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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Resenha de livro – “Mötley Crüe: The Dirt”


Admito que fiquei interessado em ler a biografia dos Engenheiros do Hawaii, escrita por Humberto Gessinger, sobretudo pela promessa de conter descrições de todas as fases da banda, discografia e comentários das letras. Vi na Cultura, mas numa folheada bastante perfunctória, achei que o livro era superficial de mais (muita foto e pouco texto), e que os comentários sobre as letras se resumiam a um parágrafo. Mas o que me impediu, por ora, de trazer o livro para casa foi o preço: mais de 40 pila. Olhei para o lado e vi, por 40 pila, um livro importado, de mais de 400 páginas de texto com letra miúda, com apenas umas 10 páginas de fotos, contendo a biografia de uma das maiores bandas de hard rock dos anos 1980. Trata-se de “The Dirt”, coescrito por todos os membros do Mötley Crüe, e ainda seus empresários. Assim, a leitura da biografia do Mötley Crüe parecia muito mais apreciável do que a dos Engenheiros do Hawaii, seja pelo critério do custo-benefício, seja pelo fato de que os caras do Mötley Crüe transaram com muito mais mulheres do que os caras dos EngHaw (conforme o próprio Gessinger admitiu em entrevista publicada em 11.01.2010 num jornal local: o cara disse que em duas páginas da biografia do Slash, o guitarrista do Guns´n´Roses já tinha vivido mais do que ele em 5 idas).

Já tinha visto em algum lugar (tipo Wikipedia), que “The Dirt” foi um livro que recebeu aclamação de crítica e público. Particularmente, favoreceu o fato de que andei ouvindo uns discos da banda em data recente, e assim estava familiarizado com parte do repertório. Como a minha maior curiosidade residia sobre o período no qual ingressou John Corabi no lugar de Vince Neil – pois é nesse período em que houve a mudança mais significativa para melhor no som da banda -, iniciei a leitura após a metade do livro, exatamente na fase de transição. E ao final, me convenci de que essa é a melhor parte do livro. A contribuição de Corabi, tanto musicalmente no “Mötley Crüe” de 1994, quanto em “The Dirt” é a melhor parte. O vocalista/guitarrista narra parte de sua história pessoal, seu envolvimento com o The Scream, sobre como tomou contato com Nikki Sixx, seu recrutamento, os ensaios e o processo de composição, ressaltando-se a diferença em relação à época anterior. Agregados os comentários dos demais (notadamente de Tommy Lee, mas também de Sixx, Mick Mars e dos empresários), fica claro que a banda estava muito satisfeita com o rumo seguido após o ingresso de Corabi, e que os caras estavam efetivamente empolgados com o novo som (e nisso concordo plenamente com todos eles – as músicas dessa época são excelentes, conforme já tive oportunidade de enfatizar). Fica-se sabendo, assim, pelos próprios músicos, que as vendagens de “Mötley Crüe” não foram satisfatórias, e que houve pressões da gravadora e dos empresários para o retorno de Vince Neil. Muito embora Lee e os demais quisessem manter Corabi na banda, e até iniciarem os trabalhos para a gravação do que viria a ser o “Generation Swine”, o fato é que os caras sucumbiram e deixaram as coisas tomarem o seu rumo, ao invés deles darem o rumo para as coisas. Particularmente é muito interessante o depoimento de Corabi, segundo o qual a banda e o produtor do álbum lhe davam orientações conflitantes, genéricas e bizarras a todo momento, tornando tormentoso o processo de composição e gravação das novas faixas. Isso levou a que Corabi pedisse demissão, ao mesmo tempo em que era trazido Neil (cogitou-se brevemente na manutenção de Corabi como segundo vocalista, mas parece que essa proposta jamais foi considerada seriamente por Sixx). Seja como for, Neil retornou a tempo de finalizar “Generation Swine” e o vocalista expressou aquilo que é minha opinião também, de que se trata de um disco muito ruim. A partir daí, a leitura já está quase no fim, e restam poucos comentários sobre “New Tattoo”, sem Tommy Lee (preso por suposta agressão à Pamela Anderson), com Randy Castillo na bateria, e com uma música que curto muito, “Hell On High Heels”.

O restante do livro, isto é, referente ao período de 1980 até 1994, é focado nos excessos de bebidas, drogas, festas e mulheres. Nisso não há diferença significativa quanto às biografias de Eric Clapton e de Slash. Referências a outras bandas da época são muito poucas, com uma que outra história envolvendo Ozzy, Iron Maiden, AC/DC e comentários curtos e negativos sobre o Kiss (Mick Mars é o único guitarrista de hard rock que conheço que não curte a banda de Ace Frehley – “prefiro os músicos de verdade tipo Jeff Beck” – e Sixx referiu que a turnê com o Kiss foi muito chata, e que ironicamente Gene Simmons lhe procurou para adquirir os direitos de transformar em filme a história da banda). Mais escassas, ainda, são as informações sobre a composição e gravação das músicas, que é o que mais me interessa em leituras desse tipo.

Entretanto, há que se respeitar caras que se casaram com mulheres como Pamela Anderson, Heather Locklear e Donna D´Errico. A biografia do EngHaw fica para a próxima Feira do Livro ou quando encontrar com desconto expressivo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Resenha de livro - "The Rough Guide to Jimi Hendrix" (Richie Unterberger)

A afinidade com o formato do “Rough Guide” sobre bandas e músicos já se verificou desde a leitura do primeiro volume que encontrei, dedicado ao Pink Floyd. Depois deste, li o do Led Zeppelin, sobre Heavy Metal (ainda não finalizei), dos Stones, e dos Beatles (ainda não finalizei). Em regra, é bom ler esses livros sobre bandas consagradas em relação às quais ainda não tenho conhecimento profundo, pois abrange biografia, resenhas de discos e melhores músicas, fatos pitorescos, projetos paralelos, dentre outras coisas particulares. Então não tive dúvidas de trazer para casa o “Rough Guide” do Jimi Hendrix – que nem sabia da existência – quando localizei na Cultura por menos de 30 pila. E indiscutivelmente é o melhor que já li da série.

Diferentemente do “Rough Guide” do Zeppelin, dos Stones e dos Beatles, a leitura guia sobre Hendrix é bem fluida e pacífica, pois o autor tem estilo simples e direto de escrever. Então, é o melhor de ler de capa-a-capa. Basicamente todas as lendas que já tinha ouvido sobre Hendrix são tratadas no livro (p. ex., a de que se eu encontrasse Hendrix, na época, e dissesse que toco guitarra e componho umas músicas, ele me convidaria para uma jam no Eletric Lady), e ainda há o acréscimo de várias informações relevantes (antes da fama, o cara havia feito parte da banda de apoio de vários artistas, dentre os quais Little Richard).

O autor preza bastante pela formação do Experience, e até faz pouco caso (ainda não sei dizer se acertadamente; provisoriamente, entendo que não) da Band of Gypsies (que só lançou o registro do mesmo nome, ao vivo). Via de regra, esses rough guides se destinam ao grande público, e não exclusivamente a músicos, mas há algumas informações importantes sobre música durante o texto. Além disso, há um notável capítulo dedicado a tentar esclarecer a razão de Hendrix ter sido um espetacular guitarrista: o autor, então, fala das técnicas guitarrísticas (as alavancadas, p. ex.), dos instrumentos e equipamentos (desde a guitarra Fender Stratocaster, até os amplificadores Marshall e os efeitos fuzz, phaser/flanger, univibe, e o clássico wah-wah), e até das mãos de Hendrix (que, por serem grandes – apesar do cara não ter altura acima da média -, facilitariam a execução de técnicas inusitadas ou de outra maneira não possíveis, como utilizar o polegar da mão direita – no meu caso, que sou destro, esquerda - para tocar as cordas mais graves, ou fazer bases e solos simultaneamente). A par disso, há as tradicionais resenhas dos discos, aparentemente adequadas; como Hendrix lançou apenas quatro discos oficiais, o autor se esmerou na garimpagem do sem número de coletâneas e bootlegs, indicando os mais preciosos.

Digno de atenção são os registros dos bastidores dos shows históricos (Monterey, Woodstock, dentre outros). No decorrer do texto aparecem sugestões de algumas pessoas sobre qual caminho Hendrix percorreria não fosse sua morte prematura, e felizmente o autor não se dedica fortemente a esse exercício místico. Tanto quanto outros artistas, entendo que Hendrix teria uma fase de excepcional criatividade (a inicial), seguido de períodos de forte declínio (possivelmente alternaria o lançamento de discos bons), e dependendo do seu estado físico/mental e de seus compromissos empresariais, poderia nos dias atuais ser bem sucedido como Ozzy Osbourne ou os Stones (Keith Richards e Mick Jagger), ou vítima de suas circunstâncias como James Brown. Fui atrás dos CDs do guitarrista (tenho apenas o “Band of Gypsies” e o duplo de “Woodstock”) e incrivelmente não encontrei em lugar algum, e me questiono se esse desaparecimento das prateleiras não quer significar um relançamento portentoso em novas edições remasterizadas, com bônus, e tudo mais (em 2010 completam 40 anos da morte do guitarrista).

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Resenha de livro - "The Rough Guite to the Rolling Stones" Sean Egan

Pouco depois de finalizar a leitura dos livros da série Rough Guide dedicados ao Led Zeppelin e ao Pink Floyd, firmei a convicção de que deveria tomar ciência de outros dois que eram noticiados na contracapa: Rolling Stones e Beatles. Afinal, tratam-se das duas maiores bandas de rock da história, e até então não sabia nada a respeito delas que fosse além do senso comum. Depois de alguns meses, e leituras infrutíferas no wikipedia, encontrei na Saraiva esse Rough Guide dos Stones.

A leitura me tomou vários meses, no ritmo "start-stop" e "start all over again". Mas serviu exatamente para o fim que me propus. Talvez o forte do autor não seja a descrição musical das composições, mas algumas dicas são muito boas e de acordo com o senso comum: o de que a época de ouro da banda é a da produção dos anos 1960, o de que os melhores discos dos anos 1970 são "Sticky Fingers" e "Some Girls". Descobri que Keith Richards é guitarra base - e aparentemente reconhecido por sua proficiência - e que Bill Wyman é um bom músico. Por outro lado, achei até exageradas as críticas ao som dos caras em parte dos anos 1980 e na íntegra dos anos 1990 e 2000, ou, dito de outro modo, o livro serviu para confirmar os meus pré-conceitos em relação ao som dos Stones nesse período (lembro que assisti pela TV aos shows da banda no Rio transmitidos ao vivo - teve um em 1999 e outro alguns anos depois - , com público recorde e tudo mais, e não fiquei impressionado com as músicas dos caras; a mim parecia que Keith Richards fazia mais poses do que tocava guitarra, e a apatia e repetição das mesmas batidas de Charlie Watts eram inacreditáveis).

Evidentemente que a partir daí fui atrás dos CDs e dos vídeos do youtube. E adquiri mais uma influência legal para os mega-hits da Osmar Band.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Livro - "Slash"

Depois da boa experiência de ler a autobiografia do Eric Clapton, seguindo oportuna recomendação do Marcelo, tão logo soube do lançamento do livro do Slash me programei para obedecer ao mesmo ritual: aquisição durante os descontos da Feira do Livro e leitura na praia, no feriado de Ano Novo (rendeu bastante com a chuvarada). Estava com expectativa de que seria um bom livro, e que teria algumas partes chocantes, notadamente pela chamada que dava conta de que até David Bowie havia se impressionado com os períodos mais altos (alto querendo significar "high", na gíria, em inglês) do guitarrista.

As mais de 400 páginas são dedicadas a toda a vida do cara, desde as mais remotas lembranças, até o lançamento do segundo disco do Velvet Revolver em 2007. Particularmente fiquei satisfeito com a descrição da reunião da formação clássica do Guns´n´Roses, e mais ainda com as partes nas quais Slash comenta como algumas músicas foram compostas (tipo, "fiz umas jams com Izzy e Duff e saíram as músicas tal e tal", além da versão definitiva para a criação de "Sweet Child O´Mine". Vale observar, no entanto, que a palavra "jam" jamais é utilizada na tradução do livro - acho que o cara preferiu "improviso" e, por outro lado, não há qualquer referência ao Black Sabbath como influência de Slash, sabendo-se como se sabe da semelhança do riff de um dos maiores clássicos do Guns com o riff de uma música obscura do Sabbath sem Ozzy), a rotina nos estúdios de gravação dos discos "Appetite for Destruction" (mais concentrada, com todos os caras motivados, tocando e compondo juntos) e "Use Your Illusion" I e II (muita dispersão, sem a presença de Izzy e principalmente Axl em boa parte das sessões de gravação e mixagem). Basicamente é esse o tipo de informação que busco em livros desse tipo. Outra das histórias que já tinha lido há muito e que é confirmada no livro é a vez em que ele, então adolescente e longe da fama, deixou de se entreter com uma mulher na qual ele estava muito interessado a partir do momento em que ela botou para tocar o disco "Rocks" do Aerosmith - banda que passou a adotar como influência principal. Outra influência bastante enfatizada no início do livro é da banda Hanoi Rocks, inclusive em relação ao vocal - vou checar isso mais além.

Entretanto, o que para mim ainda não restou esclarecido é o tanto de verdade do que se dizia na época em que o Guns era a maior banda do mundo: de que Izzy Stradlin não se conformava em ser guitarra base, pois alegadamente seria mais talentoso que Slash para ser guitarra solo, e que esse seria um dos motivos para a sua saída da banda. No livro sempre fica bastante definido o papel de Izzi como guitarrista "complementar" do estilo de Slash - secundário, portanto. Assim, ainda resisto em admitir que Slash era mais guitarrista que Izzy, e a minha resistência é, a essas alturas, alimentada apenas pela predominância de Izzy nos créditos dos dois "Use Your Illusion", em comparação com Slash - e talvez pelo fato de que Izzy compôs a minha música favorita da banda, "You Could Be Mine" (já evolui para reconhecer que Slash faz alguns solos muito bons, rápidos e inspirados com as pentatônicas - gostei de ler um excerto de uma entrevista dele num site no qual admite que não é um guitarrista com a técnica de Satriani ou Vai).

A cronologia, por vezes, não é muito fácil de seguir, pois o guitarrista e o escritor não se esforçam muito para situar os fatos narrados no tempo (não custaria dizer "no início de 1986", "no verão de 1988", "no final de 1991" com mais frequência). As coisas se complicam quando ele resolve refletir sobre consequências futuras de fatos que vão sendo relatados - não há uma ligação boa para o fim do comentário e a volta ao texto.

Há que se dizer, desde logo, que a tradução me pareceu boa; não tive problemas e nem identifiquei erros grosseiros na tradução de expressões - aliás, a tradução deve ter sido uma barbada, pois foi bem fácil identificar a utilização de frases padrão tipo "all things considered", e "next thing I know", por exemplo.

Assim como o fora no livro do Eric Clapton, as partes dedicadas aos episódios com drogas são longas e enfadonhas; realmente é preciso paciência para superar um monte de páginas para saber que o cara esteve drogado em parte significativa da sua carreira desde meados dos anos 1980.

Talvez o grande mérito do livro seja o esclarecimento de como o Guns ficou inativo por tanto tempo, e a razão da saída de Slash. Ainda me espanto com a falta de pressão da gravadora para a banda lançar discos com mais regularidade, e com a própria falta de motivação dos caras para gravar logo discos com músicas inéditas (no livro não há referência se a banda desfrutava de alguma espécie de liberdade criativa ou de uma maior autonomia livre de pressões para compor e gravar álbuns e sair em turnê). Slash faz questão de enfatizar que apresenta apenas a sua versão, e que sabe que Axl tem a dele e admite que esta é tão válida quanto a dele. Gostaria, então, de saber a versão de Axl para os atrasos nas apresentações e nas gravações, bem como outros comportamentos em relação à banda. E também seria bom para confrontar certas posturas que Slash disse ter adotado: tipo, o guitarrista diz que queria saber era de tocar, e não ligava muito para questões de direitos autorais, e também que deixou passar muitas coisas que lhe incomodaram para não tumultuar o ambiente. Sei e entendo tudo isso que o cara quis dizer, mas é possível cogitar que o cara não seja tão "low profile" ou "easy going" quanto propaga - as coisas não são tão simples quando se trata de um fenômeno do rock dos anos 1990.

Particularmente, o outro mérito do livro também foi o de cumprir com outra expectativa que sempre tenho ao ler livros de música: reacendeu a vontade de ouvir discos do Guns´n´Roses (os clássicos e o novo) e do Velvet Revolver.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Livro - "The Dark Side of the Moon - Os bastidores da obra-prima do Pink Floyd"

Parece-me indiscutível que o disco mais importante dos anos 1970 é "Dark Side of the Moon" do Pink Floyd. Aqui ainda não é o espaço para desenvolver essa idéia, mas embora tenha firmado tal convicção há uns 5 anos, demorei para decidir pela aquisição desse livro que se propõe a descortinar os "bastidores" de um dos discos mais vendidos de todos os tempos e recordista em permanência na lista da Billboard. Há um ano resolvi que seria uma boa fazer essa leitura (pela escassez de livros sobre música - tendência que parece estar revertendo nos últimos tempos - e pelo fato de que se trata, efetivamente, de um disco fundamental), mas estava aguardando por alguma espécie de promoção na Saraiva (e esse ano veio uma, na época da semana ou mês do rock).

Algumas coisas já sabia, como as participações de Alan Parsons, Clare Torry e Dick Parry, os truques de estúdio (gravação dos relógios, das falas de pessoas que respondiam às perguntas formuladas por Roger Waters e impressas em cartões, entre outras), bem como sobre a temática das músicas e do disco, e a inspiração de alguma(s) música(s) em Syd Barrett; o que sempre espero em livros como esse é informações a respeito dos métodos de composição, e histórias do tipo "esse riff criei quando estava em casa ouvindo uma música no rádio", ou "essa melodia veio à cabeça quando estava dirigindo para casa de um amigo".

Diferentemente de outros livros de música, e dos livros de música que costumo gostar de ler, a leitura deste não é das mais fluidas. Afinal, o livro é sobre um disco específico, mas o autor sentiu a necessidade de dedicar aproximadamente 80 páginas para explicar as fases da banda até chegar em "Dark Side", e se uma introdução é recomendável, de outro lado achei exagerada e comprida, sobretudo pela ênfase em Syd Barrett. Fico intrigado com essa inquietação a respeito de Barrett: apesar do cara ter sido o líder original e compositor principal, Barrett participou apenas do primeiro disco, sendo certo que a partir daí a banda lançou pelo menos três discos excepcionalmente bem sucedidos (pessoalmente, acho a fase sem Barrett muito melhor...). Entendo menos ainda a escolha de uma foto da época de Barret, sem Gilmour, para ilustrar a capa do livro. É possível dizer, então, que, no mínimo, o livro demora para engrenar.

As coisas ficam realmente compensadoras quando o autor trata da banda em estúdio, assim como o processo de refinamento das composições nas apresentações ao vivo. Não há muitos esclarecimentos a respeito de como as músicas foram nascendo, mas na primeira fase de gravações a banda tinha reunido material suficiente para o disco novo, que só precisava de amadurecimento - e para isso foi fundamental testar as músicas nos shows, além da valiosa colaboração de Alan Parsons no registro das performances em estúdio. Particularmente dignas de atenção são as partes que descrevem a execução da íntegra do disco, muito antes do seu lançamento, e a forma como evoluíram as faixas desde o estágio inicial (com acréscimos de novas partes, novos instrumentos - sabe-se que "On the Run" era apenas uma jam de guitarra, e que ganhou nova dimensão com a utilização do VCS3 - e novas participações - como cantoras de backing vocals). Outra parte muito boa é a que trata da contribuição de Clare Torry em "The Great Gig in the Sky"; realmente é difícil imaginar o que seria dessa música sem o memorável solo de vocal de Torry, e parece merecido que tenha ganho crédito autoral na faixa, mediante decisão judicial (no cd que eu tenho ainda não aparece essa co-autoria). Para mim foi muito esclarecedora também a questão da utilização do sintetizador VCS3. Ponto positivo na narrativa é a de contar a história desde o estágio inicial nos estúdios Abbey Road, com espaço para as turnês que entremearam as gravações, além da própria gravação de um outro disco ("Obscured by Clouds"), e assim é possível saber a quantas andavam as gravações quando se adicionou o VCS3, ou o saxofone de Dick Parry, ou o vocal de Clare Torry. Por fim, muito reveladora e bem explicada a produção da capa e encarte do disco, conduzida pela notável Hipgnosis e Storm Thorgeson.

Se não tivesse gasto tantas páginas com a fase inicial da banda, talvez o autor tivesse tido mais espaço para tratar da fase posterior ao lançamento do disco; seja como for, é interessante a observação a respeito do desconforto dos caras com o fato de que o público da banda aumentou muito, mas isso não significou necessariamente que se agregaram novos fãs, e assim passou a ser normal que, durante os shows, nas músicas calmas (tipo o início de "Echoes"), parte do público gritasse por "Money". Sabendo o tipo de temperamento de Waters, por exemplo, e o próprio comporamento pouco caloroso de todos os integrantes, fica fácil antecipar os desdobramentos que viriam, como a dificuldade inicial para criar músicas novas para "Wish You Were Here", e até o incidente durante a turnê de "Animals" que deu a Waters a idéia de erguer um muro na frente da banda durante a turnê de "The Wall".

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Livro - "Queen Live - A Concert Documentary"

Um livro que contém, exclusivamente, as datas de todos os shows do Queen, com o set list de boa parte deles, acompanhadas de breves comentários sobre fatos peculiares de alguns eventos destacados, bem como um levantamento dos set lists mais comuns ano a ano, das músicas nunca tocadas ao vivo, dos covers, das apresentações por ano e por país... parece um livro que só eu adquiriria. Pois "Queen Live - A concert documentary by Greg Brooks" é um livro inteiramente dedicado à parte da atividade do Queen desempenhada nos palcos. E se a descrição da vida na estrada comprometeu a leitura da biografia do AC/DC, o mesmo não se pode dizer desse que trata do Queen.

Há uma breve exposição sobre como a banda se formou, e uma descrição genérica dos shows embrionários. Segue-se, então, cronologicamente, â exposição de todos os shows, ano a ano, muitos dos quais com set list. O trabalho que o cara teve, bem se vê, foi notável, sobretudo quando se tem notícia de que a primeira edição do livro foi escrita antes do advento da internet; o autor se valeu de anotações pessoais, coletadas durante anos como fã da banda inglesa, e conforme revelado no prefácio, foram quase totalmente confirmadas a partir das informações que, enfim, a internet trouxe, bem como o apoio formal da banda, que oficializou o cara como uma espécie e arquivista (nada mal para um fã se tornar empregado da banda do coração - outros exemplos são o Tommy Thayer no Kiss e, mais notoriamente, o Tim "Ripper" Ownes no Judas Priest). Assim, o autor contou com uma inestimável fonte: os arquivos particulares dos integrantes do Queen.

Além de informações "preciosas" como a da vez em que Brian May quebrou duas cordas de duas guitarras diferentes durante o seu solo em "Brighton Rock" (09.08.1982, Meadowlands, NJ), há algumas curiosidades incríveis como a da turnê do disco "Jazz" na Europa, durante a qual, em quase todos os shows, a platéia pedia a todo o custo para a banda executar "Mustapha", o que por vezes enervou Freddie Mercury (afinal, o set list já estava pronto, e a música seria tocada um pouco mais adiante), sendo que me parece que "Mustapha" não é das mais conhecidas da banda (embora seja uma música boa, que ao vivo deve ficar melhor com a proeminência da guitarra - que falta na versão de estúdio).

Identifiquei-me na parte em que o autor reclama do disco "Live Killers", lançado em 1979 após a lendária turnê européia de lançamento de "Jazz", pois no registro teriam faltado (inescusavelmente) algumas faixas importantes do repertório daqueles shows, e que algumas conversas de Mercury com o público teriam sido editadas. Transcrevo o excerto: "As stated earlier, four other audience favourites ('Somebody To Love', 'It´s Late', 'If You Can´t Beat Them' and 'Fat Bottomed Girls') should also have featured on 'Killers', but didnt´t! I hope to see the day, sooner rather than later, when a revised 'Killers' album is released with the correct running order, no bleeps, the four AWOL´s, an unabridged 'Mustapha', the alternative 'Keep Yourself Alive' featuring Roger and Freddie´s 'Fun It' routine, and Freddie´s references to 'the girls'. I will be the first to fight for it!". É basicamente o mesmo sentimento que eu tenho em relação ao "Alive III" do Kiss (numa tentativa de vender mais discos, a banda resolveu lançar um disco simples de 74min com parte do repertório da memorável turnê de "Revenge", ao invés de seguir a tradição de discos duplos ao vivo - "Alive!" e "Alive II". Com isso, ficaram de fora, inescusavelmente, músicas importantes do período, como "Tears Are Falling" e "War Machine", além de "Love Gun" - as melhores versão deste clássico do Kiss são dessa época, 1992/1993).

Há uma razoável cobertura sobre os shows do Queen realizados no Brasil, em 1981 e no primeiro Rock in Rio. A última apresentação do Queen se deu em 09.08.1986, no Knebworth Park, no final da turnê de "A Kind of Magic". Conforme as transcrições das falas de Mercury para o público, essa época era marcada por muitas especulações sobre o fim das atividades da banda com a dispersão dos integrantes (em 1983 o Queen não fez nenhum show). O vocalista fazia questão de rechaçar essas notícias plantadas, e é verdade que a banda acabou por outras razões. Para mim é notável que o último show foi realizado em 1986, sendo que a banda ainda registrou mais dois discos de estúdio ("The Miracle", em 1989, e "Innuendo", em 1991). Isso não é cogitado no livro, mas provavelmente isso se deveu ao fato de que Mercury não teria condições físicas para embarcar em mais uma turnê mundial. Então foi no auge da carreira que a banda fez sua última apresentação, com um repertório composto quase exclusivamente de clássicos.

É claro que a leitura empolgou a ponto de dar uma ouvida nos cds ao vivo ("Live Magic" e "Live at Wembley '86"), além dos shows em dvd ("Live at the Bowl", "Rock in Rio"), e não demorei para constatar que o Queen é uma das melhores bandas em termos de apresentações ao vivo, e que o repertório dos caras, diferentemente da minha idéia inicial, era realmente matador (nos shows mais antigos, em algumas músicas me veio o pensamento do tipo "bá, nem lembrava que essa música era tão boa desse jeito"). A presença de Mercury é tão forte, sem contar o carisma e a voz inigualável, e isso me faz concluir que realmente o Queen acabou; acho legal que May e Roger Taylor estejam tentando reerguer a banda com Paul Rodgers nos vocais, mas aí parece uma banda cover (sem demérito, mas não tem comparação).

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Livro – “Rough Guide to Led Zeppelin”

Da série “Rough Guide”, encontrei na Cultura (também por um bom preço) um volume dedicado ao Led Zeppelin, e fiz a aquisição pelos mesmos motivos que me levaram a trazer para casa o do Pink Floyd (com a diferença de que, ao contrário do Led, gosto mais de algumas músicas e discos da banda de Waters e Gilmour). Mas ao contrário da leitura guerreada que foi a do “Rough Guide to Pink Floyd”, esse do Led Zeppelin está muito bem escrito, tanto que resolvi ler praticamente capa-a-capa, desde o início, incluindo a infância dos quatro integrantes. O texto flui e as informações são colocadas com parcimônia nos parágrafos (não é preciso ficar voltando páginas atrás para conferir ou lembrar alguma coisa). E tem o esquema que achei muito legal: história cronológica, resenha disco por disco, comentários sobre as 50 melhores faixas (na opinião do autor do livro), dentre outras partes (resenhas dos vídeos, bootlegs, projetos paralelos, livros e sites).

Já havia aproveitado o balaio da Multisom para reunir todos os discos de estúdio, mas estava tendo dificuldades para depurar o que havia de bom a ser ouvido nesses álbuns, então a leitura veio em boa hora. Afinal, sempre me inquietou o fato de que o Led Zeppelin é considerado um dos fundadores do hard rock/heavy metal, em 1968, além de ter influenciado todas as bandas do gênero, sendo certo que existem outras bandas da mesma época (como Deep Purple e Black Sabbath, ou de data anterior, como Blue Cheer, Cream e Hendrix) que fizeram rock mais hard e metal mais heavy. Além disso, a discografia dos caras não me parecia permitir uma proeminência tão grande (se é certo que “Led Zeppelin IV” é um baita disco - já escrevi isso aqui - , o mesmo não se pode dizer de “In Through the Out Door”). Evidentemente que tenho ciência de que isso tudo é falta de visão de minha parte, e essa deficiência o livro ajudou a suprir.

Com efeito, o livro esclarece que a banda nasceu de uma idéia de Jimmy Page para superar o fracasso dos Yardbirds; essa banda, na qual já haviam tocado Clapton e Jeff Beck, era dedicada à produção de singles para os top 10 britânicos, com pouca atenção aos álbuns. Isso acabou refletindo na própria opção do Zeppelin de não lançar singles durante anos. Page encontrou Robert Plant, os dois passaram umas semanas na casa do guitarrista ouvindo discos e compondo músicas; Plant sugeriu John Bonham; Page já conhecia John Paul Jones de trabalhos prévios como “session musician” (os dois ganhavam uma boa grana com esses trabalhos, sendo incontáveis os singles dos mais variados artistas nos quais registraram participação); eis o Led Zeppelin. Mas a banda não seria o que acabou sendo se não contasse com um produtor eficiente, e esse papel foi exercido por Peter Grant. Page queria controle total sobre a 1.º gravação, então o cara custeou as sessões e apresentou o trabalho pronto para a gravadora, que apenas lançou o disco. Notável que o sucesso já veio desde o início, em muito maior medida nos Estados Unidos do que na Inglaterra. Então veio o segundo disco, ainda em 1969, que sedimentou a reputação da banda para o hard rock. Parece que não foi só a mim que causou estranheza o “Led Zeppelin III” (conforme já escrevi aqui), metade acústico, metade elétrico, pois o disco obteve “mixed reception”. Dispostos a fazer um disco espetacular, “que venderia muito de qualquer maneira”, os caras compuseram as músicas que imortalizaram o “Led Zeppelin IV”. Após um grande disco, veio o criticado “Houses of the Holy” (não concordei com os comentários a respeito de “The Song Remains the Same”, de que não seria uma música de abertura tão forte quanto a dos discos anteriores... acho uma baita música). Se algumas músicas de “Houses of the Holy” não foram bem aceitas, a banda resolveu levar adiante o projeto de um álbum duplo e reuniram sobras de outras gravações com composições novas e lançaram o muito elogiado “Physical Graphitti”. Em 1975, Plant sofreu um violento acidente automobilístico, e assim, inapto para uma turnê americana que se viu cancelada, reuniu-se com Page para compor e eventualmente gravar um disco, “Presence”, no qual desempenhou os vocais numa cadeira-de-rodas. Reabilitado para a turnê, o cara teve a devastadora notícia do falecimento do seu filho, que o retirou de circulação por um ano. Reunidos para gravar mais um disco, “In Through the Out Door”, o resultado saiu abaixo da expectativa, dado o ânimo dos integrantes (além da perda familiar de Plant, Page estava consumido pela heroína, Bonham loqueando como de costume; apenas Jones tentou seguir em frente, e não por acaso foi o principal compositor do disco). Com o falecimento de Bonham, não houve dúvidas de que a banda deveria encerrar suas atividades. O autor do livro chega a fazer um exercício de futurologia, dando conta de comentários posteriores de Page a respeito das idéias que ele tinha para o próximo disco; conforme esses depoimentos, Page declarou em algumas oportunidades que havia já conversado com Bonham que o próximo álbum seria de “heavy riffin´”. O próprio autor parece duvidar disso, o que me parece correto, sobretudo quando se sabe que Page não deixou de aderir ao Roland guitar syntesizer e ao som pop-rock típico dos anos 80, não havendo nada de “heavy riffin´” nos trabalhos de Page (e mesmo de Plant e Jones) no período pós-Zeppelin.

As descrições sobre gravações de discos e turnês são muito boas e bem distribuídas (diferentemente da biografia do AC/DC, que privilegia as turnês, tornando a leitura complicada em muitos momentos), além de registros sobre as reações de crítica e público em relação ao lançamento de cada álbum. Parece que não faltou nada: desde explicações sobre as capas dos discos, os “artworks” viajantes, a história dos símbolos do “Led Zeppelin IV”, o interesse de Page sobre ocultismo e outras questões místicas, tudo com detalhes, respeitando o estilo enxuto e os limites da obra. Notável como a banda conseguiu público expressivo desde o início nos Estados Unidos, e por lá realizou turnês com mais shows e com mais freqüência, e não tanto na sua terra natal. No livro constam ainda comentários sobre as notórias farras que os caras cometiam nos anos 70, especialmente nos EUA, inclusive com depoimentos de pessoas de fora da banda a respeito do comportamento inapropriado e de alguns eventos particularmente repugnantes (não descritos no livro), o que me permite concluir que os músicos, sobretudo Page, eram dados a experiências grosseiras e humilhantes, de certa forma. A boa sacada, que ainda não havia me dado conta, é da dinâmica “lento-rápido-agitado-calmo” que caracterizam parte do repertório da banda, sendo um bom exemplo “Babe I´m Gonna Love You” do 1.º disco: começa com um dedilhado, os “baby, baby, baby” que Plant imortalizou (e é uma das razões pelas quais ouço a banda mais pelo trabalho desenvolvido pelos outros músicos), e segue uns acordes descendentes Am-G-F#-F-E com guitarra e bateria à milhão, depois voltando para o dedilhado inicial com um solinho bem legal.

Das poucas partes que não gostei no livro, a principal foram os comentários gravosos ou jocosos em relação a outras bandas. Tipo, comparar Zeppelin com Black Sabbath, e sugerir que esta copiava aquela nos momentos mais hard ou heavy, não me parece nem um pouco apropriado. Cada uma surgiu, se desenvolveu e seguiu os seus próprios rumos, com maior ou menor êxito, e não vejo nada que permita concluir que uma possa ter influenciado a outra (a não ser na questão de aumentar o público e vender mais discos, e isso parece ser comum a todas as bandas da época). Além disso, o autor tomou partido em favor de Plant e aderiu ao coro dos que acham que David Coverdale, notadamente nos anos 80, foi uma espécie de cover do vocalista do Led. Nesse sentido, o cara destruiu o projeto Coverdale & Page de 1993, definindo como um disco fraco. Bem, particularmente sou fã de Coverdale, e acho que esse disco de 1993 é muito bom (prefiro este aos discos do Zeppelin, ou pelo menos a maior parte deles, conquanto não tenha o costume de ouvir nenhum deles regularmente). É possível que Coverdale tenha ido um pouco além na “influência Plant”, mas quem não o fez nos anos 80? Posso citar aqui Steven Tyler, Brett Michaels, enfim, todos os vocalistas das bandas de hard rock farofa dos anos 80. O autor do livro não fundamenta adequadamente porque o disco “Coverdale & Page” seria fraco; pois as músicas são boas, na maioria, e o resultado final é muito melhor do que todos os “Zeppelin friends & relatives” lançaram após a dissolução da banda (qualquer hora dessas vou dar uma ouvida no “UnLedded”, sendo certo que assisti ao especial na MTV, na época, além do show durante o verão no Hollywood Rock, e não fiquei entusiasmado com nenhuma performance). Realmente, acho que num livro desses não cabem comentários depreciativos em relação a outras bandas (a não ser que a piada seja muito boa, o que não foi o caso).

Durante a leitura, fiz um exercício de, num sábado a tarde, ouvir a discografia a partir do 1.º disco até o 5.º (passando algumas faixas, eventualmente). Minha mulher teve a mesma impressão que eu: algumas músicas são muito boas, mas em geral não dá para ficar ouvindo direto. E, nessas condições, continuo com a mesma opinião: sou mais Deep Purple e Black Sabbath.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Livro - "Maximum Rock & Roll" biografia do AC/DC

Em 10.03.1993 ouvi pela primeira vez "The Razor´s Edge", disco então mais recente do AC/DC, e a partir desta data minha vida musical se transformou. Comecei a ouvir "Thunderstruck", "Moneytalks", "Fire Your Guns", "Got You By the Balls" e todas as outras, todos os dias, várias vezes ao dia. Naturalmente, pois, em 05.04.1993 comprei uma fita k7 com o "Live", que era o registro da turnê daquele "Razor´s Edge". E quando compramos nosso primeiro cd player, no dia dos namorados daquele mesmo ano, aluguei na TV3 o "Let There Be Rock"; alguns dias depois, comprei os primeiros cds: o próprio "Razor´s Edge" (antiga Colombo do Praia de Belas), e o "Back in Black" (Multisom da Gal. Chaves). Até então, curtia na boa um ou outro Dire Straits e Queen, e todos os Jean-Michel Jarre. Depois de AC/DC, só queria saber de boas guitarras com distorção. Eventualmente parei de dedicar tanta audição aos australianos, mas a banda continua sendo como aquelas do coração.

A Cultura tem se revelado melhor do que nunca na parte dos livros importados de música. Achei por pouco mais de 30 pila uma caprichada biografia do AC/DC. Em se tratando de banda com extensa discografia, o que espero de um livro desse tipo é que sejam reveladas minuciosamente todas as questões envolvendo a composição das músicas de cada disco, para além dos tradicionais capítulos dando conta do passado musical de cada integrante, todo o périplo envolvendo a reunião da formação original (e das eventuais e inevitáveis substituições), as turnês, histórias de noitadas e etc.

Esse "Maximum Rock & Roll" compreende, de fato, todas as fases da banda, até 2006 (e já meio que antecipa uma possível dissolução, pois à época não havia notícias concretas a respeito de gravação de novo álbum ou alguma nova turnê). E dedica capítulos para cada disco. Tendo em vista as mais de 450 páginas, e a pouca disposição para começar do começo, parti a leitura pelo capítulo do disco "For Those About to Rock", de 1981, pois acima de tudo tinha curiosidade pelas histórias concernentes aos discos lançados nos anos 80 (notadamente o disco essencial, "Flick of the Switch"). Uma pena que toda essa parte até o final fica mais centrada nas histórias de turnês. Fico sabendo que a partir de 1981 que a banda começou a ter mais seriamente problemas com as acusações descabidas dos conservadores de que os caras seriam "agentes do mal", digamos assim. Além disso, o meu favorito "Flick of the Switch" foi gravado propositadamente bem básico e pesado, e por isso foi mal recebido por público e crítica (e muito me espanta todas as críticas a respeito da falta de coesão e de inspiração do disco - pô, trata-se de um baita disco, com composições muito inspiradas!).

As coisas ficaram melhores quando me dediquei aos capítulos iniciais (pulei os introdutórios, da infância dos caras), sobretudo a respeito da reunião da formação original. O livro desfaz o mito de que Bon Scott era o motorista do ônibus da banda e que teria sido convidado a cantar após o vocalista Dave Evans faltar a um show; na verdade os irmãos Young já estavam insatisfeitos com Evans, e procuravam um novo vocalista, até serem apresentados a Bon e ensaiarem algumas jams, resultando na substituição do vocalista (Bon pleiteou a vaga de baterista, mas eles já tinham um, que depois deu lugar a Phill Rudd). Sempre soube que George Young (irmão dos guitarristas e produtor de vários discos da banda, em comunhão com Harry Vanda) tivera uma banda (The Easybeats) antes de se dedicar a levantar a carreira do AC/DC, mas não sabia o quanto havia sido bem sucedido, de certa forma (The Easybeats lançou discos na terra natal - Austrália - e realizou turnês na Inglaterra, mas sucumbiu em razão de conflitos internos e desapontamentos com a indústria musical). As turnês são retratadas detalhadamente (o que causa um pouco de tédio, porque, bem vistas as coisas, não são muito diferentes umas das outras). Com o lançamento de "Let There be Rock" o AC/DC realmente se firma como uma banda digna de vender discos e realizar turnês bem-sucedidas na Inglaterra e nos Estados Unidos (que são os mercados mais importantes), o que só veio a aumentar com "Highway to Hell", diante da acertada decisão de confiar a produção ao John "Mutt" Lange.

O melhor capítulo, sem dúvida, é o que tratou da época do "Back in Black". Afinal, esse é o disco mais conhecido e que aparece entre os cinco discos mais vendidos de todos os tempos. A época toda foi muito especial, para o bem e para o mal. Pouco depois de encerrada a turnê de "Highway to Hell", e já nos preparativos para composição do disco seguinte (que necessariamente deveria ser um arrasa-quarteirão), os caras enfrentam a tragédia que foi a morte de Bon Scott (pelas razões bem conhecidas) em 20.02.1980. Com incrível capacidade de recuperação e determinação, a banda, de luto e tudo mais, permanece compondo músicas e fazendo audições com possíveis substitutos. Muitos aparecem, e a maioria deles, nos ensaios, pede para toar "Smoke on the Water", para total aborrecimento dos irmãos Young. Alguém sugere Brian Johnson (que conforme relato no livro estava bem mal de grana), e o inglês aparece bem atrasado para a audição (ficou jogando sinuca com os roadies, achando que estes eram os integrantes da banda para a qual ele viria a fazer a audição - sem saber que essa banda era o AC/DC), mas começa bem sua trajetória ao pedir para tocar uma música de Ike e Tina Turner ("Nutbush City"), e depois "Whole Lotta Rosie" e clássicos de Chuck Berry. Em um punhado de meses, a banda lançou o disco mais importante de sua carreira, e ganhou novo fôlego para seguir tocando nos anos 80 e 90.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Livro - "The Rough Guide to Pink Floyd"

Um livro que se diz "rough guide" a respeito do Pink Floyd, compreendendo todas as fases da banda, resenhas de discos e das 50 melhores músicas (na opinião do autor do livro), filmes, bootlegs, discos solo, e tudo mais, escrito em inglês, por apenas 30 pila na Cultura, pareceu-me de indispensável leitura.

Pink Floyd é uma das bandas que tenho o maior respeito, apesar de não conhecer toda a sua discografia (cada disco custa mais de 30 reais nas lojas e não é fácil encontrá-los nas "bocas dos discos"); afinal, os caras gravaram três discos clássicos ("Dark Side of the Moon", "The Wall" e "Wish You Were Here") e outros marcantes (p. ex.: "The Piper at the Gates of Dawn" e "Meddle"). Não sou o maior fã dos caras, mas não dispenso oportunidades para me inteirar da grandiosa obra dessa banda, sendo certo que os discos contêm boas músicas e são cercados de boas histórias a respeito das gravações e das composições. E era isso que estava esperando ler nesse "rough guide".

Logo no início reparei num ponto negativo: a leitura não é tão fluida quanto seria desejável num livro sobre uma banda de rock. Talvez seja deficiência minha (acostumado que estou com o inglês de letras de músicas e de revistas de guitarras), mas levei um tempo para acostumar com a linguagem cheia de adjetivos (resenhas de discos de certas revistas - nacionais ou estrangeiras - costumam ser bastante prolíficas nesse sentido). Isso dificulta um pouco a tarefa de ler as resenhas sobre os discos mais antigos. Além disso, o autor Toby Manning, em que pese a demonstração de domínio sobre a trajetória da banda, é fã e não se preocupa muito em se manter neutro em relação às fases da banda (é nítida a predileção pela época de Waters).

Seja como for, comecei a ler do jeito que me pareceu melhor: de trás para frente, desde "The Division Bell" até o primeiro com Syd Barrett. E se a minha expectativa com relação ao livro era a de me inteirar sobre o método de composição do Pink Floyd, e sobre as gravações dos discos, posso dizer que fiquei satisfeito. Afinal, muita coisa resta esclarecida, a mais significativa delas a predominância das composições de Roger Waters. Sabendo que David Gilmour é um excepcional guitarrista, e que a banda seguiu sem Waters durante os anos 90 com discos contendo algumas boas músicas, não conseguia entender como o guitarrista era creditado pela composição de algumas poucas faixas nos discos mais importantes. E aí fico sabendo que Gilmour, assim como Wright e Mason, na verdade não é muito ágil para compor. P. ex., na época de gravar "The Wall", Waters apareceu com material para dois discos: o próprio "The Wall" e um outro que foi lançado após sua saída do Floyd ("The Pros and Cons of Hitchhicking"). E foi mais ou menos dessa forma que Waters compôs a maior parte de "Animals", "Dark Side", etc. Então a participação menor de Gilmour, em termos de créditos nas composições, só pode ser imputada ao próprio Gilmour, e na guerra de egos e megalomania entre os integrantes, vencia o cara mais determinado e que ao invés de se dedicar a hobbies (corridas de carros, caça, etc) tratava de compor músicas e conceitos inteiros. E se são poucas as contribuições de Gilmour, pelo menos são as mais certeiras e duradouras (são dele as melhores de "The Wall": "Run Like Hell" e "Confortably Numb"). E se cada um tem seu ritmo, e Gilmour consegue desempenhar satisfatoriamente compondo poucas e excelentes músicas, isso explica os resultados irregulares (digamos assim) dos seus discos solo.

Além disso, há descrições sobre (a) a utilização do sintetizador VCS3 em "Obscured by Clouds" e no próprio "Dark Side...", o que para mim é sempre interessante em se tratando de sintetizadores analógicos; (b) as fracas e pouco inspiradas apresentações ao vivo durante os anos 70; e (c) a ínfima contribuição de Rick Wright e (mais ainda) de Nick Mason nos grandes discos; talvez por isso não esteja errado Waters quando considerava o tecladista e o baterista como dispensáveis (i. é, poderiam ser substituídos sem prejuízo por outros músicos, talvez até mais talentosos). Aliás, fica claro, ao seguir a resenha cronológica, que o tanto que Waters assumia as rédeas do Floyd era acompanhado pelo incremento de seu comportamento arrogante em relação aos demais integrantes. E se as coisas foram assim mesmo, e parece que o foram, não tenho como tirar a razão de Waters, pois entendo perfeitamente como deve ser irritante para um cara que tem idéias e quer pô-las em prática se deparar com seus companheiros de banda descomprometidos e descompromissados, que reclamam por maior participação mas não agregam efetiva contribuição. Ou seja, possivelmente não seja demasiado afirmar que a banda foi adiante por causa da determinação (e também das frescuras) de Waters; e é inegável que a tarefa de Waters foi imensamente favorecida por contar com os inputs qualificados de Gilmour (que tem o melhor vocal, indiscutivelmente, e é um talentoso guitarrista), e de Wright e Mason (em alguma medida esses caras fizeram contribuições importantes, como gravações de efeitos especiais, etc).

O livro serviu ainda para me tranqüilizar a respeito de "The Final Cut", último disco de Waters com a banda, e que é como um tijolo para engolir. Adquiri recentemente (na "Boca" por 15 pila), já tendo noção de que se tratava de um disco de audição complicada, e agora tive a confirmação de que este álbum não é para o "casual listener", pois demanda um estado de espírito especial, i. é, não dá para botar para rodar o cd e achar que vão sair algum "greatest hit".

É digno de nota ainda as definitivas versões sobre alguns fatos notórios sobre a carreira do Pink Floyd como (a) a participação de Claire Torry em "The Great Gig in the Sky"; (b) a visita de Syd Barrett durante a gravação de "Wish You Were Here"; e (c) a famigerada sincronização de "Dark Side of the Moon" com o filme "Mágico de Oz". Sobretudo serviu para confirmar certas noções como a de que "Wish You Were Here" foi composto a partir do riff inicial de quatro notas de Gilmour em "Shine on You Crazy Diamond", e que o conteúdo das letras gira ao redor da idéia de "ausência" e do próprio comportamento "ausente" de Syd Barrett.

terça-feira, 18 de março de 2008

Livro - A Love Supreme

Parece-me que vem bem a calhar um livro dedicado a um clássico do jazz (funcionando como uma espécie de manual para audição) para um não iniciado no assunto como eu. Isso porque tenho a maior dificuldade de ouvir um som como o jazz, especialmente o que se produziu nos anos 1950 e 1960, no qual os instrumentos de sopro são os dominantes, e não há – em regra - espaço para guitarras (menos ainda para guitarras com distorção...). Afinal, onde estão os "riffs", os "versos" ou o "refrão"? Não raro parece uma longa sessão de solos sobre uma base contínua.

Desde sempre ouvi falar muito bem de jazzistas como John Coltrane e Miles Davis: li entrevistas com Santana e Kirk Hammett, nas quais se descrevem como os respectivos solos são de certa forma influenciados por esses saxofonistas e trompetistas. Tentei mesmo ouvir alguma coisa, mas o mais perto que cheguei do jazz foi a partir da experiência que tive com a Mahavishnu Orchestra de John McLaughlin: só que aí se trata de fusion (ou jazz fusion), remotamente vinculado ao jazz de Coltrane.

Numa revista de grande circulação nacional li a respeito do lançamento de um livro sobre “Kind of Blue”, um dos clássicos de Miles Davis. Li algumas páginas e, por razões exógenas, encostei o livro na estante. Mais recentemente, outro livro do mesmo autor (Ashley Kahn) foi lançado, desta vez sobre “A Love Supreme”, obra-prima de John Coltrane. Terminei de ler os dois livros no mês passado, o segundo antes do primeiro.

“A Love Supreme”, o livro, é mais abrangente que “Kind of Blue”, pois funciona quase como uma biografia de Coltrane – há espaço para a infância do músico, o seu desenvolvimento, apogeu e falecimento. Além disso, tudo (?!) é motivo para destaque, como o estúdio em que foi gravado o disco, o produtor, o executivo da gravadora, etc. Há muitas referências a depoimentos de instrumentistas que vivenciaram a época (na parte final essa leitura se torna cansativa). Mas a melhor parte é a descrição das sessões de gravação das faixas. A tarefa do escritor restou facilitada pelo fato de que não foram utilizadas muitas fitas para gravação do disco, havendo pouco mais do que os takes que foram utilizados no álbum para os comentários.

Mesmo assim, esse recurso de abrir um capítulo para comentar todos os takes das composições se mostrou muito proveitoso. No livro não há economia de referências à espiritualidade de Coltrane e do disco; o mais relevante, parece-me, foi o que se disse a respeito da prática constante (o cara estava sempre aprendendo novas escalas e se exercitando – musicalmente - o tempo todo) e de como essa espiritualidade influenciou a composição das músicas. Se as palavras do autor estiverem corretas, é lícito concluir que o tenorista se encontrava no apogeu criativo e não se poderia esperar outra coisa que não uma obra-prima. Uma passagem bastante expressiva é a que reproduz uma declaração de Coltrane, na qual se disse que o cara podia reconhecer, de ouvido, um acorde de sol menor com sétima (pg. 191 - "Jamais pensei se eles entendem ou não o que toco... não precisa ser entendido. Afinal, eu mesmo adorava música muito antes de poder identificar um acorde de sol menor com sétima") – é triste admitir que essa habilidade (de identificar o acorde), definitivamente, eu não possuo.

O autor se ocupa, ainda, da fase posterior ao lançamento do disco, e aí aparece um daqueles fatos que aprecio muito saber, que é o de que poucas vezes as músicas do disco foram executadas ao vivo. Aí reside um certo mistério, o de saber por que razão esse disco tão clássico (resultado de um ápice criativo do tenorista) não foi executado regularmente nas suas apresentações ao vivo. Eventualmente o cara veio a falecer, e aí todo o tipo de suposição pode ser feita (tipo, que o cara se dedicou a lançar um álbum com composições imortais, sabendo que ele próprio estava com grave doença). É mais ou menos o mesmo tipo de curiosidade que me desperta a respeito de um álbum do Kiss (o “Creatures of the Night”, um dos meus favoritos), que teve pouca resposta do público na época, não contou com a participação de Ace Frehley nas gravações (um dos melhores exercícios é o de tentar adivinhar os guitarristas que registraram os solos de guitarra), mas tem o melhor som de bateria num disco de rock e conta com alguns dos maiores clássicos da banda (a faixa-título, “I Love it Loud”, “War Machine”, “I Still Love You”).

Ainda não encontrei o disco com preço adequado, de maneira que a audição ainda resta prejudicada e restrita a eventuais mp3 (o início de “Aknowledgment” parece corresponder a tudo o que foi dito de bom pelo autor). Situação diversa se deu com “Kind of Blue”, ao qual dedicarei o próximo tópico.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Livro - Invasão de Campo

Desde criança sempre tive simpatia pela marca, então foi com natural interesse que resolvi ler o livro sobre a história da Adidas, lançado recentemente por aqui. Conquanto no título e na capa se diga que também será coberta a história da Puma, o fato é que o livro se ocupa enormemente da Adidas. Particularmente, já sabia que a origem das empresas foi decorrência de uma disputa familiar entre os irmãos Adolf e Rudolf Dassler, sendo que o primeiro foi criativo ao criar o nome da empresa agregando o seu apelido (Adi) às primeiras letras do sobrenome, e o segundo foi esperto ao rapidamente abandonar o nome inicialmente cogitado (Ruda) em favor do que acabou consagrado.

Só que o livro é bem mais minucioso, e esclarece com certa precisão o surgimento e a consolidação da Adidas de forma cronológica, acompanhando os grandes eventos esportivos – Copa do Mundo e Olimpíadas. Além disso, são preciosas as referências indiretas, como o aparecimento de outras empresas esportivas como Umbro, Nike, Reebook e Le Coq Sportif, e ainda os bastidores das eleições dos presidentes das grandes associações esportivas, Fifa e COI. Dá até para entender, de certa forma como, essas associações reuniram tantos recursos e, conseqüentemente, poder. Consta, além de tudo, a origem da famigerada ISL, criada por Horst Dassler (maior responsável pelo desenvolvimento internacional da marca Adidas) para gerenciar direitos esportivos. Notáveis são ainda as estratégias para a consolidação da marca, especialmente acordos com atletas como Kareem Abdul Jabbar e Muhammad Ali.

O livro é bem escrito, as referências históricas e factuais (inclusive ao Brasil) me parecem corretas, e a leitura é favorecida justamente pelo entrelaçamento da corrida pela expansão da marca com os Jogos Olímpicos e as Copas do Mundo. É difícil acompanhar todos os esquemas e decorar todos os nomes das pessoas envolvidas (gerentes e administradores, contatos e atletas e distribuidores), mas o texto supera isso repetindo os nomes e as funções das pessoas, possivelmente para evitar consultas sucessivas às páginas anteriores. O desfecho do livro acaba praticamente coincidindo com o falecimento de Horst Dassler, na época da Copa da Itália em 1990, numa época de dificuldades para a marca, restando poucas páginas para a descrição do seu restabelecimento e continuidade em outras mãos.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Livros - Eric Clapton: A Autobiografia

Ocupei-me boa parte deste feriado de Carnaval com a leitura da autobiografia do Eric Clapton, que havia adquirido há alguns meses. O depoimento do Marcelo M.A.B. serviu de incentivo e a época não poderia ser mais apropriada.

Já conhecia boa parte da trajetória do guitarrista (Yardbirds, John Mayall, Cream, etc), conquanto não seja muito familiarizado com boa parte dos seus discos. Já tive uma coletânea "The Cream of Eric Clapton" e o cd "Unplugged" (acho que negociei os dois com o M. Pacheco, há uns dez anos atrás), mas ressalvados os maiores sucessos, desconheço grande parte da discografia de Clapton. Tenho apenas um belo cd lançado no começo dos anos 1990, FROM THE CRADLE, que comprei numa época em que estava procurando um determinado tipo de blues, e intuitivamente achei tudo resumido nesse disco (acho que é mais do que oportuno fazer uma resenha desse disco em breve...). Como sempre achei essas músicas mais conhecidas tipo "I Shot the Sheriff" e "Wonderful Tonight" um tanto comerciais para o meu gosto, e pelo fato de não me sentir muito influenciável pelas músicas do Cream, acabou que não desenvolvi muito interesse pelo cara, e quando ele veio para Porto Alegre, pela segunda vez (em 10.10.2001; a primeira foi em 1990, e lembro das manchetes no jornal local dando conta do mau-humor do guitarrista), para se apresentar no Estádio Olímpico, não me empolguei para ir. Todos os lançamentos mais recentes contaram com resenhas no jornal local, mas jamais tive curiosidade de ouvi-los.

Contudo, o livro vem tendo boa acolhida desde o lançamento e por se tratar de uma autobiografia, somada ao fato de que há poucos livros sobre música interessantes o suficiente para serem lidos, resolvi adquiri-lo, pois certamente serviria para lançar luzes sobre a carreira do guitarrista, e me estimular para sair atrás dos discos dele.

Pois bem. De fato, ler o livro me deixou com vontade de ouvir os discos do Clapton, pois sempre me intrigou certas entrevistas como algumas de Eddie Van Halen, que cita E.C. como uma de suas maiores influências. Preciso saber o que há de tão espetacular na maneira como ele toca, pois conheço a maneira espetacular com a qual o E.V.H. toca guitarra (e teclado/piano). Só que o livro deixou a desejar nessa parte que me interessa grandemente, isto é, a discografia dele. Seria basante interessante para mim que fossem dedicadas mais páginas para a descrição das sessões de gravação dos discos, bem como das composições das músicas. A opção de Clapton foi ir em outra direção, e focar nas suas experiências pessoais. Depois da parte inicial, em que relata sua infância, o livro dá uma decolada quando é retratada a sua ascenção musical até o Cream (impressionou-me como ele conheceu praticamente todo mundo - Page, Hendrix, Stones, Beatles, etc etc - muito embora, reparando atentamente, percebi que não são mencionados Tony Iommi e o Black Sabbath, além de outros grupos britânicos como Yes e Emerson, Lake & Palmer); o que se segue, no entanto, é uma porção de páginas sobre seus relacionamentos pessoais e seu envolvimento com drogas e bebida. Pareceu-me que a vida do cara era muito vazia mesmo, e mesmo sendo repetida a informação de que a música foi para ele fundamental, na verdade acabei encontrando a confirmação de que suas músicas não eram mesmo interessantes.

A tarefa que me proponho agora é ouvir o que puder dos seus discos para ver se essa impressão é, afinal, correta ou não.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

LIVRO: 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer

Bem verdade que o título do livro é deplorável (e parece fazer parte de uma série bastante popular atualmente), mas em se tratando de resenhas de quatro parágrafos a respeito de 1001 discos lançados a partir de 1950(não contei, ainda, se constam mesmo 1001 discos...), a aquisição durante a Feira do Livro 2007 foi mais do que justificada.

Da lista tenho apenas 37 discos (e minha coleção de cds é expressiva), que se concentram, basicamente, na década de 1970, bem equilibrada no livro. A partir dos anos 1980, encontram-se discografias completas de bandas como Radiohead, REM e U2 (ainda não tenho nada dessas bandas - já cobicei pelo menos o Ok Computer, mas basicamente aguardo por promoções). Nessas condições fica fácil montar uma lista de 1001 discos. E demonstra uma certa falta de critério, pois se todos os discos dessas bandas devem ser ouvidos antes de morrer, o que dizer da extensa discografia de caras como Miles Davis, Frank Zappa, Led Zeppelin, Black Sabbath, Yes, Genesis, todos lembrados com alguns álbuns.

Seja como for, muito mais do que cotejar essa lista com os cds que eu, particularmente, entendo como essenciais, o legal do livro é tomar conhecimento de alguns discos e bandas de todos os estilos que realmente são marcantes, e quem sabe ampliar a coleção (funcionou, pelo menos por ora, com o "Born in the USA" do Bruce Springsteen - há um mês encontrei na Gal. Chaves por 10 pila).

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Biblioteca ERGA OMNES - KISS


Quero dar conta de um livro excelente que trata da biografia "autorizada" do KISS, não por acaso a minha banda favorita de todos os tempos. A melhor parte é a parte final, com comentários faixa-a-faixa de todos os discos da banda feitos por seus integrantes, co-autores, empresários e demais envolvidos. Realmente é o tipo de coisa que me interessa grandemente. Mas, impõe-se reconhecer, a primeira parte do livro é surpreendente: trata-se de um texto produzido em 1979 por um repórter que entrevistou a banda individualmente durante a turnê do Dynasty; a partir dos relatos dos músicos é possível acompanhar o início da formação musical de Ace, Gene, Paul e Peter, bem como os primeiros tempos (toscos) da banda.

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