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domingo, 10 de abril de 2011
Resenha de DVD - "Senna - o brasileiro, o heroi, o campeão"
Perdi de ver no cinema as imagens da Fórmula 1 nos anos 1980 e 1990. Não perdi de trazer para casa o blue-ray (#ps3) com o documentário sobre o Senna. Sou fã do Piquet, mas é evidente que não deixei de acompanhar o mítico piloto brasileiro. O filme acaba se concentrando na rivalidade com Alain Prost, e isso serve para mostrar o quanto era legal aquela época, na qual o francês não exitava em dizer que "queria dar um soco" no brasileiro, numa das declarações públicas que escancaravam a ferrenha disputa. Particularmente, achei que o filme valeu pelas cenas das reuniões de pilotos (participações de Ballestre e Piquet, sobretudo), e pelo detalhamento dos acidentes que decidiram os campeonatos de 1989 e 1990. Senti falta de, no início, terem referido como Senna conquistou a sua primeira pole position: os números com as posições foram escritos em papeis e colocados num capacete; ao piloto de kart mais jovem foi dado o direito de ser o primeiro a escolher o papel, e Senna catou logo o número 1. É evidente que, não fosse por uma fatalidade, Senna seria o primeiro a superar a marca de Juan Manuel Fangio. Lamentavelmente as cenas de pista não são em alta definição, de modo que não me parece valer os trocos a mais pegar o blue-ray pelo DVD.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
DVD - "Iron Maiden - Flight 666 The Film"
No começo do ano vi que ficou em cartaz por algumas poucas semanas o filme-documentário do Iron Maiden a respeito da turnê "Somewhere Back in Time" de 2008. Agora lamento ter deixado passar a oportunidade de ver na tela grande imagens muito boas da banda. O que me consola é que o documentário não é do tipo espetacular. A direção ficou por conta dos mesmos caras que fizeram o bom "Metal, A Headbangers Story", e isso fica bem claro logo no início quando aparece o mesmo sujeito apresentando o filme da mesma forma pessoal do outro filme, i. é, em primeira pessoa ("fui convidado para fazer um documentário sobre a turnê da minha banda favorita"). É o mesmo recurso que utilizo neste espaço, mas não sou cineasta; achei que faltou criatividade - será que o cara vai aparecer em todos os seus filmes e declarar suas preferências musicais (quantas bandas favoritas o cara tem?)?Acredito que em seis semanas devem ter sido filmadas cenas melhores que muitas das que aparecem, e achei exagerado o número de cenas que vamos ver no DVD bonus, com o set list na íntegra, com cada música registrada em uma cidade diferente. Independentemente disto, algumas sequências são antológicas, como as bonitas cenas captadas na Argentina e uma brilhante com Nicko McBrain: no show em Los Angeles apareceram diversas figuras conhecidas, como Dio, Tom Morello entre outros; Lars Ulrich é perguntado sobre eventual influência de Nicko em seu estilo, e o líder do Metallica responde "com certeza, a única coisa sobre Nicko é que ele deveria tocar numa bateria menor para podermos ver o que ele está tocando"; a cena seguinte mostra Nicko praticando numa bateria bem menor, com poucas peças, para aquecimento, e o baterista exclama "veja, tenho plateia", e então aparece o grande Vinny Appice. Momento Lucky Strike do vídeo. Além disso, e como mera curiosidade, ainda em Los Angeles, é bem documentado o estilo workaholic de Steve Harris; o baixista vai ao estúdio para encontrar Kevin Shirley e conferir a mixagem de "For the Greater Good of God", e finalmente descobri porque o produtor também atende pela alcunha de "Caveman" (conforme consta dos encartes dos discos do Dream Theater e do próprio Iron).
No DVD bônus com a íntegra do set list ainda é emocionante a performance da banda e do público durante "Ace´s High". Particularmente, achei interessantes as cenas da câmera posicionada na bateria mostrando o bumbo; Nicko toca descalço e não se vale de pedal duplo ou de dois bumbos, mesmo nas passagens mais rápidas: o cara tem o pé direito bem rápido mesmo (conferir o final de "2 Minutes to Midnight", entre outras até mais expressivas). Nicko sempre aparece tirando sarro ou falando bobagem, ao mesmo tempo em que só conhecemos o seu trabalho no Iron, de maneira que fica difícil levá-lo a sério, mas devo admitir que se trata de um excelente baterista de heavy metal. Não lembrava que havia um dueto de solos em "Can I Play With Madness" e foi interessante ver Murray e, principalmente, Smith deixando para Gers alguns solos das músicas das antigas.
De todos os CDs e DVDs ao vivo lançados pelo Iron, esse "Flight 666" é talvez o mais valoroso.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
DVD - Deep Purple "Heavy Metal Pioneers"
No inverno de 1995 já conhecia o Deep Purple, especialmente pelo “Made in Japan”, mas ainda tinha resistência para ouvir o material do Mark III com David Coverdale e Glenn Hughes. Nessa época foi importante para mudar esse pré-conceito assistir ao documentário “Heavy Metal Pioneers”, disponível em VHS na TV3. Trata-se de uma das melhores maneiras de conhecer a historia da banda, contada por parte dos seus integrantes – os principais depoimentos são de Jon Lord, Ian Paice e Roger Glover, com aparições breves de Ritchie “I don't like funky blues” Blackmore, Ian Gillan e Joe Lynn “I'm not Ian Gillan” Turner. O vídeo foi produzido na época do disco “Slaves and Masters” (um dos poucos da banda que ainda não tenho), de 1990, único registro do Mark V. Em pouco menos de uma hora ficamos sabendo a origem do nome da banda, como os integrantes da formação original se conheceram, o que desencadeou a formação do Mark II e a gravação de “Deep Purple in Rock”, a consagração definitiva com “Machine Head”, “Made in Japan” e a origem de “Smoke on the Water”, a desintegração do Mark II e a passagem para o Mark III, o memorável show no “California Jam” em 1974, a saída de Blackmore após a turnê de “Stormbringer”, o ingresso de Tommy Bolin e o Mark IV, o encerramento das atividades da banda em 1976 e o retorno em 1984 do Mark II. Não há explicações sobre o recrutamento de Turner, mas sabemos que o cara foi vocalista do Rainbow no inicio dos anos 1980, e e uma pena que ele não tenha tido sorte de encontrar o Purple em uma época inspirada. Particularmente foi bastante impressionante as imagens do “California Jam”, e nesse vídeo foi a primeira vez que ouvi o riff de “Burn”, que desde logo me soou familiar. A partir daí procurei ouvir o “Made in Europe” e foi como se descobrisse uma outra banda, ainda melhor. Com o youtube bombando, a aquisição de alguns DVDs acaba se tornando desnecessária, mas achei esse “Heavy Metal Pioneers” por menos de 10 pila nas Americanas, então me pareceu um bom acréscimo para a coleção.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
DVD - Kissology: The Ultimate Kiss Collection, Vol. 2: 1978-1991
Se a minha época favorita do Kiss é a que compreende o início dos anos 80 até o início dos anos 90, é evidente que essa caixa de dvd´s KISSOLOGY II (1978-1991) seria imperdível. Bem verdade que o primeiro dvd, com uma versão incrementada do tele-filme "Kiss meets the phantom of the park", só vale pela entrevista de 1979 com Tom Snyder, em plena época do Dynasty, na qual Ace Frehley dá um show, deixando Gene e Paul em segundo plano.O disco 2 tem um dos históricos shows de 1980 na Austrália, durante a turnê de Unmasked, com o então novato Eric Carr. Mas o ouro mesmo é a apresentação única de 3 músicas do The Elder no programa Fridays: THE OATH (que música matadora essa! com solo extendido e tudo mais), A WORLD WITHOUT HEROES (solo de guitarra de Paul com muito feeling) e I.
Pessoalmente, o disco 3 é o de maior valor pois traz a parte que se conhece do show do Kiss no Maracanã em 1983, com Vinnie Vincent, naquele que representou a última apresentação com as máscaras. Faltou só o solo de bateria de Eric Carr. Depois, segue a primeira aparição sem as máscaras na MTV, ainda em 1983, e duas músicas do primeiro show, em Portugal: CREATURES OF THE NIGHT e DETROIT ROCK CITY. Uma pena que se dá um salto até 1987, com músicas de um show da turnê do disco Crazy Nights (faltou alguma coisa da turnê do Asylum). O show completo apresentado é um da turnê do Hot in the Shade, e o disco 3 finaliza com o vídeo de GOD GAVE ROCK´N´ROLL TO YOU II.
Essa versão da caixa tem um disco bônus com outra apresentação memorável: o show no Budokan Hall em 1988. Podiam ter colocado o show inteiro, ou pelo menos o solo de bateria do Eric Carr (para mim esse é o melhor solo de bateria de todos os tempos).
Os discos 2 e 3 trazem Easter eggs: no primeiro, aparece um vídeo de um minuto com Gene apresentando Mark St. John, o que serve para amenizar a falta de um vídeo com o cara tocando ao vivo; no segundo, a grande surpresa é o impressionante vídeo com Eric Carr, filmado pelo próprio em 1991, ainda no hospital, 3 dias após a cirurgia no coração.
domingo, 18 de fevereiro de 2007
DVD - Malmsteen

YNGWIE MALMSTEEN - "Far Beyond the Sun"
Sou favorável a que se lance em DVD todos os antigos VHS lançados no decorrer da carreira de artistas como Yngwie Malmsteen, de modo que foi em boa hora que a Universal resolveu lançar em DVD dois shows da época na qual o guitarrista sueco estava sob contrato de uma grande gravadora. O DVD Far Beyond the Sun traz um resumo de duas performances de Malmsteen: a primeira, no Japão em 1985, na época do grande disco Marching Out, com um “dream team” composto dos irmãos Johansson (Jens e Anders), do baixista fora-de-série Marcel Jacob, e do insuperável vocalista Jeff Scot Soto; a segunda, em Leningrad em 1989, na turnê de Odissey, com os mesmos irmãos Johansson, desta vez acrescidos do baixista Barry Dunaway e do carismático vocalista Joe Lynn Turner. Os repertórios de ambos os shows têm a virtude de apresentar músicas que já não são mais tocadas ao vivo por Malmsteen; mas, se no show de 1985, há um excesso de músicas do Alcatrazz (desgraçadamente ficaram de fora desse DVD as melhores músicas do Marching Out: Anguish and Fear, Don´t Let it End, Disciples of Hell), no show de 1989 o repertório fica quase exclusivamente sobre os discos Trilogy e Odissey. Mas vá lá, pelo menos os vídeos mostram Jeff Scot Soto e Joe Lynn Turner no auge da forma, e não faltam os clássicos I´ll See the Light Tonight, Far Beyond the Sun (melhor versão ao vivo que eu já ouvi, conquanto a versão de estúdio reste sem comparação), Rising Force, You Don´t Remember, I´ll Never Forget, Heaven Tonight e uma das melhores músicas obscuras do guitarrista, Riot in the Dungeons (com vários riffs legais).
domingo, 21 de janeiro de 2007
DVDs - Satriani e Vai
JOE SATRIANI - "Satriani Live!""Live in San Francisco", gravado durante a turnê do "Engines of Creation", parecia ser o registro definitivo das performances ao vivo de Satriani. O set list do DVD duplo compreendia toda a discografia do guitarrista e serviu para mostrar todo o seu arsenal de truques.
Após isso, Satriani lançou mais 3 cds de estúdio ("Strange Beautiful Music", "Is There Love in Space?" e "Super Colossal"). Pois no final de 2006 fui surpreendido quando me deparei com um CD e um DVD duplos ao vivo com registro de um show da turnê de Super Colossal. Nesses casos de lançamento de CD e DVD, entendo que o que vale a pena é comprar o último, pois os CDs ao vivo diferem pouco uns dos outros (as diferenças entre "Time Machine", "Live in San Francisco" e esse "Satriani Live!" é apenas de repertório e mesmo a diferença entre os músicos que acompanham Satriani é irrelevante).
O primeiro DVD traz o show inteiro. Satriani se faz acompanhar do seu baterista de sempre (Jeff Campitelli) e do lendário baixista Dave LaRue (Dixie Dregs, John Petrucci), bem como de um guitarra-base desconhecido (Galen Henson). O set list é decepcionante, pois enfatiza demais o Super Colossal (não tem nenhuma música de "Strange (...)" e "Is There (...)". Além disso, o guitarrista perdeu a oportunidade de recuperar músicas obscuras tipo "Back to Shalla-Ball" ou qualquer outra do "Joe Satriani" que não a boa mas batida Cool #9. E quem precisa de mais versões de Flying in a Blue Dream, The Extremist, Satch Boogie, The Mystical Potato Head Groove Thing?). Faltou também uma música do excelente "Crystal Planet", como a minha favorita Up in the Sky (que aparece apenas no DVD 2, num documentário bônus). Assim, o repertório não empolga (duvido que Redshift Riders, A Cool New Way, Just Like Lightnin, One Robot´s Dream, Ten Words, Made of Tears sejam tocadas nas próximas turnês). Os bons momentos ficam com Super Colossal e Crowd Chant.
O DVD 2 tem um longo documentário sobre a parte da turnê na Índia (o baixista foi Matt Bissonette) e uns podcasts sobre a turnê européia. É legal a parte que mostra a gravação de "Super Colossal", especialmente da música Crowd Chant - aparecem os ensaios do guitarrista com a galera que compareceu para fazer o "crowd chant").
STEVE VAI - "Live at the Astoria London"Essa apresentação de 2001, que ocupa o DVD 1, foi cobiçada por muito tempo pois, fundamentalmente, reúne uma das melhores bandas de apoio que se pode encontrar: Billy Sheehan, Virgil Donati e Tony Macalpine (acrescidos de Dave Weiner). O set list reúne clássicos como Erotic Nightmares, For the Love of God, Liberty, The Attitude Song, músicas excelentes como Giant Balls of Gold, The Crying Machine e Bad Horsie, e outras para mim desconhecidas como Chameleon, Down Deep Into the Pain, sem contar covers de Hendrix (Fire e Little Wing).
É sabido que Vai também é um autêntico performer - o cara faz poses o tempo todo enquanto toca, e consegue fazê-lo de um jeito legal. Mas acho que nenhum dos DVDs lançados pelo guitarrista fez jus a essa sua característica essencial - para mim, a melhor apresentação foi aquela que eu vi no Salão de Atos da UFRGS em março de 1998, na turnê do "Fire Garden".
O DVD 2 tem os bônus, com making of, ensaios em Los Angeles, entre outras tranqueiras, tudo muito mal aproveitado.
STEVE VAI - "Alien Love Secrets"Esse é outro DVD cobiçado há anos: aqui, Vai e banda interpretam o meu CD favorito do guitarrista (que dá nome ao DVD) na íntegra. Uma pena que a trilha sonora é a do CD, e não um registro da banda tocando as músicas uma depois da outra como o Metallica fez no DVD bônus de "St. Anger". Mesmo assim é possível ver que alguns efeitos de estúdio podem ser repetidos ao vivo, especialmente na bateria em Bad Horsie. O melhor momento é a interpretação de Tender Surrender, cujo tema principal, aparentemente, é um "rip-off" de um riff do Hendrix. O DVD vale por mostrar o virtuosismo de Vai - as alavancadas inacreditáveis, os harmônicos artificiais gritantes e os arpejos feitos com naturalidade impressionante (a palheta desliza com facilidade sobre as cordas).
domingo, 25 de dezembro de 2005
DVD - G3 Live in Tokyo Satriani/Vai/Petrucci
Advertido pelo Bruce, nesse fim-de-semana de Natal fui atrás de um dos poucos lançamentos que me chamaram a atenção este ano: o DVD do G3 Live in Tokyo, com Satch, Vai e Petrucci. Em alguns aspectos esse registro é diferente dos anteriores com Satch, Vai e Johnson e Satch, Vai e YJM, a serem destacadas oportunamente. A performance solo de Petrucci foi representada por apenas 2 composições de seu álbum solo. Desde logo, o que chama a atenção é a presença de Mike Portnoy, pois ao que me consta, não foi ele o baterista que tocou no Suspended Animation. De qualquer maneira, DAMAGE CONTROL é uma música muito mais interessante do que GLASGOW KISS. Além de ficar devendo bastante na questão performance de palco, Petrucci demonstrou que está no ápice do caminho que vem desenvolvendo ultimamente, que é o de mostrar-se como o maior palhetador de guitarra que se tem notícia. O inconveniente dessa história é que, ao contrário do que poderia parecer, essa palhetada "fritada" que marcou Train of Thought do Dream Theater não é nem um pouco fluida. É do tipo: "Ah, lá vem ele com a fritada". Os outros guitarristas - Satch, Vai e até Malmsteen - possuem igualmente uma palhetada bem rápida e vigorosa, mas não tão cacete quanto a de Petrucci. Foi-se o tempo do Petrucci de Images & Words, Awake, A Change of Seasons, no qual eu tinha extrema dificuldade de eleger o melhor solo de guitarra, simplesmente pelo fato de que eu não sabia quais as músicas que ele solava (solos de teclado de Moore eram muito mais freqüentes).
Vai, como de costume, proporciona a melhor apresentação, não importa se as músicas são boas ou não, são conhecidas ou não. THE AUDIENCE IS LISTENING é conhecida e arrebenta. O cara espanca a alavanca e pisa com toda força o wah-wah. O jeito que ele toca é realmente empolgante. O músico é acompanhado, mais uma vez, por Tony Macalpine, Billy Sheehan e Dave Weiner (Jeremy Colsen é o batera). No meio de AUDIENCE..., Vai fica atrás de Sheehan e toca o baixo, enquanto o baixista toca a guitarra. BUILDING THE CHURCH tem um início que eu não pude deixar de remeter ao solo de JUDGEMENT DAY do Van Halen, com tapping de duas mãos.
Das 3 faixas solo de Satch, 2 são do álbum mais recente Is There Love in Space?: UP IN FLAMES e SEARCHING. A melhor, com toda certeza, é WAR do excelente disco THE EXTREMIST. O baixista da banda de apoio, desta vez, foi Matt Bissonette.
Na jam com os 3 guitarristas é que ocorreram as maiores diferenças em relação às edições anteriores do G3: logo na 1.ª música, FOXEY LADY, a banda de apoio, que geralmente é composta pelos músicos do Satriani, desta feita contou com Portnoy na batera. Satch cantou essa, daquele jeito que ele vem imprimindo, com o vocal mais baixo possível. Em todos os duelos entre os guitarristas, quem se sai melhor é Vai.
Acredito que nessa edição, as músicas da jam foram escolhidas por Satriani. LA GRANGE contou com 2 baixistas (Sheehan e Bissonette), batera de Jeff Campiteli e vocal de Sheehan. É indisfarçável, sobretudo na performance dos guitarristas, que Eddie Van Halen se inspirou nessa música para compor o clássico HOT FOR TEACHER. A última da jam, e a mais esperada, foi SMOKE ON THE WATER, interpretada brilhantemente por Bissonette nos vocais. Ainda aqui houve 2 baixistas. No bônus do DVD há filmagens da passagem de som, e mostra os caras se acertando para tocar os versos de SMOKE... (aquela passagem de G para F e para G de volta, no último compasso, é traiçoeira para quem não costuma ouvir a música).
Ainda acho o G3 com Malmsteen o melhor, mas com essa seqüência de lançamentos resta aguardar pelo G3 com o Paul Gilbert (que é o cara ideal para entrar no clima de galinhagem das jams) e o G3 com Eddie Van Halen (que é o único guitarrista vivo com aptidão para superar Vai e Satriani).
quarta-feira, 9 de junho de 2004
Black Sabbath - Cross Purposes Live
- cd e vídeo cobiçados, pois retratam a turnê de um dos melhores discos da banda sem Ozzy ou Dio nos vocais. Além disso, a formação também é excelente, com Tony Martin, Bobby Rondinelli, Geezer Butler e Tony Iommi (e Geoff Nichols), o que permite um set list com músicas de todas as fases.
O dvd traz músicas diferentes em relação ao cd, e a duração não chega a uma hora. Defeitos graves são a defasagem do áudio em relação ao vídeo, além de falhas (cortes) no áudio durante todo o dvd. Mas a performance e as músicas compensam. A 1.ª música é a excelente TIME MACHINE, uma das favoritas do Dehumanizer. Segue uma boa performance de CHILDREN OF THE GRAVE. Do Cross Purposes eles tocam a boa (e underrated) I WITNESS.
Da fase Dio, tocam THE MOB RULES, que, curiosamente, eu acho melhor tocada pelos guitarristas do Dio em carreira solo. Da fase Ozzy tem INTO THE VOID, SYMPTON OF THE UNIVERSE e PARANOID (que é a última música). Felizmente fomos poupados de mais uma versão das consagradas e decoradas IRON MAN, BLACK SABBATH, WAR PIGS entre outras, que são magníficas, mas não precisam ser tocadas em todos os shows e discos ao vivo (dá o mesmo efeito ouvi-las na versão de estúdio).
Surpresa é a execução integral de ANNO MUNDI, que ficou legal. Outra empolgante é HEADLESS CROSS, que tem um dos melhores riffs do Sabbath. Como bônus do dvd, tem o clip (horrível) de FEELS GOOD TO ME, totalmente datado (anos 80), mas que pelo menos mostra Cozy Powell tocando.
O dvd traz músicas diferentes em relação ao cd, e a duração não chega a uma hora. Defeitos graves são a defasagem do áudio em relação ao vídeo, além de falhas (cortes) no áudio durante todo o dvd. Mas a performance e as músicas compensam. A 1.ª música é a excelente TIME MACHINE, uma das favoritas do Dehumanizer. Segue uma boa performance de CHILDREN OF THE GRAVE. Do Cross Purposes eles tocam a boa (e underrated) I WITNESS.
Da fase Dio, tocam THE MOB RULES, que, curiosamente, eu acho melhor tocada pelos guitarristas do Dio em carreira solo. Da fase Ozzy tem INTO THE VOID, SYMPTON OF THE UNIVERSE e PARANOID (que é a última música). Felizmente fomos poupados de mais uma versão das consagradas e decoradas IRON MAN, BLACK SABBATH, WAR PIGS entre outras, que são magníficas, mas não precisam ser tocadas em todos os shows e discos ao vivo (dá o mesmo efeito ouvi-las na versão de estúdio).
Surpresa é a execução integral de ANNO MUNDI, que ficou legal. Outra empolgante é HEADLESS CROSS, que tem um dos melhores riffs do Sabbath. Como bônus do dvd, tem o clip (horrível) de FEELS GOOD TO ME, totalmente datado (anos 80), mas que pelo menos mostra Cozy Powell tocando.
terça-feira, 8 de junho de 2004
Joe Satriani - The Satch Tapes
a Espaço Vídeo anda com um belo catálogo de DVD´s musicais. Esse "The Satch Tapes" parecia bom, mas a verdade é que mostra muito pouco em relação aos outros DVD´s (os G3 e o Live in San Francisco) e ao que já sabemos sobre o guitarrista.
O vídeo não tem nem uma hora cheia. É basicamente um veículo para reunir os clips que o cara filmou, desde o álbum Surfing With the Alien até o The Extremist. Tem comentários sobre origens (Hendrix é muito citado nesta parte), além dá inevitável "revelação" de que Satch foi professor de STeve Vai (toda revista de guitarra menciona isso, ou variando para "Vai foi aluno de Satriani"). Pelo menos, no DVD, aparece o Vai em pessoa dando seu depoimento a respeito dos primeiros contatos com o Satch, as primeiras lições aprendidas e sobre como ajudou-o a lançar seus primeiros discos.
Quem também aparece é outro ex-aluno (para mim, desconhecido): Jeff Tyson, que conta uma historinha interessante sobre o "método" do Satch. Mas os depoimentos mais legais, que aparecem constantemente no vídeo (e encerram o mesmo, nos créditos finais), são do guitarrista do Spinal Tap. "Não tenho inveja dele, pois não consigo ver seus dedos; não faço idéia do que ele está tocando", ou então "As revistas, para conseguirem vender alguma coisa, trazem todos os meses um guitar hero diferente. Deve haver uns 6.000 por aí, e eu devo ser o número 356".
Além dos clips (SATCH BOOGIE, ALWAYS WITH ME..., BIG BAD MOON, I BELIEVE, THE EXTREMIST, SUMMER SONG, entre outros), o vídeo ainda traz uma bela versão correria-insandecida-ao-vivo de SURFIN WITH THE ALIEN de 1989, com Stu Hamm e Jonathan Mover (não estou muito certo quanto ao batera).
O mais legal, no entanto, foi pouco explorado: as imagens das gravações dos discos Flying in a Blue Dream e The Extremist (principalmente este último). Nessas partes, em que Satch comenta como foram as gravações de cada disco, surgem bons comentários, especialmente sobre o The Extremist, em que à época, o guitarrista andava descontente com algumas coisas e resolveu chamar o produtor do Van Halen Andy Johns, além de outros músicos para gravar (os brilhantes irmãos Bissonette). Os caras tocavam numa sala enorme, sendo que Satch ficava numa espécie de aquário, tocando de frente para os outros. Seria o ouro se mostrassem, de fato, algum trecho da gravação ou dos ensaios com os caras tocando.
Além disso, há algumas boas tomadas de Satch explorando técnicas tipo tapping e two-hands.
Mas é o tipo de DVD descartável - é curto e basta ver uma vez (mas é bom que seja visto).
O vídeo não tem nem uma hora cheia. É basicamente um veículo para reunir os clips que o cara filmou, desde o álbum Surfing With the Alien até o The Extremist. Tem comentários sobre origens (Hendrix é muito citado nesta parte), além dá inevitável "revelação" de que Satch foi professor de STeve Vai (toda revista de guitarra menciona isso, ou variando para "Vai foi aluno de Satriani"). Pelo menos, no DVD, aparece o Vai em pessoa dando seu depoimento a respeito dos primeiros contatos com o Satch, as primeiras lições aprendidas e sobre como ajudou-o a lançar seus primeiros discos.
Quem também aparece é outro ex-aluno (para mim, desconhecido): Jeff Tyson, que conta uma historinha interessante sobre o "método" do Satch. Mas os depoimentos mais legais, que aparecem constantemente no vídeo (e encerram o mesmo, nos créditos finais), são do guitarrista do Spinal Tap. "Não tenho inveja dele, pois não consigo ver seus dedos; não faço idéia do que ele está tocando", ou então "As revistas, para conseguirem vender alguma coisa, trazem todos os meses um guitar hero diferente. Deve haver uns 6.000 por aí, e eu devo ser o número 356".
Além dos clips (SATCH BOOGIE, ALWAYS WITH ME..., BIG BAD MOON, I BELIEVE, THE EXTREMIST, SUMMER SONG, entre outros), o vídeo ainda traz uma bela versão correria-insandecida-ao-vivo de SURFIN WITH THE ALIEN de 1989, com Stu Hamm e Jonathan Mover (não estou muito certo quanto ao batera).
O mais legal, no entanto, foi pouco explorado: as imagens das gravações dos discos Flying in a Blue Dream e The Extremist (principalmente este último). Nessas partes, em que Satch comenta como foram as gravações de cada disco, surgem bons comentários, especialmente sobre o The Extremist, em que à época, o guitarrista andava descontente com algumas coisas e resolveu chamar o produtor do Van Halen Andy Johns, além de outros músicos para gravar (os brilhantes irmãos Bissonette). Os caras tocavam numa sala enorme, sendo que Satch ficava numa espécie de aquário, tocando de frente para os outros. Seria o ouro se mostrassem, de fato, algum trecho da gravação ou dos ensaios com os caras tocando.
Além disso, há algumas boas tomadas de Satch explorando técnicas tipo tapping e two-hands.
Mas é o tipo de DVD descartável - é curto e basta ver uma vez (mas é bom que seja visto).
terça-feira, 13 de janeiro de 2004
Metallica “Classic Album”
– algumas palavras se impõem sobre esse programa que passou domingo sobre o “Black Album”.
Na verdade, poucas novidades foram trazidas, uma vez que todos nós já vimos aquele vídeo “um ano e meio na vida do Metallica”, com imagens da gravação e da turnê do disco preto. No “Classic Album”, todas as imagens da época foram retirados deste vídeo, assim como boa parte das impressões e dos comentários dos músicos e do produtor já tinham sido expendidos lá.
O que ensejou esse comentário, na verdade, foi uma constatação do James Hetfield acerca do seu método de composição. Para ele, a música gira em torno de um determinado riff. A partir daí, outras coisas vão sendo acrescidas, contextualizando tal riff, que é o destaque principal. Particularmente, identifico-me totalmente com esse estilo de compor – se é que eu tenho um.
Há nove anos, quando comecei a aprender a tocar, lendo muitas revistas (Guitar World, Guitar School – na época era bem barato - e, posteriormente, Cover Guitarra, Guitar Player, Guitar Class), e ouvindo muito essas bandas que curto até hoje, percebi mais ou menos como as coisas funcionavam, musicalmente falando. As melhores músicas eram, regra geral, aquelas movidas por pelo menos um riff principal. Por exemplo: MONEY FOR NOTHING (Dire Straits), BACK IN BLACK e JAILBREAK (AC/DC), PARANOID, IRON MAN, CHILDREN OF THE GRAVE (e todas as músicas do Black Sabbath), e SMOKE ON THE WATER e BURN (Deep Purple). Numa das primeiras revistas que comprei (Guitar World de agosto de 92, com Angus Young na capa), tinha uma coluna do Marty Friedman, que procurava ensinar os solistas a moldarem uma identidade própria nos seus solos. Para isso, aconselhava a gravar uma fita C-60 com os solos favoritos dos guitarristas favoritos e, a partir daí, tentar identificar qual ou quais partes de cada solo é que o tornava memorável. Intuitivamente, transferi tal ensinamento para a música em geral, e posso dizer que logo cedo comecei a perceber e aplicar esse “método de composição”, tão generalizado no rock.
Tal “método” não tem nada de inovador – e nem é este o foco aqui. O que me tocou foi o fato de ouvir um dos guitarristas com os quais eu aprendi a tocar guitarra admitir, com simplicidade e honestidade, que “fazer música” pode ser uma tarefa simples – basta ter um bom riff; o resto se ajeita. Essa idéia já me ocorria há anos, mas só agora pude ouvir uma confirmação expressa, uma opinião avalizada.
É claro que músicas excelentes podem ser compostas SEM riff – melodias e temas é que são, de fato, o essencial. Existem bandas admiráveis que produzem músicas fantásticas sem que se possa afirmar que uma ou outra parte é a principal – vários temas se sobrepõem e se harmonizam num todo orgânico, não havendo como se identificar definitivamente que tal ou qual é a parte em torno da qual giram as demais. Lógico que há algumas partes principais (em geral um refrão), mas pensando em músicas como ROUNDABOUT ou CLOSE TO THE EDGE, se há algum riff, este serve como suporte para a música, e não como o destaque. Como exemplos de bandas, permito-me citar apenas Yes e Dream Theater (o velho, não o novo), além de todas as bandas prog dos anos 70. Mas não há dúvidas de que em se tratando de rock, onde a musicalidade é, por natureza (e propositalmente) limitada, o espaço é basicamente ocupado por riffs e, de preferência, riffs que sejam “ganchudos” (talvez o mais ganchudo de todos os tempos seja SATISFACTION, dos Stones).
Neste cenário, é importante um compositor rock de muito sucesso admitir que suas composições não passam de riffs colados com outras partes que lhe dão apoio. Tal atitude é muito diferente de outras, como a do Eddie Van Halen; para este, a música simplesmente lhe “vem à cabeça” quando está tocando. Trata-se de afirmação por demais vaga e fluida, que o distancia de todos os demais guitarristas (como também é o caso de Jimi Hendrix, Eric Clapton), mas que parece fazer sentido, em se tratando de Van Halen, cuja musicalidade atinge nível bastante superior (não que isso signifique melhores músicas do que a de outras bandas).
Em outro trecho do “Classic Album”, James revela sua aflição diante da orquestra que iria acompanhar a versão de estúdio de NOTHING ELSE MATTERS. Como a maioria dos guitarristas de rock, James não lê partituras, e ficou imaginando se seria necessário que apontasse na guitarra para os músicos da orquestra quais as notas da música. Isso só demonstra o quanto a musicalidade prescinde da técnica e da instrução formal; a musicalidade pode desenvolver-se por conta do “músico”, através de sua paixão pelo instrumento e pela própria música.
Agora tratando especificamente das “novidades” contidas neste “Classic Album”, o destaque maior é em relação à HOLIER THAN THOU que, à época da gravação, era tida como o single do disco. No vídeo “a year and a half” isso fica meio pressentido, mas no “Classic Album” os caras admitiram expressamente – ao que parece, só o Lars achava que o hit, na verdade, seria mesmo ENTER SANDMAN. E é gozado isso, pois HOLIER é uma boa música, que dá a impressão de ter sido cuidadosamente pensada em todas as suas partes (p.ex., o começo do solo, e a maneira como o final do solo vai encaixar com o riff tocado só pelo baixo, com as guitarras voltando uma depois da otura). Mas, honestamente, não se trata de um clássico, tanto é que não se tem notícia de ela ter sido tocada ao vivo.
Na verdade, poucas novidades foram trazidas, uma vez que todos nós já vimos aquele vídeo “um ano e meio na vida do Metallica”, com imagens da gravação e da turnê do disco preto. No “Classic Album”, todas as imagens da época foram retirados deste vídeo, assim como boa parte das impressões e dos comentários dos músicos e do produtor já tinham sido expendidos lá.
O que ensejou esse comentário, na verdade, foi uma constatação do James Hetfield acerca do seu método de composição. Para ele, a música gira em torno de um determinado riff. A partir daí, outras coisas vão sendo acrescidas, contextualizando tal riff, que é o destaque principal. Particularmente, identifico-me totalmente com esse estilo de compor – se é que eu tenho um.
Há nove anos, quando comecei a aprender a tocar, lendo muitas revistas (Guitar World, Guitar School – na época era bem barato - e, posteriormente, Cover Guitarra, Guitar Player, Guitar Class), e ouvindo muito essas bandas que curto até hoje, percebi mais ou menos como as coisas funcionavam, musicalmente falando. As melhores músicas eram, regra geral, aquelas movidas por pelo menos um riff principal. Por exemplo: MONEY FOR NOTHING (Dire Straits), BACK IN BLACK e JAILBREAK (AC/DC), PARANOID, IRON MAN, CHILDREN OF THE GRAVE (e todas as músicas do Black Sabbath), e SMOKE ON THE WATER e BURN (Deep Purple). Numa das primeiras revistas que comprei (Guitar World de agosto de 92, com Angus Young na capa), tinha uma coluna do Marty Friedman, que procurava ensinar os solistas a moldarem uma identidade própria nos seus solos. Para isso, aconselhava a gravar uma fita C-60 com os solos favoritos dos guitarristas favoritos e, a partir daí, tentar identificar qual ou quais partes de cada solo é que o tornava memorável. Intuitivamente, transferi tal ensinamento para a música em geral, e posso dizer que logo cedo comecei a perceber e aplicar esse “método de composição”, tão generalizado no rock.
Tal “método” não tem nada de inovador – e nem é este o foco aqui. O que me tocou foi o fato de ouvir um dos guitarristas com os quais eu aprendi a tocar guitarra admitir, com simplicidade e honestidade, que “fazer música” pode ser uma tarefa simples – basta ter um bom riff; o resto se ajeita. Essa idéia já me ocorria há anos, mas só agora pude ouvir uma confirmação expressa, uma opinião avalizada.
É claro que músicas excelentes podem ser compostas SEM riff – melodias e temas é que são, de fato, o essencial. Existem bandas admiráveis que produzem músicas fantásticas sem que se possa afirmar que uma ou outra parte é a principal – vários temas se sobrepõem e se harmonizam num todo orgânico, não havendo como se identificar definitivamente que tal ou qual é a parte em torno da qual giram as demais. Lógico que há algumas partes principais (em geral um refrão), mas pensando em músicas como ROUNDABOUT ou CLOSE TO THE EDGE, se há algum riff, este serve como suporte para a música, e não como o destaque. Como exemplos de bandas, permito-me citar apenas Yes e Dream Theater (o velho, não o novo), além de todas as bandas prog dos anos 70. Mas não há dúvidas de que em se tratando de rock, onde a musicalidade é, por natureza (e propositalmente) limitada, o espaço é basicamente ocupado por riffs e, de preferência, riffs que sejam “ganchudos” (talvez o mais ganchudo de todos os tempos seja SATISFACTION, dos Stones).
Neste cenário, é importante um compositor rock de muito sucesso admitir que suas composições não passam de riffs colados com outras partes que lhe dão apoio. Tal atitude é muito diferente de outras, como a do Eddie Van Halen; para este, a música simplesmente lhe “vem à cabeça” quando está tocando. Trata-se de afirmação por demais vaga e fluida, que o distancia de todos os demais guitarristas (como também é o caso de Jimi Hendrix, Eric Clapton), mas que parece fazer sentido, em se tratando de Van Halen, cuja musicalidade atinge nível bastante superior (não que isso signifique melhores músicas do que a de outras bandas).
Em outro trecho do “Classic Album”, James revela sua aflição diante da orquestra que iria acompanhar a versão de estúdio de NOTHING ELSE MATTERS. Como a maioria dos guitarristas de rock, James não lê partituras, e ficou imaginando se seria necessário que apontasse na guitarra para os músicos da orquestra quais as notas da música. Isso só demonstra o quanto a musicalidade prescinde da técnica e da instrução formal; a musicalidade pode desenvolver-se por conta do “músico”, através de sua paixão pelo instrumento e pela própria música.
Agora tratando especificamente das “novidades” contidas neste “Classic Album”, o destaque maior é em relação à HOLIER THAN THOU que, à época da gravação, era tida como o single do disco. No vídeo “a year and a half” isso fica meio pressentido, mas no “Classic Album” os caras admitiram expressamente – ao que parece, só o Lars achava que o hit, na verdade, seria mesmo ENTER SANDMAN. E é gozado isso, pois HOLIER é uma boa música, que dá a impressão de ter sido cuidadosamente pensada em todas as suas partes (p.ex., o começo do solo, e a maneira como o final do solo vai encaixar com o riff tocado só pelo baixo, com as guitarras voltando uma depois da otura). Mas, honestamente, não se trata de um clássico, tanto é que não se tem notícia de ela ter sido tocada ao vivo.
domingo, 11 de janeiro de 2004
Megadeth "Behind the Music" e Top 5 Megadeth
- acabei de assistir o DVD (cortesia do Barboza). Como todos os documentários dessa série "Behind the Music", o do Megadeth também é bem legal. A figura principal - não poderia deixar de ser - é o Dave Mustaine; toda sua trajetória foi reconstituída, desde a infância, passando pela fase Metallica, até o lançamento do World Needs a Hero.
Uma das características mais fortes dessa série "Behind..." é o apelo às fases de declínio das bandas participantes, e o Megadeth não é exceção. Boa parte do vídeo é ocupada pelas descrições de porres e, principalmente, o (ab)uso sistemático de drogas. Como a banda sempre aumentou suas vendas a cada disco lançado - não havendo que se falar em fracasso de público ou crítica - , só mesmo os casos de drogadição ocupariam o lado dramático e deprimente do vídeo.
O documentário conta com depoimentos de quase todos os ex-integrantes da banda - ficaram de fora Gar Samuelsson (baterista dos 2 primeiros discos, morto em 1999), Chuck Beller (baterista no "So Far, So Good, So What" e Nick Menza (baterista por quase 10 anos - aqui a briga parece ter sido feia). Os comentários mais relevantes (tirando os do próprio Dave Mustaine, e os do David Ellefson), são de Chris Poland (guitarrista dos primeiros 2 discos) e da duplinha James Hetfield & Lars Ulrich.
Duas partes me chamaram a atenção mais de perto:
1) a discussão que levou à expulsão de Jeff Young (guitarrista do álbum "So Far, So Good, So What"), que dava em cima da mulher do Mustaine na época, cujo nome aparece na música WAKE UP DEAD (no final, o vocalista grita "Diana!" - só assim pra entender porque o cara grita o nome duma mulher no final da música: era a que ele tava pegando na época, o que acaba conferindo maior autenticidade à própria letra desta faixa);
2) o lançamento do "Black Album" do Metallica, pouco depois do "Countdown to Extinction". É fato notório que Dave montou o Megadeth para se vingar de James & Lars, que o haviam expulsado do Metallica (e isso é confirmado no vídeo). Só que ele não podia contar com um disco tão bem sucedido por parte dos seus desafetos - deixando-o, efetivamente, arrasado (mesmo depois de ter lançado um baita disco, que chegou à platina duplo). E isso chegou mesmo ao ponto de dar fim ao maior tempo de abstinência alcançado até a data. Ao que parece, o ápice dessa fase é um grande festival em que as duas bandas se apresentaram no mesmo palco - Dave confessa que ficou de olho no Kirk Hammet o show inteiro, pensando consigo mesmo que aquele lugar era seu. Mas o mais impressionante foi o relato de que os caras tinham um show no mitológico Budokan (Japão), mas que teve de ser cancelado devido a uma overdose de Dave, que acarretou-lhe uma parada cardíaca num quarto de hospital. Putz, o cara morreu e foi ressuscitado!!
Emocionante também, mas de outra maneira, foi a descrição do período de composição do "Countdown..." (que é o meu disco favorito da banda, embora o "Rust in Piece" seja o ouro também), segundo David Ellefson: no pátio do estúdio de gravação tinha uma tabela de basquete, e toda vez que os caras voltavam pra tocar, Dave tirava um riff novo (SWEATING BULLETS e SYMPHONY OF DESTRUCTION - aliás, o baixista reproduz com perfeição os riffs, atingindo exatamente as notas da guitarra).
1) Holy Wars
2) Train of Consequences
3) Skin O´ My Teeth e Ashes in Your Mouth
4) Wake Up Dead e The Conjuring
5) Reckoning Day
Bonus Tracks
6) Architecture of Aggression
7) Hook in Mouth
Uma das características mais fortes dessa série "Behind..." é o apelo às fases de declínio das bandas participantes, e o Megadeth não é exceção. Boa parte do vídeo é ocupada pelas descrições de porres e, principalmente, o (ab)uso sistemático de drogas. Como a banda sempre aumentou suas vendas a cada disco lançado - não havendo que se falar em fracasso de público ou crítica - , só mesmo os casos de drogadição ocupariam o lado dramático e deprimente do vídeo.
O documentário conta com depoimentos de quase todos os ex-integrantes da banda - ficaram de fora Gar Samuelsson (baterista dos 2 primeiros discos, morto em 1999), Chuck Beller (baterista no "So Far, So Good, So What" e Nick Menza (baterista por quase 10 anos - aqui a briga parece ter sido feia). Os comentários mais relevantes (tirando os do próprio Dave Mustaine, e os do David Ellefson), são de Chris Poland (guitarrista dos primeiros 2 discos) e da duplinha James Hetfield & Lars Ulrich.
Duas partes me chamaram a atenção mais de perto:
1) a discussão que levou à expulsão de Jeff Young (guitarrista do álbum "So Far, So Good, So What"), que dava em cima da mulher do Mustaine na época, cujo nome aparece na música WAKE UP DEAD (no final, o vocalista grita "Diana!" - só assim pra entender porque o cara grita o nome duma mulher no final da música: era a que ele tava pegando na época, o que acaba conferindo maior autenticidade à própria letra desta faixa);
2) o lançamento do "Black Album" do Metallica, pouco depois do "Countdown to Extinction". É fato notório que Dave montou o Megadeth para se vingar de James & Lars, que o haviam expulsado do Metallica (e isso é confirmado no vídeo). Só que ele não podia contar com um disco tão bem sucedido por parte dos seus desafetos - deixando-o, efetivamente, arrasado (mesmo depois de ter lançado um baita disco, que chegou à platina duplo). E isso chegou mesmo ao ponto de dar fim ao maior tempo de abstinência alcançado até a data. Ao que parece, o ápice dessa fase é um grande festival em que as duas bandas se apresentaram no mesmo palco - Dave confessa que ficou de olho no Kirk Hammet o show inteiro, pensando consigo mesmo que aquele lugar era seu. Mas o mais impressionante foi o relato de que os caras tinham um show no mitológico Budokan (Japão), mas que teve de ser cancelado devido a uma overdose de Dave, que acarretou-lhe uma parada cardíaca num quarto de hospital. Putz, o cara morreu e foi ressuscitado!!
Emocionante também, mas de outra maneira, foi a descrição do período de composição do "Countdown..." (que é o meu disco favorito da banda, embora o "Rust in Piece" seja o ouro também), segundo David Ellefson: no pátio do estúdio de gravação tinha uma tabela de basquete, e toda vez que os caras voltavam pra tocar, Dave tirava um riff novo (SWEATING BULLETS e SYMPHONY OF DESTRUCTION - aliás, o baixista reproduz com perfeição os riffs, atingindo exatamente as notas da guitarra).
1) Holy Wars
2) Train of Consequences
3) Skin O´ My Teeth e Ashes in Your Mouth
4) Wake Up Dead e The Conjuring
5) Reckoning Day
Bonus Tracks
6) Architecture of Aggression
7) Hook in Mouth
segunda-feira, 25 de agosto de 2003
Tomb Raider II
- fui ver hoje no Bourbon "Cântri" com o grande Lacchini. Sessão das 13:30. 3 pila. O filme é uma porcaria mesmo. Valeu pelo menos porque a sessão foi exclusiva - não tinha mais ninguém na sala assistindo. Deu pra atender celular, falar umas bandalheiras pra Jolie, enfim. Não lembro muito do primeiro, mas não tinha achado tão ruim na época. Esse segundo é muito pior.
quarta-feira, 13 de agosto de 2003
DVD´s do Pink Floyd
- aluguei hoje na Espaço Vídeo 2 dvd´s do Pink Floyd: Classic Album - Dark Side of the Moon e o Live at Pompei Director´s Cut.
O primeiro era aguardado para daqui a meses - foi uma bela surpresa que já lançaram nacional esse dvd, que mostra o processo de gravação e as observações dos músicos sobre um dos discos mais fundamentais da história. E quanto mais os caras falam e explicam como funcionaram as coisas, mais fácil se torna compreender o fenômeno que se tornou esse disco (ficou 14 anos na parada da Billboard).
Todas as faixas são comentadas por todos os componentes da banda, além do Alan Parsons (engenheiro de som), e outros jornalistas inexpressivos. Algumas falas (especialmente as de Roger Waters) são dispensáveis - muito vagas, tentando descrever e definir coisas e sentimentos abstratos, num jogo de palavras que não leva a lugar nenhum. Mas o resto prende o interesse até o final - e ainda tem o material extra. Rick Wright tocando piano é magnífico. E David Gilmour toca firme e com simplicidade, mas com vários detalhes e nuances no dedilhado.
Atenção toda especial para os comentários sobre as participações das cantoras (a parte do "Great Gig in the Sky" é memorável).
O Live at Pompei Director´s Cut é uma apresentação (sem público) nas ruínas de Pompei (Itália). O lugar é divino. Mas o "Director´s Cut" é chato - várias inserções de "entrevistas" com os músicos, todos filmados em close quase o tempo todo. Quanto às músicas, a melhor é "One of these days". Amanhã vou ver a versão normal, que parece ser muito melhor.
O primeiro era aguardado para daqui a meses - foi uma bela surpresa que já lançaram nacional esse dvd, que mostra o processo de gravação e as observações dos músicos sobre um dos discos mais fundamentais da história. E quanto mais os caras falam e explicam como funcionaram as coisas, mais fácil se torna compreender o fenômeno que se tornou esse disco (ficou 14 anos na parada da Billboard).
Todas as faixas são comentadas por todos os componentes da banda, além do Alan Parsons (engenheiro de som), e outros jornalistas inexpressivos. Algumas falas (especialmente as de Roger Waters) são dispensáveis - muito vagas, tentando descrever e definir coisas e sentimentos abstratos, num jogo de palavras que não leva a lugar nenhum. Mas o resto prende o interesse até o final - e ainda tem o material extra. Rick Wright tocando piano é magnífico. E David Gilmour toca firme e com simplicidade, mas com vários detalhes e nuances no dedilhado.
Atenção toda especial para os comentários sobre as participações das cantoras (a parte do "Great Gig in the Sky" é memorável).
O Live at Pompei Director´s Cut é uma apresentação (sem público) nas ruínas de Pompei (Itália). O lugar é divino. Mas o "Director´s Cut" é chato - várias inserções de "entrevistas" com os músicos, todos filmados em close quase o tempo todo. Quanto às músicas, a melhor é "One of these days". Amanhã vou ver a versão normal, que parece ser muito melhor.
domingo, 10 de agosto de 2003
Pra Frente Brasil
- e por falar em filmes nacionais, já quero consignar que um dos melhor de todos os que já vi (inclusive os não nacionais) é o "Pra Frente Brasil" com Antônio Fagundes, REginaldo Farias, Nathalia do Vale e Elizabeth Savalla. Curto especialmente coisas relacionadas a essa fase do regime militar no Brasil, e o filme faz um retrato bem forte dessa época, sem ser chocante a ponto de ser repugnante, e sem ser babaca (que aconteceria se mostrasse os rebeldes como heróis incompreendidos e os militares como tolos). Há uma ironia constante (não muito sutil, mas pelo menos eficaz), que é imprescindível aos grandes filmes.
sexta-feira, 1 de agosto de 2003
Exterminador 3.
Fui ver hoje à tarde, no cinema do Bourbon Country aquele. E achei um baita filme. Conseguiram fazer uma continuação coerente, assim como tinham conseguido no Exterminador 2. Schwarzie tá bem, com vários diálogos com John Connor e Kate Brewster (o casal de sobreviventes da guerra nuclear promovida pelas máquinas). Curti o tom fatalista do filme. E o final então... bah, sem palavras aquele final, com um interminável silêncio de uns 5 segundos. Bastante dramático, lembrando de leve aquele desespero de "Planeta dos macacos". A cena de ação mais memorável, sem dúvida, é a perseguição do começo, com a T-X dirigindo o caminhão-guincho Champion. Mas como vilão, o T-1000 é insuperável (até hoje tenho medo do Robert Patrick... que expressão!).
quarta-feira, 30 de julho de 2003
NASCIDO PARA MATAR (Full metal jacket)
Depois do grande “Laranja Mecânica”, e das indicações acaloradas dos amigos John e Bruce, aluguei e vi ontem de madrugada o “Nascido para matar”. Estou empenhado mesmo em assistir a esses filmes do Kubrick, agora que finalmente começo a entendê-lo e admirar sua obra.
Todos já sabem, mas não custa referir que o filme se passa na Guerra do Vietnã e retrata uma corporação de fuzileiros, desde o treinamento nos EUA até o enfrentamento bélico no Vietnã. Algumas características de Kubrick, que eu tenho observado em outros filmes, se repetem aqui, e pra mim, demonstra sobremaneira o conhecido perfeccionismo do diretor. O filme se passa quase todo em campo aberto, e das quase duas horas de duração, uma hora e meia se passa no Vietnã. E há uma total predominância de claridade – quase não há cenas noturnas. E isso é muito positivo – filmes muito escuros são irritantes. Há o personagem com expressão perversa – soldado Pyle, o gordão - , bem na esteira de outros personagens de Kubrick (Alex de “Laranja Mecânica”, Jack Nicholson de “O Iluminado”, Tom Cruise bem fraco em “De Olhos bem Fechados”, e até o computador Hal de 2001, se pudesse, mostraria uma expressão perversa, especialmente na cena que ele lê os lábios dos astronautas Dave Bowman e o outro aquele).
A ironia de Kubrick é muito refinada neste filme. Sutilmente ele aproveita algumas falas de personagens – principalmente o Joker – para lançar críticas ao militarismo americano e à própria guerra (absolutamente sem sentido). Os soldados aparecem sendo entrevistados e se mostram confusos, ora falando coisa sem sentido, ora declarando amor pelos EUA e ódio pelo Vietnã. Alguns falam que lutam pela liberdade do povo vietnamita; mas não sabem por que devem lutar por essa liberdade e nem os motivos que levaram os EUA a assumir essa luta. Reproduzem o discurso falacioso dos políticos americanos, sem se dar conta da sua impropriedade. Há um soldado que cita Lyndon Johnson de forma bastante simbólica. Sem contar a dualidade do personagem principal – Joker – que escreveu “Born to kill” no capacete, mas carrega no uniforme um símbolo da paz.
O diretor é bastante insistente na parte do treinamento, ao mostrar o comandante da tropa sempre numa postura de superioridade, tratando jocosamente os soldados (vale lembrar também as cenas que mostram a tropa correndo e cantando hinos de incentivo ditados pelo comandante – começam com frases de amor à pátria, mas ao final descambam para a pornografia).
O outro filme de guerra que vi foi “O Resgate do Soldado Ryan” do Spielberg – e a diferença de estilo entre os diretores é bem marcante. Spielberg apela muito mais para o emocional, buscando cativar o espectador, fazendo-o identificar-se com os personagens e torcer por eles. Kubrick não tem essa preocupação – seu estilo nesse sentido é muito mais seco. Os personagens são mostrados com ênfase nos seus desvirtuamentos e perversões, buscando desenvolver essa dualidade junguiana do homem, como referiu o Joker (ainda vou ler algo sobre isso). Parece-me que o “bom-mocismo” dos personagens é desprezado em favor de mostrá-los como humanos genuínos, claro, com alguma predileção pelo bizarro da personalidade.
O que fica é mais um grande filme de Kubrick, que sedimenta essas características que lhe são únicas. Abstenho-me de tecer qualquer considerações a respeito de técnicas cinematográficas e tudo mais, porque ainda aqui meu conhecimento é nulo. Mas acho que percebo o suficiente para concluir que hoje em dia não se encontram mais filmes com esse tratamento de obra-de-arte dispensada por Kubrick (estou falando de Holywood, pois o cinema europeu ainda não me apeteceu).
Todos já sabem, mas não custa referir que o filme se passa na Guerra do Vietnã e retrata uma corporação de fuzileiros, desde o treinamento nos EUA até o enfrentamento bélico no Vietnã. Algumas características de Kubrick, que eu tenho observado em outros filmes, se repetem aqui, e pra mim, demonstra sobremaneira o conhecido perfeccionismo do diretor. O filme se passa quase todo em campo aberto, e das quase duas horas de duração, uma hora e meia se passa no Vietnã. E há uma total predominância de claridade – quase não há cenas noturnas. E isso é muito positivo – filmes muito escuros são irritantes. Há o personagem com expressão perversa – soldado Pyle, o gordão - , bem na esteira de outros personagens de Kubrick (Alex de “Laranja Mecânica”, Jack Nicholson de “O Iluminado”, Tom Cruise bem fraco em “De Olhos bem Fechados”, e até o computador Hal de 2001, se pudesse, mostraria uma expressão perversa, especialmente na cena que ele lê os lábios dos astronautas Dave Bowman e o outro aquele).
A ironia de Kubrick é muito refinada neste filme. Sutilmente ele aproveita algumas falas de personagens – principalmente o Joker – para lançar críticas ao militarismo americano e à própria guerra (absolutamente sem sentido). Os soldados aparecem sendo entrevistados e se mostram confusos, ora falando coisa sem sentido, ora declarando amor pelos EUA e ódio pelo Vietnã. Alguns falam que lutam pela liberdade do povo vietnamita; mas não sabem por que devem lutar por essa liberdade e nem os motivos que levaram os EUA a assumir essa luta. Reproduzem o discurso falacioso dos políticos americanos, sem se dar conta da sua impropriedade. Há um soldado que cita Lyndon Johnson de forma bastante simbólica. Sem contar a dualidade do personagem principal – Joker – que escreveu “Born to kill” no capacete, mas carrega no uniforme um símbolo da paz.
O diretor é bastante insistente na parte do treinamento, ao mostrar o comandante da tropa sempre numa postura de superioridade, tratando jocosamente os soldados (vale lembrar também as cenas que mostram a tropa correndo e cantando hinos de incentivo ditados pelo comandante – começam com frases de amor à pátria, mas ao final descambam para a pornografia).
O outro filme de guerra que vi foi “O Resgate do Soldado Ryan” do Spielberg – e a diferença de estilo entre os diretores é bem marcante. Spielberg apela muito mais para o emocional, buscando cativar o espectador, fazendo-o identificar-se com os personagens e torcer por eles. Kubrick não tem essa preocupação – seu estilo nesse sentido é muito mais seco. Os personagens são mostrados com ênfase nos seus desvirtuamentos e perversões, buscando desenvolver essa dualidade junguiana do homem, como referiu o Joker (ainda vou ler algo sobre isso). Parece-me que o “bom-mocismo” dos personagens é desprezado em favor de mostrá-los como humanos genuínos, claro, com alguma predileção pelo bizarro da personalidade.
O que fica é mais um grande filme de Kubrick, que sedimenta essas características que lhe são únicas. Abstenho-me de tecer qualquer considerações a respeito de técnicas cinematográficas e tudo mais, porque ainda aqui meu conhecimento é nulo. Mas acho que percebo o suficiente para concluir que hoje em dia não se encontram mais filmes com esse tratamento de obra-de-arte dispensada por Kubrick (estou falando de Holywood, pois o cinema europeu ainda não me apeteceu).
segunda-feira, 28 de julho de 2003
LARANJA MECÂNICA (A Clockworck Orange)
Finalmente me encorajei, aluguei e vi esse filme na madrugada do sábado. Trata dum adolescente líder de uma gangue, que se diverte com “ultraviolência” gratuita, agredindo mendigos bêbados, roubando e estuprando pessoas sem nenhum motivo aparente, senão o mero ânimo de delinqüir. Numa dessas “aventuras”, Alex, o personagem principal esse, acaba preso pelo assassinato de uma mulher. No presídio, adota um comportamento exemplar, e acaba conseguindo participar de uma experiência – a técnica Ludovico, que consiste em submeter o delinqüente a um “tratamento” no qual é obrigado a assistir filmes com imagens de violência física e sexual, sem que possa fechar os olhos. Ao cabo de 15 dias, o sujeito estaria “reabilitado”, pois toda vez que pensasse em cometer algum ato de violência (ultraviolência) sofreria uma perturbação psíquica séria.
Não entendo nada de cinema. Mas após assistir alguns filmes de Kubrick (2001, Iluminado, De olhos bem fechados), pude perceber algumas características constantes na sua obra. Os cenários são sempre muito iluminados, e algumas cenas são filmadas em perspectiva cuidadosamente calculada, toda especial, que favorece a captação de ângulos inusitados (na cena do mendigo, a gangue é filmada contra a luz, obtendo um efeito de sombra aterrorizante). Sem contar os closes nos personagens, geralmente buscando expressões doentias. Reparei também o uso da trilha sonora, como componente de sugestão e muitas vezes provocativo (em 2001, nas cenas com o monolito, sempre aparecia aquele coro extremamente perturbador, obra do compositor romeno – ou húngaro? – Ligeti). No caso desse filme, há uma cena de briga de gangues, onde a trilha é uma das simfonias de Beethoven. Kubrick também revela uma predileção por personagens altamente pervertidos – Iluminado é o exemplo mais marcante, mas em LARANJA MECÂNICA, Alex (Malcolm MacDowell) mostra-se também particularmente perverso.
Mas a mais marcante característica que pude notar é a ironia do diretor/roteirista. E LARANJA MECÂNICA é repleto de ironias. A vingança dos companheiros de gangue de Alex (que se rebelam contra a prepotência do líder); o tratamento que Alex recebe dos pais ao voltar para casa, ao final do tratamento; o efeito que Alex sofre ao ouvir a Nona sinfonia de Beethoven. A disputa política que serve de tema mediato do filme – e que proporciona o final do filme - também não deixa de ser uma grande ironia. A própria instituição prisional é tratada de forma caricata, com aquele oficial exageradamente formalista.
O alvo de tanta ironia é a politicagem – aquela postura de arrecadar votos através de medidas popularescas, que atingem os eleitores mais ingênuos (que compõem a grande maioria do eleitorado). No caso de LARANJA MECÂNICA, os politiqueiros identificaram na criminalidade um fator de preocupação social, e a sua eliminação seria fundamental para a captação de votos. E optaram por uma solução simplista – fazer a criminalidade voltar contra o criminoso; não através da retribuição propiciada pela privação da liberdade, mas fazer o impulso criminógeno atuar contra o agente.
O que importa, na verdade, é o raciocínio empregado por Kubrick para desenvolver a história e o modo como ele o reproduziu no filme. Interessante perceber que, basicamente, não há personagens inúteis – todos cumprem uma função definida na trama; e isso também faz parte da ironia do filme. Os “inferiores”, “subalternos” – humilhados pelo personagem principal em geral – acabam recebendo a chance de promover a sua vingança pessoal.
É um filme de aproximadamente 130 minutos, mas apresentado de forma brilhante por um diretor que aos poucos eu vou aprendendo a compreender.
Não entendo nada de cinema. Mas após assistir alguns filmes de Kubrick (2001, Iluminado, De olhos bem fechados), pude perceber algumas características constantes na sua obra. Os cenários são sempre muito iluminados, e algumas cenas são filmadas em perspectiva cuidadosamente calculada, toda especial, que favorece a captação de ângulos inusitados (na cena do mendigo, a gangue é filmada contra a luz, obtendo um efeito de sombra aterrorizante). Sem contar os closes nos personagens, geralmente buscando expressões doentias. Reparei também o uso da trilha sonora, como componente de sugestão e muitas vezes provocativo (em 2001, nas cenas com o monolito, sempre aparecia aquele coro extremamente perturbador, obra do compositor romeno – ou húngaro? – Ligeti). No caso desse filme, há uma cena de briga de gangues, onde a trilha é uma das simfonias de Beethoven. Kubrick também revela uma predileção por personagens altamente pervertidos – Iluminado é o exemplo mais marcante, mas em LARANJA MECÂNICA, Alex (Malcolm MacDowell) mostra-se também particularmente perverso.
Mas a mais marcante característica que pude notar é a ironia do diretor/roteirista. E LARANJA MECÂNICA é repleto de ironias. A vingança dos companheiros de gangue de Alex (que se rebelam contra a prepotência do líder); o tratamento que Alex recebe dos pais ao voltar para casa, ao final do tratamento; o efeito que Alex sofre ao ouvir a Nona sinfonia de Beethoven. A disputa política que serve de tema mediato do filme – e que proporciona o final do filme - também não deixa de ser uma grande ironia. A própria instituição prisional é tratada de forma caricata, com aquele oficial exageradamente formalista.
O alvo de tanta ironia é a politicagem – aquela postura de arrecadar votos através de medidas popularescas, que atingem os eleitores mais ingênuos (que compõem a grande maioria do eleitorado). No caso de LARANJA MECÂNICA, os politiqueiros identificaram na criminalidade um fator de preocupação social, e a sua eliminação seria fundamental para a captação de votos. E optaram por uma solução simplista – fazer a criminalidade voltar contra o criminoso; não através da retribuição propiciada pela privação da liberdade, mas fazer o impulso criminógeno atuar contra o agente.
O que importa, na verdade, é o raciocínio empregado por Kubrick para desenvolver a história e o modo como ele o reproduziu no filme. Interessante perceber que, basicamente, não há personagens inúteis – todos cumprem uma função definida na trama; e isso também faz parte da ironia do filme. Os “inferiores”, “subalternos” – humilhados pelo personagem principal em geral – acabam recebendo a chance de promover a sua vingança pessoal.
É um filme de aproximadamente 130 minutos, mas apresentado de forma brilhante por um diretor que aos poucos eu vou aprendendo a compreender.
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