quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Melhores de 2009

Categorias da melhor revista de guitarra do mundo: Guitar World.

Hall of Fame: Eric Clapton
MVP of 2009: Jerry Cantrell (Alice in Chains)
Best new talent: n/a
Best rock guitarist: Tony Iommi (Heaven and Hell)
Best metal guitarist: Mark Morton/Willie Adler (Lamb of God)
Best shredder: Chris Brodderick (Megadeth)
Metal album of the year: "Wrath" Lamb of God
Extreme Metal album of the year: n/a
Alternative Rock album of the year: n/a
Rock album of the year: "Black Gives Way to Blue" Alice in Chains
Comeback of the year: Alice in Chains & Kiss
Best riff: "Bible Black" Heaven and Hell; "Set to Fail" Lamb of God; "Divinations" Mastodon; "Check My Brain" Alice in Chains.

Melhor DVD: n/a
Melhor show: Kip Winger

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Kiss "Gods of Thunder" (1993 bootleg)


Bruce Kulick ingressou efetivamente na banda para a turnê europeia do disco "Animalize", em 1984, ocupando a vaga de Mark St. John (RIP), e é notável como a substituição pouco se fez notar ou sentir, pois a banda parece tão bem ensaiada como se Kulick fosse o guitarrista solo há anos. É exatamente dessa época o bootleg "Gods of Thunder", que traz parte do show de 11.10.1984 em Ipswich, com excelente qualidade de som (soundboard), aparentemente transmitido por rádio FM na oportunidade. Particularmente, entendo que caberia um "Alive III" para registrar essa época, conquanto admita que as músicas estão com andamento bem mais rápido devido à levada forte de Eric Carr. O bootleg em questão é valioso por conter uma das poucas versões ao vivo de "I´ve Had Enough": é a minha favorita de "Animalize" e não entendo a razão pela qual essa música foi abandonada dos set lists, apesar de que "Under the Gun" é muito boa também. As 10 faixas coincidentemente estão bem distribuídas, pois há as antigas ("Detroit Rock City", "Cold Gin" e "Strutter"), as recentes ("Fits Like a Glove", "Heavens on Fire", "Under the Gun", "I´ve Had Enough") e as últimas da fase mascarada ("I Still Love You", "I Love It Loud", "Creatures of the Night").

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Jimi Hendrix "Axis: Bold as Love" (1967)


Nesse sábado, 26.12, ouvi na íntegra "Axis: Bold as Love" cinco vezes, quatro no caminho de volta da praia, e em cada uma delas fiquei impressionado positivamente com a beleza de "Little Wing". Baita timbre de Fender Stratocaster, uma introdução matadora, e o andamento de balada estilo Hendrix bem característico; para completar, há uma bela melodia no solo, que é cortado pelo fade out prematuramente. Conhecia "Spanish Castle Magic" desde a versão ao vivo de Yngwie Malmsteen com Joe Lynn Turner ("Live in Leningrad"), mas agora reuni as condições para apreciar Hendrix com um belo riff de guitarra. "If 6 Was 9" é uma boa composição, com riff de notas soltas e pausas; aqui sobrou o espaço para jams e solo de bateria que faltaram em "Little Wing". "You Got Me Floatin´" parece uma música genérica do guitarrista, mas é inegável que o riff principal é muito bom, assim como o andamento da faixa. Parece-me que "Castles Made of Sand" antecipa em décadas o som que o Red Hot Chilli Peppers viria a perseguir com John Frusciante nos anos 2000. Entendo, ainda, que "Axis: Bold As Love" não é tão bom quanto o primeiro álbum de Hendrix, mas é provável que não lhe esteja fazendo justiça e que com mais audições reveja essa posição, sendo certo que em todo caso se trata de um disco clássico de rock.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

CDs do Kiss - Parte VIII "Ace Frehley" (1978)


Em 1978 a maior banda de rock dos EUA era o Kiss, e os caras se julgaram tão bem sucedidos que resolveram lançar simultaneamente quatro discos solo, i. é, Ace, Gene, Paul e Peter lançaram discos solo na mesma data. Pelo que se sabe, cada um reivindicava para si a razão do sucesso do grupo, e isso agregado aos excessos que acompanham a fama (bebida e drogas) levou Peter e Ace a cogitarem a ideia de sair da banda; como medida de urgência, optou-se pelo lançamento dos discos solo. Em termos de som, quem se deu melhor foi Ace Frehley, o único que emplacou um single (“New York Groove”). Ace chamou o lendário Eddie Kramer (além de ser produtor de Jimi Hendrix, o cara também trabalhou em “Alive!”, “Alive II” e “Love Gun”), e contou com Anton Fig na bateria (o cara eventualmente substituiu Peter Criss nas sessões de “Dynasty” e “Unmasked”, formou a Frehley´s Comet e há muitos anos é o baterista da banda de apoio do Paul Schaffer no programa do David Letterman).

No Natal quente de 1993 já estava familiarizado com o som do Kiss nos anos 1970 e tinha curiosidade por esse CD solo de Ace, de maneira que foi por aí que pedi para os caras de uma loja de CDs importados e bootlegs para gravar uma fita K7 com o álbum. E o resultado foi altamente satisfatório. Eventualmente, adquiri o disco na Mad Sound em janeiro 1996 (junto com o “Images and Words” do Dream Theater), naturalmente importado, mas com preço pagável (não sabia que algum tempo depois a loja fecharia as portas).

Ace já tinha demonstrado aptidão para compor bons rocks (“Parasite”, “Shock Me” e “Rocket Ride”). E o cara mandou mais do mesmo no seu disco solo. Em TODAS as faixas os solos de guitarra são brilhantes demonstrações de como são legais as pentatônicas numa Gibson Les Paul. Muitas contêm riffs marcantes (“Rip It Out” é o melhor exemplo). Mais relevante, no entanto, é a diversidade do material: há músicas aceleradas (“Rip It Out”), cadenciadas (“Ozone”), rock (“Speeding Back to My Baby”). Além disso, Ace demonstrou capacidade para registrar camadas de guitarras, como na instrumental “Fractured Mirror” e em “Ozone”. Enfim, tanto quanto os solos de guitarra, TODAS as faixas desse álbum são muito boas.

Indiscutivelmente é o melhor dos discos solo de 1978 e seria um dos melhores da discografia do Kiss se tivesse contado com a contribuição do quarteto.

Resenha de CD - Helloween "Live in the UK" (1989)


Sabe-se que a fase clássica do Helloween é aquela dos discos "Keeper of the Seven Keys", tanto pelas músicas formadoras do gênero que se convencionou chamar "power metal" (ou metal melódico, ou, para mim, heavy melódico), como pela formação com Michael Kiske e Kai Hansen, sendo certo que para mim Kiske é o vocalista definitivo do gênero. "Live in the UK" é um excelente registro ao vivo dessa formação, apesar do repertório curto - apenas 7 músicas. Duas das melhores mais conhecidas da banda estão presentes, "Future World" e "Dr. Stein". Além disso, "A Little Time", "Rise and Fall", "We Got the Right" (nessa Kiske justifica o que um vendedor da extinta Banana Records do Iguatemi me falou certa vez, que o vocalista canta alto o tempo todo até não poder mais... e quando achamos que cara não consegue cantar mais alto, ele canta assim mesmo; admito que achei um pouco cansativa essa versão ao vivo do cara se rasgando o tempo todo). Constam, ainda, duas clássicas da era Kai Hansen: "I Want Out" (nunca tinha reparado que uma parte lá pelos solos tem um riff muito parecido com o riff de "Road to Hell" do Bruce Dickinson) e "How Many Tears". O som de todos os instrumentos é espetacular, com destaque para a bateria (belo som de caixa) de Ingo Schwartzenberg, sem prejuízo do baixo cheio de notas pulantes de Markus Grosskopf, as guitarras precisas e com bom timbre de Kai Hansen e Michael Weikath, e os vocais magníficos de Michael Kiske, que além disso é um baita frontman (em todos os intervalos entre as músicas, o cara brinca com a plateia e é acompanhado pelos colegas de palco com inúmeras gozações). Lamento apenas o rumo que a carreira do vocalista seguiu após a saída do Helloween, pois foi Kiske quem perdeu mais.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Jimi Hendrix "Blues" (1994)


Para mim sempre foi claro que Hendrix tinha bases sólidas no blues, mas pareceu conveniente para alguém lançar uma coletânea póstuma exclusivamente dedicada ao blues do guitarrista. Esse álbum contém composições próprias e covers, jams e gravações de 11 faixas, prevalecendo alguns dos mais fantásticos licks de blues com bends, hammer-ons e pull-offs, dentre outros tantos truques de Hendrix, com o timbre matador da Fender Stratocaster, que tanto tenho cultuado ultimamente. Está me parecendo que o passo seguinte para realmente admirar a obra de Hendrix é tentar tocar na guitarra alguns desses riffs e licks e incorporar alguma coisa ao meu já defasado e genérico vocabulário guitarrístico. Nesse sentido, coisas muito boas são ouvidas durante "Red House", "Catfish Blues" (o início é bem clássico e o solo é furioso e o timbre de Strato é matador - cumpre notar as alavancadas expressivas durante os solos), "Jelly 292" (os turnarounds) dentre todas as demais.

Resenha de CD - Jimi Hendrix "Blue Wild Angel: Live at the Isle of Wight" (2002)


Admito que às vezes é preciso um pouco de dedicação para ouvir os álbuns ao vivo de Hendrix, pois frequentemente as músicas tomam o rumo de extensas jams, as quais perdem a novidade a partir de um par de audições. Se esse CD contém apenas parte do lendário show na Ilha de Wight em 31/08/1970, pelo menos o set list é bem representado por algumas das melhores e mais (então) recentes composições do guitarrista. Não me abri para a faixa de abertura, uma rendição do hino britânico, ao contrário do que particularmente achei do cover para "Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band" dos Beatles, imediatamente emendado com uma arrasadora versão de "Spanish Castle Magic". Uma pequena pausa e então vem o espetacular cover para "All Along the Watchtower" de Bob Dylan (é comum dizer-se que a versão de Hendrix é a definitiva para essa faixa, superando o original). Gosto bastante do timbre da guitara de Hendrix na introdução e nos solos. Gosto mais da "Machine Gun" que aparece em "Band of Gypsies" (sobretudo em razão da introdução bem mais marcante dessa última), mas é interessante ouvi-la com outro baterista e em outro ambiente - e realmente dá pra ouvir o som do rádio da polícia vazar para os amplificadores pouco antes de Hendrix cantar os primeiros versos. Duas das minhas favoritas mais recentes seguem de "Lover Man" e de "Red House", respectivamente: "Freedom" e "Dolly Dagger". Nesta última fica mais evidente que na versão de estúdio a estrutura dessa faixa que começa com uma brilhante introdução, segue o refrão, volta para o riff inicial, finalmente aparecem os versos, novamente o refrão, o riff introdutório e o solo de guitarra sobre a base dos versos. Lamentavelmente não conto com a íntegra desse show realizado poucas semanas antes de 18.09.1970.

Resenha de CD - Jimi Hendrix "First Rays of the New Rising Sun" (1997)


Nesses últimos dias tenho me interessado mais de perto pelo timbre da Fender Stratocaster, então veio em boa hora uma promoção da Saraiva com CDs relançados da Universal, sobretudo porque tive a oportunidade de aumentar a coleção com discos do Cream, Clapton e, fundamentalmente, Hendrix. Já estou familiarizado com a noção de que "First Rays of the New Rising Sun" é uma espécie de tentativa de antecipar o que eventualmente seria o quarto disco de Jimi Hendrix, com base no material que o cara gravou e/ou executou ao vivo até setembro de 1970. Com os ouvidos um pouco mais treinados, estou curtindo algumas das boas faixas desse disco, que ao meu sentir não é tão bom quanto poderia ser o quarto álbum de Hendrix, se fosse o caso. Já conhecia "Freedom" em versão de Glenn Hughes, mas o original é muito superior, notadamente pelo fantástico timbre de Stratocaster que desde logo abre a faixa. "Izabella" é muito boa, ressalvado o refrão, e admito que o solo de guitarra, que conta com um timbre bem característico e expressivo na hora dos bends nas casas mais agudas, acaba se tornando um pouco abusivo por conta, justamente, de um monte de bends nas casas mais agudas. Particularmente, minha favorita é "Dolly Dagger", em razão de sua introdução ameaçadora, que me lembra menos rock do que jazz fusion ou algo que o valha. Além disso, a linha de baixo é muito legal e também vale a pena prestar atenção nas bases das guitarras. Lembro de quando o Barboza me mostrou uma música do Hendrix e dizia que Lenny Kravitz havia roubado um lick de tal faixa para criar o espetacular riff de "Are You Gonna Go My Way"; entendo que ele se referiu erroneamente a "Lover Man", pois particularmente acho que um riff que aparece no meio (i. é, logo após o solo de guitarra) de "Ezy Rider" é exatamente os primeiros compassos do riff da música clássica de Kravitz. Se "Drifting" é mais uma balada bonita de Hendrix (convém reparar na beleza dos timbres limpos da Stratocaster), "Stepping Stone" tem uns licks com pedal wah que serviram como inspiração imediata para muitos dos licks de Steve Vai e Joe Satriani. "Hey Baby (New Rising Sun)" é majestosa demonstração da capacidade de Hendrix preencher o som com base e solo simultaneamente, algo que só Eddie Van Halen conseguiu repetir satisfatoriamente. Já percebi que se impõe dedicar atenção aos discos de Hendrix mediante repetidas audições com ouvidos pesquisadores para bases, solos, timbres, efeitos, etc.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Jimi Hendrix "Live at Berkeley" (2003)


Há uns 15 anos atrás, quando quis conhecer o som de Hendrix, não tolerava os CDs ao vivo, pois queria ouvir as composições do guitarrista, e ao invés disso ouvia o cara solando quase o tempo todo. Agora já consigo apreciar a loucura que essa lenda provocava nos shows. Entretanto, os CDs de Hendrix desapareceram das prateleiras das lojas. Confio numa reedição remasterizada da discografia para 2010, face aos 40 anos da perda do guitarrista. A venda de usados da Espaço Vídeo veio me socorrer: trouxe para casa, dentre outros, o "Live at Berkeley", com parte do repertório de 30.05.1970, quando Hendrix voltava a se apresentar com o Experience, formado agora por Mitch Mitchell e Billy Cox. Se as versões de "Machine Gun" e de "Star Spangled Banner" não são tão fortes quanto às que apareceram em "Band of Gypsies" e "Woodstock", pelo menos esse bom CD tem uma excepcional versão para "Hey Joe", além de outras muito boas para "Stone Free", "Foxey Lady", "Purple Haze" e "Voodoo Child (Slight Return)", sem contar "Lover Man" e "I Don´t Live Today". O timbre da Fender Stratocaster e os múltiplos efeitos empregados por Hendrix (wah-wah, notadamente) estão dignamente representados nesse CD, e é aqui que centro minhas pesquisas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Iron Maiden "The Eternal Flame" (1996, bootleg)


Talvez maior que a curiosidade de saber como seria o Iron Maiden com o vocalista novo (Blaze Bailey) era saber como seriam as músicas antigas com o vocalista novo. Afinal, Bruce Dickinson é um espetacular frontman, totalmente identificado com a banda, e Bailey, desde o lançamento de "The X Factor", tem estilo completamente diferente. Quais músicas do repertório antigo seriam eleitas para combinar com a voz de Bailey e como o cara mandaria esses clássicos? Lembro bem de todas essas inquietações em 1995, e me recordo da surpresa de ver na TV3 um bootleg com parte dos shows da banda em 01 e 05 de novembro de 1995 em Gothenburg e Glasgow, respectivamente. Boa parte do set list era das músicas do disco novo ("Man on the Edge", "Lord of the Flies", "The Aftermath", "Sign of the Cross", "Fortunes of War"), em relação ao qual houve pouca alteração em relação à versão original (entretanto, fica mais evidente o limitado alcance de Bailey, que repete sempre a mesma melodia no refrão, pouco mudando as notas para dar um novo colorido, além do fato de que o cara parece murmurar a letra - por tê-la esquecido - antes dos solos de "The Aftermath"); das antigas, "Wrathchild", "Heaven Can Wait", "Afraid to Shoot Strangers", "The Evil That Men Do", e "Iron Maiden". Em boa parte delas, Bailey desafina, mas tenta manter a animação durante os shows. O som, em geral, é bom para o padrão bootleg, e é da distribuidora que colocava na contracapa uma etiqueta informando a fonte ("source: soundboard digital recording") e a qualidade da gravação (quatro sinais de positivo). A guitarra de Dave Murray é mais evidente na mixagem. Seja como for, a banda estava bem ensaiada e tocando com perfeição.

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