Em 1996 ainda estava no começo da era da internet, então ainda havia chances de chegar numa loja de CDs e encontrar de surpresa um disco lançado recentemente. Foi assim que, na Colombo do Praia de Belas (na época essa loja vendia CDs, além de eletrodomésticos) deparei com o “Purpendicular”, então novo disco do Deep Purple, lançado em 1996, com nova formação: Steve Morse assumiu a guitarra no lugar de Ritchie Blackmore, na formação que se chama de Mark VI (Gillan, Glover, Lord, Morse, Paice). Sabe-se que Blackmore deixou definitivamente o Deep Purple em 1993, no decorrer da turnê de divulgação do “The Battle Rages On”. A banda encontrou um substituto temporário para datas europeias e japonesas: Joe Satriani se encarregou das 6 cordas e foi convidado para ingressar em caráter definitivo. Satriani, no entanto, esclarece que havia recém lançado um disco muito bem recebido – “The Extremist” de 1992, com o hit “Summer Song” -, tinha uma carreira solo já consolidada, e com pouca disposição para, naquela época, abrir mão da autonomia duramente alcançada (a gravadora lhe dava suporte – Sony) para trabalhar em equipe numa banda consagrada. Pesou, ainda, e talvez mais decisivamente, o fato de ser o substituto de Ritchie Blackmore. Diz-se que Steve Vai aconselhou Satriani a não assumir essa bronca, e acho que é mais ou menos o tipo de raciocínio: se desse errado e Satriani não fosse bem aceito pelos fãs do Deep Purple, ou a banda fizesse composições medíocres, então o cara ficaria com filme queimado e teria dificuldades para retomar sua carreira solo. Hoje em dia é muito mais comum que as agendas permitam breves encontros, de maneira que nem a carreira solo de Satriani seria prejudicada, nem as atividades rotineiras de turnê do Deep Purple seriam interrompidas, vez que muitos músicos desenvolvem atividades em mais de uma frente nos intervalos de outras tidas como prioritárias (é o caso, v.g., do baterista Chad Smith, que tocou com Glenn Hughes e agora se juntou ao próprio Satriani para formar o Chikenfoot, sempre nos hiatos das gravações e turnês do Red Hot Chilli Peppers – é a maneira de músicos prolíficos se manterem em permanente atividade, o que é salutar). Não sei se outros guitarristas foram considerados, mas o fato é que em 1996 nem sabia que Steve Morse havia ingressado, muito menos que a banda estava para lançar disco novo. Então pedi para ouvir na loja esse “Purpendicular” e me decidi pela aquisição quando ouvi a parte de “Cascades: I´m Not Your Lover” na qual Lord e Morse executam rápidos arpejos em alta velocidade, sabendo-se como se sabe que Morse palheta todas as notas, e o faz alternadamente para-cima-e-para-baixo (ao invés de utilizar-se da técnica do “sweep picking”, que facilitaria a execução desse tipo de arpejo nessas condições).
Como é intuitivo, o álbum com Steve Morse é diferente do material que estamos acostumados com Blackmore. O talento de Morse, no caso, foi de agregar suas influências e fazer um disco do Deep Purple tão bom quanto ao de alguns da época do Mark II. As guitarras soam mais modernas pois (a) Morse utiliza guitarras com humbucker, que propiciam timbres mais encorpados que os de Fender Stratocaster utilizados por Blackmore, e (b) Morse utiliza técnicas refinadas como a já mencionada palhetada alternada, além dos harmônicos artificiais executados com a ponta dos dedos da mão que segura a palheta. Além disso, são incorporados violões de cordas de aço além de orquestrações com bastante melodia (o maior exemplo é "The Aviator").
“Vavoom: Ted the Mechanic” é um bom exemplo de riff com a marca de Steve Morse, devido à palhetada, ao abafamento das cordas em momentos certeiros, além dos harmônicos artificiais (na abertura, pelo que pude ver dos vídeos no youtube, toca-se na guitarra com o polegar e indicador da mão direita, e não com a palheta). A letra é de Gillan e ele diz que foi motivada em conversa com um mecânico, na qual ouviu muitas histórias fantásticas.
Talvez a mais conhecida desse álbum seja “Sometimes I Feel Like Screaming”. Nos anos 1990 o Deep Purple dedicou-se a sucessivas turnês e ao lançamento de álbuns ao vivo. Só que os repertórios são previsíveis e geralmente são tocados apenas algumas poucas faixas do disco que dá ensejo a turnê, ficando as do disco anterior esquecidas na turnê anterior. Pois essa “Sometimes I Feel Like Screaming” é das poucas que resistem ao tempo e volta e meia aparecem no set list. Aqui Morse executa uma melodia muito bonita no violão e na guitarra por diversas vezes nos seus 7min e meio de duração. A música inteira é muito bela, com partes expressivas.
Particularmente gosto das música mais agitadas do Deep Purple (geralmente Ian Paice brilha nas levadas de bateria nessas condições), então achei que “Cascades: I´m Not Your Lover” é uma das melhores, sobretudo pelo já mencionado dueto de Morse e Lord na parte de arpejos em alta velocidade. Nas demais, Morse explora licks e solos melódicos: "Loosen My Strings", que tem uma levada diferente no baixo de Roger Glover; "Rosa´s Cantina" tem um groove que há muito não aparecia em discos do Purple (acho que desde o Mark IV); "A Castle Full of Rascals" com várias partes, agressivas ou lentas, que lembram a época do "Fireball"; "A Touch Away" tem uma introdução com belas participações de Steve Morse (riff sofisticado) e de Jon Lord (complemento sofisticado com um tema); "Hey Cisco", que é das rápidas, e tem mais duetos em alta velocidade de Morse e Lord; o mais próximo de um riff típico de hard rock é o de "Somebody Stole My Guitar".
O ingresso de Steve Morse parece ter pacificado definitivamente as coisas no Deep Purple, que finalmente conseguiu estabilizar sua formação (apenas Jon Lord saiu amigavelmente, dando lugar a Don Airey), lançando discos regularmente, e desde então em turnê pelo mundo, como uma banda com tantos anos de atividade deve fazer.
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domingo, 25 de abril de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Discografia Deep Purple – Parte XVI “This Time Around: Live in Tokyo” (2001)
No início dos anos 2000 cheguei a adquirir o “Last Concert in Japan”, provavelmente na Grammy & Classic Rock da Gal. Chaves. O disco importado, aproximadamente 30 a 35pila, continha parte de show do Mark IV (Bolin, Coverdale, Hughes, Lord, Paice) no Japão. Por alguma razão achei que não valia a pena mantê-lo em casa, então inclui o CD em alguma troca ruinosa numa das bocas do disco. Pois agora, tantos anos depois, resolvi que era hora de comprar o disco duplo contendo todo o repertório daquela apresentação, com som melhorado (conforme o encarte): “This Time Around: Live in Tokyo”.
O repertório é o mesmo de outros bootlegs do período, inclusive já resenhados aqui, então me reporto às observações lá expendidas oportunamente. Nessas condições, o disco vale pela qualidade do som, pelas conversas de Coverdale com o público japonês (gosto de ouvir Coverdale e Hughes se comunicando com a plateia nessa época; um exemplo é quando Covedale anuncia “Wild Dogs”: “For the first time in Japan (pausa breve) Tommy Bolin is going to sing a song for you”), e também para fins “completísticos”, como disse ao Valmor/Bruce no dia que comprei o disco na Cultura por pouco mais de 30pila.
O repertório é o mesmo de outros bootlegs do período, inclusive já resenhados aqui, então me reporto às observações lá expendidas oportunamente. Nessas condições, o disco vale pela qualidade do som, pelas conversas de Coverdale com o público japonês (gosto de ouvir Coverdale e Hughes se comunicando com a plateia nessa época; um exemplo é quando Covedale anuncia “Wild Dogs”: “For the first time in Japan (pausa breve) Tommy Bolin is going to sing a song for you”), e também para fins “completísticos”, como disse ao Valmor/Bruce no dia que comprei o disco na Cultura por pouco mais de 30pila.
terça-feira, 16 de março de 2010
Discografia Deep Purple – Parte XV “Days May Come and Days May Go” (2000)
Se as jams do Deep Purple nas apresentações ao vivo são parte dos melhores momentos de discos como “Made in Japan” e “Made in Europe”, bem como de todos os bootlegs com shows da banda, então seria natural que um CD com registros dos ensaios pudesse ser considerado magnífico. Lembro de ter lido algo sobre o lançamento de um CD com os ensaios do Mark IV após o ingresso de Tommy Bolin e antes do “Come Taste the Band”, e imediatamente fiquei instigado a ouvir o resultado, embora jamais pensasse que encontraria o CD em lojas, pois era do tipo que se vende em sites internacionais. Pois encontrei, pouco depois, em 2000, na Zeppelin da Gal. Luza e, embora o preço nada atrativo, trouxe para casa.
Diria que nem todas as jams do Deep Purple são são espetaculares... bem vistas as coisas, percebo que as jams que apareceram nos discos ao vivo não prescindiram de ensaios prévios e combinações instantâneas, de maneira que não se pode achar que tudo era criado magicamente na hora, ou em bom português, “in the flesh”. Esse CD “Days May Come and Days May Go” traz parte dos ensaios de junho de 1975 numa espécie de gigante armazém transformado em estúdio. É legal (a) ouvir o Mark IV inteiro, tocando a valer, Bolin, Coverdale, Hughes, Lord, Paice; (b) ouvir David Coverdale improvisando vocais nas diversas faixas, mesmo sobre improváveis jams, de maneira que o vocalista não fica só observando e ouvindo o som dos demais.
Duas das faixas são bem conhecidas, pois vieram a ser gravadas no “Come Taste the Band”: o disco abre com “Owed to G” que é a parte instrumental que segue a “This Time Around”. É basicamente igual à versão que logo a seguir foi registrada em estúdio. A outra é uma versão de “Drifter”, com letra diferente, mas o instrumental também é praticamente todo igual ao do disco que foi lançado no mesmo ano. Antes desta, porém, há um “Drifter (rehearsal sequence)” no qual se ouvem Glenn Hughes, Coverdale e Bolin ensaiando melodias para o vocal. Além destas, consta uma longa jam sobre os conhecidos versos “Dance to the Rock´n´Roll”, e é agora que não entendo mesmo porque isso não virou música no álbum do Mark IV. Afinal, o refrão e o riff principal estão ali, só faltam uns versos, e isso é muito fácil de encaixar; posso pensar em uns acordes, ao estilo “Burn”, por exemplo, sobre os quais seriam cantados os versos, mantendo-se o mesmo andamento na bateria. Acredito que seria uma das melhores do disco, e engrandeceria ainda mais a obra.
“IF You Love Me Woman” é uma jam funky sobre a qual Coverdale canta o título várias vezes e, como em tantas outras, acrescenta os tradicionais “woman, woman” e “baby, baby”, e “need your Love”.
“The Orange Juice Song” tem pouco mais de 3min e é muito legal; trata-se de uma comovente balada ao estilo “Mistreated”, com Coverdale murmurando sentimento numa letra improvisada, sobre uns acordes providenciados pelo Hammond de Lord. Ao final, o tecladista executa a melodia do “Concerto de Aranjuez”, e eis a sacada genial com o título da faixa.
“I Got Nothing For You” e “The Last of the Long Jams” são jams com duração aproximada de 10min, com solos, improvisações de vocais, etc. Aqui, como nas demais, percebe-se o quanto Ian Paice se empenha em criar levadas de bateria, com rolos e tudo mais, e é legal notar o quanto o lendário baterista levava a sério aqueles ensaios – o cara toca pra valer, não está guardando nada. Há ainda espaço para um cover de blues, “Statesboro Blues”.
Acreditava que nessas jams todas encontraria riffs, melodias e partes de músicas que compuseram o “Come Taste the Band”. No entanto, com exceção das já mencionadas, a parte significativa desses ensaios não saiu
Se não é um registro indispensável ou uma demonstração do brilhantismo dos caras na arte da improvisação, é certo que vale como documento adicional do curto período no qual vigorou o Mark IV. No encarte do CD há esclarecimento de que ali constam os melhores momentos dos ensaios, e que haveria um material extra que seria vendido pelo site para os fãs ardorosos e completistas. Entretanto, vejo no Wikipédia que há um “1420 Beachwood Drive: The 1975 Rehearsals, volume 2”, no qual o track list seria “Drifter (version 2)”, “Sail Away riff”, “You Keep on Moving (take 1)”, “Pirate Blues (jam)” e “Say You Love Me”. No mínimo gostaria de ouvir esse take 1 de “You Keep on Moving”.
Diria que nem todas as jams do Deep Purple são são espetaculares... bem vistas as coisas, percebo que as jams que apareceram nos discos ao vivo não prescindiram de ensaios prévios e combinações instantâneas, de maneira que não se pode achar que tudo era criado magicamente na hora, ou em bom português, “in the flesh”. Esse CD “Days May Come and Days May Go” traz parte dos ensaios de junho de 1975 numa espécie de gigante armazém transformado em estúdio. É legal (a) ouvir o Mark IV inteiro, tocando a valer, Bolin, Coverdale, Hughes, Lord, Paice; (b) ouvir David Coverdale improvisando vocais nas diversas faixas, mesmo sobre improváveis jams, de maneira que o vocalista não fica só observando e ouvindo o som dos demais.
Duas das faixas são bem conhecidas, pois vieram a ser gravadas no “Come Taste the Band”: o disco abre com “Owed to G” que é a parte instrumental que segue a “This Time Around”. É basicamente igual à versão que logo a seguir foi registrada em estúdio. A outra é uma versão de “Drifter”, com letra diferente, mas o instrumental também é praticamente todo igual ao do disco que foi lançado no mesmo ano. Antes desta, porém, há um “Drifter (rehearsal sequence)” no qual se ouvem Glenn Hughes, Coverdale e Bolin ensaiando melodias para o vocal. Além destas, consta uma longa jam sobre os conhecidos versos “Dance to the Rock´n´Roll”, e é agora que não entendo mesmo porque isso não virou música no álbum do Mark IV. Afinal, o refrão e o riff principal estão ali, só faltam uns versos, e isso é muito fácil de encaixar; posso pensar em uns acordes, ao estilo “Burn”, por exemplo, sobre os quais seriam cantados os versos, mantendo-se o mesmo andamento na bateria. Acredito que seria uma das melhores do disco, e engrandeceria ainda mais a obra.
“IF You Love Me Woman” é uma jam funky sobre a qual Coverdale canta o título várias vezes e, como em tantas outras, acrescenta os tradicionais “woman, woman” e “baby, baby”, e “need your Love”.
“The Orange Juice Song” tem pouco mais de 3min e é muito legal; trata-se de uma comovente balada ao estilo “Mistreated”, com Coverdale murmurando sentimento numa letra improvisada, sobre uns acordes providenciados pelo Hammond de Lord. Ao final, o tecladista executa a melodia do “Concerto de Aranjuez”, e eis a sacada genial com o título da faixa.
“I Got Nothing For You” e “The Last of the Long Jams” são jams com duração aproximada de 10min, com solos, improvisações de vocais, etc. Aqui, como nas demais, percebe-se o quanto Ian Paice se empenha em criar levadas de bateria, com rolos e tudo mais, e é legal notar o quanto o lendário baterista levava a sério aqueles ensaios – o cara toca pra valer, não está guardando nada. Há ainda espaço para um cover de blues, “Statesboro Blues”.
Acreditava que nessas jams todas encontraria riffs, melodias e partes de músicas que compuseram o “Come Taste the Band”. No entanto, com exceção das já mencionadas, a parte significativa desses ensaios não saiu
Se não é um registro indispensável ou uma demonstração do brilhantismo dos caras na arte da improvisação, é certo que vale como documento adicional do curto período no qual vigorou o Mark IV. No encarte do CD há esclarecimento de que ali constam os melhores momentos dos ensaios, e que haveria um material extra que seria vendido pelo site para os fãs ardorosos e completistas. Entretanto, vejo no Wikipédia que há um “1420 Beachwood Drive: The 1975 Rehearsals, volume 2”, no qual o track list seria “Drifter (version 2)”, “Sail Away riff”, “You Keep on Moving (take 1)”, “Pirate Blues (jam)” e “Say You Love Me”. No mínimo gostaria de ouvir esse take 1 de “You Keep on Moving”.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Discografia Deep Purple – Parte XIV “Perfect Strangers” (1984)
Após sair do Deep Purple em 1975, Ritchie Blackmore formou o Rainbow com Ronnie James Dio e manteve a excelência de composições de hard rock e de apresentações incendiárias. O guitarrista, entretanto, não é do tipo “easy going”, e assim o Rainbow teve diversas formações e passou por distintas fases musicais até chegar a 1984. Blackmore e Roger Glover receberam proposta para reunir a formação clássica do Deep Purple – o Mark II – e assim, junto com Jon Lord, Ian Paice e Ian Gillan, a banda gravou um grande disco e saiu para uma exitosa turnê.
“Perfect Strangers” ouvi emprestado por alguém – ou alugado – no final dos anos 1990 ou início dos anos 2000, e desde logo percebi que se trata de um disco melhor do que poderia esperar caso só conhecesse a faixa-título. É fato que “Perfect Strangers” é a música mais conhecida desse disco, além de ser a mais frequentemente eleita para cover pelas mais diversas bandas, desde o Dream Theater até a Burnin´ Boat. Trata-se de uma excelente música do Deep Purple, mas não é das minhas favoritas e nem é divertida de tocar. Veja-se que grande parte do material do Deep Purple e do Rainbow é muito divertido de tocar na guitarra, pelas linhas marcantes de Blackmore. Não é o caso de “Perfect Strangers”, que se centra bastante nos versos nos quais são tocados apenas os Power chords C-D e F-G por várias vezes. A melhor parte é um riff tocado após o 2.º refrão e antes do último verso – em A - e depois do último refrão até o final – em E - por guitarra, baixo e teclado, com um último compasso maior que os outros.
Mas o álbum tem outras composições com momentos legais. “Knocking At Your Back Door” tem cara de single, com um riff bom de teclado e guitarra, além de um refrão radiofônico. Destaque para a introdução de Jon Lord, que confere uma atmosfera sombria para se resolver no riff faceiro.
“Under the Gun”, “Nobody´s Home” e “Mean Streak” seguem como três faixas boas de hard rock típico do Rainbow. O riff de “Nobody´s Home” é nas mesmas posições de “Lay Down Stay Down” da época do “Burn”, de 1974, só que é de execução mais divertida e mais desafiadora. E “Mean Streak” tem trechos instrumentais com utilização das famosas escalas menor harmônica ou menor melódica cujo manuseio deram fama a Yngwie Malmsteen (Blackmore empregava bastante essas escalas no Rainbow, embora já fossem ouvidas em “Stormbringer” e nas apresentações ao vivo do Mark III). Essas escalas voltam no riff de “Hungry Daze”, que é muito legal de tocar na guitarra e são o tipo de “ear candy” muito boas de ouvir.
“A Gypsy´s Kiss” é outra faixa acelerada, sendo que o destaque são as várias partes instrumentais com sugestão erudita inspirada em Bach nos duetos de Blackmore e Lord, altamente sofisticados; “Wasted Sunsets”, por outro lado, é uma balada arrastada, e aqui fica mais evidente que Ian Gillan não tem mais a voz magnífica dos anos 1970 – a interpretação não é tão arrebatada e arrebatadora quanto deveria ser (como em “Child in Time”, por exemplo). Blackmore compensa com um solo cheio de feeling para os seus padrões.
O CD ainda conta com duas faixas bônus: “Not Responsible” e “Son of Alerik”. A primeira é muito boa e se encaixa perfeitamente no estilo do álbum. Já a segunda é um longo instrumental, no qual Blackmore e Lord trocam solos por 10min.
“Perfect Strangers” é um álbum que se alinha entre os melhores do Mark II, e esse feito não foi repetido nos discos posteriores até a saída definitiva de Ritchie Blackmore em 1993.
Mesmo com a disponibilização do CD de fabricação nacional, demorei vários anos para me decidir pela sua aquisição, pois achava que o preço não era convidativo (aproximadamente 25pila). Resolvi adquiri-lo apenas quando a Saraiva fez uma promoção no Dia do Rock de 2007 ou 2008, mas me enganei e o disco não estava na promoção, então paguei o preço que repudiara anteriormente (agora na mesma loja se encontra o álbum por 16 pila, ou menos se forem comprados 3CDs ou mais).
“Perfect Strangers” ouvi emprestado por alguém – ou alugado – no final dos anos 1990 ou início dos anos 2000, e desde logo percebi que se trata de um disco melhor do que poderia esperar caso só conhecesse a faixa-título. É fato que “Perfect Strangers” é a música mais conhecida desse disco, além de ser a mais frequentemente eleita para cover pelas mais diversas bandas, desde o Dream Theater até a Burnin´ Boat. Trata-se de uma excelente música do Deep Purple, mas não é das minhas favoritas e nem é divertida de tocar. Veja-se que grande parte do material do Deep Purple e do Rainbow é muito divertido de tocar na guitarra, pelas linhas marcantes de Blackmore. Não é o caso de “Perfect Strangers”, que se centra bastante nos versos nos quais são tocados apenas os Power chords C-D e F-G por várias vezes. A melhor parte é um riff tocado após o 2.º refrão e antes do último verso – em A - e depois do último refrão até o final – em E - por guitarra, baixo e teclado, com um último compasso maior que os outros.
Mas o álbum tem outras composições com momentos legais. “Knocking At Your Back Door” tem cara de single, com um riff bom de teclado e guitarra, além de um refrão radiofônico. Destaque para a introdução de Jon Lord, que confere uma atmosfera sombria para se resolver no riff faceiro.
“Under the Gun”, “Nobody´s Home” e “Mean Streak” seguem como três faixas boas de hard rock típico do Rainbow. O riff de “Nobody´s Home” é nas mesmas posições de “Lay Down Stay Down” da época do “Burn”, de 1974, só que é de execução mais divertida e mais desafiadora. E “Mean Streak” tem trechos instrumentais com utilização das famosas escalas menor harmônica ou menor melódica cujo manuseio deram fama a Yngwie Malmsteen (Blackmore empregava bastante essas escalas no Rainbow, embora já fossem ouvidas em “Stormbringer” e nas apresentações ao vivo do Mark III). Essas escalas voltam no riff de “Hungry Daze”, que é muito legal de tocar na guitarra e são o tipo de “ear candy” muito boas de ouvir.
“A Gypsy´s Kiss” é outra faixa acelerada, sendo que o destaque são as várias partes instrumentais com sugestão erudita inspirada em Bach nos duetos de Blackmore e Lord, altamente sofisticados; “Wasted Sunsets”, por outro lado, é uma balada arrastada, e aqui fica mais evidente que Ian Gillan não tem mais a voz magnífica dos anos 1970 – a interpretação não é tão arrebatada e arrebatadora quanto deveria ser (como em “Child in Time”, por exemplo). Blackmore compensa com um solo cheio de feeling para os seus padrões.
O CD ainda conta com duas faixas bônus: “Not Responsible” e “Son of Alerik”. A primeira é muito boa e se encaixa perfeitamente no estilo do álbum. Já a segunda é um longo instrumental, no qual Blackmore e Lord trocam solos por 10min.
“Perfect Strangers” é um álbum que se alinha entre os melhores do Mark II, e esse feito não foi repetido nos discos posteriores até a saída definitiva de Ritchie Blackmore em 1993.
Mesmo com a disponibilização do CD de fabricação nacional, demorei vários anos para me decidir pela sua aquisição, pois achava que o preço não era convidativo (aproximadamente 25pila). Resolvi adquiri-lo apenas quando a Saraiva fez uma promoção no Dia do Rock de 2007 ou 2008, mas me enganei e o disco não estava na promoção, então paguei o preço que repudiara anteriormente (agora na mesma loja se encontra o álbum por 16 pila, ou menos se forem comprados 3CDs ou mais).
terça-feira, 9 de março de 2010
Discografia Deep Purple – Parte XII “Live Storm I & II” (1996)
Há quase 15 anos atrás a Colombo do Praia de Belas também vendia CDs, muitos dos quais de excelente qualidade. Encontrei um bootleg do Deep Purple com registros de diferentes épocas, mas o que valia a pena era o segundo disco desse CD duplo “Live Storm I & II”. O primeiro disco era dedicado ao Mark II, então, conforme o encarte desse bootleg de um selo italiano, o trak list contém faixas de demos de 1970 (“Speed King”, “Child in Time” e “Black Night”) – sendo certo que se pode cogitar de que se tratam das versões originais de estúdio com um som muito ruim -, e registros de uma “US Tour 1972” (“Strange Kind of Woman”, “Smoke on the Water” e “Space Trucking”) – e aqui não há nada de novo. O ouro está no segundo disco, com uma “US Tour 1976”, no qual há parte do repertório de apresentação do Mark IV, i. é, com Tommy Bolin na guitarra e algumas faixas do “Come Taste the Band”. Não há discussão que (a) Tommy Bolin é um excelente guitarrista, e que (b) o estilo de Bolin é completamente diferente do de Ritchie Blackmore, então concluo, pela audição de vários registros do Mark IV, que Bolin não toca adequadamente as faixas da época de Blackmore, embora seja muito bom quando toca o repertório do “Come Taste the Band”. Assim, as versões de “Burn”, “Smoke on the Water” e “Highway Star” são confusas e muito fracas em termos de guitarra, com Bolin atrasando frequentemente a entrada dos riffs principais e executando solos genéricos e superficiais. Melhor ouvi-lo – e o restante da banda – em “This Time Around/Owed to G”, “Lady Luck” (ficou bem legal ao vivo), “Wild Dogs” (essa é uma de Bolin, cantada pelo próprio, e que ficou massa), além de “I Need Love”. “Woman From Tokyo” que aparece no track list é apenas executada brevemente por Jon Lord. Os meus destaques particulares ficam por conta da comovente interpretação de “Soldier of Fortune” com David Coverdale (acompanhado por Lord, Glenn Hughes e Ian Paice nos respectivos instrumentos) e, acima de tudo, o adendo que seguiu a “Smoke on the Water”. Desde o California Jam que se via que ao final de “Smoke on the Water” a banda fazia alguma jam na qual se destacava o vocal de Glenn Hughes. Pois no caso desse bootleg encontrei a melhor jam que já ouvi nesse contexto, bem como os vocais mais excepcionais e magníficos (não encontro outros adjetivos) de Glenn Hughes: o cara simplesmente canta “Georgia on My Mind” com os vocais mais altos e impossíveis de alcançar que ouvi, e lembro de ouvir repetidamente esse trecho, maravilhado pelo alcance e a interpretação de Hughes, não por acaso, “the voice of rock”. Nunca encontrei vídeos com performances desse jeito, então vale a pena localizar esse bootleg e ouvir Glenn Hughes cantando como nunca no auge de sua forma musical.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Discografia Deep Purple – Parte XI “Come Taste the Band” (1975)
Diferentemente do que Jon Lord pensava, David Coverdale entendia que a saída de Ritchie Blackmore para formar o Rainbow não acarretava, necessariamente, o encerramento das atividades do Deep Purple. É fácil se colocar no lugar de Lord e pensar “quem fará os riffs de guitarra?”. Coverdale convenceu o tecladista de que há vida após Blackmore e a banda chamou Tommy Bolin, conhecido guitarrista de jazz e blues (o cara tocou até com Billy Cobham, o que por si só já é um feito). Bolin era afinado com a orientação funky preconizada por Glenn Hughes e David Coverdale e bem recebida por Jon Lord e, sobretudo, Ian Paice. Entretanto há hard rock o suficiente para que “Come Taste the Band” se qualifique como um bom disco do Deep Purple. Tomei contato com esse disco só quando o adquiri ao localizá-lo na Boca do Disco, no início dos anos 2000, CD importado (evidentemente, não há notícias de CD de fabricação nacional), por aproximadamente 30pila (margem de erro de 5pila para mais ou para menos).
O disco começa como se fosse uma apresentação ao vivo: uma explosão com acorde de guitarra, baixo e teclados até ingressar efetivamente em “Comin´ Home”, um rock acelerado no qual o timbre bem característico da Fender Stratocaster de Bolin já se faz presente.
“Lady Luck” inicia com acordes mas é caracterizada pelo funk capitaneado pelo baixo de Hughes e a bateria de Paice, além dos excelentes vocais – e letra típica - de Coverdale (“She was a jukebox dancer, a blue eyed gypsy queen (...)”). A faixa não alcança 3min e é muito divertida de ouvir, com refrão marcante.
Outra que tem suingue é de Hughes, a clássica “Gettin´ Tighter”. Bolin é responsável pelo riff principal e pelo tema que é executado antes dos versos. Há espaço para um breve interlúdio instrumental com pequeno solo de guitarra.
Com um riff mais sóbrio, “Dealer” conta com uma parte com vocais de Bolin, que me parecem não funcionar aqui tão bem quanto em “Wild Dogs”, que é uma composição da carreira solo do guitarrista executada pelo Purple nos shows da turnê de “Come Taste the Band”. Desse mesmo tipo de riff é “Drifter”, não por acaso outra composta por Bolin/Coverdale.
Um belo riff de guitarra abre “Love Child”. A estrutura da faixa é simples, passa pouco dos 3min e a base instrumental dos versos é atípica do Deep Purple à época, vez que se cuidam apenas de Power chords em E com pausas longas entre os compassos. Posteriormente essa característica foi resgatada pela banda com o ingresso de Steve Morse (é só ouvir “Purpendicular”, “Abandon”, “Bananas” e “Rapture of the Deep”).
O álbum encerra com duas composições clássicas e majestosas, com interpretações marcantes de Glenn Hughes: “This Time Around/Owed to G” e “You Keep on Moving”. A primeira começa com piano e voz e é toda cantada por Hughes, com delicada e comovente interpretação vocal. A parte “Owed to G” é instrumental e foi composta por Bolin, e muda o clima da música para dar-lher maior peso. Por sua vez, “You Keep on Moving” é interpretada em maior parte em uníssono de Hughes e Coverdale, embora particularmente ache que ela fica muito melhor com vocais exclusivos de Hughes, como aparece no “Burning Japan Live” registrado na carreira solo do baixista/vocalista. A música é conduzida por um riff repetitivo no baixo baseado em B, desce para G, depois E, e volta para B. A parte “Dawn will soon be breaking, the day has just begun (...)” acredito que é em A e E.
Evidentemente que não é o tipo de disco para se ouvir pensando em Blackmore. “Come Taste the Band” deve ser curtido como o álbum que contém “You Keep on Moving”, “This Time Around” e “Gettin´ Tighter”, além de composições boas como “Lady Luck” e “Love Child”.
Após turnê de divulgação que durou menos que um semestre, a banda se dispersou. Cada integrante se entreteu com outras atividades musicais. Quem levou a pior foi Tommy Bolin: o cara não conseguiu conter seus vícios e em dezembro de 1976 foi fazer companhia a Jimi Hendrix entre os Guitar Gods. A banda só retornaria em 1984, na reunião do Mark II, com o grande álbum “Perfect Strangers”.
O disco começa como se fosse uma apresentação ao vivo: uma explosão com acorde de guitarra, baixo e teclados até ingressar efetivamente em “Comin´ Home”, um rock acelerado no qual o timbre bem característico da Fender Stratocaster de Bolin já se faz presente.
“Lady Luck” inicia com acordes mas é caracterizada pelo funk capitaneado pelo baixo de Hughes e a bateria de Paice, além dos excelentes vocais – e letra típica - de Coverdale (“She was a jukebox dancer, a blue eyed gypsy queen (...)”). A faixa não alcança 3min e é muito divertida de ouvir, com refrão marcante.
Outra que tem suingue é de Hughes, a clássica “Gettin´ Tighter”. Bolin é responsável pelo riff principal e pelo tema que é executado antes dos versos. Há espaço para um breve interlúdio instrumental com pequeno solo de guitarra.
Com um riff mais sóbrio, “Dealer” conta com uma parte com vocais de Bolin, que me parecem não funcionar aqui tão bem quanto em “Wild Dogs”, que é uma composição da carreira solo do guitarrista executada pelo Purple nos shows da turnê de “Come Taste the Band”. Desse mesmo tipo de riff é “Drifter”, não por acaso outra composta por Bolin/Coverdale.
Um belo riff de guitarra abre “Love Child”. A estrutura da faixa é simples, passa pouco dos 3min e a base instrumental dos versos é atípica do Deep Purple à época, vez que se cuidam apenas de Power chords em E com pausas longas entre os compassos. Posteriormente essa característica foi resgatada pela banda com o ingresso de Steve Morse (é só ouvir “Purpendicular”, “Abandon”, “Bananas” e “Rapture of the Deep”).
O álbum encerra com duas composições clássicas e majestosas, com interpretações marcantes de Glenn Hughes: “This Time Around/Owed to G” e “You Keep on Moving”. A primeira começa com piano e voz e é toda cantada por Hughes, com delicada e comovente interpretação vocal. A parte “Owed to G” é instrumental e foi composta por Bolin, e muda o clima da música para dar-lher maior peso. Por sua vez, “You Keep on Moving” é interpretada em maior parte em uníssono de Hughes e Coverdale, embora particularmente ache que ela fica muito melhor com vocais exclusivos de Hughes, como aparece no “Burning Japan Live” registrado na carreira solo do baixista/vocalista. A música é conduzida por um riff repetitivo no baixo baseado em B, desce para G, depois E, e volta para B. A parte “Dawn will soon be breaking, the day has just begun (...)” acredito que é em A e E.
Evidentemente que não é o tipo de disco para se ouvir pensando em Blackmore. “Come Taste the Band” deve ser curtido como o álbum que contém “You Keep on Moving”, “This Time Around” e “Gettin´ Tighter”, além de composições boas como “Lady Luck” e “Love Child”.
Após turnê de divulgação que durou menos que um semestre, a banda se dispersou. Cada integrante se entreteu com outras atividades musicais. Quem levou a pior foi Tommy Bolin: o cara não conseguiu conter seus vícios e em dezembro de 1976 foi fazer companhia a Jimi Hendrix entre os Guitar Gods. A banda só retornaria em 1984, na reunião do Mark II, com o grande álbum “Perfect Strangers”.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Discografia Deep Purple – Parte X “Archive Alive!” (1996 - bootleg)
Procurei com entusiasmo os bootlegs com shows do Deep Purple, sobretudo os da época do Mark III, pois apesar do repertório com poucas músicas, o resultado era sempre imprevisível dadas as notáveis e notórias improvisações dos integrantes daquela formação. Esse “Archive Alive!” foi adquirido numa extinta loja de CDs do Praia de Belas, e o preço era o de um CD simples importado (30pila – localizei no Mercado Livre para venda por 110reais) apesar de se tratar de um CD duplo bootleg, então tratou-se de uma barbada. O registro é de alta qualidade, pois sabe-se que esse material foi a base do “Made in Europe”, com desvantagem para este (o som deste bootleg é melhor). Para diferenciar do que foi um lançamento oficial da gravadora, o bootleg contém registros das performances de Paris e Graz, e a vantagem é que reproduz com fidelidade o repertório daquelas apresentações. Então começa com “Burn” (não difere muito do "California Jam" e do próprio "Made in Europe"), segue com “Stormbringer" (também não difere muito do "Made in Europe"), “The Gypsy” (excelentes vocais em uníssono de Coverdale e Hughes, e assim a música ficou bem melhor que a versão de estúdio), “Lady Double Dealer” (até o início é igual ao "Made in Europe", mas há diferenças nos vocais - talvez seja o mesmo take, mas com overdubs de estúdio para o lançamento oficial - Coverdale e Hughes se alternam no "Lady Double Dealer, get out of my way", “Mistreated” (incrivelmente Blackmore erra grotescamente no mítico riff introdutório - a guitarra engasga, parece que não vai sair nada, mas enfim o cara consegue iniciar a música), “Smoke on the Water” (início com uma jam curta sobre o riff de "Lazy", e ao final momento para demonstração do alcance vocal de Glenn Hughes, com uns agudos fora do comum), “You Fool No One” (no show de Paris, Jon Lord toca "A Marselhesa" no solo introdutório, que segue com umas jams muito legais; depois do riff e na hora de tocar o acorde antes dos versos, Blackmore erra o acorde - o cara estava distraído nessa noite... no mais, solo de bateria e riff de "The Mule"), “Space Truckin” (Momento Lucky Strike é Jon Lord tocando o tema de "Assim Falou Zaratustra" - é por essas que é bom ouvir os shows dessa época. Além disso, várias jams inusitadas, incluída breve execução instrumental de "Child in Time", e outra "Dance to the Rock´n´roll", que não sei como não virou música do "Come Taste the Band", além de barulheiras infernais) e “Going Down/Highway Star”, além de versões adicionais de “Mistreated” (pequeno discurso de Hughes - "It´s a song about everyday life", e Blackmore executa as primeiras notas do hino nacional alemão - achei melhor essa versão) e de “You Fool No One” (introdução completa de Coverdale, apresentando todos os músicos, e Jon Lord executa um tema clássico de Mozart, e depois uma jam jocosa ao seu estilo na época - essa versão também ficou melhor que a outra disponível neste bootleg, com solo de Blackmore ao invés do solo de bateria de Ian Paice).
terça-feira, 2 de março de 2010
Discografia Deep Purple – Parte IX “Made in Europe” (1976)
Em 1976 Ritchie Blackmore já havia abandonado o Deep Purple, tendo sido substituído por Tommy Bolin, sendo que um disco de músicas inéditas com essa formação, o Mark IV, foi lançado naquele ano (“Come Taste the Band”). Entretanto, ainda havia espaço para a gravadora capitalizar com o Mark III e assim foi lançado um álbum ao vivo com algumas das últimas performances do lendário guitarrista com o Purple (Graz, Saarbrücken e Paris, em 1975 – diz-se que a maior parte do material de “Made in Europe” teve como base o show na cidade alemã). Essas últimas apresentações em 1975 são excelentes e foram ensejadas pela turnê do “Stormbringer”. Nessas condições, o repertório de “Made in Europe” foi composto de cinco faixas extraídas dos álbuns “Burn” e “Stormbringer”. Ouvi esse disco pela primeira vez em 1995 (aluguei na extinta Symphony, que ficava na R. José Bonifácio), quando resolvi superar meu preconceito contra o David Coverdale (achava que ele era um fraco imitador do Robert Plant com uma banda de hard rock farofa, o Whitesnake – posteriormente virei fã incondicional tanto de Coverdale quanto do Whitesnake). Já tinha assistido ao documentário “Heavy Metal Pioneers”, então mesmo sem saber já estava familiarizado com o riff de “Burn”. E soube que “Made in Europe” se tratava de um disco magnífico quando ouvi o riff de “Burn” e “associei o nome à pessoa”. Essa versão ao vivo é mais agressiva e dinâmica que a versão de estúdio (que já era espetacular), sobretudo quanto à bateria de Ian Paice. Blackmore faz uns gracejos nas várias partes que o riff é executado, notadamente antes e depois dos solos. O solo de guitara é bem diferente da de estúdio, como de costume, pois o cara costuma improvisar bastante nesses momentos. Pode-se questionar a escolha de uma música lenta como “Mistreated” após o início arrasa-quarteirão com “Burn”; o certo é que Coverdale manteve o nível da performance vocal, interpretando a comovente letra com a mesma dedicação da versão original. A banda se dedica a interpolar um cover de blues, “Rock Me Baby” após o que seria o final da música conforme a versão de estúdio. Basicamente, a banda toca alguns compassos com os acordes E-F#-B-A e Coverdale canta repetidamente “I want you to rock me baby, rock me all night long” ou “Roll me over (...)”, além dos “baby, baby, baby” e “woman, woman, woman”. A faixa mais curta é “Lady Double Dealer”, praticamente igual à versão de “Stormbringer”, com solos de Blackmore e de Jon Lord. Melhor que a original ficou “You Fool No One”: Jon Lord comandou uma introdução muito legal nos teclados, tocando uns temas divertidos como costumava fazer desde o “Made in Japan”, e sempre fui fã dessas improvisações (hoje em dia já estou com o ouvido cansado – afinal, esses trechos já estão no meu DNA – mas achei muito marcantes esses momentos nos quais os caras davam algo mais do que simplesmente reproduzir as músicas que estavam nos discos de estúdio). Além disso, há extensos solos e assim a faixa alcança quase 17min. Coverdale e Glenn Hughes mandam muito bem nos vocais em uníssono. O disco fecha com uma versão perfeita para “Stormbringer”. Particularmente, gosto bastante do Mark III, de maneira que esse registro é bastante especial. Não por acaso, fui atrás dos bootlegs que encontrei disponíveis no final dos anos 1990 para ouvir o tanto quanto fosse possível da época em que David Coverdale e Glenn Hughes dividiam vocais no Deep Purple. Adquiri o CD, usado, provavelmente na Boca do Disco, no final dos anos 1990.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Discografia Deep Purple – Parte VIII “Stormbringer” (1974)
O ingresso de David Coverdale e de Glenn Hughes no Deep Purple, diferentemente do que às vezes acontece quando se substituem peças importantes da formação de um grupo, foi extremamente bem sucedido. Afinal, o disco inaugural da formação Mark III (Blackmore/Coverdale/Hughes/Lord/Paice) foi o espetacular “Burn”, de 1974. Alguns meses depois a banda voltou ao estúdio para gravar “Stormbringer”, lançado ainda em 1974. Após ouvir “Burn”, e “Made in Europe”, imediatamente minhas atenções voltaram para a aquisição de “Stormbringer”; como esse disco não foi lançado por aqui em 1996, tive que recorrer a uma edição importada que encontrei milagrosamente (à época) e por absoluto acaso na Boca do Disco por uns 25 ou 30 pila.
Se, por um lado, “Burn” foi uma bela representação do Deep Purple em ambiente rocker (sobretudo pela faixa-título, mas também por “You Fool No One” e o riff de “Lay Down Stay Down”), de outro lado, em “Stormbringer” já se fez nítida a influência de Glenn Hughes e de David Coverdale nas novas composições. Sabe-se bem o quanto Hughes curte um som funk e soul, e essas preferências apareceram de forma tão evidente em “Stormbringer” a ponto de acarretar a saída de Ritche Blackmore.
A primeira faixa, no entanto, não deixa nada disso à mostra. “Stormbringer” é um clássico instantâneo, com um riff matador e hipnótico em E, bastante familiar para bandas de metal melódico. O solo de guitarra de Blackmore utiliza escalas que induzem melodias exóticas, e essa tendência o cara só veio a reforçar quando formou o Rainbow com Ronnie James Dio, Cozy Powell e outros. Seja como for, a música é fora-de-série, e conta com versões arrasa-quarteirão no “Made in Europe” e no tributo da Magna Charta, com vocais de Glenn Hughes e guitarras de John Norum (esse CD acabei não aproveitando na época do câmbio favorável de meados dos anos 1990, quando certos discos eram encontrados com mais facilidade nas lojas de Porto Alegre).
As músicas seguintes, no entanto, denunciam as novas influências. “Love Don´t Mean A Thing”, “Holy Man” e “Hold On” praticamente não tem guitarras, ou estas são meramente decorativas, pontuando acordes e acrescentando melodias, ficando o destaque para o baixo marcante de Hughes e os vocais deste e de Coverdale.
O clima hard rock que faltou nestas sobra em “Lady Double Dealer”, com um riff matador de Blackmore com as notas da pentatônica de Am, bem fácil de tirar na guitarra. Imperdível a versão do “Made in Europe”.
“You Can´t Do It Right (With the One You Love)” tem uns riffs bem complicados e cheios de notas nas mesmas posições de “Stormbringer” e de “Sail Away” (do “Burn”).
Outro riff típico de Blackmore é o principal de “High Ball Shooter”. O bom ouvinte perceberá que esse riff já havia sido sugerido durante a parte final do solo de guitarra de “Lay Down Stay Down” de “Burn”, e mesmo durante uma pequena improvisação desacompanhada durante o “California Jam”. Não sei por qual razão, Glenn Hughes elegeu esta para regravar para o disco “Building the Machine”.
Bem mais solene é "The Gypsy", aparentemente uma das favoritas de Blackmore. Hughes e Coverdale fazem os vocais em uníssono, o que não era muito comum (outro exemplo é "You Fool No One"). Ao vivo foi tocada inclusive nos últimos shows da Mark III, na França e na Alemanha - esses shows formaram o material do "Made in Europe" e há um excelente bootleg com compilação dessas últimas apresentações, o "Archive Live".
Uma das minhas favoritas de Coverdale, assim como de tantos outros, é "Soldier of Fortune". Trata-se de uma comovente balada, que se transforma em uma excelente música com a interpretação sempre emocionante do vocalista. Blackmore também tem seu valor aqui, ao executar os acordes bem encaixados (Gm-F-Bb-C-Eb-etc) com delicado dedilhado. Mesmo no período com o Whitesnake, Coverdale seguiu e segue cantando esse música ao vivo, só que desacompanhado. Uma espetacular versão acústica com Adrian Vandemberg aparece no "Starkers in Tokyo".
Blackmore não curtiu a orientação funky/soul que estava seguindo o Mark III, e isso provavelmente agregado a outras razões, o levaram a deixar a banda e a formar o Rainbow. Apesar de Jon Lord, e eventualmente Ian Paice, acharem que a saída de Blackmore acarretaria o fim das atividades da banda, Coverdale, curtindo o recente gosto do sucesso, tinha outros planos e arquitetou o ingresso de Tommy Bolin. Com essa formação, Bolin/Coverdale/Hughes/Lord/Paice, o Mark IV, o Deep Purple registrou apenas um disco de estúdio, o "Come Taste the Band", de 1975.
Recentemente foi lançada uma edição comemorativa de 35 anos, remasterizada/remixada e com bônus tracks. Ocorre que foi feito uma edição com CD duplo, encarecendo o produto, apenas para que um dos CDs conste o disco inteiro em mixagem quadrofônica. Aguardo, então, a disponibilização de um CD simples, apenas com o remasterizado e os bônus.
Se, por um lado, “Burn” foi uma bela representação do Deep Purple em ambiente rocker (sobretudo pela faixa-título, mas também por “You Fool No One” e o riff de “Lay Down Stay Down”), de outro lado, em “Stormbringer” já se fez nítida a influência de Glenn Hughes e de David Coverdale nas novas composições. Sabe-se bem o quanto Hughes curte um som funk e soul, e essas preferências apareceram de forma tão evidente em “Stormbringer” a ponto de acarretar a saída de Ritche Blackmore.
A primeira faixa, no entanto, não deixa nada disso à mostra. “Stormbringer” é um clássico instantâneo, com um riff matador e hipnótico em E, bastante familiar para bandas de metal melódico. O solo de guitarra de Blackmore utiliza escalas que induzem melodias exóticas, e essa tendência o cara só veio a reforçar quando formou o Rainbow com Ronnie James Dio, Cozy Powell e outros. Seja como for, a música é fora-de-série, e conta com versões arrasa-quarteirão no “Made in Europe” e no tributo da Magna Charta, com vocais de Glenn Hughes e guitarras de John Norum (esse CD acabei não aproveitando na época do câmbio favorável de meados dos anos 1990, quando certos discos eram encontrados com mais facilidade nas lojas de Porto Alegre).
As músicas seguintes, no entanto, denunciam as novas influências. “Love Don´t Mean A Thing”, “Holy Man” e “Hold On” praticamente não tem guitarras, ou estas são meramente decorativas, pontuando acordes e acrescentando melodias, ficando o destaque para o baixo marcante de Hughes e os vocais deste e de Coverdale.
O clima hard rock que faltou nestas sobra em “Lady Double Dealer”, com um riff matador de Blackmore com as notas da pentatônica de Am, bem fácil de tirar na guitarra. Imperdível a versão do “Made in Europe”.
“You Can´t Do It Right (With the One You Love)” tem uns riffs bem complicados e cheios de notas nas mesmas posições de “Stormbringer” e de “Sail Away” (do “Burn”).
Outro riff típico de Blackmore é o principal de “High Ball Shooter”. O bom ouvinte perceberá que esse riff já havia sido sugerido durante a parte final do solo de guitarra de “Lay Down Stay Down” de “Burn”, e mesmo durante uma pequena improvisação desacompanhada durante o “California Jam”. Não sei por qual razão, Glenn Hughes elegeu esta para regravar para o disco “Building the Machine”.
Bem mais solene é "The Gypsy", aparentemente uma das favoritas de Blackmore. Hughes e Coverdale fazem os vocais em uníssono, o que não era muito comum (outro exemplo é "You Fool No One"). Ao vivo foi tocada inclusive nos últimos shows da Mark III, na França e na Alemanha - esses shows formaram o material do "Made in Europe" e há um excelente bootleg com compilação dessas últimas apresentações, o "Archive Live".
Uma das minhas favoritas de Coverdale, assim como de tantos outros, é "Soldier of Fortune". Trata-se de uma comovente balada, que se transforma em uma excelente música com a interpretação sempre emocionante do vocalista. Blackmore também tem seu valor aqui, ao executar os acordes bem encaixados (Gm-F-Bb-C-Eb-etc) com delicado dedilhado. Mesmo no período com o Whitesnake, Coverdale seguiu e segue cantando esse música ao vivo, só que desacompanhado. Uma espetacular versão acústica com Adrian Vandemberg aparece no "Starkers in Tokyo".
Blackmore não curtiu a orientação funky/soul que estava seguindo o Mark III, e isso provavelmente agregado a outras razões, o levaram a deixar a banda e a formar o Rainbow. Apesar de Jon Lord, e eventualmente Ian Paice, acharem que a saída de Blackmore acarretaria o fim das atividades da banda, Coverdale, curtindo o recente gosto do sucesso, tinha outros planos e arquitetou o ingresso de Tommy Bolin. Com essa formação, Bolin/Coverdale/Hughes/Lord/Paice, o Mark IV, o Deep Purple registrou apenas um disco de estúdio, o "Come Taste the Band", de 1975.
Recentemente foi lançada uma edição comemorativa de 35 anos, remasterizada/remixada e com bônus tracks. Ocorre que foi feito uma edição com CD duplo, encarecendo o produto, apenas para que um dos CDs conste o disco inteiro em mixagem quadrofônica. Aguardo, então, a disponibilização de um CD simples, apenas com o remasterizado e os bônus.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Discografia Deep Purple – Parte VII “Fireball” (1971)
Igualar ou superar um álbum tão bem sucedido como “In Rock” é tarefa difícil até mesmo para o Deep Purple. Em 1971 os caras lançaram “Fireball”, um disco com composições inspiradas e não-inspiradas.
A essa época, a banda já podia se classificar entre as grandes bandas de hard rock dos anos 1970, junto com Black Sabbath e Led Zeppelin, de maneira que era de se esperar que grande parte do disco novo fosse de composições fortes, como a faixa-título. Trata-se de um petardo à 240 bpm (não parece tanto, talvez o Wikipédia não esteja correto), que se inicia com uma magnífica introdução de bateria de Ian Paice com utilização de bumbo duplo. Não há solos de guitarra, então é bem fácil de tocar para guitarristas; há um pequeno solo de baixo, com bastante efeito, e solo de Hammond de Jon Lord (que é muito legal, por sinal).
Entretanto, já na segunda faixa, “No No No”, e mais adiante no track list "Fools", percebe-se que o controle de qualidade dos caras não estava muito rigoroso, pois Blackmore/Gillan/Glover/Lord/Paice deixaram passar para o vinil trechos longos de momentos calmos. Nesta última, a música já demora para começar, até que entram os versos (muito bons, com uns duetos de guitarra, baixo, teclado no final dos compassos, nos vazios da parte cantada); só que em seguida vêm uma longa e penosa parte instrumental com solos de guitarra cheios de bends etéreos. "No No No" não colabora pelo fato de que a letra é enorme (ou repetem-se demasiadamente os versos cantados), e assim a faixa alcança quase 7min, mesmo tendo poucas partes (verso e refrão e longo solo).
É sabido que há duas versões diferentes de “Fireball”: uma com “Demons Eye” e outra com “Strange Kind of Woman”. Tenho o CD lançado nos EUA antes da remasterização e da edição de 25 anos (adquirido na Boca do Disco em 1995 por uns 20 pila, ou menos) e este felizmente conta com “Strange Kind of Woman”, que é das minhas favoritas da banda desde que ouvi o “Made in Japan”. No entanto, “Demons Eye”, que só tomei contato quando adquiri o “Inspiration” do Yngwie Malmsteen, é uma excelente faixa também, de maneira que só quando consegui a edição de 25 anos do “Fireball” é que pude ter as duas no mesmo disco.Gosto muito de “Strange Kind of Woman”, sobretudo pelo riff dos versos, que permite várias execuções diferentes na guitarra, e só agora pude perceber onde é que se deve acentuar corretamente (a parte sob a qual Gillan canta “there once was a WOOOOman, a strange kind of WOOOOman” deve ser mais longa, e não “wooooMAN” como eu costumava tocar). O solo de Blackmore é muito bom (o cara diz que costumava improvisar nos solos, mesmo em estúdio, e boa parte deles são excelentes). Naturalmente que é impositivo ouvir a versão do “Made in Japan” para uma experiência completa. “Demons Eye” é bem mais simples. Conta com um riff sobre as notas da pentatônica de G e sobe igual para C, como um padrão de blues. “Fireball” seria um disco bem mais consistente se essas duas composições constassem da versão original do disco.
Gillan e Glover, os letristas, estavam de muito bom humor e escreveram algumas das mais divertidas letras da banda. “Anyone´s Daughter” é uma delas e encaixa perfeitamente com o dedilhado de Blackmore com a guitarra limpa. Ian Paice toca exclusivamente meia-lua e bumbo, e acho que o fez de maneira a exigir bastante coordenação de um baterista (se não me engano, as pisadas que ele dá no bumbo são improvisadas, não seguindo padrão prévio).
Acho que “The Mule” no “Made in Japan” foi um desperdício de tempo, pois serve apenas para acomodar o então obrigatório solo de bateria de Ian Paice. Na versão de estúdio não consta o solo de bateria (aparentemente foi apagado acidentalmente na fita), e há letras e vocais de Gillan. Definitivamente não é das minhas favoritas.
“No One Came” é muito boa e conta com uma divertidíssima letra, do tipo autobiográfica na qual os caras parecem não se levar a sério (tiram sarro com eles próprios). As melhores partes são: “Maybe I could be like Robin Hood, Like and outlaw dressed all in green, (…) Nobody knows who's real and who's fakin', Everyone's shouting out loud, It's only the glitter and shine that gets through, Where's my Robin Hood outfit” e “Well I could write a million songs about the things I've done, But I could never sing them so they'd never get sung, There's a law for the rich and one for the poor, and there's another one for singers”.
A edição de 25 anos tem várias faixas bônus. Remixes de 1996 para “Strange Kind of Woman” (então, o mix original só no outro CD que eu tenho), “Demon´s Eye” e “No One Came”. Além disso, duas sobras de estúdio (“Freedom” e “Slow Train”), um take instrumental de “Fireball”, uma jam (“The Noise Abatement Society Tapes”), um “Backwards Piano”, e um lado-B (“I´m Alone”). Essa edição com todos esses bônus adquiri provavelmente na Saraiva (ou na Cultura) há alguns anos, por aproximadamente 20 pila.
Pode não ser um clássico à altura de “In Rock”, mas “Fireball” serviu para antecipar o extraordinário “Machine Head” e o que viria a partir de então.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Discografia Deep Purple (Melhores discos de todos os tempos) – Parte VI “Machine Head” (1972)
Sobre alguns CDs do Deep Purple já dediquei resenhas anteriormente, em vários momentos neste blog. Assim, escrevi sobre (I) “Burn” quando quis me referir a alguns dos melhores discos de todos os tempos, assim como sobre o (II) “California Jam”, memorável show da banda com o Mark III em 1974, o (III) espetacular disco ao vivo “Made in Japan”, definitivo registro do Mark II em 1972, e primeiro disco que ouvi da banda, o (IV) “Welcome Joe”, um bootleg no qual Joe Satriani foi o guitarrista numa turnê em que Ritche Blackmore deixou definitivamente a banda, e esta ainda não tinha encontrado um substituto em bases permanentes, e o (V) “Come Hell or High Water”, com o registro ao vivo da banda na turnê do “The Battle Rages On”, última com o Blackmore, e que foi o primeiro CD que adquiri da banda. Com esse esclarecimento, passo a escrever sobre os CDs do Deep Purple da minha coleção particular, reiniciando pela parte VI.
O Deep Purple já havia se consolidado como importante banda de hard rock dos anos 1970 com o lançamento de “Deep Purple in Rock” no começo daquela década. O disco seminal continha algumas das que se tornaram clássicos da banda, como “Speed King”, “Black Night” e “Child in Time”, além de outras excelentes composições. No ano seguinte, em 1971, os caras soltaram o “Fireball”, que alterna bons momentos com outros sem inspiração. Naquele ano, contudo, a banda voltou ao estúdio para compor o disco com sua música mais conhecida.
Sabe-se bem que a clássica formação Blackmore/Gillan/Glover/Lord/Paice reuniu-se num hotel em Montreaux para gravar seu novo trabalho com o famoso estúdio móvel “Rolling Stones mobile”. Cumpre notar que, diferentemente de discos como “Burn”, são pouco significativos os overdubs, especialmente no que se refere às guitaras; veja-se que em “Burn” a maioria das faixas conta com dois registros de guitarra, geralmente com versões diferentes para as mesmas partes (p. ex., uma guitarra toca acordes, ou uma oitava abaixo, e a outra toca notas soltas, licks e melodias, ou uma oitava acima), enquanto que em “Machine Head” Blackmore tocou apenas uma linha de guitarra em quase todo o repertório (evidentemente que alguns solos foram dobrados – executados por duas guitarras sobrepostas – como em “Highway Star”). Lembro, no entanto, que um amigo dos tempos de faculdade reclamava do que considerava “magra e fraca” a guitarra de Blackmore nesse disco, pois o som do teclado seria mais evidente. Ele ficava inconformado com o fato de que o disco é espetacular, mas as guitarras não acompanhavam (ele achava que era questão de volume, ou de distorção). É para ver como não dá para agradar a todos. O resultado foi lançado em 1972. E se trata de um magnífico exemplar de rock pesado, do tipo em que todas as faixas são antológicas. Pode-se dizer que muitas das melhores performances dessa formação, que se convencionou chamar de “Mark II”, se encontram nesse álbum.
Praticamente todo o repertório é bastante conhecido. As mais evidentes são “Highway Star” e, principalmente, “Smoke on the Water”, mas “Maybe I´m A Leo”, “Lazy”, “Space Truckin´”, “Pictures of Home”, com maior ou menor frequência, mantiveram-se nos set lists das turnês há quase quarenta anos. A ordem das faixas facilita a audição, começando os trabalhos com uma música rápida, apropriadamente denominada “Highway Star”. Desde logo, na introdução, gosto de ouvir a levada de bateria de Ian Paice, sobretudo quando ele começa a bater na caixa pouco antes dos versos cantados – o timbre é espetacular, e foi obtido com a bateria posicionada no banheiro do hotel. Universalmente conhecido e debatido é o solo de guitarra de Blackmore. Como diz Steve Morse, alguém que se propõe a tocar “Highway Star” tem que tocar o solo nota-por-nota como está no disco. Acrescento que só Blackmore mesmo pode improvisar, e é certo que o cara fazia isso regularmente. Não obstante, o solo de teclado de Jon Lord é igualmente matador, embora o cara tenha feito uma versão tão boa quanto no “Made in Japan”.
Há mais de 10 anos, quando ainda me dedicava a tirar na guitarra músicas dos meus favoritos, aprendi a tocar “Maybe I´m a Leo” de ouvido. Existe um bom cover de Paul Gilbert num tributo lançado pela Magna Charta. É bem cadenciada e Blackmore mandou bem num solo com pentatônicas bem encaixadas.
“Pictures of Home” tem várias partes e é uma das grandes composições obscuras desse disco. Yngwie Malmsteen gravou uma versão mais pesada e muito legal no seu disco “Inspiration” de 1996. A introdução de bateria é marcante, tanto quanto o riff inicial, bem dinâmico. Nos versos as guitarras tocam um padrão que foi adaptado e tornado bastante típico pelo Iron Maiden. Há espaço para um pequeno solo de baixo de Roger Glover, e longos solos de Blackmore e Lord.
Em “Never Before” também há uma introdução de bateria de Ian Paice, até que a música inicia efetivamente com o riff executado durante os versos, o qual poderia até ser de heavy metal com execução mais agressiva e o abafamento necessário nas cordas da guitarra. Diferentemente de todas as bandas de heavy metal e hard rock, não é muito comum músicas do Deep Purple com utilização de tom em E (muitas das músicas são em G ou A ou F ou sei lá o que), e “Never Before” quebra essa regra. Talvez seja a composição mais fraca do disco, mas isso pode ser objeto de ampla contestação.
O que não é objeto de discussão é o fato de que o riff de “Smoke on the Water” é possivelmente o riff de guitarra mais conhecido de todos os tempos. Existe até uma espécie de recorde de número de guitarristas tocando-o simultaneamente. Há explicações sofisticadas sobre o modo como esse riff se comporta harmonicamente (quartas, quintas, sei lá), mas o fato é que se trata de um dos riffs mais simples que pode existir, de absorção instantânea pelo cérebro, e é por essa simplicidade que o riff é sofisticado. Acrescente-se, à receita, o baixo marcado de Roger Glover, pulsando sobre a nota G (seria o timbre de um Rickenbacker?), e a levada de bateria de Ian Paice no hi-hat e caixa, sendo que Jon Lord dobra o riff com o Hammond num timbre bem pesado, parecendo quase uma guitarra com distorção, praticamente inventando a moda dos tecladistas que se valem de timbres parecidos com guitarras. O que é simples e nada sofisticado, no entanto, é a parte de guitarra durante os versos. É comum alguém eventualmente ficar com vergonha de compor algo muito trivial, a não ser que se trate de uma banda de punk ou de grunge; Blackmore, no entanto, aparece com dois acordes, G e F, tocados nota por nota no padrão G-D-G, G-D-G, G-D-G. G-D-G, G-D-G, F-C-F, G-D-G, G-D-G. O refrão já é mais caprichado – C-F-C, G#-Eb-G#, G. Marcante também é o solo de Blackmore, sobretudo nos caprichados bends ao final, quando a base (teclado e baixo) voltam à execução do riff principal.
É possível ser criativo e original tocando blues, e o Deep Purple exercita isso em “Lazy”. A letra de Ian Gillan tem um pouco de humor, mas o destaque é todo do trabalho instrumental. Afinal, a parte cantada só entra decorridos 4min de execução. Um riff magnífico e trabalhoso de guitarra (dobrado pelo teclado), acompanhado de paradas apropriadas de baixo e bateria, e solos extensos e fantásticos de Blackmore e Lord. Há espaço para amplas improvisações nas apresentações ao vivo, e numa rápida pesquisa no youtube se encontram um ou outro vídeo nesse sentido.
A última faixa é “Space Truckin´”, que tem uma estrutura bem fechada de introdução – verso – refrão, mas ainda assim serve para improvisações extensas, conforme “Made in Japan” e “California Jam”. É outra bem fácil de tirar de ouvido as partes de guitarra. Ian Gillan dá uns gritos bem agudos ao final, consolidando sua reputação como um dos maiores e mais influentes vocalistas do estilo.
Da mesma sessão resultou uma balada sentimental, “When A Blind Man Cries”, lançada em algum lugar como lado-B de algum single. Na edição comemorativa de 25 anos foi acrescentada essa faixa ao track list (achei despiciendo adquirir esse CD, que foi lançado como duplo, encarecendo o produto - um CD contendo a edição remixada em 1997, e um outro com o álbum remasterizado, sendo que os bônus são apenas “When a Blind Man Cries” e versões “quadrophonic mix” para “Maybe I´m a Leo” e “Lazy”).
Mesmo antes do lançamento de “Machine Head” a banda já estava em (permanente) turnê, e são lendários os registros em solo japonês que deram origem ao “Made in Japan”. Mais um disco de estúdio (“Who Do We Think We Are”, de 1973) e devido a conflitos internos e exaustão da vida na estrada, Ian Gillan e Roger Glover saíram da banda e deram lugar a David Coverdale e Glenn Hughes, inaugurando o Mark III (reporto-me às resenhas de Burn”, de 1974, e do “Califórnia Jam” do mesmo ano, conforme acima).
A versão que tenho do “Machine Head” é anterior à remasterizada edição de 25 anos, e foi adquirida na Grammy & Classic Rock na Gal. Chaves numa troca de alguns CDs.
O Deep Purple já havia se consolidado como importante banda de hard rock dos anos 1970 com o lançamento de “Deep Purple in Rock” no começo daquela década. O disco seminal continha algumas das que se tornaram clássicos da banda, como “Speed King”, “Black Night” e “Child in Time”, além de outras excelentes composições. No ano seguinte, em 1971, os caras soltaram o “Fireball”, que alterna bons momentos com outros sem inspiração. Naquele ano, contudo, a banda voltou ao estúdio para compor o disco com sua música mais conhecida.
Sabe-se bem que a clássica formação Blackmore/Gillan/Glover/Lord/Paice reuniu-se num hotel em Montreaux para gravar seu novo trabalho com o famoso estúdio móvel “Rolling Stones mobile”. Cumpre notar que, diferentemente de discos como “Burn”, são pouco significativos os overdubs, especialmente no que se refere às guitaras; veja-se que em “Burn” a maioria das faixas conta com dois registros de guitarra, geralmente com versões diferentes para as mesmas partes (p. ex., uma guitarra toca acordes, ou uma oitava abaixo, e a outra toca notas soltas, licks e melodias, ou uma oitava acima), enquanto que em “Machine Head” Blackmore tocou apenas uma linha de guitarra em quase todo o repertório (evidentemente que alguns solos foram dobrados – executados por duas guitarras sobrepostas – como em “Highway Star”). Lembro, no entanto, que um amigo dos tempos de faculdade reclamava do que considerava “magra e fraca” a guitarra de Blackmore nesse disco, pois o som do teclado seria mais evidente. Ele ficava inconformado com o fato de que o disco é espetacular, mas as guitarras não acompanhavam (ele achava que era questão de volume, ou de distorção). É para ver como não dá para agradar a todos. O resultado foi lançado em 1972. E se trata de um magnífico exemplar de rock pesado, do tipo em que todas as faixas são antológicas. Pode-se dizer que muitas das melhores performances dessa formação, que se convencionou chamar de “Mark II”, se encontram nesse álbum.
Praticamente todo o repertório é bastante conhecido. As mais evidentes são “Highway Star” e, principalmente, “Smoke on the Water”, mas “Maybe I´m A Leo”, “Lazy”, “Space Truckin´”, “Pictures of Home”, com maior ou menor frequência, mantiveram-se nos set lists das turnês há quase quarenta anos. A ordem das faixas facilita a audição, começando os trabalhos com uma música rápida, apropriadamente denominada “Highway Star”. Desde logo, na introdução, gosto de ouvir a levada de bateria de Ian Paice, sobretudo quando ele começa a bater na caixa pouco antes dos versos cantados – o timbre é espetacular, e foi obtido com a bateria posicionada no banheiro do hotel. Universalmente conhecido e debatido é o solo de guitarra de Blackmore. Como diz Steve Morse, alguém que se propõe a tocar “Highway Star” tem que tocar o solo nota-por-nota como está no disco. Acrescento que só Blackmore mesmo pode improvisar, e é certo que o cara fazia isso regularmente. Não obstante, o solo de teclado de Jon Lord é igualmente matador, embora o cara tenha feito uma versão tão boa quanto no “Made in Japan”.
Há mais de 10 anos, quando ainda me dedicava a tirar na guitarra músicas dos meus favoritos, aprendi a tocar “Maybe I´m a Leo” de ouvido. Existe um bom cover de Paul Gilbert num tributo lançado pela Magna Charta. É bem cadenciada e Blackmore mandou bem num solo com pentatônicas bem encaixadas.
“Pictures of Home” tem várias partes e é uma das grandes composições obscuras desse disco. Yngwie Malmsteen gravou uma versão mais pesada e muito legal no seu disco “Inspiration” de 1996. A introdução de bateria é marcante, tanto quanto o riff inicial, bem dinâmico. Nos versos as guitarras tocam um padrão que foi adaptado e tornado bastante típico pelo Iron Maiden. Há espaço para um pequeno solo de baixo de Roger Glover, e longos solos de Blackmore e Lord.
Em “Never Before” também há uma introdução de bateria de Ian Paice, até que a música inicia efetivamente com o riff executado durante os versos, o qual poderia até ser de heavy metal com execução mais agressiva e o abafamento necessário nas cordas da guitarra. Diferentemente de todas as bandas de heavy metal e hard rock, não é muito comum músicas do Deep Purple com utilização de tom em E (muitas das músicas são em G ou A ou F ou sei lá o que), e “Never Before” quebra essa regra. Talvez seja a composição mais fraca do disco, mas isso pode ser objeto de ampla contestação.
O que não é objeto de discussão é o fato de que o riff de “Smoke on the Water” é possivelmente o riff de guitarra mais conhecido de todos os tempos. Existe até uma espécie de recorde de número de guitarristas tocando-o simultaneamente. Há explicações sofisticadas sobre o modo como esse riff se comporta harmonicamente (quartas, quintas, sei lá), mas o fato é que se trata de um dos riffs mais simples que pode existir, de absorção instantânea pelo cérebro, e é por essa simplicidade que o riff é sofisticado. Acrescente-se, à receita, o baixo marcado de Roger Glover, pulsando sobre a nota G (seria o timbre de um Rickenbacker?), e a levada de bateria de Ian Paice no hi-hat e caixa, sendo que Jon Lord dobra o riff com o Hammond num timbre bem pesado, parecendo quase uma guitarra com distorção, praticamente inventando a moda dos tecladistas que se valem de timbres parecidos com guitarras. O que é simples e nada sofisticado, no entanto, é a parte de guitarra durante os versos. É comum alguém eventualmente ficar com vergonha de compor algo muito trivial, a não ser que se trate de uma banda de punk ou de grunge; Blackmore, no entanto, aparece com dois acordes, G e F, tocados nota por nota no padrão G-D-G, G-D-G, G-D-G. G-D-G, G-D-G, F-C-F, G-D-G, G-D-G. O refrão já é mais caprichado – C-F-C, G#-Eb-G#, G. Marcante também é o solo de Blackmore, sobretudo nos caprichados bends ao final, quando a base (teclado e baixo) voltam à execução do riff principal.
É possível ser criativo e original tocando blues, e o Deep Purple exercita isso em “Lazy”. A letra de Ian Gillan tem um pouco de humor, mas o destaque é todo do trabalho instrumental. Afinal, a parte cantada só entra decorridos 4min de execução. Um riff magnífico e trabalhoso de guitarra (dobrado pelo teclado), acompanhado de paradas apropriadas de baixo e bateria, e solos extensos e fantásticos de Blackmore e Lord. Há espaço para amplas improvisações nas apresentações ao vivo, e numa rápida pesquisa no youtube se encontram um ou outro vídeo nesse sentido.
A última faixa é “Space Truckin´”, que tem uma estrutura bem fechada de introdução – verso – refrão, mas ainda assim serve para improvisações extensas, conforme “Made in Japan” e “California Jam”. É outra bem fácil de tirar de ouvido as partes de guitarra. Ian Gillan dá uns gritos bem agudos ao final, consolidando sua reputação como um dos maiores e mais influentes vocalistas do estilo.
Da mesma sessão resultou uma balada sentimental, “When A Blind Man Cries”, lançada em algum lugar como lado-B de algum single. Na edição comemorativa de 25 anos foi acrescentada essa faixa ao track list (achei despiciendo adquirir esse CD, que foi lançado como duplo, encarecendo o produto - um CD contendo a edição remixada em 1997, e um outro com o álbum remasterizado, sendo que os bônus são apenas “When a Blind Man Cries” e versões “quadrophonic mix” para “Maybe I´m a Leo” e “Lazy”).
Mesmo antes do lançamento de “Machine Head” a banda já estava em (permanente) turnê, e são lendários os registros em solo japonês que deram origem ao “Made in Japan”. Mais um disco de estúdio (“Who Do We Think We Are”, de 1973) e devido a conflitos internos e exaustão da vida na estrada, Ian Gillan e Roger Glover saíram da banda e deram lugar a David Coverdale e Glenn Hughes, inaugurando o Mark III (reporto-me às resenhas de Burn”, de 1974, e do “Califórnia Jam” do mesmo ano, conforme acima).
A versão que tenho do “Machine Head” é anterior à remasterizada edição de 25 anos, e foi adquirida na Grammy & Classic Rock na Gal. Chaves numa troca de alguns CDs.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
DVD - Deep Purple "Heavy Metal Pioneers"
No inverno de 1995 já conhecia o Deep Purple, especialmente pelo “Made in Japan”, mas ainda tinha resistência para ouvir o material do Mark III com David Coverdale e Glenn Hughes. Nessa época foi importante para mudar esse pré-conceito assistir ao documentário “Heavy Metal Pioneers”, disponível em VHS na TV3. Trata-se de uma das melhores maneiras de conhecer a historia da banda, contada por parte dos seus integrantes – os principais depoimentos são de Jon Lord, Ian Paice e Roger Glover, com aparições breves de Ritchie “I don't like funky blues” Blackmore, Ian Gillan e Joe Lynn “I'm not Ian Gillan” Turner. O vídeo foi produzido na época do disco “Slaves and Masters” (um dos poucos da banda que ainda não tenho), de 1990, único registro do Mark V. Em pouco menos de uma hora ficamos sabendo a origem do nome da banda, como os integrantes da formação original se conheceram, o que desencadeou a formação do Mark II e a gravação de “Deep Purple in Rock”, a consagração definitiva com “Machine Head”, “Made in Japan” e a origem de “Smoke on the Water”, a desintegração do Mark II e a passagem para o Mark III, o memorável show no “California Jam” em 1974, a saída de Blackmore após a turnê de “Stormbringer”, o ingresso de Tommy Bolin e o Mark IV, o encerramento das atividades da banda em 1976 e o retorno em 1984 do Mark II. Não há explicações sobre o recrutamento de Turner, mas sabemos que o cara foi vocalista do Rainbow no inicio dos anos 1980, e e uma pena que ele não tenha tido sorte de encontrar o Purple em uma época inspirada. Particularmente foi bastante impressionante as imagens do “California Jam”, e nesse vídeo foi a primeira vez que ouvi o riff de “Burn”, que desde logo me soou familiar. A partir daí procurei ouvir o “Made in Europe” e foi como se descobrisse uma outra banda, ainda melhor. Com o youtube bombando, a aquisição de alguns DVDs acaba se tornando desnecessária, mas achei esse “Heavy Metal Pioneers” por menos de 10 pila nas Americanas, então me pareceu um bom acréscimo para a coleção.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
CD - Deep Purple "Made in Japan (The Remastered Edition)" (1972 - 1998)
Como colecionador de cds, nada mais irônico e frustrante do que, após investir tempo e dinheiro para completar a discografia de alguma banda, ver serem relançados os discos remasterizados, ou ainda com a adição de "bonus tracks". Foi com essa sensação que vi o lançamento de "Made In Japan" em versão remasterizada e com cd duplo (no disco 2 tem os "encores": "Black Night", "Speed King" e "Lucille"). Mas somente havia disponível importado e com preço exorbitante, então nem perdi o sono por causa dele. Numa das recentes visitas rápidas ao Centro passei pela House of Metal e no balaio do cara gente-fina que atende lá tinha essa "Remastered Edition" por 30 pila. Nada mal para um disco duplo nacional (muitos discos simples custam mais caro que isso). E assim, a minha coleção de discos do Deep Purple engrossa (mas ainda falta coisa...).Em data bem recente escrevi sobre o original "Made in Japan". E assim me reporto a tudo o que escrevi ali, sobretudo porque ainda acredito que se trata do melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos.
As diferenças da versão remasterizada para a original ficam mais fáceis de perceber com o auxílio de headphones - esse exercício farei em outra oportunidade - ou de um som potente.
As "encores" são não menos que clássicos dos primórdios do Mark II, sendo que "Speed King" e "Black Night", quase quarenta anos depois, ainda fazem parte do repertório da banda, com maior ou menor persistência. Já sabia, por bootlegs da época do "In Rock", que "Black Night" era tocada em versão "full-throttle", totalmente incendiária e enérgica, e o mesmo se repete aqui. A levada da bateria é muito empolgante e a faixa ganha uma dimensão incrível se comparada com o original de estúdio. Alguns erros antes e depois dos solos, mas a música segue - em todo o caso se entende porque foi preterida no disco, o mesmo podendo ser dito de "Speed King". Nesse último caso é bem difícil ouvir alguma coisa, pois os caras parecem estar arrebentando os instrumentos, e aí seria uma espécie de "bis in idem" diante dos quase 20min de "Space Truckin´" - que acabou ficando no disco. Por fim, "Lucille" demora um monte para começar; trata-se de uma versão bastante particular desse clássico do blues, que vai ficando cada vez mais demente até o final absolutamente insano. Então esse cd de "encores" é para quem realmente ainda tem um pouco de ouvido, pois a barulheira é incomparável - solos de Lord e de Blackmore especialmente.
O booklet é tranqüilo de ler (ao contrário de outros, muito longos, como o da edição de 25 anos de "In Rock"), e traz condensadas todas as informações que já conhecia de forma dispersa: a gravação dos shows se deu por iniciativa e sugestão da representação da gravadora no Japão, e a idéia era apenas lançar lá o disco, evoluindo depois para lançamento também na Inglaterra após "Who Do We Think We Are", ao contrário do resto do mundo que viu o lançamento de "Made in Japan" antes do último disco de estúdio do Mark II até o retorno em 1984; o lançamento do triplo "Live in Japan", que o Tiago tem (o cara comprou em 1998, numa das primeiras aquisições pela internet por alguém conhecido que tenho notícia), e que traz quase a íntegra das três apresentações do Purple em solo japonês (duas em Osaka e uma em Tóquio); o esclarecimento sobre onde cada faixa do disco foi registrada, e as razões da escolha de cada qual (o repertório permaneceu praticamente invariável nos três shows, mudando só os "encores", e a escolha das versões para o disco seguiram mais ou menos o seguinte: a melhor performance foi a da terceira noite, no Budokan em Tóquio, mas a acústica não era favorável, e dali saíram "The Mule" e "Lazy" (além de "Black Night" e "Speed King"); na primeira noite em Osaka a banda estava cansada pela longa viagem e tocou timidamente, e dali saiu apenas "Smoke on the Water" (conforme o booklet do "Live in Japan", só o foi porque se tratou da única noite em que Blackmore não arruinou a introdução); sobrou, então, a performance da segunda noite em Osaka, a mais aceitável, e dali sairam "Highway Star", "Child in Time", "Strange Kind of Woman", "Space Truckin´" e a encore "Lucille". Os caras tiveram o cuidado de não fazer coincidirem as versões bônus desta "rematered edition" com aquelas que já constavam do "Live in Japan", de maneira que, conforme o booklet, apenas a versão de "Black Night da segunda noite em Osaka permanece não lançada - provavelmente aguardando o próximo lançamento de "Made in Japan - definitive edition".
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Melhores discos de todos os tempos – Deep Purple “Made in Japan” (1972)
É possível que se trate de exagero, mas não consigo lembrar de outro cd ao vivo que seja melhor do que o “Made in Japan” do Deep Purple. Trata-se do registro da turnê da banda, no oriente, durante o lançamento do igualmente clássico “Machine Head”, em 1972 (foram colocadas no disco as melhores - ou com menos erros - performances de três shows em Osaka e Tóquio). E foi o primeiro cd que ouvi dos caras, em 1993, quando aluguei o disco numa locadora que ficava na Mal. Floriano, e é exatamente no ponto onde atualmente encontra-se sediada a “Boca do Disco”. E a aquisição do mesmo se impôs, alguns anos mais tarde (acho que em 1997, provavelmente no térreo da Gal. Chaves, por um preço barbada).O registro é memorável por uma série de importantes razões: (a) gravação ao vivo da formação clássica da banda (Mark II – Blackmore/Gillan/Glover/Lord/Paice) no seu auge; (b) repertório matador, com a execução definitiva para “Smoke on the Water”; (c) performances arrebatadoras de todos os integrantes, notadamente Ian Gillan (é só ouvir “Child in Time” e “Strange Kind of Woman”); (d) espaços para improvisações inquietantes (demorei anos para entender que essas jams são, na verdade, ensaiadas em alguma medida, sem contar que Blackmore “rege” esses momentos com um aceno, gesto ou até o olhar – basta ver o vídeo do show no “California Jam”).
Durante a faculdade tinha um colega que reclamava do som de guitarra “magro” nos discos de estúdio do Deep Purple, dentre os quais o “Machine Head”. Se isso pode ser verdade, pelo menos os discos ao vivo compensam totalmente essa eventual deficiência: o som de guitarra é muito presente, e já é marcante na faixa de entrada, “Highway Star”. Logo após o C-Bb-G que precede o primeiro verso, nota-se a levada rápida, porém fluida conduzida por Ian Paice, que merece o crédito por fazer essa faixa ser uma verdadeira paulada na orelha. O solo de Blackmore não supera o da versão de estúdio, diferentemente do solo de Jon Lord, que é muito mais legal ao vivo.
“Child in Time” não é o tipo de música que dá para ouvir o tempo todo, pois requer certa disposição para ouvir uma faixa que começa calma, com acordes repetitivos (G-G-A e depois F-F-G), que acabam ganhando força com o acréscimo de distorção e volume, seguindo-se uma jam com solos bombáticos, cujo clímax leva para aquele início calmo. “Made in Japan” é um disco de performances definitivas para algumas músicas, e esse é o caso de “Child in Time”, sobretudo pelo extraordinário alcance vocal de Ian Gillan na época.
Uma das minhas favoritas é “Strange Kind of Woman”. O riff legal é bem acompanhado pela famosa levada fluida de Ian Paice. Por si só, a música vale o disco, mas no meio da execução há espaço para um memorável duelo entre Gillan e Blackmore. Acho que foi nas férias de inverno de 1995 ou 1996 que me dei conta do que estava acontecendo nesse cd em termos de música. Jamais poderia imaginar que se poderia improvisar desse jeito num palco (hoje sei que essas improvisações são até certo ponto ensaiadas): a música segue até determinado momento em que a bateria marca o ritmo e faz a base para dois músicos excepcionais demonstrarem virtuosismo nos seus instrumentos. Na verdade, o destaque é para o alcance vocal de Gillan, já suficiemente apreciado em "Child in Time", mas muito mais legal nessa "Strange Kind of Woman". Blackmore faz uns licks na parte mais aguda da guitarra, e são reproduzidos nota-por-nota por Gillan. É um negócio espantoso, e me impressionou por muitos anos. Até então achava que o ideal era que se reproduzisse em um show tanto quanto possível fielmente a versão de estúdio. Então "Made in Japan" serviu como influência para abrir a cabeça a respeto do que se poderia fazer ao vivo em termos musicais.
Só posso entender a inclusão de “The Mule” em desfavor de “Black Night” ou outra da mesma apresentação se deve ao fato de que é durante essa música que Ian Paice faz o seu solo de bateria. Hoje em dia, solos de bateria são desprezíveis, mas parece-me que à época se tratava de um momento importante do show (afinal, não deve ser por acaso que, por exemplo, “Alive!” tem solo de Peter Criss, “The Song Remains de Same” tem solo de John Bonham).
A versão do "Made in Japan" para "Smoke on the Water" é que imortalizou essa faixa como um dos hinos do rock. É absolutamente mandatório saber tocar esse riff, que todo mundo já ouviu.
Uma música divertida de ouvir, mas que jamais consegui tirar o riff, é "Lazy". É precedida de um solo de Jon Lord, e parece uma autêntica jam do início ao fim. E é uma baita duma música, um rock com levada "rhythm and blues". E a letra é bem humorada, como são algumas letras da banda (como a própria "Strange Kind of Woman" e "Anyone´s Daughter", sem esquecer das mais jocosas como "Mary Long").
O disco encerra com a última faixa do "Machine Head", numa versão longa com jams e solos intermináveis: "Space Truckin" não é das minhas favoritas, mas parece que os caras se divertiam um monte tocando essa música que, bem vistas as coisas, tem estrutura bem simples.
Se não for o melhor, é um excepcional exemplo de como devem ser feitos os discos ao vivo.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
CD ao vivo – Deep Purple “Califórnia Jam 1974”
Depois de assistir ao vídeo “Heavy Metal Pioneers” - uma espécie de biografia do Deep Purple até a época do “Slaves and Masters” -, e conhecer o registro ao vivo do Mark III, fiquei obcecado pela famigerada apresentação da banda no lendário Califórnia Jam de 1974 (provavelmene isso tudo foi em 1995). Trata-se de um show bombástico, bem na época de lançamento do excepcional disco “Burn” (do mesmo ano), e que contou com performances inspiradas de todos os integrantes, mas se notabilizou pelos episódios envolvendo Blackmore: (a) o cara arrebentou a câmera que ficava ao seu lado com uma Fender Stratocaster, e (b) instigou os roadies a botarem fogo nos seus amplificadores, acarretando uma monumental explosão no palco (o pulo desajeitado do guitarrista e a fumaceira no palco denunciam que o efeito foi maior do que o planejado).É sempre uma satisfação indescritível, como colecionador de cds, encontrar um item há muito desejado, e uma dessas oportunidades foi quando deparei, lá por 1998, na Multisom do Praia de Belas (que ainda ficava debaixo de uma escada rolante perto do supermercado – agora tem uma revistaria), com o cd que trazia o show quase na íntegra (uma música foi excluída, inexplicavelmente).
O som da gravação não é bom (existe uma versão do mesmo cd com capa diferente, que o Bruce tem, e possivelmente pode contar com qualidade melhor). Mas as performances estão todas lá. A ênfase é no repertório do recém-lançado “Burn”: das 7 faixas, são tocadas “Burn”, “Might Just Take Your Life”, “You Fool No One” e “Mistreated” (ficou de fora do cd – mas aparece no vídeo - “Lay Down Stay Down”). Até as pequenas conversas de Coverdale com o público são magistrais.
Em 2000/2001 apareceram nas bancas de revista diversos DVD´s excelentes, e um dos primeiros foi o que trouxe o registro desse California Jam. Vale a pena pesquisar no youtube as performances para "Burn", "You Fool No One" (com solo de Jon Lord, sinistro - o cara parece que vai comer os teclados), "Might Just Take Your Life", "Mistreated" (comovente interpretação do Coverdale, parece que o cara vai desabar chorando), "Smoke on the Water" (gosto muito do jeito que Coverdale e Hughes cantam os versos originais de Gillan) e "Space Truckin" (só para ver a explosão dos Marshalls).
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
CD bootleg – Deep Purple “Welcome Joe”
Até 2001/2002 não era tão fácil encontrar bootlegs nos programas de compartilhamento de arquivos, então adquirir bootlegs (em regra, mais caros que os lançamentos oficiais) era como ter preciosidades na coleção. Já sabia que Joe Satriani ingressou no Deep Purple, no lugar de Ritchie Blackmore, para completar a turnê de lançamento do disco “The Battle Rages On” (em comemoração aos 25 anos de atividades), mas nunca imaginei que um dia ouviria algo de um daqueles shows únicos, então quando vi o bootleg “Welcome Joe” (em alguma boca do disco como a Gal. Chaves, ou a Toca ou a própria Boca) tirei o escorpião do bolso e trouxe o disco para a casa.Se, por um lado, ter um bootleg é legal, pelo conteúdo inestimável como é o registro de um show do Deep Purple com Joe Satriani na guitarra (pois o cara saiu logo em seguida, sem gravar um disco oficial, de estúdio ou ao vivo), por outro pode ser uma tranqueira, no caso da gravação ser ruim, ou o próprio show inexpressivo. Já tive muitos bootlegs do Kiss que acabei me desfazendo (mediante ruinosas trocas na Boca) justamente por essas razões. Esse “Welcome Joe” acabou resistindo no tempo. O som parece ser gravado da platéia, pois o som das palmas e dos comentários e gritos é bem alto – tem que aumentar bastante o volume para ouvir os instrumentos.
Para minha surpresa, o set-list é quase o mesmo do que seria se Blackmore fosse o guitarrista, e não com apenas as músicas conhecidas de Satriani – tipo as dos anos 70, até o “Machine Head”. Satch teve que aprender “Ramshackle Man”, “Anya”, “Knocking at your Back Door”. Em geral, o guitarrista reproduz as versões originais dos solos, notadamente nas músicas mais conhecidas, como “Highway Star”. A surpresa maior, no entanto, é a execução de “Satch Boogie”, uma das composições mais conhecidas do guitarrista, e que ganhou uma versão muito legal (afinal, a levada é bem típica do Ian Paice).
Ter um bootleg, mesmo com uma preciosidade dessas, não é mais tão emocionante; então vale a máxima do "não me arrependo de ter comprado, mas não compraria de novo".
Como se sabe, Blackmore teve um faniquito e saiu da banda, mais uma vez (e desta feita em bases permanentes), no meio da turnê; para completar as datas da turnê japonesa, Joe Satriani foi convidado. O cara é consagrado guitar hero, e recém havia lançado o bem-sucedido (e muito bom) "The Extremist" (já escrevi sobre os discos que tenho do Satriani aqui). Essa parte da turnê com Satch foi satisfatória a ponto de ser cogitado o seu ingresso no Deep Purple, o que foi recusado sob alegação de que não poderia se dedicar à banda em prejuízo de sua carreira solo (parece-me que, na verdade, o que deve ter impedido essa reunião fantástica foram questões contratuais). Essa movimentação deu ensejo ao ingresso de Steve Morse, consagrado guitarrista do Dixie Dregs e com carreira solo, e a gravação de um disco bem razoável ("Purpendicular").
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
CD ao vivo – Deep Purple “Come Hell or High Water” (1994)
O primeiro cd do Deep Purple que ouvi foi logo um dos melhores cds ao vivo de todos os tempos, o “Made in Japan”, isso em 1993, bem na época em que estava alugando tudo quanto era disco para conhecer tantas bandas quantas possíveis e tal. Sem saber de nada, previamente, sobre a banda ou o repertório, fui logo com a cara de “Highway Star” (sempre gostei de músicas rápidas, i. é, com andamento rápido) e, evidentemente, de “Smoke on the Water” (só era familiarizado com o riff, que todo mundo conhece). Mas foi apenas quanto tomei contato com outro cd ao vivo, registrado em data mais recente (1993/94), que comecei a ter o Deep Purple como uma das minhas bandas favoritas. Em 1995 adquiri por um preço bem acessível, numa loja no térreo da Gal. Chaves, o “Come Hell or High Water”. Esse disco, lançado em 1994, contém registro da última turnê de Ritchie Blackmore com a banda, no ano anterior, que promovia o disco de estúdio “The Battle Rages On”, e este, por sua vez, representava a volta (pela 2.ª vez) da formação clássica (Mark II) de Blackmore/Glover/Gillan/Lord/Paice, tudo isso em comemoração aos 25 anos de atividade da banda..É curioso como dos inúmeros cds ao vivo (entre oficiais e bootlegs) de todas as inúmeras fases do Deep Purple, foi a partir desse “Come Hell or High Water” que comecei a querer ouvir (e saber sobre) a banda. É certo que o disco não conta com as melhores performances (só pude avaliar isso bem depois), mas, bem ou mal, é divertido de ouvir e particularmente foi suficiente para apresentar algumas faixas mais importantes, além de servir como prévia da notória característica dos caras de improvisar em algumas faixas. Um bom exemplo é durante “Speed King”, na qual após uma troca de licks entre Blackmore e Jon Lord, a banda toca por oito vezes o riff de “Burn” (que não faz parte do repertório desse Mark II, vez que, como se sabe, foi registrada pelo Mark III).
Se se pode opor alguma resistência à performance de um ou outro integrante, ou à execução de alguma música, o fato é que não há como reclamar do set-list, pois todas as faixas são muito boas ou excelentes: “Highway Star”, “Black Night”, “A Twist in the Tale”, “Child in Time”, “Anyone´s Daughter”, “`Perfect Strangers”, “Anya”, “Smoke on the Water” (Blackmore e Lord se revezam durante o solo que, na versão de estúdio, é de guitarra), “Speed King”. Pessoalmente, as favoritas são “Highway Star” (mesmo na fase com Tommy Bolin, qualquer versão dessa música é boa; nesse disco Lord acompanha Blackmore na parte rápida e mais famosa do solo de guitarra), “Black Night” (embora, atualmente, já esteja cansado de ouvir essa música manjada), “A Twist in the Tale” (riff rápido, lembra o Rainbow - talvez não seja por acaso que a faixa título de "The Battle Rages On" recicla, digamos assim, um riff que aparece no meio da faixa "Fire Dance" do disco "Bent Out of Shape" do Rainbow), “Anyone´s Daughter” (quase idêntica à versão de estúdio, e muito legal, com guitarra limpa, Hammond e meia-lua e bumbo de Paice), bem como a própria “Anya” (com riff de teclado legal e tudo). Além disso, aqui aparece a última versão defensável para “Child in Time”, pois a voz de Gillan já não acompanha mais os agudos e os gritos histéricos da parte final.
Nesse ano de 2008, o Marcelo "Osmar Band" tomou contato com o Deep Purple (e curtiu bastante) através de outro disco ao vivo, desta feita o registrado no famoso festival de Mountreaux, já com a formação mais recente (Airey/Gillan/Glover/Morse/Paice), o que me faz concluir que independente da fase, do repertório ou da formação, um disco ao vivo do Deep Purple sempre é um bom jeito para conhecer e virar fã da banda.
sábado, 13 de outubro de 2007
Melhores discos de todos os tempos - DEEP PURPLE "Burn" 1974
Sabe-se que na época em que foi gravado "Burn", final de 1973 (lançado em 1974), o Deep Purple já era tida como uma das bandas mais destacadas de hard rock. Os caras eram estrelas, e portanto milionários. Afinal, a banda de Blackmore/Gillan/Glover/Lord/Paice havia registrado em seqüência "In Rock" (1970), "Fireball" (1971) e especialmente "Machine Head" (1972) e "Made in Japan". Após "Who do We Think We Are", Ian Gillan e Roger Glover resolveram seguir outros rumos, e iniciaram uma rotina de instabilidade na formação da banda que duraria mais de 20 anos. Mediante audições de candidatos aos postos de Gillan e Glover, chegou-se ao nome de Glenn Hughes, baixista e vocalista do Trapeze. Além dele, resolveu-se pela contratação de David Coverdale, um vendedor de loja de discos que não tinha experiência de gravação profissional. Para mim é espantoso como uma banda agregada dessa forma adquiriu entrosamento a ponto de compor um material tão poderoso.Como em diversas outras ocasiões - em relação a outras bandas e músicas - no começo dos anos 90 achava que tudo o que fosse relacionado com hard rock farofa era despiciendo. Nessas condições, era natural que não tivesse o menor respeito por Whitesnake ou por David Coverdale. E durante algum tempo me recusei a ouvir qualquer formação do Deep Purple na qual Ian Gillan estivesse ausente.
Assistindo ao documentário Heavy Metal Pioneers em vhs (alugado da TV3), em 1995, fiquei impressionado com as imagens do show memorável no California Jam em 1974. Resolvi, então, alugar na Symphony (na R. José Bonifácio, já extinta) o MADE IN EUROPE. Foi só botar o cd para rodar que identifiquei imediatamente o riff (espetacular) de BURN. A partir daí tomei gosto pela formação com Glenn Hughes e David Coverdale, e como geralmente ocorre fui atrás de tudo o que dissesse respeito a essa encarnação do Deep Purple.
O disco "Burn" foi adquirido sob condições inusitadas. Na época do dólar/real um-por-um, o cd importado custava 20 pila, pouco menos que um bicho de pelúcia. Em 1995, uma colega do colégio (que também era colega no cursinho) se queixou quando eu apareci com um bicho de pelúcia para dar de presente para outra colega, aniversariante. "Se tu me deres um CD, eu te dou um bicho de pelúcia". Na Del Turista ela escolheu o bicho, e eu escolhi "Burn" na Stoned.
Cheguei em casa e ouvi o cd inteiro, com toda a atenção, no aparelho de som da sala, em alto volume. A faixa título, além de ter um riff espetacular, é uma música perfeita. A letra é muito legal (sobre uma misteriosa mulher que com um aceno de mão trouxe desgraça a uma comunidade), e cantada por Coverdale casa bem com o clima proporcionado pelo riff e pela frenética bateria de Ian Paice nos versos. Até hoje desconheço como o cara teve a idéia de fazer mini-solos de bateria durante os versos cantados, e acredito que é nessas ocasiões que se manifesta a genialidade de um músico. Essa música é ainda uma espécie de embrião do que nos anos 80 viria a ser conhecido como heavy metal melódico, por reunir algumas características como (a) andamento acelerado, (b) solos de guitarra e teclado, (c) dueto de arpejos de guitarra e teclado, (d) vocal agudo, cortesia de Glenn Hughes nas partes antes dos solos ("You know we have no time"). Durante anos "Burn" era tida por mim como uma música impossível de ser reproduzida, e foi com indisfarçável orgulho que a Burnin´ Boat tocou essa faixa em vários shows e ensaios.
MIGHT JUST TAKE YOUR LIFE é um rock centrado num riff de teclado, dobrado pela guitarra, em andamento mais rocker, por assim dizer. Como em todo o disco, Coverdale confere uma interpretação autêntica à letra, e a interação com Glenn Hughes comprova que foi mais do que acertada a decisão da banda de contar com dois vocalistas. Não há solo de guitarra, somente Jon Lord sola ao final, e na verdade a beleza da música está mesmo nos vocais.
LAY DOWN STAY DOWN é outro rock só que mais rápido, com um riff bem característico de Blackmore (a combinação E-G-A e variações aparece também em NOBODY´S HOME do disco "Perfect Strangers"). Novamente Paice se destaca nos versos: a banda faz pausas, Coverdale e Hughes se revezam brilhantemente nos versos, e Paice ataca a bateria. No solo de Blackmore, o guitarrista brinca com um lick que depois viraria um riff numa música do disco seguinte "Stormbringer" (falo de HIGH BALL SHOOTER).
SAIL AWAY é uma triste balada, com comovente interpretação de Coverdale e Hughes - destaque para o primeiro. É realmente de arrepiar, especialmente no último refrão quando Coverdale solta "I´ll be there someday, hey hey heeeeeeey". Enquanto Gillan é o festeiro/mulherengo cantando as boas coisas da vida (em WHEN A BLIND MAN CRIES o cara não deixa de cantar a plenos pulmões), Coverdale é o cara que sofre por amor e tudo mais, e expressa toda a sua miséria nas letras e na interpretação.
Composição que Blackmore se auto-plagiou posteriormente é essa YOU FOOL NO ONE (nesse sentido, v.g., STILL I´M SAD do Rainbow). É fácil se identificar com a letra, cuja temática é recorrente nas músicas de Coverdale (v.g., FOOL FOR YOUR LOVING do Whitesnake). Paice se sai com uma inspirada levada na bateria. Nas apresentações ao vivo geralmente era precedida de uma introdução no Hammond de Jon Lord (nos famigerados "final concerts" dessa formação, na França e na Alemanha, Lord tocava vários temas nesse momento, dentre os quais "Assim Falou Zaratustra", mais conhecida como a música do 2001 Uma Odisséia no Espaço).
WHAT´S GOIN´ ON HERE tem espaço para solos generosos. É um rock bem tradicional para o padrão Deep Purple, no qual Coverdale e Hughes se alternam nos versos que aparentemente descrevem uma bebedeira monumental.
Como já fizera em SAIL AWAY, Coverdale sussurra, suspira e geme os versos de MISTREATED, e realmente dá pra acreditar que o cara está sendo "mistreated" e perdendo a cabeça. Trata-se de um blues memorável, que tem versões ao vivo imperdíveis no disco "Made in Europe" e em outros bootlegs, com a interpolação de ROCK ME BABY. Quando ouvi pela primeira vez, achei o solo de Blackmore tedioso, mas faço questão de tocar nota-por-nota, na medida do possível.
"A" 200 é um instrumental fora de posição, a meu juízo, nesse disco. Alguma razão deve ter havido para a inserção dessa faixa que, a rigor, não acrescenta nada sequer musicalmente. Seja como for, é só parar de ouvir o disco ao fimal de Mistreated.
Depois desse disco, o Deep Purple compôs dois bons álbuns ("Stormbringer" e "Come Taste the Band"), não sem passar pela saída de Blackmore e mesmo pelo encerramento das atividades em 1976. Só no retorno da formação com Gillan e Glover, em 1984 com "Perfect Strangers" que se ouviu a banda compor material de primeira qualidade.
domingo, 25 de abril de 2004
Shows XVII - DEEP PURPLE - SEPULTURA - HELLACOPTERS (18/03/2003 - Gigantinho)
- neste passo, reporto-me à resenha lançada neste blog à época do show.
terça-feira, 6 de abril de 2004
Shows I - DEEP PURPLE (05/03/1997 - Bar Opinião)

- depois de ter perdido o show do Rainbow, com Blackmore e Doogie White (turnê do Stranger in us All), no Bar Opinião, em 1996, eu me comprometi a nunca mais faltar a um show de qualquer grande banda de rock, especialmente, qualquer uma que eu tivesse pelo menos UM cd (todavia, acabou não dando muito certo, pois deixei de acompanhar bandas como Yes - turnê do Open Your Eyes, no Opinião -, Savatage, Rush, Eric Clapton, entre outros).
Enfim, comprei meu ingresso na C&A do Centro, e fui ao show desacompanhado de galera. O show foi bom e surpreendente - abriram com HUSH, e tocaram outras como NO ONE CAME, WHEN A BLIND MAN CRIES, PICTURES OF HOME, além das clássicas habituais.
Jon Lord fez seu solo, mas interrompeu-o abruptamente, ao meu sentir um pouco irritado com as manifestações do público, que não ficou quieto enquanto o cara destruia o hammond.
Fizeram-se presentes todas as "personalidades" da capital, desde o "Boca-do-disco" até os caras da Grammy (da Gal. Chaves). Na minha ingenuidade, não esperava que fosse lotar, tanto que cheguei uma hora antes da hora marcada para começar (o show não atrasou significativamente) e não tive uma visão muito privilegiada (só via Roger Glover quando este se punha mais à frente no palco).
Quanto ao show, propriamente, as performances não diferem muito do cd "Live at Olympia", nem dos dvd´s que foram lançados com essa formação (Gillan, Glover, Lord, Morse, Paice).
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