quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Resenha de CD - Mötley Crüe "Generation Swine" (1997)
Logo após um álbum excepcional, é comum que as bandas lancem discos medíocres. Metallica e Rolling Stones são exemplos, e o Mötley Crüe não é exceção com "Generation Swine", lançado em 1997 após o excelente "Mötley Crüe" de 1994. Conforme wikipedia, a banda ainda contava com John Corabi, e boa parte do disco foi composta com o vocalista/guitarrista; entretanto, após negociações prolongadas, optou-se pelo retorno de Vince Neil. "Generation Swine", propriamente, é muito fraco, pelo menos em comparação com o alto padrão do disco anterior. Os caras resolveram incorporar sons eletrônicos e mais afinados com o rock alternativo. Não encontrei os riffs inspirados, a não ser em "Let Us Prey", que tem um riff bem pesado com pausas cortantes. No mais, os caras parecem com a cabeça em outro lugar: Nikki Sixx e Tommy Lee não são tão mestres assim; o primeiro, embasbacado por estar com a espetacular Donna D´Errico (quando vão lançar as caixas de DVD com o Baywatch?), e o segundo, embasbacado por ter um filho com a Pamela Anderson. Tanto uma quanto outro foram "inspiração" para músicas bem fracas: "Rocketship" e "Brandon". Sobrou tempo no estúdio para uma regravação de "Shout at the Devil '97".
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Resenha de CD - Mötley Crüe "Mötley Crüe" (1994)
Tanto quanto muitas bandas de hair metal, ou hard rock farofa dos anos 1980, jamais dei bola para o Motley Crue; achava que os caras não tocavam nada, que eram apenas posers, e o visual era repugnante. Há alguns anos, no entanto, aluguei uma coletânea na Espaço Vídeo e descobri que os caras fazem algumas músicas bem boas, com riffs de guitarra muito legais. Lembro, ainda, que o Valmor/Bruce tinha certo apreço por um disco particular do Motley Crue, no qual o vocalista era John Corabi e o som era um pouco diferente do que a banda costumava fazer. Pois foi esse álbum, chamado "Mötley Crüe" que encontrei na Espaço Vídeo para venda por menos de 10 pila. E de fato é um bom disco. A primeira música, "Power to the Music" é massa, com um riffão de guitarra em dropped D. O timbre das guitarras no álbum inteiro é uma cavalice, o vocal de Corabi é bom e adequado para todas as músicas, e a batera de Tommy Lee é bem espancada (a caixa e os pratos estalam para valer). Mick Mars fez um excelente trabalho, utilizando wah-wah em vários solos, e com vários riffs bons: durante o solo de guitarra em "Holligan´s Holiday", "Hammered" (paulada na orelha), "Smoke the Sky" (outra cacetada com riff matador e levada de bateria mais rápida, estilo Crüe, possivelmente a melhor do disco, junto com "Power to the Music"). Encontrar discos excelentes como esse, ao acaso, não tem preço (candidato a disco essencial daqui a algumas audições).
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
CDs do Kiss - Parte V "Revenge" (1992)
É curioso como todas as melhores bandas de hard rock e heavy metal (Metallica, Judas Priest, Slayer) lançaram discos excelentes no início dos anos 1990, pouco antes ou concomitantemente com o surgimento do que se convencionou chamar de grunge. O caso do Kiss não foi diferente, pois em 1992 lançou “Revenge”, um belo disco que marcou uma espécie de retorno ao grande som de álbuns como “Creatures of the Night” e “Lick It Up”. Foi o ápice de uma evolução percebida a partir de “Hot in the Shade”: com efeito, após a retirada das máscaras a banda entrou em processo degenerativo de imagem, som e mesmo condução dos destinos da banda. Veja-se que após “Lick It Up” a banda lançou “Animalize”, com bom sucesso, “Asylum”, com mudança de visual já indiciada no disco anterior para participar do “glam metal” ou “hair metal” acompanhada de pasteurização do som, atingindo-se o fundo do poço com “Crazy Nights” e “Smashes, Trashes and Hits” (ainda terei oportunidade para defender que, apesar de tudo, esses discos têm músicas muito boas, mas agora não é o momento). No início dos anos 1990, o Kiss livrou-se dos excessos (roupas multicoloridas e sonoridade convencional) e partiu para composições mais maduras e sólidas em “Hot in the Shade”. Os caras provocaram os fãs no vídeo de “Rise To It”, no qual Gene Simmons e Paul Stanley apareciam num camarim maquiando-se e vestindo-se como se fosse 1975, alimentando esperanças de uma eventual reativação das consagradas máscaras. Além disso, acredito que por volta dessa época todas as bandas de todos os estilos de hard rock e heavy metal passaram a admitir em entrevistas que tiveram o Kiss como grande influência, e que começaram a tocar seus instrumentos e a formar suas bandas por causa do quarteto de New York. Havia, pois, um momento bastante favorável para o Kiss fazer algo relevante e com boa aceitação. Mesmo com o falecimento precoce de Eric Carr em novembro de 1991, a banda já estava no caminho certo para fazer um excelente disco de som pesado.
Lembro de ver o CD nas lojas do Praia de Belas na época em que nem tínhamos CD-Player em casa no início dos anos 1990. E me intrigava a contracapa do CD, com a foto da formação Stanley, Simmons, Kulick e Eric Singer com roupas de couro preto, e o baterista (então, para mim, ignorado) parecia mais um surfista com cabelos compridos loiros (“esse disco deve ser ruim”). O “Alive III”, que ouvi em julho de 1993, serviu para desmistificar esses pré-conceitos, pois essa formação era muito boa e competente para a execução de qualquer música da discografia do Kiss. Então, juntamente com o “Alive III”, adquiri o “Revenge” no segundo semestre de 1993, numa loja da Gal. Chaves, térreo.
Por conhecer o “Alive III”, já estava familiarizado com “Unholy”, “Take It Off”, “I Just Wanna”, “Domino” e “God Gave Rock´n´Roll To You II”. Surpreendeu-me o fato de que as versões de estúdio não eram tão boas quanto às ao vivo: estas soavam mais vivas e dinâmicas, ao contrário daquelas, lentas e um tanto burocráticas. Bob Ezrin foi chamado para ser o produtor, mais de uma década após o último trabalho com a banda (“Music From the Elder”, que apesar da fraca receptividade na época, e da rejeição de Paul em todas as entrevistas, é um disco com músicas muito boas). Independentemente disso, “Revenge” contém os melhores registros da carreira de Bruce Kulick: o guitarrista simplesmente arrebentou em todos os solos e todos os riffs. Não por acaso, Kulick – em entrevista à Guitar World com Angus Young na capa em 1993 – enfatizava o quanto achava legal que Singer era o tipo de baterista que sabia de cor os solos de guitarra a ponto de assobiá-los nos corredores do estúdio. Efetivamente, tratam-se de solos de guitarra marcantes, e agora tenho o interesse renovado para pesquisar a utilização do lendário wah-wah.
“Unholy” não é a música mais pesada do disco, mas é a melhor e mais representativa dessa nova fase do Kiss. É o primeiro single de Gene Simmons desde “I Love It Loud”, e, além do baixista, a autoria é creditada a Vinnie Vincent, o que para mim até hoje não está bem esclarecido (afinal, Vinnie foi demitido duas vezes da banda em 1983 e 1984 conforma amplamente divulgado por Gene e Paul durante todos esses anos, sendo certo que no período houve diversas aços judiciais por parte de VV... por que, então, os caras chamariam um guitarrista tão repudiado para compor novas músicas?). Seja como for, o riff é estupendo (bem sofisticado, começando com slides e partindo para notas na 5.ª e na 4.ª cordas); além disso, toda a parte de guitarra (versos, pré-chorus, chorus, base do solo) é muito bem trabalhada, não havendo nada óbvio ou repetitivo ou fora de lugar. Destaque para o espetacular solo de guitarra de Kulick (talvez só perca em qualidade para o de “Tears Are Falling”, do “Asylum”).
Gosto do fato de que em “Revenge” foram utilizadas outras afinações diferentes da convencional, ou da convencional meio-tom abaixo. Muitas das faixas estão com afinação um tom abaixo, dentre as quais “Take It Off” e o legal é aferir que a afinação mais pesada não traduz, necessariamente, numa música mais pesada. Assim, “Take It Off” é em G, ao invés de A, o que provavelmente serve para facilitar a tarefa de Paul Stanley nos vocais. Trata-se de uma música que funciona muito bem ao vivo, e Paul se aproveita da parada no meio (apenas se ouve a guitarra de Kulick, tocando com os dedos uma parte que lembra a melodia da música) para entreter o público. Novamente, destaco os solos de guitarra. Faço a menor ideia da razão pela qual se atribui nos sites a Kevin Valentine o registro da bateria nessa faixa – de qualquer maneira, não consigo diferenciar a levada nessa música das demais conduzidas por Eric Singer.
A banda já havia gravado “God Gave Rock´n´Roll To You II” para uma trilha-sonora de um filme que já passou várias vezes na Sessão da Tarde, mas que jamais assisti (“Bill & Ted Bogus Journey”). Ainda não sei dizer com certeza essa música foi gravada duas vezes (uma para cada disco), ou apenas se a versão do “Revenge” é uma remixagem da que apareceu na trilha-sonora. Também não sei dizer ao certo se os vocais de apoio de Eric Carr aparecem em “Revenge”. A história, porém, é que Eric Singer gravou a bateria pois Carr estava inapto para tanto, conquanto tenha contribuído com os backing vocals. Eventualmente, Carr reuniu condições para a filmagem do vídeo para a música, que foi o primeiro que vi da banda na MTV e serviu para despertar o interesse sobre o Kiss (que já tinha desde a infância, quando os caras vieram pela primeira vez ao Brasil em 1983). Evidentemente que a música é muito boa: o instrumental é muito bom, e Gene e Paul foram muito competentes na alternância das vozes nos versos.
Paul fez uma letra muito boa para “I Just Wanna”, e o refrão tem parte perfeita para participação do público nos shows. Além disso, há uma parte a capella depois do solo de guitarra que enriquece a composição. Trata-se de uma característica de “Revenge” a diversidade de partes dentro das músicas, e a perfeita execução nos instrumentos (é possível que Bruce Kulick tenha registrado grande parte das guitarras e mesmo do baixo das faixas, fato que é certo em “Carnival of Souls”).
“Domino” é uma das boas composições de Simmons (bons versos e bom refrão), com partes faladas que lembram “Christine Sixteen”. Outra que tem bom solo de Kulick, e é muito bom ouvir a versão demo no “The Box Set”. Além da versão do “Alive III”, os caras mandaram uma versão acústica muito surpreendente para o “MTV Unplugged” (inclusive com solo de Kulick fiel à versão original, o que, convenhamos, é um grande feito em se tratando de violão de cordas de aço sem pedais de distorção).
“Every Time I Look At You” é a balada de Paul, e é uma das melhores da banda, e que teria feito muito sucesso nas rádios, caso o Kiss tivesse espaço na época (que não era mais favorável ao rock farofa). Até hoje tenho dificuldade para encontrar um jeito de tocar adequadamente a magnífica introdução, e acho muito bons os acordes dos versos. Os caras fizeram bem ao incluí-la no “MTV Unplugged”, mesmo em prejuízo de “Forever”, que seria a escolha mais óbvia.
“Revenge” tem um punhado de boas e obscuras composições: na verdade, não há música fraca nesse disco. Nessas condições têm-se “Tough Love”, “Heart of Chrome”, “Thou Shalt Not”, “Paralyzed”, “Spit” e, principalmente, “Carr Jam 1981”. Vejamos. As duas primeiras são de Paul (com coautores), contam com afinação mais pesada (um tom abaixo, acredito), várias partes legais de guitarra, e backing vocals marcantes e afinados. No solo de guitarra de “Tough Love”, Kulick utiliza bastante o wah-wah com alavancadas da mesma forma que veio a desenvolver com mais intensidade em “Carnival of Souls” (1996). “Heart of Chrome” é talvez a faixa com as mais complexas partes de guitarra, além de ter um refrão marcante com vocais sobrepostos. “Thou Shalt Not” é possivelmente a faixa mais pesada do disco (devido ao riff inicial que aparece no refrão), tem letra pessoal muito boa de Gene (sobretudo pelas rimas nos versos) e é mais uma com solo competente com wah-wah de Kulick. “Paralyzed” não é tão marcante, ainda mais por aparecer quase no final de um disco tão bom. “Spit” tem partes excepcionais de guitarra, com várias notas e pausas, e a letra é cantada ao estilo “rap”, digamos assim. No solo de gutiarra, Kulick executa as primeiras notas do “Star Spangled Banner”. Os caras tocavam essa em formato acústico nas convenções, e é uma pena que não aproveitaram para registrá-la no “Unplugged MTV” (no lugar de, por exemplo, “Domino” – no volume 3 do Kissology aparece os caras tocando “Spit” – até o solo de guitarra, quando Kulick pára e dá risada - enquanto o pessoal da MTV providenciava as alterações no cenário para acomodar Ace Frehley e Peter Criss no palco – e os presentes cantam junto).
Indiscutivelmente é um grande disco do Kiss, com as melhores guitarras já registradas pela banda, e os méritos são todos de Bruce Kulick, sem prejuízo da participação excelente de Eric Singer. Acredito que seja algum problema de produção ou mixagem, pois o som das músicas é um pouco travado em comparação com as versões ao vivo; admito, no entanto, que essa é uma característica de todos os discos do Kiss (à exceção de “Animalize”, “Asylum”, “Crazy Nights”, “Carnival of Souls” e, mais recentemente, “Sonic Boom”).
Lembro de ver o CD nas lojas do Praia de Belas na época em que nem tínhamos CD-Player em casa no início dos anos 1990. E me intrigava a contracapa do CD, com a foto da formação Stanley, Simmons, Kulick e Eric Singer com roupas de couro preto, e o baterista (então, para mim, ignorado) parecia mais um surfista com cabelos compridos loiros (“esse disco deve ser ruim”). O “Alive III”, que ouvi em julho de 1993, serviu para desmistificar esses pré-conceitos, pois essa formação era muito boa e competente para a execução de qualquer música da discografia do Kiss. Então, juntamente com o “Alive III”, adquiri o “Revenge” no segundo semestre de 1993, numa loja da Gal. Chaves, térreo.
Por conhecer o “Alive III”, já estava familiarizado com “Unholy”, “Take It Off”, “I Just Wanna”, “Domino” e “God Gave Rock´n´Roll To You II”. Surpreendeu-me o fato de que as versões de estúdio não eram tão boas quanto às ao vivo: estas soavam mais vivas e dinâmicas, ao contrário daquelas, lentas e um tanto burocráticas. Bob Ezrin foi chamado para ser o produtor, mais de uma década após o último trabalho com a banda (“Music From the Elder”, que apesar da fraca receptividade na época, e da rejeição de Paul em todas as entrevistas, é um disco com músicas muito boas). Independentemente disso, “Revenge” contém os melhores registros da carreira de Bruce Kulick: o guitarrista simplesmente arrebentou em todos os solos e todos os riffs. Não por acaso, Kulick – em entrevista à Guitar World com Angus Young na capa em 1993 – enfatizava o quanto achava legal que Singer era o tipo de baterista que sabia de cor os solos de guitarra a ponto de assobiá-los nos corredores do estúdio. Efetivamente, tratam-se de solos de guitarra marcantes, e agora tenho o interesse renovado para pesquisar a utilização do lendário wah-wah.
“Unholy” não é a música mais pesada do disco, mas é a melhor e mais representativa dessa nova fase do Kiss. É o primeiro single de Gene Simmons desde “I Love It Loud”, e, além do baixista, a autoria é creditada a Vinnie Vincent, o que para mim até hoje não está bem esclarecido (afinal, Vinnie foi demitido duas vezes da banda em 1983 e 1984 conforma amplamente divulgado por Gene e Paul durante todos esses anos, sendo certo que no período houve diversas aços judiciais por parte de VV... por que, então, os caras chamariam um guitarrista tão repudiado para compor novas músicas?). Seja como for, o riff é estupendo (bem sofisticado, começando com slides e partindo para notas na 5.ª e na 4.ª cordas); além disso, toda a parte de guitarra (versos, pré-chorus, chorus, base do solo) é muito bem trabalhada, não havendo nada óbvio ou repetitivo ou fora de lugar. Destaque para o espetacular solo de guitarra de Kulick (talvez só perca em qualidade para o de “Tears Are Falling”, do “Asylum”).
Gosto do fato de que em “Revenge” foram utilizadas outras afinações diferentes da convencional, ou da convencional meio-tom abaixo. Muitas das faixas estão com afinação um tom abaixo, dentre as quais “Take It Off” e o legal é aferir que a afinação mais pesada não traduz, necessariamente, numa música mais pesada. Assim, “Take It Off” é em G, ao invés de A, o que provavelmente serve para facilitar a tarefa de Paul Stanley nos vocais. Trata-se de uma música que funciona muito bem ao vivo, e Paul se aproveita da parada no meio (apenas se ouve a guitarra de Kulick, tocando com os dedos uma parte que lembra a melodia da música) para entreter o público. Novamente, destaco os solos de guitarra. Faço a menor ideia da razão pela qual se atribui nos sites a Kevin Valentine o registro da bateria nessa faixa – de qualquer maneira, não consigo diferenciar a levada nessa música das demais conduzidas por Eric Singer.
A banda já havia gravado “God Gave Rock´n´Roll To You II” para uma trilha-sonora de um filme que já passou várias vezes na Sessão da Tarde, mas que jamais assisti (“Bill & Ted Bogus Journey”). Ainda não sei dizer com certeza essa música foi gravada duas vezes (uma para cada disco), ou apenas se a versão do “Revenge” é uma remixagem da que apareceu na trilha-sonora. Também não sei dizer ao certo se os vocais de apoio de Eric Carr aparecem em “Revenge”. A história, porém, é que Eric Singer gravou a bateria pois Carr estava inapto para tanto, conquanto tenha contribuído com os backing vocals. Eventualmente, Carr reuniu condições para a filmagem do vídeo para a música, que foi o primeiro que vi da banda na MTV e serviu para despertar o interesse sobre o Kiss (que já tinha desde a infância, quando os caras vieram pela primeira vez ao Brasil em 1983). Evidentemente que a música é muito boa: o instrumental é muito bom, e Gene e Paul foram muito competentes na alternância das vozes nos versos.
Paul fez uma letra muito boa para “I Just Wanna”, e o refrão tem parte perfeita para participação do público nos shows. Além disso, há uma parte a capella depois do solo de guitarra que enriquece a composição. Trata-se de uma característica de “Revenge” a diversidade de partes dentro das músicas, e a perfeita execução nos instrumentos (é possível que Bruce Kulick tenha registrado grande parte das guitarras e mesmo do baixo das faixas, fato que é certo em “Carnival of Souls”).
“Domino” é uma das boas composições de Simmons (bons versos e bom refrão), com partes faladas que lembram “Christine Sixteen”. Outra que tem bom solo de Kulick, e é muito bom ouvir a versão demo no “The Box Set”. Além da versão do “Alive III”, os caras mandaram uma versão acústica muito surpreendente para o “MTV Unplugged” (inclusive com solo de Kulick fiel à versão original, o que, convenhamos, é um grande feito em se tratando de violão de cordas de aço sem pedais de distorção).
“Every Time I Look At You” é a balada de Paul, e é uma das melhores da banda, e que teria feito muito sucesso nas rádios, caso o Kiss tivesse espaço na época (que não era mais favorável ao rock farofa). Até hoje tenho dificuldade para encontrar um jeito de tocar adequadamente a magnífica introdução, e acho muito bons os acordes dos versos. Os caras fizeram bem ao incluí-la no “MTV Unplugged”, mesmo em prejuízo de “Forever”, que seria a escolha mais óbvia.
“Revenge” tem um punhado de boas e obscuras composições: na verdade, não há música fraca nesse disco. Nessas condições têm-se “Tough Love”, “Heart of Chrome”, “Thou Shalt Not”, “Paralyzed”, “Spit” e, principalmente, “Carr Jam 1981”. Vejamos. As duas primeiras são de Paul (com coautores), contam com afinação mais pesada (um tom abaixo, acredito), várias partes legais de guitarra, e backing vocals marcantes e afinados. No solo de guitarra de “Tough Love”, Kulick utiliza bastante o wah-wah com alavancadas da mesma forma que veio a desenvolver com mais intensidade em “Carnival of Souls” (1996). “Heart of Chrome” é talvez a faixa com as mais complexas partes de guitarra, além de ter um refrão marcante com vocais sobrepostos. “Thou Shalt Not” é possivelmente a faixa mais pesada do disco (devido ao riff inicial que aparece no refrão), tem letra pessoal muito boa de Gene (sobretudo pelas rimas nos versos) e é mais uma com solo competente com wah-wah de Kulick. “Paralyzed” não é tão marcante, ainda mais por aparecer quase no final de um disco tão bom. “Spit” tem partes excepcionais de guitarra, com várias notas e pausas, e a letra é cantada ao estilo “rap”, digamos assim. No solo de gutiarra, Kulick executa as primeiras notas do “Star Spangled Banner”. Os caras tocavam essa em formato acústico nas convenções, e é uma pena que não aproveitaram para registrá-la no “Unplugged MTV” (no lugar de, por exemplo, “Domino” – no volume 3 do Kissology aparece os caras tocando “Spit” – até o solo de guitarra, quando Kulick pára e dá risada - enquanto o pessoal da MTV providenciava as alterações no cenário para acomodar Ace Frehley e Peter Criss no palco – e os presentes cantam junto).
Indiscutivelmente é um grande disco do Kiss, com as melhores guitarras já registradas pela banda, e os méritos são todos de Bruce Kulick, sem prejuízo da participação excelente de Eric Singer. Acredito que seja algum problema de produção ou mixagem, pois o som das músicas é um pouco travado em comparação com as versões ao vivo; admito, no entanto, que essa é uma característica de todos os discos do Kiss (à exceção de “Animalize”, “Asylum”, “Crazy Nights”, “Carnival of Souls” e, mais recentemente, “Sonic Boom”).
Ensaio The Osmar Band - "Achtundzwanzig" 01.12.2009
Há coisas inevitáveis para as quais não somos devidamente preparados, e em relação às quais a pouco o que dizer. Resta seguir em frente. Voltamos aos ensaios e o Marcelo trouxe vários reforços da sua recente viagem de férias. Toquei na PRS Custom do Alemão e basicamente deixei o botão de tom entre 0 e 3 (ao invés do costumeiro 10), e acho que em algumas músicas consegui alcançar o timbre que ele geralmente emprega. Temos utilizado a mesma música para iniciar as atividades, pois é fácil, tem uma estrutura já conhecida, e é rápida nos acordes Bm-A-G-F# e letra infame, quase romântica não fosse o refrão (o Marcão contribui com backing vocals e o Marcelo cantou a plenos pulmões). O vocalista estava com o notebook afiado, então ele enfileirava os pedidos de músicas com algumas letras de antigos hits em estoque que iam sendo desencavadas. Das recentes, uma com letra excelente sobre escândalos políticos (versos em B e A, refrão em E e G). O Alemão utilizou-se bastante dos acordes F# e Em nas jams, o que me facilitou a vida, pois conheço apenas uma escala que vai bem nesses acordes. Apesar disso, tive desempenho abaixo da média numa dessas jams que contou com vocais, pois alternei timbre Brian May e depois outro de violão, o que não funcionou. O Marcão e o Alemão fizeram umas jams e eles se acharam nos andamentos tipo baião; tentei acompanhar os acordes, mas não acabei não percebendo a sutileza do ritmo. Durante meu período em Rio Grande, no último trimestre de 2008, os caras compuseram um punhado de excelentes músicas; uma delas foi resgatada nesse ensaio: ouvimos uma vez, e toquei algo que se parecia com o que o Alemão havia composto na guitarra na época (A e D). O Marcão deu show na bateria nessa, com vários rolos e viradas legais, sendo certo que o timbre da batera ficou legal também, especialmente na caixa. Teve uma com letra que não estou certo se é nova ou não, mas o Alemão utilizou um belo timbre de Hammond; lamentavelmente, a versão que ficou registrada não foi tão boa quanto a de ensaio, na qual o Alemão fez um baita solo de teclado. A última do ensaio foi um clássico rock I-IV-V com letra do ano passado sobre a loteria. Nesta e em várias outras o Marcelo fez solos de harmônica.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Resenha de CD – Alice in Chains "Nothing Safe" (1999)
Alice in Chains ficou muitos anos sem lançar disco novo, então a gravadora deve ter resolvido capitalizar no período com coletâneas e disco ao vivo. Das disponíveis, achei que seria uma boa essa "Nothing Safe" que tem mais do que 10 faixas, e traz alguns dos principais hits, além de músicas inéditas e demos. "Get Born Again" é a faixa inédita, de 1998, e é boa. Não identifiquei diferença significativa entre a demo de "We Die Young" e a que aparece em "Facelift"; em todo o caso, é uma música muito legal, com bom riff com afinação dropped D. Primeira vez que ouvi com atenção "What the Hell Have I", da trilha-sonora de "Last Action Hero"; na época que saiu esse disco só tinha ouvidos para as espetaculares "Big Gun" do AC/DC e "Angry Again" do Megadeth, e achava muito bizarra essa faixa do Alice in Chains. Agora evolui para considerar que é uma boa composição de Cantrell. As três melhores da banda se fazem presentes: "Man in the Box", "Angry Chair" e "Would?". Ainda me espanto no fato de como essa banda conseguiu se vincular ao grunge e desfrutar do sucesso dedicado ao Nirvana e Pearl Jam. Entretanto, curti mais o “Black Gives Way to Blue”.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Discos Essenciais – Lamb of God “Wrath” (2009)
Das bandas da new wave of American heavy metal, a que tenho acompanhado mais de perto é Lamb of God. Notei que todas as bandas desse estilo (Slipknot, Mastodon, Trivium, Lamb of God) estão refinando seu som nos discos mais recentes. Assim, se os primeiros discos dessas bandas – tidos como referência no gênero – são, no meu caso, difíceis de ouvir (às vezes, tanto peso e agressividade nas guitarras e nos vocais são duros nos ouvidos), os discos mais recentes estão sendo do meu agrado (por exemplo, Slipknot está adotando vocais mais melódicos e solos de guitarra, sem prejuízo dos riffs destruidores). O Lamb of God já havia baixado um pouco a bola em “Sacrament”, num disco com riffs em formato de música com início, meio e fim, e o resultado foi muito bom (sobre “Sacrament” escrevi há uns meses atrás aqui). Para “Wrath”, no entanto, os caras resolveram simplificar as coisas e alegadamente deixaram de seguir a tendência das várias camadas de guitarras do disco anterior: isso facilita na hora de executar as músicas ao vivo, pois se ouvem apenas os quatro instrumentos e a voz (entretanto, isso não vale para as primeiras duas faixas do disco, conforme adiante). Além disso, ao timbre das guitarras foi dado tratamento mais rústico, sem tanto ganho na distorção, forçando os guitarristas a tocarem com mais força sobre as cordas.
Tenho ouvido bastante “Wrath” há um mês. Definitivamente, não curto os vocais de Randy Blythe; o que vale são as guitarras de Mark Morton e Willie Adler. Os caras utilizam exclusivamente afinação dropped-D, só que de maneira diversa da grande maioria (dentre as quais me incluo) que se vale da afinação para executar riffs com Power chords nas cordas mais graves. Morton e Adler compõem riffs complicados e rápidos, muitos dos quais com saltos enormes que exigem grande abertura da mão esquerda. É nessa técnica que tenho centrado atenção.
Destaco “The Passing”, “In Your Words”, “Set to Fail”, e “Grace” como as melhores faixas de “Wrath”. (a) “The Passing” é a faixa de abertura e se trata de um dedilhado muito caprichado (não é complexo, mas tem alguma sofisticação) em violão de cordas de aço ao qual vão sendo agregadas camadas de acordes de guitarras e temas harmonizados. Ao final segue-se (b) “In Your Words”, que começa tipicamente porrada na orelha. Os riffs dos versos (são dois diferentes) contêm notas inusuais do tipo que só uma boa tablatura para entender o que os guitarristas estão tocando. Há o tradicional interlúdio com riff cheio de pausas e o destaque é os minutos finais, nos quais os guitarristas demonstram uma certa influência de metal progressivo, digamos assim (talvez seja um discurso de marketing positivo quando Morton afirmou que a composição de “Wrath” se inspirou em “Rust in Piece” e “...And Justice For All”).
A melhor faixa do disco é (c) “Set to Fail”, com estrutura bem certinha tal qual “Redneck”, mas tanto quanto uma cacetada de peso e um riff matador e criativo na escolha das notas (a nota final, com vibrato Iommi, alterna a cada compasso). É uma das poucas com solo de guitarra convencional. “Grace” conta com uma bela e complicada introdução com guitarras limpas, uma fazendo acordes e a outra executando padrões em escalas, mais ou menos como em algumas partes de “One” do Metallica e no meio de “Trust” do Megadeth. O trabalho das guitarras é realmente primoroso nessa faixa, e lá pelas tantas a introdução é revisitada, só que dessa vez com apropriada distorção, sendo certo que assim como “The Passing” contém um tema de guitarra muito legal (Morton encaixou um arpejo com sweep picking para agregar dramaticidade nessa parte).
Desde que comecei a ouvir Lamb of God, fiquei com a sensação de que se tratava de uma banda que tocava o som do Pantera, sobretudo pelos grooves e pela interação bateria e guitarras, além dos vocais gritados. Só que o Pantera era uma banda com som muito mais diversificado (o vocalista sabe cantar, por exemplo) e as músicas são mais diretas (“Five Minutes Alone”, “I´m Broken”, dentre outras, têm estrutura familiar de verso-ponte-refrão, e os riffs principais se destacam naturalmente). A contrapartida é que o Pantera tem muitas músicas ruins, parecendo o resultado de jams não inspiradas e desconcentradas (o álbum “Far Beyond Driven” é repleto de faixas desse tipo). O Lamb of God, por sua vez, é do tipo que manda ver um bloco de músicas que a um ouvido desatento poderia parecer que se trata de uma música só. Entretanto, é um heavy metal de boa qualidade. Então, uma simplificação bem rasteira seria dizer que o Lamb of God é o Pantera nos seus melhores momentos (mas não nos seus momentos top ou Premium tipo “Mouth For War”, “Cemetery Gates”, “Cowboys From Hell”, “Five Minutes Alone”, “Becoming”, “I´m Broken”, “War Nerve”, “Drag the Waters”, “Yesterday Don´t Mean Shit”).
Tenho ouvido bastante “Wrath” há um mês. Definitivamente, não curto os vocais de Randy Blythe; o que vale são as guitarras de Mark Morton e Willie Adler. Os caras utilizam exclusivamente afinação dropped-D, só que de maneira diversa da grande maioria (dentre as quais me incluo) que se vale da afinação para executar riffs com Power chords nas cordas mais graves. Morton e Adler compõem riffs complicados e rápidos, muitos dos quais com saltos enormes que exigem grande abertura da mão esquerda. É nessa técnica que tenho centrado atenção.
Destaco “The Passing”, “In Your Words”, “Set to Fail”, e “Grace” como as melhores faixas de “Wrath”. (a) “The Passing” é a faixa de abertura e se trata de um dedilhado muito caprichado (não é complexo, mas tem alguma sofisticação) em violão de cordas de aço ao qual vão sendo agregadas camadas de acordes de guitarras e temas harmonizados. Ao final segue-se (b) “In Your Words”, que começa tipicamente porrada na orelha. Os riffs dos versos (são dois diferentes) contêm notas inusuais do tipo que só uma boa tablatura para entender o que os guitarristas estão tocando. Há o tradicional interlúdio com riff cheio de pausas e o destaque é os minutos finais, nos quais os guitarristas demonstram uma certa influência de metal progressivo, digamos assim (talvez seja um discurso de marketing positivo quando Morton afirmou que a composição de “Wrath” se inspirou em “Rust in Piece” e “...And Justice For All”).
A melhor faixa do disco é (c) “Set to Fail”, com estrutura bem certinha tal qual “Redneck”, mas tanto quanto uma cacetada de peso e um riff matador e criativo na escolha das notas (a nota final, com vibrato Iommi, alterna a cada compasso). É uma das poucas com solo de guitarra convencional. “Grace” conta com uma bela e complicada introdução com guitarras limpas, uma fazendo acordes e a outra executando padrões em escalas, mais ou menos como em algumas partes de “One” do Metallica e no meio de “Trust” do Megadeth. O trabalho das guitarras é realmente primoroso nessa faixa, e lá pelas tantas a introdução é revisitada, só que dessa vez com apropriada distorção, sendo certo que assim como “The Passing” contém um tema de guitarra muito legal (Morton encaixou um arpejo com sweep picking para agregar dramaticidade nessa parte).
Desde que comecei a ouvir Lamb of God, fiquei com a sensação de que se tratava de uma banda que tocava o som do Pantera, sobretudo pelos grooves e pela interação bateria e guitarras, além dos vocais gritados. Só que o Pantera era uma banda com som muito mais diversificado (o vocalista sabe cantar, por exemplo) e as músicas são mais diretas (“Five Minutes Alone”, “I´m Broken”, dentre outras, têm estrutura familiar de verso-ponte-refrão, e os riffs principais se destacam naturalmente). A contrapartida é que o Pantera tem muitas músicas ruins, parecendo o resultado de jams não inspiradas e desconcentradas (o álbum “Far Beyond Driven” é repleto de faixas desse tipo). O Lamb of God, por sua vez, é do tipo que manda ver um bloco de músicas que a um ouvido desatento poderia parecer que se trata de uma música só. Entretanto, é um heavy metal de boa qualidade. Então, uma simplificação bem rasteira seria dizer que o Lamb of God é o Pantera nos seus melhores momentos (mas não nos seus momentos top ou Premium tipo “Mouth For War”, “Cemetery Gates”, “Cowboys From Hell”, “Five Minutes Alone”, “Becoming”, “I´m Broken”, “War Nerve”, “Drag the Waters”, “Yesterday Don´t Mean Shit”).
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Resenha de CD – Metallica “Don´t Tread On Us” (bootleg - 1992)
Os melhores bootlegs do Metallica são os que contêm registros da turnê do “Black Álbum”. Nessa época Hetfield está na melhor forma vocal, além de se apresentar como perfeito crooner, agitando a galera durante e entre as músicas. A banda como um todo está tocando muito bem, e o timbre das guitarras é excelente. O set list da época ajuda, e nesse CD consta apenas metade do repertório de um show em Washington em 1992, com várias faixas de “Black Álbum”, inclusive “Of Wolf and Man”, além das tradicionais conhecidas “Enter Sandman”, “Sad But True”, “Wherever I May Roam”, “Nothing Else Matters” e “The Unforgiven”. Sobra espaço para “Creeping Death” (de abertura, acho muito legal a primeira interação de Hetfield com a galera no início da faixa, sobrando “f*ck” e “motherf*cker” numa frase só), além de “Harvester of Sorrow” e “Shortest Straw” do “...And Justice for All”.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Resenha de CD – Metallica “Just Another Kraut” (bootleg – 1991)
Trata-se de mais um bootleg que não esclarece a data nem o local do show. Na contracapa é anunciada a formação Hetfield, Ulrich, Hammett e Jason Newsted, e o set list é composto apenas de músicas até o “Master of Puppets”, inclusive, bem como as tradicionais covers no “encore” (no caso, “Last Caress” e “Am I Evil?). No entanto, é possível confirmar que é essa mesma a formação pois Hetfield questiona a plateia - antes de mandar “Last Caress” - se o pessoal comprou o último EP, que na época era o “Garage Days Re-Revisited”. A escolha das músicas foi muito boa: “Creeping Death”, “Master of Puppets”, encerramento com “Battery”, além das duas “baladas”, “Fade to Black” e “Welcome Home (Sanitarium)”. O som das guitarras é muito bom, particularmente acho melhor do que o som com captadores ativos EMG que os caras vêm empregando nesses anos 2000.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Resenha de CD - Metallica "Seek and Destroy" (bootleg, 1991?)
Cheguei atrasado, mas ainda consegui aproveitar parcialmente a venda do acervo de CDs da Espaço Vídeo (perdi, por exemplo, os do Jean Michel Jarre, e outros de jazz fusion tipo Al Di Meola e John McLaughlin). Em regra, todos os discos estão abaixo de 10 pila, e a locadora sabidamente contava com expressiva coleção de importados, bootlegs e mesmo nacionais fora de catálogo. Na medida do possível, dedicarei alguns parágrafos a todos esses discos.
Os bootlegs perderam a importância que tinham com o advento da internet e dos mp3. O Metallica é uma das bandas que mais serviram para esses registros não-autorizados. No caso, "Seek and Destroy" contém apenas 8 faixas e não há esclarecimento no encarte a respeito de qual show é retratado; consta apenas que a formação é James Hetfield, Kirk Hammett, Cliff Burton e Lars Ulrich (ou "Hulricht", conforme aparece na contracapa). O repertório contém exclusivamente músicas dos dois primeiros álbuns, sendo que na música "Seek and Destroy", Hetfield insere "London" nos versos, de maneira que é de se supor que se trata de show em Londres, na turnê de "Ride the Lightning". O som é bom, a presença de Burton é marcante (especialmente em "The Four Horsemen"; durante o refrão ele toca umas frases que não lembro de ter ouvido em versões com Jason Newsted). A voz de Hetfield é quase esganiçada em alguns momentos. E Kirk Hammet se atrapalha em alguns licks mais rápidos. O set list, no entanto, é clássico, a vibração é insuperável, e o timbre das guitarras base é muito bom.
Os bootlegs perderam a importância que tinham com o advento da internet e dos mp3. O Metallica é uma das bandas que mais serviram para esses registros não-autorizados. No caso, "Seek and Destroy" contém apenas 8 faixas e não há esclarecimento no encarte a respeito de qual show é retratado; consta apenas que a formação é James Hetfield, Kirk Hammett, Cliff Burton e Lars Ulrich (ou "Hulricht", conforme aparece na contracapa). O repertório contém exclusivamente músicas dos dois primeiros álbuns, sendo que na música "Seek and Destroy", Hetfield insere "London" nos versos, de maneira que é de se supor que se trata de show em Londres, na turnê de "Ride the Lightning". O som é bom, a presença de Burton é marcante (especialmente em "The Four Horsemen"; durante o refrão ele toca umas frases que não lembro de ter ouvido em versões com Jason Newsted). A voz de Hetfield é quase esganiçada em alguns momentos. E Kirk Hammet se atrapalha em alguns licks mais rápidos. O set list, no entanto, é clássico, a vibração é insuperável, e o timbre das guitarras base é muito bom.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
CDs do Kiss - Parte IV "Destroyer" (1976)
Após o extraordinário e inesperado sucesso com o “Alive!”, o Kiss se viu diante da tarefa de lançar um disco de estúdio que mantivesse a banda em alta junto aos recém adquiridos fãs. Conforme Paul Stanley no “X-Treme Close Up”, as novas músicas deveriam ser mais do que simples canções de rock sobre festas e mulheres: impunha-se o desafio de escrever músicas sobre novas experiências. Aliados ao renomado produtor Bob Ezrin, os caras se desincumbiram com êxito da tarefa de registrar um disco clássico, o “Destroyer” de 1976.
Em setembro de 1993 já estava na fase de querer saber tudo sobre o Kiss, após ouvir com muita dedicação “Animalize”, “Alive III”, “Love Gun” e alguns bootlegs. Para o aniversário, ganhei da minha tia o dinheiro suficiente para comprar o “Destroyer” importado que tinha na Grammy Classic & Rock, quando esta loja ainda ficava na R. Fernando Machado.
Paul Stanley e Gene Simmons não perdem a oportunidade para enfatizar o quão importante e fundamental é/foi este “Destroyer”, sendo certo que eles frequentemente o apontam como melhor disco da banda (conquanto Gene já tenha dito que o seu preferido é “Creatures of the Night”). É possível que a dupla esteja certa, mas entendo despiciendo reproduzir quase todas as faixas no “Alive IV”, aquele com a orquestra da Austrália. Seja como for, “Destroyer” conta com quatro clássicos absolutos da banda e um punhado de boas composições.
Duas das melhores e mais conhecidas faixas do disco são de autoria individual de Paul Stanley:
(a) “Detroit Rock City”, um dos maiores hinos da banda, é a faixa de abertura. Tem ritmo acelerado, e se notabiliza pelos acordes estendidos por vários compassos dos versos, a levada de bateria atípica (e muito legal) em se tratando de Peter Criss, a linha de baixo atípica (e muito legal) em se tratando de Gene Simmons, e o solo de guitarra atípico (e absolutamente fantástico) de Ace Frehley (com harmonização de Paul na segunda parte). Parece-me que em todas essas partes houve “input” de Bob Ezrin. A música representa a ideia de Paul de compor sobre algo a mais do que festas e mulheres: a letra é sobre um fã que se prepara para ir a um show de uma banda, mas no caminho para o evento tem desfecho trágico. Há uma ironia por trás disso. Além disso, a estrutura e a execução são bastante diferentes do que todo o material registrado pelo Kiss nos discos anteriores;
(b) “God of Thunder”, uma das músicas mais identificadas com Gene, faz parte do set list até hoje. É curioso saber que um riff de guitarra tão bom e majestoso, executado bem lentamente, foi inicialmente pensado para ser tocado de forma rápida e “uptempo”; só ouvindo a demo de Paul na “The Box Set” que a banda lançou há uns 4 ou 5 anos para acreditar como seria essa música com o compositor nos vocais. A decisão de atribuí-la a Gene, reduzir o tempo, e adotar uma levada de bateria – digamos – marcial, coube a Bob Ezrin (que também foi o responsável pelos efeitos especiais). Custo a acreditar que o solo de guitarra é de Ace Frehley, pois não é nada típico do guitarrista.
Paul contribuiu, ainda, com “King of the Nighttime World” (em conjunto com compositores de fora da banda - um rock decente, mas nada memorável), “Flaming Youth” (em conjunto com Simmons, Frehley e Ezrin - na qual foram reunidas partes de outras músicas incompletas de Gene, Paul e Ace; acredito que o riff de guitarra que vem depois do refrão foi mal aproveitado... é muito bom e poderia ser o riff principal de alguma outra música que ficaria melhor do que a que prevaleceu no disco; nessas condições apareceu na caixa “The Box Set” como uma demo de Gene, “Mad Dog”), e “Do You Love Me” (uma das obscuras que ganhou espaço no set list da turnê da época e reproduzida no “Alive IV” e no “MTV Unplugged” – acho que essa música é boa, mas recebeu atenção maior que a merecida; em todo o caso, a melhor versão é a que aparece no vídeo “Kiss My Ass”, com a formação original em 1977).
Gene compôs faixas medianas como “Sweet Pain” (até hoje Ace Frehley reclama que seu solo de guitarra foi deletado sem seu consentimento pelo produtor, que optou por um solo de Dick Wagner, da banda do Alice Cooper), e “Great Expectations” (acho legal a letra que trata da relação entre fã e artista).
Gene e Paul compuseram conjuntamente “Shout It Out Loud”, que é outro clássico indiscutível da banda. Muito boa é a divisão entre as partes de vocal principal entre a dupla: Paul inicia os versos sobre uma base com os acordes A e D; Gene é responsável pela parte que seria um pré-chorus, sobre uma base típica de rock´n´roll Chuck Berry. O refrão é bombástico e acho curioso que ao final as notas decrescem, dando um efeito incomum.
Peter Criss foi o responsável pela outra faixa clássica e muito conhecida da banda, a balada “Beth”. Aparentemente trata-se de uma composição do baterista em parceria com integrantes da banda que ele tinha antes de ingressar no Kiss (e que lhe ajudariam bastante no seu disco solo de 1978), e até hoje não tenho esclarecido a razão de terem optado por registrá-la em “Destroyer” (na Wikipédia consta que foi a última adição ao disco e que o foi por insistência do empresário da banda na época, Bill Aucoin). Em todo o caso, Bob Ezrin se encarregou da orquestração, a la George Martin, e a música compôs o lado B do single de “Detroit Rock City”. Paul já referiu que as rádios optaram por tocar “Beth” ao invés de “Detroit Rock City” e o resultado foi um grande sucesso de uma música que em nada lembra o material típico do Kiss. Independentemente disso, a música é muito boa, com melodia bacana, excelentes vocais de Peter, e orquestração adequada.
Se não for o melhor, “Destroyer” é o mais importante álbum de estúdio do Kiss, consolidando o sucesso alcançado com “Alive!” e projetando um futuro de maior banda de rock da época. Pouco depois, no entanto, os caras já estavam em estúdio para gravar outro disco, que eventualmente se chamou “Rock and Roll Over”.
Em setembro de 1993 já estava na fase de querer saber tudo sobre o Kiss, após ouvir com muita dedicação “Animalize”, “Alive III”, “Love Gun” e alguns bootlegs. Para o aniversário, ganhei da minha tia o dinheiro suficiente para comprar o “Destroyer” importado que tinha na Grammy Classic & Rock, quando esta loja ainda ficava na R. Fernando Machado.
Paul Stanley e Gene Simmons não perdem a oportunidade para enfatizar o quão importante e fundamental é/foi este “Destroyer”, sendo certo que eles frequentemente o apontam como melhor disco da banda (conquanto Gene já tenha dito que o seu preferido é “Creatures of the Night”). É possível que a dupla esteja certa, mas entendo despiciendo reproduzir quase todas as faixas no “Alive IV”, aquele com a orquestra da Austrália. Seja como for, “Destroyer” conta com quatro clássicos absolutos da banda e um punhado de boas composições.
Duas das melhores e mais conhecidas faixas do disco são de autoria individual de Paul Stanley:
(a) “Detroit Rock City”, um dos maiores hinos da banda, é a faixa de abertura. Tem ritmo acelerado, e se notabiliza pelos acordes estendidos por vários compassos dos versos, a levada de bateria atípica (e muito legal) em se tratando de Peter Criss, a linha de baixo atípica (e muito legal) em se tratando de Gene Simmons, e o solo de guitarra atípico (e absolutamente fantástico) de Ace Frehley (com harmonização de Paul na segunda parte). Parece-me que em todas essas partes houve “input” de Bob Ezrin. A música representa a ideia de Paul de compor sobre algo a mais do que festas e mulheres: a letra é sobre um fã que se prepara para ir a um show de uma banda, mas no caminho para o evento tem desfecho trágico. Há uma ironia por trás disso. Além disso, a estrutura e a execução são bastante diferentes do que todo o material registrado pelo Kiss nos discos anteriores;
(b) “God of Thunder”, uma das músicas mais identificadas com Gene, faz parte do set list até hoje. É curioso saber que um riff de guitarra tão bom e majestoso, executado bem lentamente, foi inicialmente pensado para ser tocado de forma rápida e “uptempo”; só ouvindo a demo de Paul na “The Box Set” que a banda lançou há uns 4 ou 5 anos para acreditar como seria essa música com o compositor nos vocais. A decisão de atribuí-la a Gene, reduzir o tempo, e adotar uma levada de bateria – digamos – marcial, coube a Bob Ezrin (que também foi o responsável pelos efeitos especiais). Custo a acreditar que o solo de guitarra é de Ace Frehley, pois não é nada típico do guitarrista.
Paul contribuiu, ainda, com “King of the Nighttime World” (em conjunto com compositores de fora da banda - um rock decente, mas nada memorável), “Flaming Youth” (em conjunto com Simmons, Frehley e Ezrin - na qual foram reunidas partes de outras músicas incompletas de Gene, Paul e Ace; acredito que o riff de guitarra que vem depois do refrão foi mal aproveitado... é muito bom e poderia ser o riff principal de alguma outra música que ficaria melhor do que a que prevaleceu no disco; nessas condições apareceu na caixa “The Box Set” como uma demo de Gene, “Mad Dog”), e “Do You Love Me” (uma das obscuras que ganhou espaço no set list da turnê da época e reproduzida no “Alive IV” e no “MTV Unplugged” – acho que essa música é boa, mas recebeu atenção maior que a merecida; em todo o caso, a melhor versão é a que aparece no vídeo “Kiss My Ass”, com a formação original em 1977).
Gene compôs faixas medianas como “Sweet Pain” (até hoje Ace Frehley reclama que seu solo de guitarra foi deletado sem seu consentimento pelo produtor, que optou por um solo de Dick Wagner, da banda do Alice Cooper), e “Great Expectations” (acho legal a letra que trata da relação entre fã e artista).
Gene e Paul compuseram conjuntamente “Shout It Out Loud”, que é outro clássico indiscutível da banda. Muito boa é a divisão entre as partes de vocal principal entre a dupla: Paul inicia os versos sobre uma base com os acordes A e D; Gene é responsável pela parte que seria um pré-chorus, sobre uma base típica de rock´n´roll Chuck Berry. O refrão é bombástico e acho curioso que ao final as notas decrescem, dando um efeito incomum.
Peter Criss foi o responsável pela outra faixa clássica e muito conhecida da banda, a balada “Beth”. Aparentemente trata-se de uma composição do baterista em parceria com integrantes da banda que ele tinha antes de ingressar no Kiss (e que lhe ajudariam bastante no seu disco solo de 1978), e até hoje não tenho esclarecido a razão de terem optado por registrá-la em “Destroyer” (na Wikipédia consta que foi a última adição ao disco e que o foi por insistência do empresário da banda na época, Bill Aucoin). Em todo o caso, Bob Ezrin se encarregou da orquestração, a la George Martin, e a música compôs o lado B do single de “Detroit Rock City”. Paul já referiu que as rádios optaram por tocar “Beth” ao invés de “Detroit Rock City” e o resultado foi um grande sucesso de uma música que em nada lembra o material típico do Kiss. Independentemente disso, a música é muito boa, com melodia bacana, excelentes vocais de Peter, e orquestração adequada.
Se não for o melhor, “Destroyer” é o mais importante álbum de estúdio do Kiss, consolidando o sucesso alcançado com “Alive!” e projetando um futuro de maior banda de rock da época. Pouco depois, no entanto, os caras já estavam em estúdio para gravar outro disco, que eventualmente se chamou “Rock and Roll Over”.
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