigrante". Praticamos a parte do meio quebrada desta última, e as duas execuções dela na íntegra saíram redondas. A instâncias do Brenno, tocamos "Sem Prejuízo" mais uma ou outra vez, de maneira que todas estão praticamente dominadas. Ao final, tocamos "Saí Nadando no Riacho Ipiranga", fizemos uma boa jam com parte do riff "Ferramenta" (para o Brenno assimilar as notas, o que se revelou um belo exercício dada a afinação do baixo, que diferentemente das guitarras não é dropped-C), e ainda rolou uma jam com riffs meus, todos com a 6.ª corda (C) solta. Próximo encontro é na quinta da semana que vem, e adotamos o Master pela facilidade de agendar horários, o que para o Valmor tem especial sabor pelo sempre elogiado timbre da bateria.

sábado, 21 de agosto de 2010

Ensaio URSO #4 (Complexo Master, 19.08.2010)

URSO - ensaio #4 (19.08.2010 - Complexo Master)
Na véspera do que seria a estreia da URSO nos palcos, reunimo-nos para o ensaio #4, preparando o show que está agendado para daqui pouco mais de um mês. Fomos acompanhados por Cris, Victor, Diego e por Bruno e acompanhante por alguns instantes. Pelo que entendi, os caras estipularam um set list: "Conselhos", "All Black", "Malzbier", "Sem Prejuízo" e "Imigrante". A primeira rodada de cada uma delas (com exceção de "All Black") foi prejudicada por erros na contagem das repetições. Fizemos, então, uma segunda rodada, que ficou bem melhor, e deu tempo para uma terceira vez. Depois da segunda percebi que o Valmor já estava satisfeito e queria novas jams, mas por outro lado o Andrio estava inquieto pois havia muitos ajustes pendentes, então achei que era oportuno mesmo insistir no set list. Ao final demos mais atenção para "Conselhos" e "Sem Prejuízo". Deu tempo para tocar "Saí Nadando no Riacho Ipiranga", "Chafurdando a Miúda" e no final, a instâncias do Valmor (que pediu um riff), toquei um que prezo bastante, meio-Iommi-meio-Cantrell, bom bend lento na 6.ª corda, e andamento lento na execução toda, ao qual fui agregando outro riff, acordes, e tal. Achei que ficou muito boa a jam, e o Valmor aproveitou para nomeá-la "Homem do Bussaco", que era um título que estava pedindo uma música desse jeito: lenta e uma paulada. Toquei o tempo todo com o timbre Soldano, ao qual agreguei a simulação de Fuzz (e chorus em "Chafurdando"), e me parece que finalmente alcancei um som adequado para acompanhar o Andrio (ele ainda tem mais volume, mas é o solista, então tá justificado). O set list contém só músicas pesadas, então me pareceu que, além de "sem prejuízo" o nosso som é "sem perdão" (deveríamos distribuir paracetamol no dia do show). Conseguimos agendar o ensaio #5 para em seguida.













domingo, 8 de agosto de 2010

Ensaio The Osmar Band - "Neununddreissig" (05.08.2010)

39.º ensaio The Osmar Band (05.08.2010)
Como na terça assisti a uma apresentação da OSPA no Salão de Atos (prestigiando a Gabriela - certamente que iremos mais vezes), os caras foram tranquilos em agendar o ensaio para a quinta-feira, apesar do jogo decisivo do Inter contra o São Paulo. Particularmente foi emocionante o caminho de ida (e de volta) para o ensaio pois finalmente o trajeto a partir desta semana é bem menor. Cheguei com atraso, vimos apenas o final do jogo do Grêmio contra o Goiás, no Serra Dourada, pela Copa Sulamericana 2010 (empatezinho 1x1, apesar de ter saído na frente), e depois da conversa inaugural, descemos para tocar. No ritmo ditado pelo Alemão, conforme o ensaio passado, enfileiramos os clássicos: introdução, bairro inverossímil, clássica do primeiro ensaio, a do sotaque do centro do país. Fizemos uma versão contundente para uma que não tocávamos há tempo, com os acordes Am e vários, que fica sensacional com os sons impiedosos que o Alemão tira do Triton. Jams com músicas novas renderam uma bossa nova fajuta (que acompanhei com mini solos e tocando com os dedos - sem palheta). Reprisamos a homenagem à gata Osmar, que fora obra do ensaio passado (F#-G#-Bb). Recuperamos uma com letra sobre loiras com cabelo pintado e uma outra que havia composto originariamente no baixo com as notas C-Bb-Eb-F. O Marcão teve oportunidade para demonstrar grande virtuosismo, ouvindo o jogo do Inter com um headphone, e nos acompanhando na batera com o outro ouvido, sem perder nenhuma batida. Soubemos dos gols em tempo real, e com o depoimento do Marcelo (que havia feito um pit stop) de que o jogo estava emocionante, assistimos ao restante da partida e mandamos ver numas pizzas apimentadas.



















sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ensaio URSO - Parte III (Complexo Master, 29.07.2010)

Ensaio #3 - URSO (29.07.2010)
Tão logo saímos do ensaio #2 tentamos agilizar no Music Box o ensaio #3; só que a agenda dos caras estava incompatível com a do estúdio, então deixamos em aberto. Dei o toque no Valmor para o Complexo Master e o cara foi rápido em agilizar o encontro nessa semana mesmo. Cheguei com antecedência, bati um papo com o proprietário e recebi notícias de que a situação para um empreendimento daqueles não é fácil (exige fôlego financeiro por tempo indeterminado, aparentemente) enquanto ouvia o ensaio da Procura-se Quem Fez Isso. Instalamo-nos (o Andrio ficou com o Fender Hot Deville e eu fiquei com um do tipo para vários instrumentos) e aquecemos com uma jam na qual toquei o riff de "Ferramenta". A jam se desenvolveu, o Andrio agregou melodias, e o Valmor sugeriu o título: "Sai Nadando no Riacho Ipiranga". Tocamos "Conselhos Que Vos Deixo" algumas vezes, sempre com alguma coisa a mais. Sai redondinho o nosso single, "All Black". Tive bastante trabalho para achar um timbre decente, e não fiquei satisfeito com nenhum, apesar de mexer bastante no EQ do PODxt e nos botões de tom e nos captadores da Fender. O Andrio realmente consegue uns timbres muito bons, com um grave que não alcanço (talvez o segredo esteja nos pedais dele, ou então minha guitar é uma porcaria, ou eu não tenho a manha - o que é mais provável). De qualquer maneira, o volume dele estava bem alto e tentei acompanhar (teve uma hora que achei que as coisas estavam realmente altas), mas o Brenno e o Valmor comentaram que não ouviram muito bem a minha guitar (provavelmente pela posição do amplificador em relação a eles). Como o estúdio tinha preços muito diferenciados para gravação, utilizamos nossas câmeras caseiras (o Valmor levou uma Sony, que logo perdeu a bateria, e eu me responsabilizei pela Panasonic e pela Kodak). "All Black" não precisa mais do que uma execução para sair boa. Então partimos para "Imigrante", a qual já estamos todos familiarizados e teve boas versões (e é legal ver que todos se divertem de tocar suas várias partes). Fizemos "A Morte, o Bem e o Malzbier Livre" um par de vezes (na segunda eu alterei um pouco um riff heavy que não me parecia funcionando muito bem). Acalmamos as coisas em "Quero Dormir na Minha Cama", que é bom praticar para agregar partes novas (a ideia é que a minha guitarra toque algo diferente, vou ver se faço a lição de casa - é que acho o riff do Andrio muito bom, então fica difícil criar algo tão bom em cima). O peso voltou com "Sem Prejuízo" e finalizamos com "Chafurdando a Miuda" (que me parece uma excelente para encerrar os trabalhos". Entre uma e outra o Andrio, o Valmor e o Brenno tocaram "The Cringe" do Zeppelin (e ficou muito legal, apesar de complicadíssima para quem só tinha ouvido sem dar bola) e a melhor do Pelican (foi bom visualizar a posição dos riffs para tirar em casa).











Ensaio The Osmar Band - "Achtunddreissig" 27.07.2010

38.º ensaio The Osmar Band (27.07.2010)
Parece que estamos retomando o caminho da regularidade, pois a banda conseguiu se reunir três vezes consecutivas (na semana passada tive que faltar por compromissos em Brasília). Desta feita, resolvi levar a Gibson, sobretudo porque havia tocado com a Fender no fim-de-semana anterior. O Alemão fez a convocação para um horário mais cedo que o costumeiro, então cheguei bem depois de todos. Foi providenciada a comemoração do aniversário do Marcão e, após, descemos para o 38.º ensaio. Desde logo, e durante todo o ensaio, enfrentei dificuldades com o timbre de Gibson. Achei que estava ardido em demasia, e tentei compensar com o botão do tom mais perto do zero, o que não foi satisfatório o tempo todo. Olhei a mesa de som para conferir o EQ, mas não encontrei nada que pudesse ser mudado. Então utilizei vários timbres do PODxt com resultados mistos. O Alemão estava inspiradíssimo, puxando na sequencia as clássicas da banda, primeiro no Triton, depois no violão de cordas de aço. Houve espaço, ainda, para umas duas ou três jams novas com letra do Marcelo. Foram executadas: a introdução, a do nome de bairro inverossímil do interior do estado, (com o Alemão no violão de cordas de aço) a do sotaque do centro do país (na qual fiz um solo contuntente, conforme o Marcelo), a da letra impublicável (versão mais lenta, meio bossa para o Marcelo), a clássica do primeiro ensaio, a que tira sarro de um momento político do ano passado. Os caras lembraram de uma jam mais antiga e o Marcelo fez nova letra, prestando homenagem para a recém partida gatinha Osmar que nos acompanhava desde o início de 2009. Umas jams de blues viraram música com letra jocosa sobre mulheres com sapato grande, e por fim aprendi e recuperamos uma das antigas, sobre o Marcão.











quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ensaio The Osmar Band - "Siebenunddreissig" 13.07.2010

37.º ensaio The Osmar Band - 13.07.2010
Mais de um mês e finalmente nos reunimos para o 37.º ensaio. Apesar do tempo afastado, estávamos todos relaxados e, após os trâmites iniciais, executamos várias das clássicas da banda, em versões muito boas, acertando todas as partes que outrora se mostravam dificultosas. Levei a Fender e achei que o timbre estava agudo demais - talvez seja por conta do EQ da mesa de som - então fiz algo inédito que foi deixar o botão de tom do captador da ponte no 0 (ele sempre fica no 10). Achei muito bom o timbre (no PODxt deixei num com distorção de amplifixador Plexi) e executei muitos solos, aproveitando inspirações Stevie Ray Vaughan, David Gilmour, Eric Clapton e Ace Frehley que ando ouvindo com assiduidade. O Marcelo trouxe o micro só que, por questões mal resolvidas de back up, o cara não tinha letra nenhuma para cantar, então fomos no modo voo noturno (sem saber as letras, os acordes e os timbres de Triton). Na semana seguinte estaria em Brasília, então os caras agendaram um ensaio em trio e não deixar de aproveitar a disponibilidade do Alemão.













sábado, 24 de julho de 2010

Ensaio URSO - Parte II (24.07.2010, Music Box)

Ensaio n.º 2 - URSO (24.07.2010)
As competitivas agendas de todos nós só permitiram um segundo ensaio quatro meses depois do primeiro. O interregno foi dedicado às gravações das composições daquela jam inaugural e das novas composições, geralmente riffs que mando para o Valmor trabalhar à vontade. Este segundo ensaio foi precipitado fundamentalmente pela perspectiva do nosso primeiro show, que seria em 20/08/2010, no Dr. Jeckyll, mas que acabou frustrado por um compromisso profissional importante do Brenno. De todo modo, não se cogitou desmarcar o ensaio, sobretudo para podermos praticar as composições que estamos formatando e, quem sabe, adicionar novas jams. Brenno (com outro baixo, muito bacana, e sem os pedais de efeitos), eu (utilizei basicamente o timbre do amplificador Soldano do PODxt), Valmor e Andrio (acredito que com menos pedais do que da outra vez) fomos acompanhados por um bom período pela Cris e pelo Marcelo, o qual se responsabilizou por gravações com a máquina do Valmor (a minha ficou posicionada num ângulo contrário ao da câmera do estúdio, mas não captou coisa muito boa). Sugeri iniciarmos com "Conselhos que Vos Deixo", e não perdemos muito tempo, nem tocamos mais do que duas vezes, para decorar as suas duas partes (riff e acordes) principais. Mais familiarizados estávamos com o nosso single, "All Black", que foi tocada umas três vezes. A composição mais recente, "Imigrante", era a que mais nos despertou curiosidade, pois com os riffs que mandei o Valmor organizou uma faixa bem complexa, com várias partes, algumas das quais bastante intrincadas, mas todas divertidas de tocar. Utilizamos a manha do Dream Theater de escrever uma pauta com os nomes dos riffs e partes e o número de repetições (o Andrio escreveu tudo na lousa do estúdio). A terceira execução já ficou muito boa, e foi fundamental a dica do Brenno para a parte com os acordes pesados e abafados no meio (contar primeiro até seis, depois até sete). Brincamos um pouco com "Quero Dormir na Minha Cama" (a única que não utiliza afinação drop-C - é padrão um tom abaixo) e chamei "Almoço no Filhote" (esta última precisa ainda de organização). Das que já se encontram no estágio "demo" foram tocadas "A Morte, o Bem e o Malzbier Livre" e "Sem Prejuízo". Por fim, com o tempo estourando, lembrei de tocar um riff do Andrio que curti muito no primeiro ensaio, "Chafurdando a Miuda". Só temos esse riff hipnótico, então depois de algum tempo com as guitarras em uníssono, resolvi arriscar e mandei uns licks David Gilmour... quando identifiquei a escala e as notas corretas, achei que o resultado ficou bem massa, liberando o Andrio, o Brenno e o Valmor para mudar eventualmente a base. As tentativas para já marcar o terceiro ensaio na próxima semana foram infrutíferas, mas agosto pode nos revelar novas datas.













quarta-feira, 14 de julho de 2010

CDs do Kiss - Parte XXXVI - "Gods of Thunder" (1993)



 Em termos de bootlegs do Kiss, a época da turnê do "Animalize" é uma das mais frutíferas. Já tive vários em casa (todos foram trocados por outros discos do Kiss nas bocas do disco), e mais recentemente (a partir de meados dos anos 2000) resolvi retê-los, toda vez que tivesse a oportunidade (evidentemente que com os programas de compartilhamento de arquivos essa situação foi amenizada). Já sabia que no acervo da Espaço Vídeo havia alguns bootlegs do Kiss, de maneira que corri rápido pra lá quando soube que eles estavam liquidando à moda "locação sem devolução". Fiz uma resenha mais ou menos nessa época, conforme segue:

Bruce Kulick ingressou efetivamente na banda para a turnê europeia do disco "Animalize", em 1984, ocupando a vaga de Mark St. John (RIP), e é notável como a substituição pouco se fez notar ou sentir, pois a banda parece tão bem ensaiada como se Kulick fosse o guitarrista solo há anos. É exatamente dessa época o bootleg "Gods of Thunder", que traz parte do show de 11.10.1984 em Ipswich, com excelente qualidade de som (soundboard), aparentemente transmitido por rádio FM na oportunidade. Particularmente, entendo que caberia um "Alive III" para registrar essa época, conquanto admita que as músicas estão com andamento bem mais rápido devido à levada forte de Eric Carr. O bootleg em questão é valioso por conter uma das poucas versões ao vivo de "I´ve Had Enough": é a minha favorita de "Animalize" e não entendo a razão pela qual essa música foi abandonada dos set lists, apesar de que "Under the Gun" é muito boa também. As 10 faixas coincidentemente estão bem distribuídas, pois há as antigas ("Detroit Rock City", "Cold Gin" e "Strutter"), as recentes ("Fits Like a Glove", "Heavens on Fire", "Under the Gun", "I´ve Had Enough") e as últimas da fase mascarada ("I Still Love You", "I Love It Loud", "Creatures of the Night").

quarta-feira, 7 de julho de 2010

CDs do Kiss – Parte XXXV - "Live in Japan 88"

Kiss "Live in Japan'88"
Em meados dos anos 1990 o divertido era adquirir bootlegs (na época chamava de “piratas”) do Kiss. Afinal, havia muitos disponíveis nas bocas do disco, geralmente da turnê do “Animalize”, em 1984, do “Crazy Nights”, em 1988, ou então das turnês a partir do “Revenge”, em 1992, e antes do retorno das máscaras em 1996. Nessas condições, trouxe para casa vários desses bootlegs, geralmente envolvidos em trocas com outros CDs do Kiss; e posteriormente me desfiz da maioria deles, e eventualmente readquiri todos os CDs oficiais do Kiss (a maioria antes do lançamento dos remasterizados). Um dos que mantive é do lendário giro pelo Japão em 1988.

O padrão do Kiss nos anos 1980 foi o de lançar um disco com faixas inéditas e promovê-lo com uma turnê caseira (EUA e Canadá) que não ultrapassa meia dúzia de meses. Em 1984 a banda voltou a visitar a Europa, face a boa acolhida do “Animalize” e seu single “Heavens on Fire”. Em 1985 veio o “Asylum”, concomitantemente a oficialização de Bruce Kulick, e um pequeno recesso para o retorno, em 1987, com o “Crazy Nights”. Este contou com a produção de Ron Nevison (guitarras polidas e teclados) e músicas feitas para arena (“Crazy Crazy Nights”, “Turn on the Night”, “Bang Bang You”, “Reason to Live”). Após a turnê tradicional, foi agendada uma turnê em solo japonês, que serviria como retorno após mais de uma década sem shows por lá. Os caras se reuniram para ensaiar um repertório com algumas alterações em comparação com o da turnê do “Crazy Nights” e fizeram shows espetaculares em meados de 1988.

Em 1994 ouvi um bootleg com registro de parte de um destes shows: trata-se do segundo volume do CD duplo “Dr. Love´s House”. O som não era muito bom, mas o repertório, fantástico: com “War Machine”, solo de Eric Carr, etc. Acredito, inclusive, que o solo de bateria de Carr é o melhor que já ouvi, e no youtube existem vídeos com a performance. Lá por 1997/1998 encontrei numa loja de CDs do Praia de Belas, no balaio, um bootleg contendo quase toda a apresentação do Kiss em Tóquio: “Live in Japan'88”.

Diferentemente de tantos outros bootlegs, aqui a qualidade de som é muito boa, direto da mesa de áudio. Além disso, a banda estava muito bem ensaiada e as performances de todos estava em alto nível, de maneira que bem podia ter sido lançado como um “Alive III” (lembrando que não contamos com nenhum “Alive” com Eric Carr, apesar dos tantos anos que ele serviu à banda).

O repertório contou com faixas antigas (“Love Gun”, “Cold Gin”, “Calling Dr. Love”, “Black Diamond”, “Shout It Out Loud”, “Strutter”, “Rock and Roll All Nite” e “Detroit Rock City”) e mais recentes (“Bang Bang You”, “Fits Like A Glove”, “Crazy Crazy Nights”, “No, No, No”, “Reason to Live”, “Heavens on Fire”, “War Machine”, “I Love it Loud”, “Lick It Up”), além de recuperar um clássico: “I Was Made For Lovin You”. A execução das músicas, como padrão da época, era bem acelerado (reparar em “Love Gun” e “Detroit Rock City”), então temos versões únicas e matadoras para “Lick It Up”e “Shout It Out Loud”, destacando-se os vocais de Paul Stanley (o cara estava no auge da fase “cantar tão alto a ponto dos olhos saírem da órbita”).

O tempo todo Paul e Gene Simmons interagem com a plateia, inclusive com frases em japonês (muito aplaudidas essas tentativas de comunicação na língua materna dos anfitriões). Praticamente todas as faixas são anunciadas previamente, e acho marcantes esses momentos: “I think is time for us to call the doctor... not just any doctor... a doctor for this! We need... DR. LOVE!” (introdução para “Calling Dr. Love”), “We´re goin´ to do a song now... this is a ballad... everybody loves a ballad... comes off... “Crazy Nights”... This song is called... ooooh (diz algo em japonês)... this song is called “Reason (pausa curta) to live” (introdução para “Reason to Live”).

Nesse CD não constam “War Machine” e o solo de bateria de Eric Carr, nem “No, No, No” e o solo de guitarra de Bruce Kulick (acompanhado em alguns momentos por Carr, numa referência à introdução de “Hot for Teacher” do Van Halen). Por outro lado, o solo de Gene Simmons (com participação de Carr) antecede “I Love it Loud”, na qual há uma desafinada de Gene na parte em que se exige o canto do público.

Esse bootleg fica muito bom especialmente a partir da metade do set list, quando são executadas as músicas antigas, sendo certo que as versões para “Lick it Up”, “Shout It Out Loud” e “Black Diamond” são grandes momentos da apresentação.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

CDs do Kiss - Parte XXXIV - "Sonic Boom" (2009)

Há pouco menos de 10 anos, Paul Stanley declarou que não seriam mais lançados discos de inéditas do Kiss. O cara estava decepcionado com (a) a baixa receptividade de “Psycho Circus” e (b) o fato de que os fãs sempre querem ouvir as antigas da fase mascarada, (c) a desunião da banda para a composição de novo material, e o recurso a compositores externos. Para Paul, não importaria o quanto fosse boa uma música como “Psycho Circus”, pois os fãs sempre diriam, “essa é ok, mas toca ‘Love Gun’ agora”. Nessas condições, de que adiantaria investir dinheiro e esforços numa tarefa inútil?

Evidentemente que os fãs de Kiss estão acostumados com a máxima “nada é sagrado e perpétuo”. É óbvio que, sob determinadas condições, quaisquer decisões em relação ao Kiss podem ser revistas. Encarei com naturalidade, então, o surgimento das primeiras notícias de que o Kiss havia retornado ao estúdio para gravar um novo disco de inéditas.

Os fatores que viabilizaram esse retorno foram, em apertada síntese, os seguintes: (a) o lançamento de um disco solo de Paul Stanley (“Live to Win”), no qual o cara foi o responsável por todas as decisões, e se sentiu confortável, confiante e, acima de tudo, apto para o desempenho dessa tarefa; isso teve como consequência (b) a imposição de condições para um novo disco do Kiss, como a não intrusão de terceiros (todas as músicas seriam compostas pelos integrantes da banda), e a outorga de plenos poderes a Paul para produzir o disco e tomar todas as decisões a respeito (sem ter que dar importância para palpites alheios, muitas vezes motivados por questões diversas da artística).

Antes, porém, a banda resolveu selecionar um repertório com as mais conhecidas e regravou esse material com a formação atual, só que tentando reproduzir o “espírito” das gravações originais. Aparentemente, a banda poderia capitalizar com essas novas versões empregando-as em comerciais ou coisas do tipo. O resultado foi lançado inicialmente apenas no Japão, mas a banda resolveu incluí-lo no pacote do que viria a ser o CD bônus do “Sonic Boom”.

Quanto ao material efetivamente novo, Paul decidiu que as gravações se fariam como nos velhos tempos, com todos tocando ao vivo, sem manipulações digitais, tentando ser o mais orgânico possível. As contribuições foram de Paul, Gene e Tommy, que assumiu a tarefa de Bruce Kulick na composição de riffs e estruturação das músicas. Foram atribuídas faixas para todos cantarem, o que não acontecia desde “Dynasty” de 1979.

Previamente ao lançamento, foram muitas as manifestações de Gene dando conta de que o novo disco seria um clássico do tipo “Rock and Roll Over”, com 10 faixas diretas e roqueiras, sem baladas e sem viagens, e sem músicas pra encher linquiça (em bom português, as sem as “fillers”). A expectativa era a de satisfazer todos os fãs da época dos anos 1970.

Entretanto, não escapou a ninguém o fato de que, na verdade, o disco não tem tanto de “Rock and Roll Over” (a não ser a arte da capa, que é praticamente igual, visto que foi promovida pelo mesmo desenhista) quanto Gene queria fazer crer. Bem vistas as coisas, é possível identificar riffs e partes que não soariam mal em discos como “Lick It Up” e “Asylum”. Evidentemente que predomina o clima anos 1970, sobretudo se considerarmos que praticamente todas as faixas são baseadas nos mesmos acordes (observada a afinação padrão do Kiss, qual seja, meio tom abaixo): A, G, D, C, E e F.

Indiscutivelmente a melhor faixa é a de abertura, “Modern Day Delilah”. Pode-se dizer que é a única que tem um riff de guitarra, utilizando a 6.ª corda solta. É uma composição típica de Paul, com riff principal, acordes nos versos (como em “I´ve Had Enough”, “Exciter”, “The Oath”), ponte e refrão. Tommy tem a oportunidade de executar um solo de guitarra com a sua assinatura; apesar do cara se valer (com excesso até) dos licks de Ace Frehley, há um lick com uns bends de meio tom, tom e tom e meio que me parecem ser uma marca pessoal.

“Never Enough” tem um refrão com uma parada tipo “Never enough, never enough) que me lembrou muito o refrão de “Slide It In” do Whitesnake. “Stand” tem refrão grandioso, para ser cantado em arenas, e a letra é do tipo ufanista. “Danger Us” é boa (apesar da “sacada genial” do título) e “Say Yeah” não me parece tão boa para ser a segunda faixa eleita para ser executada nos shows.

Sabe-se que Gene coleciona títulos de possíveis músicas e se vale de anotações pessoais para eleger algumas que renderiam uma letra e uma música. Assim, sabemos que “Russian Roulette” é um título candidato a virar música desde 1978, pelo menos. Finalmente ganhou vida em “Sonic Boom”, com uma letra sem novidades para o padrão de Gene. O início engana, mas quando entra o riff dos versos percebemos que estamos no familiar terreno dos acordes A, D e G. Outra desse tipo é “Nobody´s Perfect” que virou “Yes I Know (Nobody´s Perfect)”, ficando claro que Gene juntou na mesma música dois refrões: o primeiro é “Nobody´s Perfect” e o outro é “Yes I Know”, que encerra a música. “Hot and Cold” tem direito a cow bell e um refrão legal que Gene sabe fazer bem (interação entre vocal principal e vocais de apoio). Tentando dar mais peso é “I´m An Animal”.

Paul compôs a faixa que foi atribuída a Eric Singer. Sabe-se que o baterista é um cantor competente, apesar da voz não muito forte, e o cara mandou bem em “All For the Glory”. O mesmo se pode dizer de Tommy Thayer, que se saiu excelente em “When Lightning Strikes” (tem uma parte que acho que deve ser difícil de cantar, no verso “I´m alive (...)”, pois o tom sobe e exige um pouco mais de voz). Porém, Tommy copia uns licks de Ace (“Parasite”) e o solo fica com cara de “já ouvi isso em outro lugar e com mais propriedade”.

Junto com o CD veio um disco bônus, conforme já antecipei, com regravações de algumas das principais músicas da banda. Poderia se dizer que corresponde a um set list. Em qualquer caso, essas versões novas não superam as originais, sobretudo nos casos de “Forever” e “I Love It Loud”.

Um 3.º disco compõe, ainda, o pacote: trata-se de um DVD contendo 6 músicas gravadas na Argentina, em 05.04.2009 (no festival Quilmes Rock).

Esse álbum não foi lançado no Brasil, e nos EUA parece que é vendido com exclusividade em uma cadeia nacional de lojas. Se lá o preço é mais barato que um CD simples, aqui foi vendido com preço de disco duplo importado. Só encontrei na Cultura (não pesquisei nas lojas do Centro).

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