sábado, 12 de dezembro de 2009

Resenha de CD – Rammstein “Liebe ist Für Alle Da” (2009)


Hoje em dia já consigo ouvir pacificamente os discos mais recentes do Rammstein e curto os riffs repetitivos e precisos de guitarra do grupo alemão (os caras são muito bons nisso). A respeito do disco novo, apenas li notícias sobre o título das faixas, nada que se referisse ao som das novas composições. Pouco antes do lançamento, no entanto, vi o vídeo do single “Pussy” hospedado em site pornográfico, bem de acordo com o conteúdo; isso me valeu um diálogo atípico com a moça do caixa da Cultura, onde adquiri por preço exorbitante o “Liebe ist Für Alle Da”.

Rammstein é uma das bandas que não me preocupo em ficar imaginando o que os caras vão mostrar em dado disco novo, pois o resultado será sempre um heavy metal com bateria bem marcada (influência Techno ou dance, como eles gostam de divulgar), e invariavelmente conterá bons riffs de guitarra, e o timbre das guitarras será sempre majestoso e sinfônico (como se 100 guitarras estivessem tocando o mesmo acorde simultaneamente). Então não há como se decepcionar com “Liebe ist Für Alle Da”. Admito que temi perder essa convicção quando ouvi/assisti “Pussy”, que tem uma letra com rimas rasteiras e riffs pedestres (na verdade, são acordes com um monumental timbre de distorção de guitarra) . Como se sabe, porém, nada mais injusto que julgar um livro pela capa ou um disco pelo single. Além disso, os discos mais recentes do Rammstein contêm pelo menos uma música do tipo gozação (“Te Quiero Puta” e “Amerika”, por exemplo).

Fiquei intrigado com a faixa de abertura, "Rammlied": é uma música ou uma vinheta? Afinal, o refrão é apenas um coro teutônico com o nome da banda gritado, do qual gostei a partir da segunda audição: "RAMM - STEIN". As coisas ficam verdadeiramente boas em "Ich Tu Dir Wen", que tem um baita riff de guitarra do estilo Rammstein. "Waidmanns Heil" tem andamento mais acelerado e lá pelas tantas, depois do refrão, aparece apenas uma guitarra desacompanhada tocando o riff, dando um efeito devastador de peso. "B**********" tem um ruído legal no último compasso do riff de entrada. Gostei bastante da balada "Früling in Paris", tanto do dedilhado no violão como a melodia dos vocais (no refrão, especialmente), e é legal o timbre de teclado durante o respectivo solo. "Wiener Blut" é ótima para acompanhar a letra perfeitamente soletrada por Till Lindemann. A faixa-título é das melhores, com andamento acelerado e bons riffs. Rammstein é a banda que melhor se vale de sons de sintetizadores em ambiente heavy metal, e isso fica patente em "Mehr", que inicia com um hipnótico som de teclado que, após os versos, dá lugar a um pesado riff de guitarra enquanto Lindemann cospe o nome da faixa.

Talvez não tenha individualmente faixas melhores do que as melhores faixas de "Reise, Reise", mas a audição de "Liebe is Für Alle Da" é tão ou mais divertida que "Rosenrot". E a capa, encarte e embalagem são de excelente qualidade. No país de origem chegou a ser vetado por órgãos públicos, que é o tipo de polêmica que a banda costuma se meter.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Rammstein "Reise, Reise" (2002)

Uma das coisas que jamais vou esquecer é o show infame do Rammstein na abertura para o Kiss no Jockey Club em 1999. Na época não conhecia nada do som dos caras, e aquele show, apesar de ter curtido um punhado de riffs das guitarras distorcidas e pesadas (executados com bastante repetição), acabou sendo marcado pelas performances de palco, digamos, bizarras dos alemães (aqui estou referindo especialmente a um episódio de interação entre o tecladista e o vocalista, que motivou reações de hostilidade com humor por parte da platéia...). Desde aquele show, apesar de um tempo depois o Bruce ter dito que os caras tocavam algumas boas músicas, jamais me interessei pelo som do Rammstein.

Isso mudou há um par de anos, quando vi no balaio da Multisom o disco "Mutter", que trouxe para casa pela curiosidade e pelo preço barato. Tive a surpresa, então, de que havia, de fato, músicas muito boas e riffs bem legais. A isso somava o fato de que o encarte com as letras em alemão poderia facilitar a aprendizagem da língua, quando resolvesse retomar os estudos. Naturalmente que, a partir daí, pesquisei a banda e baixei mp3 de alguns discos, notadamente "Reise, Reise" (o "Rosenrot" aluguei na Espaço Vídeo).

De todos, o disco que achei com o melhor conjunto de composições foi esse "Reise, Reise". A banda tem uma característica muito forte de riffs de guitarra arrasa-quarteirão conduzidos por uma bateria marcante, e o resultado é curioso, meio "dance metal" como já li em algum lugar. Sobre tudo isso há ainda uns bons sons com sintetizadores, com umas melodias legais sobre os riffs e acordes. Acaba sendo inspirador, pois.

Ainda não cheguei no estádio de compreender grande parte das letras - e geralmente isso é dispensável quando se está diante de boas faixas de guitarras. A faixa-título traduz o método de composição da banda: um riff poderoso de guitara, versos sobre uma base mais tranquila para enfatizar os vocais, refrão majestoso sobre o riff, e timbres excelentes de sintetizadores. Além desta, as melhores músicas de "Reise, Reise" são "Los", "Keine Lust", "Amerika", "Mein Teil". Demais músicas, como "Dalai Lama" e "Stein Um Stein" (que tem bonitas melodias), também são muito boas.

"Los" é uma faixa com violões e bateria; mas não é balada, é um heavy metal típico da banda. O violão manda ver num riff valoroso e simples, sobre o qual Till Lindemann canta a maior parte dos versos e do refrão. Percorre a faixa solos de uma espécie de harmônica desafinada. É a minha música favorita da banda.

"Keine Lust" é legal pela interação dos vocais com as guitaras nos versos. Ademais, o teclado complementa o riff principal de guitarra.

Aparentemente a letra de "Amerika" é uma gozação/crítica com símbolos tradicionais americanófilos; independentemente disso, o refrão é muito bom "We´re all live in Amerika, Amerika ist Wunderbar", tanto quanto as guitarras e as melodias.

"Mein Teil" é outra demonstração do tipo de inspiração que os caras trazem: um riff estupidamente pesado sobre o qual paira uma melodia de sintetizador. Além disso, os versos trazem a conhecida expressão "Du bist was du isst".

Se há apenas um disco para gostar de Rammstein, provavelmente esse disco é "Reise, Reise".

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Mötley Crüe "Red, White and Crüe" (2005)


No acervo da Espaço Vídeo achei a melhor coletânea do Mötley Crüe, e a razão é uma só: além de reunir os clássicos da banda até 1989 (do tipo "Live Wire", "Looks That Kill", "Shout At The Devil", "Girls, Girls, Girls", "Kickstart My Heart", "Dr. Feelgood" e "Home Sweet Home") e conter uma das excelentes faixas da época com John Corabi ("Hooligan´s Holiday"), "Red, White and Crüe" conta com a minha música favorita da banda. Curti muito "Hell On High Heels" desde a primeira vez que ouvi, na MTV com o clip que passava no Fúria. O riff é muito bom e bem bolado, com vários acordes rock´n´roll posicionados entre pausas certeiras. O refrão é matador (a melhor parte da música), e o solo de Mick Mars incorpora vários licks clássicos de pentatônicas com bends inspirados. "Hell On High Heels", então, é uma música do tipo perfeita. Tirante essa, das particularmente melhores estão "Looks That Kill" (que demonstra como os caras têm talento para compor riffs de gutiarra muito bons com as mesmas notas e recursos que todos utilizamos, no entanto sem soar parecido com ninguém, ou genérico em excesso), "Girls, Girls, Girls" (guitarras com peso bom, embora a faixa seja típica de hard rock), "Kickstart My Heart" (músicas rápidas nesse estilo são geralmente boas, sobretudo com um bom riff), "Bitter Pill" (é legal a palhetada no riff principal).

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Mötley Crüe "Generation Swine" (1997)


Logo após um álbum excepcional, é comum que as bandas lancem discos medíocres. Metallica e Rolling Stones são exemplos, e o Mötley Crüe não é exceção com "Generation Swine", lançado em 1997 após o excelente "Mötley Crüe" de 1994. Conforme wikipedia, a banda ainda contava com John Corabi, e boa parte do disco foi composta com o vocalista/guitarrista; entretanto, após negociações prolongadas, optou-se pelo retorno de Vince Neil. "Generation Swine", propriamente, é muito fraco, pelo menos em comparação com o alto padrão do disco anterior. Os caras resolveram incorporar sons eletrônicos e mais afinados com o rock alternativo. Não encontrei os riffs inspirados, a não ser em "Let Us Prey", que tem um riff bem pesado com pausas cortantes. No mais, os caras parecem com a cabeça em outro lugar: Nikki Sixx e Tommy Lee não são tão mestres assim; o primeiro, embasbacado por estar com a espetacular Donna D´Errico (quando vão lançar as caixas de DVD com o Baywatch?), e o segundo, embasbacado por ter um filho com a Pamela Anderson. Tanto uma quanto outro foram "inspiração" para músicas bem fracas: "Rocketship" e "Brandon". Sobrou tempo no estúdio para uma regravação de "Shout at the Devil '97".

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Mötley Crüe "Mötley Crüe" (1994)


Tanto quanto muitas bandas de hair metal, ou hard rock farofa dos anos 1980, jamais dei bola para o Motley Crue; achava que os caras não tocavam nada, que eram apenas posers, e o visual era repugnante. Há alguns anos, no entanto, aluguei uma coletânea na Espaço Vídeo e descobri que os caras fazem algumas músicas bem boas, com riffs de guitarra muito legais. Lembro, ainda, que o Valmor/Bruce tinha certo apreço por um disco particular do Motley Crue, no qual o vocalista era John Corabi e o som era um pouco diferente do que a banda costumava fazer. Pois foi esse álbum, chamado "Mötley Crüe" que encontrei na Espaço Vídeo para venda por menos de 10 pila. E de fato é um bom disco. A primeira música, "Power to the Music" é massa, com um riffão de guitarra em dropped D. O timbre das guitarras no álbum inteiro é uma cavalice, o vocal de Corabi é bom e adequado para todas as músicas, e a batera de Tommy Lee é bem espancada (a caixa e os pratos estalam para valer). Mick Mars fez um excelente trabalho, utilizando wah-wah em vários solos, e com vários riffs bons: durante o solo de guitarra em "Holligan´s Holiday", "Hammered" (paulada na orelha), "Smoke the Sky" (outra cacetada com riff matador e levada de bateria mais rápida, estilo Crüe, possivelmente a melhor do disco, junto com "Power to the Music"). Encontrar discos excelentes como esse, ao acaso, não tem preço (candidato a disco essencial daqui a algumas audições).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

CDs do Kiss - Parte V "Revenge" (1992)


É curioso como todas as melhores bandas de hard rock e heavy metal (Metallica, Judas Priest, Slayer) lançaram discos excelentes no início dos anos 1990, pouco antes ou concomitantemente com o surgimento do que se convencionou chamar de grunge. O caso do Kiss não foi diferente, pois em 1992 lançou “Revenge”, um belo disco que marcou uma espécie de retorno ao grande som de álbuns como “Creatures of the Night” e “Lick It Up”. Foi o ápice de uma evolução percebida a partir de “Hot in the Shade”: com efeito, após a retirada das máscaras a banda entrou em processo degenerativo de imagem, som e mesmo condução dos destinos da banda. Veja-se que após “Lick It Up” a banda lançou “Animalize”, com bom sucesso, “Asylum”, com mudança de visual já indiciada no disco anterior para participar do “glam metal” ou “hair metal” acompanhada de pasteurização do som, atingindo-se o fundo do poço com “Crazy Nights” e “Smashes, Trashes and Hits” (ainda terei oportunidade para defender que, apesar de tudo, esses discos têm músicas muito boas, mas agora não é o momento). No início dos anos 1990, o Kiss livrou-se dos excessos (roupas multicoloridas e sonoridade convencional) e partiu para composições mais maduras e sólidas em “Hot in the Shade”. Os caras provocaram os fãs no vídeo de “Rise To It”, no qual Gene Simmons e Paul Stanley apareciam num camarim maquiando-se e vestindo-se como se fosse 1975, alimentando esperanças de uma eventual reativação das consagradas máscaras. Além disso, acredito que por volta dessa época todas as bandas de todos os estilos de hard rock e heavy metal passaram a admitir em entrevistas que tiveram o Kiss como grande influência, e que começaram a tocar seus instrumentos e a formar suas bandas por causa do quarteto de New York. Havia, pois, um momento bastante favorável para o Kiss fazer algo relevante e com boa aceitação. Mesmo com o falecimento precoce de Eric Carr em novembro de 1991, a banda já estava no caminho certo para fazer um excelente disco de som pesado.

Lembro de ver o CD nas lojas do Praia de Belas na época em que nem tínhamos CD-Player em casa no início dos anos 1990. E me intrigava a contracapa do CD, com a foto da formação Stanley, Simmons, Kulick e Eric Singer com roupas de couro preto, e o baterista (então, para mim, ignorado) parecia mais um surfista com cabelos compridos loiros (“esse disco deve ser ruim”). O “Alive III”, que ouvi em julho de 1993, serviu para desmistificar esses pré-conceitos, pois essa formação era muito boa e competente para a execução de qualquer música da discografia do Kiss. Então, juntamente com o “Alive III”, adquiri o “Revenge” no segundo semestre de 1993, numa loja da Gal. Chaves, térreo.

Por conhecer o “Alive III”, já estava familiarizado com “Unholy”, “Take It Off”, “I Just Wanna”, “Domino” e “God Gave Rock´n´Roll To You II”. Surpreendeu-me o fato de que as versões de estúdio não eram tão boas quanto às ao vivo: estas soavam mais vivas e dinâmicas, ao contrário daquelas, lentas e um tanto burocráticas. Bob Ezrin foi chamado para ser o produtor, mais de uma década após o último trabalho com a banda (“Music From the Elder”, que apesar da fraca receptividade na época, e da rejeição de Paul em todas as entrevistas, é um disco com músicas muito boas). Independentemente disso, “Revenge” contém os melhores registros da carreira de Bruce Kulick: o guitarrista simplesmente arrebentou em todos os solos e todos os riffs. Não por acaso, Kulick – em entrevista à Guitar World com Angus Young na capa em 1993 – enfatizava o quanto achava legal que Singer era o tipo de baterista que sabia de cor os solos de guitarra a ponto de assobiá-los nos corredores do estúdio. Efetivamente, tratam-se de solos de guitarra marcantes, e agora tenho o interesse renovado para pesquisar a utilização do lendário wah-wah.

“Unholy” não é a música mais pesada do disco, mas é a melhor e mais representativa dessa nova fase do Kiss. É o primeiro single de Gene Simmons desde “I Love It Loud”, e, além do baixista, a autoria é creditada a Vinnie Vincent, o que para mim até hoje não está bem esclarecido (afinal, Vinnie foi demitido duas vezes da banda em 1983 e 1984 conforma amplamente divulgado por Gene e Paul durante todos esses anos, sendo certo que no período houve diversas aços judiciais por parte de VV... por que, então, os caras chamariam um guitarrista tão repudiado para compor novas músicas?). Seja como for, o riff é estupendo (bem sofisticado, começando com slides e partindo para notas na 5.ª e na 4.ª cordas); além disso, toda a parte de guitarra (versos, pré-chorus, chorus, base do solo) é muito bem trabalhada, não havendo nada óbvio ou repetitivo ou fora de lugar. Destaque para o espetacular solo de guitarra de Kulick (talvez só perca em qualidade para o de “Tears Are Falling”, do “Asylum”).

Gosto do fato de que em “Revenge” foram utilizadas outras afinações diferentes da convencional, ou da convencional meio-tom abaixo. Muitas das faixas estão com afinação um tom abaixo, dentre as quais “Take It Off” e o legal é aferir que a afinação mais pesada não traduz, necessariamente, numa música mais pesada. Assim, “Take It Off” é em G, ao invés de A, o que provavelmente serve para facilitar a tarefa de Paul Stanley nos vocais. Trata-se de uma música que funciona muito bem ao vivo, e Paul se aproveita da parada no meio (apenas se ouve a guitarra de Kulick, tocando com os dedos uma parte que lembra a melodia da música) para entreter o público. Novamente, destaco os solos de guitarra. Faço a menor ideia da razão pela qual se atribui nos sites a Kevin Valentine o registro da bateria nessa faixa – de qualquer maneira, não consigo diferenciar a levada nessa música das demais conduzidas por Eric Singer.

A banda já havia gravado “God Gave Rock´n´Roll To You II” para uma trilha-sonora de um filme que já passou várias vezes na Sessão da Tarde, mas que jamais assisti (“Bill & Ted Bogus Journey”). Ainda não sei dizer com certeza essa música foi gravada duas vezes (uma para cada disco), ou apenas se a versão do “Revenge” é uma remixagem da que apareceu na trilha-sonora. Também não sei dizer ao certo se os vocais de apoio de Eric Carr aparecem em “Revenge”. A história, porém, é que Eric Singer gravou a bateria pois Carr estava inapto para tanto, conquanto tenha contribuído com os backing vocals. Eventualmente, Carr reuniu condições para a filmagem do vídeo para a música, que foi o primeiro que vi da banda na MTV e serviu para despertar o interesse sobre o Kiss (que já tinha desde a infância, quando os caras vieram pela primeira vez ao Brasil em 1983). Evidentemente que a música é muito boa: o instrumental é muito bom, e Gene e Paul foram muito competentes na alternância das vozes nos versos.

Paul fez uma letra muito boa para “I Just Wanna”, e o refrão tem parte perfeita para participação do público nos shows. Além disso, há uma parte a capella depois do solo de guitarra que enriquece a composição. Trata-se de uma característica de “Revenge” a diversidade de partes dentro das músicas, e a perfeita execução nos instrumentos (é possível que Bruce Kulick tenha registrado grande parte das guitarras e mesmo do baixo das faixas, fato que é certo em “Carnival of Souls”).

“Domino” é uma das boas composições de Simmons (bons versos e bom refrão), com partes faladas que lembram “Christine Sixteen”. Outra que tem bom solo de Kulick, e é muito bom ouvir a versão demo no “The Box Set”. Além da versão do “Alive III”, os caras mandaram uma versão acústica muito surpreendente para o “MTV Unplugged” (inclusive com solo de Kulick fiel à versão original, o que, convenhamos, é um grande feito em se tratando de violão de cordas de aço sem pedais de distorção).

“Every Time I Look At You” é a balada de Paul, e é uma das melhores da banda, e que teria feito muito sucesso nas rádios, caso o Kiss tivesse espaço na época (que não era mais favorável ao rock farofa). Até hoje tenho dificuldade para encontrar um jeito de tocar adequadamente a magnífica introdução, e acho muito bons os acordes dos versos. Os caras fizeram bem ao incluí-la no “MTV Unplugged”, mesmo em prejuízo de “Forever”, que seria a escolha mais óbvia.

“Revenge” tem um punhado de boas e obscuras composições: na verdade, não há música fraca nesse disco. Nessas condições têm-se “Tough Love”, “Heart of Chrome”, “Thou Shalt Not”, “Paralyzed”, “Spit” e, principalmente, “Carr Jam 1981”. Vejamos. As duas primeiras são de Paul (com coautores), contam com afinação mais pesada (um tom abaixo, acredito), várias partes legais de guitarra, e backing vocals marcantes e afinados. No solo de guitarra de “Tough Love”, Kulick utiliza bastante o wah-wah com alavancadas da mesma forma que veio a desenvolver com mais intensidade em “Carnival of Souls” (1996). “Heart of Chrome” é talvez a faixa com as mais complexas partes de guitarra, além de ter um refrão marcante com vocais sobrepostos. “Thou Shalt Not” é possivelmente a faixa mais pesada do disco (devido ao riff inicial que aparece no refrão), tem letra pessoal muito boa de Gene (sobretudo pelas rimas nos versos) e é mais uma com solo competente com wah-wah de Kulick. “Paralyzed” não é tão marcante, ainda mais por aparecer quase no final de um disco tão bom. “Spit” tem partes excepcionais de guitarra, com várias notas e pausas, e a letra é cantada ao estilo “rap”, digamos assim. No solo de gutiarra, Kulick executa as primeiras notas do “Star Spangled Banner”. Os caras tocavam essa em formato acústico nas convenções, e é uma pena que não aproveitaram para registrá-la no “Unplugged MTV” (no lugar de, por exemplo, “Domino” – no volume 3 do Kissology aparece os caras tocando “Spit” – até o solo de guitarra, quando Kulick pára e dá risada - enquanto o pessoal da MTV providenciava as alterações no cenário para acomodar Ace Frehley e Peter Criss no palco – e os presentes cantam junto).

Indiscutivelmente é um grande disco do Kiss, com as melhores guitarras já registradas pela banda, e os méritos são todos de Bruce Kulick, sem prejuízo da participação excelente de Eric Singer. Acredito que seja algum problema de produção ou mixagem, pois o som das músicas é um pouco travado em comparação com as versões ao vivo; admito, no entanto, que essa é uma característica de todos os discos do Kiss (à exceção de “Animalize”, “Asylum”, “Crazy Nights”, “Carnival of Souls” e, mais recentemente, “Sonic Boom”).

Ensaio The Osmar Band - "Achtundzwanzig" 01.12.2009

Há coisas inevitáveis para as quais não somos devidamente preparados, e em relação às quais a pouco o que dizer. Resta seguir em frente. Voltamos aos ensaios e o Marcelo trouxe vários reforços da sua recente viagem de férias. Toquei na PRS Custom do Alemão e basicamente deixei o botão de tom entre 0 e 3 (ao invés do costumeiro 10), e acho que em algumas músicas consegui alcançar o timbre que ele geralmente emprega. Temos utilizado a mesma música para iniciar as atividades, pois é fácil, tem uma estrutura já conhecida, e é rápida nos acordes Bm-A-G-F# e letra infame, quase romântica não fosse o refrão (o Marcão contribui com backing vocals e o Marcelo cantou a plenos pulmões). O vocalista estava com o notebook afiado, então ele enfileirava os pedidos de músicas com algumas letras de antigos hits em estoque que iam sendo desencavadas. Das recentes, uma com letra excelente sobre escândalos políticos (versos em B e A, refrão em E e G). O Alemão utilizou-se bastante dos acordes F# e Em nas jams, o que me facilitou a vida, pois conheço apenas uma escala que vai bem nesses acordes. Apesar disso, tive desempenho abaixo da média numa dessas jams que contou com vocais, pois alternei timbre Brian May e depois outro de violão, o que não funcionou. O Marcão e o Alemão fizeram umas jams e eles se acharam nos andamentos tipo baião; tentei acompanhar os acordes, mas não acabei não percebendo a sutileza do ritmo. Durante meu período em Rio Grande, no último trimestre de 2008, os caras compuseram um punhado de excelentes músicas; uma delas foi resgatada nesse ensaio: ouvimos uma vez, e toquei algo que se parecia com o que o Alemão havia composto na guitarra na época (A e D). O Marcão deu show na bateria nessa, com vários rolos e viradas legais, sendo certo que o timbre da batera ficou legal também, especialmente na caixa. Teve uma com letra que não estou certo se é nova ou não, mas o Alemão utilizou um belo timbre de Hammond; lamentavelmente, a versão que ficou registrada não foi tão boa quanto a de ensaio, na qual o Alemão fez um baita solo de teclado. A última do ensaio foi um clássico rock I-IV-V com letra do ano passado sobre a loteria. Nesta e em várias outras o Marcelo fez solos de harmônica.















domingo, 6 de dezembro de 2009

Resenha de CD – Alice in Chains "Nothing Safe" (1999)


Alice in Chains ficou muitos anos sem lançar disco novo, então a gravadora deve ter resolvido capitalizar no período com coletâneas e disco ao vivo. Das disponíveis, achei que seria uma boa essa "Nothing Safe" que tem mais do que 10 faixas, e traz alguns dos principais hits, além de músicas inéditas e demos. "Get Born Again" é a faixa inédita, de 1998, e é boa. Não identifiquei diferença significativa entre a demo de "We Die Young" e a que aparece em "Facelift"; em todo o caso, é uma música muito legal, com bom riff com afinação dropped D. Primeira vez que ouvi com atenção "What the Hell Have I", da trilha-sonora de "Last Action Hero"; na época que saiu esse disco só tinha ouvidos para as espetaculares "Big Gun" do AC/DC e "Angry Again" do Megadeth, e achava muito bizarra essa faixa do Alice in Chains. Agora evolui para considerar que é uma boa composição de Cantrell. As três melhores da banda se fazem presentes: "Man in the Box", "Angry Chair" e "Would?". Ainda me espanto no fato de como essa banda conseguiu se vincular ao grunge e desfrutar do sucesso dedicado ao Nirvana e Pearl Jam. Entretanto, curti mais o “Black Gives Way to Blue”.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Discos Essenciais – Lamb of God “Wrath” (2009)


Das bandas da new wave of American heavy metal, a que tenho acompanhado mais de perto é Lamb of God. Notei que todas as bandas desse estilo (Slipknot, Mastodon, Trivium, Lamb of God) estão refinando seu som nos discos mais recentes. Assim, se os primeiros discos dessas bandas – tidos como referência no gênero – são, no meu caso, difíceis de ouvir (às vezes, tanto peso e agressividade nas guitarras e nos vocais são duros nos ouvidos), os discos mais recentes estão sendo do meu agrado (por exemplo, Slipknot está adotando vocais mais melódicos e solos de guitarra, sem prejuízo dos riffs destruidores). O Lamb of God já havia baixado um pouco a bola em “Sacrament”, num disco com riffs em formato de música com início, meio e fim, e o resultado foi muito bom (sobre “Sacrament” escrevi há uns meses atrás aqui). Para “Wrath”, no entanto, os caras resolveram simplificar as coisas e alegadamente deixaram de seguir a tendência das várias camadas de guitarras do disco anterior: isso facilita na hora de executar as músicas ao vivo, pois se ouvem apenas os quatro instrumentos e a voz (entretanto, isso não vale para as primeiras duas faixas do disco, conforme adiante). Além disso, ao timbre das guitarras foi dado tratamento mais rústico, sem tanto ganho na distorção, forçando os guitarristas a tocarem com mais força sobre as cordas.

Tenho ouvido bastante “Wrath” há um mês. Definitivamente, não curto os vocais de Randy Blythe; o que vale são as guitarras de Mark Morton e Willie Adler. Os caras utilizam exclusivamente afinação dropped-D, só que de maneira diversa da grande maioria (dentre as quais me incluo) que se vale da afinação para executar riffs com Power chords nas cordas mais graves. Morton e Adler compõem riffs complicados e rápidos, muitos dos quais com saltos enormes que exigem grande abertura da mão esquerda. É nessa técnica que tenho centrado atenção.

Destaco “The Passing”, “In Your Words”, “Set to Fail”, e “Grace” como as melhores faixas de “Wrath”. (a) “The Passing” é a faixa de abertura e se trata de um dedilhado muito caprichado (não é complexo, mas tem alguma sofisticação) em violão de cordas de aço ao qual vão sendo agregadas camadas de acordes de guitarras e temas harmonizados. Ao final segue-se (b) “In Your Words”, que começa tipicamente porrada na orelha. Os riffs dos versos (são dois diferentes) contêm notas inusuais do tipo que só uma boa tablatura para entender o que os guitarristas estão tocando. Há o tradicional interlúdio com riff cheio de pausas e o destaque é os minutos finais, nos quais os guitarristas demonstram uma certa influência de metal progressivo, digamos assim (talvez seja um discurso de marketing positivo quando Morton afirmou que a composição de “Wrath” se inspirou em “Rust in Piece” e “...And Justice For All”).

A melhor faixa do disco é (c) “Set to Fail”, com estrutura bem certinha tal qual “Redneck”, mas tanto quanto uma cacetada de peso e um riff matador e criativo na escolha das notas (a nota final, com vibrato Iommi, alterna a cada compasso). É uma das poucas com solo de guitarra convencional. “Grace” conta com uma bela e complicada introdução com guitarras limpas, uma fazendo acordes e a outra executando padrões em escalas, mais ou menos como em algumas partes de “One” do Metallica e no meio de “Trust” do Megadeth. O trabalho das guitarras é realmente primoroso nessa faixa, e lá pelas tantas a introdução é revisitada, só que dessa vez com apropriada distorção, sendo certo que assim como “The Passing” contém um tema de guitarra muito legal (Morton encaixou um arpejo com sweep picking para agregar dramaticidade nessa parte).

Desde que comecei a ouvir Lamb of God, fiquei com a sensação de que se tratava de uma banda que tocava o som do Pantera, sobretudo pelos grooves e pela interação bateria e guitarras, além dos vocais gritados. Só que o Pantera era uma banda com som muito mais diversificado (o vocalista sabe cantar, por exemplo) e as músicas são mais diretas (“Five Minutes Alone”, “I´m Broken”, dentre outras, têm estrutura familiar de verso-ponte-refrão, e os riffs principais se destacam naturalmente). A contrapartida é que o Pantera tem muitas músicas ruins, parecendo o resultado de jams não inspiradas e desconcentradas (o álbum “Far Beyond Driven” é repleto de faixas desse tipo). O Lamb of God, por sua vez, é do tipo que manda ver um bloco de músicas que a um ouvido desatento poderia parecer que se trata de uma música só. Entretanto, é um heavy metal de boa qualidade. Então, uma simplificação bem rasteira seria dizer que o Lamb of God é o Pantera nos seus melhores momentos (mas não nos seus momentos top ou Premium tipo “Mouth For War”, “Cemetery Gates”, “Cowboys From Hell”, “Five Minutes Alone”, “Becoming”, “I´m Broken”, “War Nerve”, “Drag the Waters”, “Yesterday Don´t Mean Shit”).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Resenha de CD – Metallica “Don´t Tread On Us” (bootleg - 1992)


Os melhores bootlegs do Metallica são os que contêm registros da turnê do “Black Álbum”. Nessa época Hetfield está na melhor forma vocal, além de se apresentar como perfeito crooner, agitando a galera durante e entre as músicas. A banda como um todo está tocando muito bem, e o timbre das guitarras é excelente. O set list da época ajuda, e nesse CD consta apenas metade do repertório de um show em Washington em 1992, com várias faixas de “Black Álbum”, inclusive “Of Wolf and Man”, além das tradicionais conhecidas “Enter Sandman”, “Sad But True”, “Wherever I May Roam”, “Nothing Else Matters” e “The Unforgiven”. Sobra espaço para “Creeping Death” (de abertura, acho muito legal a primeira interação de Hetfield com a galera no início da faixa, sobrando “f*ck” e “motherf*cker” numa frase só), além de “Harvester of Sorrow” e “Shortest Straw” do “...And Justice for All”.

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