quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Resenha de CD – Mastodon “Crack the Skye” (2009)


Para um ouvido acostumado com as grandes bandas de heavy metal dos anos 1970 e 1980, é difícil acompanhar o som das bandas novas que surgiram a partir de 2000. Quase passei batido pelo nu-metal, e desde o último par de anos comecei a dar atenção às bandas que formam a nova onda do heavy metal americano. Nesse sentido, a melhor revista de guitarra do mundo, a Guitar World, tem dado um auxílio inestimável: recentemente, joguei no youbute os nomes das bandas citadas na revista para conhecer o som e, enfim, ver qual é dos caras. A grande maioria, no entanto, não impressiona. Seja como for, das bandas que já conhecia de nome, notei um certo padrão, além do fato de que nenhuma dessas bandas teve, até recentemente, CDs lançados no Brasil: os primeiros discos foram muito bem recebidos, mas para mim são duros de ouvir, em razão do peso das guitarras e dos vocais do início ao fim. Há que ter balanço e diversidade num álbum, sob pena de comprometer a audição, embora alguém possa argumentar que se trata de coesão do material composto. Enfim, o que me importa é que os discos mais recentes dessas bandas caracterizam-se por uma espécie de evolução: a banda deixa de lado alguns de seus elementos primitivos e parte para a agregação de outros, tornando o som menos duro. O Slipknot, por exemplo, incorporou solos de guitarras e adotou vocais mais melódicos. O Lamb of God, por sua vez, está fazendo músicas com os riffs.

O Mastodon é das bandas novas que tive grande curiosidade devido às descrições de que os caras tocavam heavy metal com toques de progressivo, jazz e fusion, com andamentos quebrados e bateria ocupada o tempo inteiro. No papel isso é muito interessante, mas as audições dos mp3 não agradaram. Recentemente a banda lançou, então, um disco que os próprios caras admitem terem dado uma maneirada no som, adicionando melodias e tudo mais, sem prejuízo do peso das guitarras. Pelo só fato de “Crack the Skye” ter sido lançado no Brasil em CD – apesar do preço extorsivo – trouxe para casa da Cultura.

A primeira noção é a de que, de fato, Mastodon não é uma banda comum de heavy metal. Há peso nas guitarras, e as guitarras fazem coisas complicadas e diferentes uma da outra, mas não há riffs convencionais (ou melhor, custam para aparecer riffs convencionais no decorrer das faixas). Em “Crack the Skye” há uns 4 ou 5 riffs que poderiam ser chamados de tradicionais, do tipo que eu poderia tirar na guitarra em casa. O resto todo são dedilhados inusitados, notas rápidas, acordes atípicos, sob os quais a bateria quebra o andamento com frequência. Particularmente, serve-me para abrir a cabeça e procurar ideias criativas e sem precedentes.

Além dos trabalhos da guitarra e da bateria, acrescente-se o fato de que em “Crack the Skye” os vocais são divididos entre um guitarrista, o baixista e o baterista. As letras são do tipo “viajantes”, e aparentemente os caras seguem um tema a cada disco (ar, água, fogo e terra).

Todas as faixas têm bons momentos, e me parece que a audição da íntegra do álbum, conquanto não totalmente pacífica, é recompensadora. Costumo ouvir as primeiras três faixas, e estou curtindo esse disco com o passar do tempo, à medida que me familiarizo com as diversas partes das diversas músicas. Uma coisa, porém, é certa: o riff dos versos de "Divinations" é espetacular.

Resultado da enquete "melhor guitarrista de todos os tempos"


Talvez devesse ter feito como um blog de um grande jornal local que, depois de eu ter lançado a enquete sobre o melhor guitarrista de todos os tempos, fez uma enquete igual, com a diferença de ter excluído desde já Jimi Hendrix. De qualquer maneira, serviu para confirmar minha noção particular de que Hendrix é o melhor guitarrista de todos os tempos, independentemente de suas músicas serem ou não as melhores de todos os tempos. Afinal, dos 21 votos durante os 30 dias disponibilizados, Hendrix recebeu 11 indicações. Curiosamente, três guitarristas ficaram empatados com 4 votos: Jimmy Page, Eric Clapton e David Gilmour. Em último lugar, com apenas 2 votos, ficou Eddie Van Halen. Entretanto, caso essa votação tivesse lugar nos EUA, é possível que o resultado fosse diferente. Afinal, a julgar pelas capas da melhor revista de guitarra do mundo, a Guitar World, Eddie Van Halen deve ser garantia de altas vendagens. Eddie é capa da edição mais recente (acompanhado de Tony Iommi), comemorativa de 30 anos do lançamento da revista, apesar de (a) não ter lançado nada novo nos últimos anos, e (b) sequer ter feito turnê com a banda que leva o seu nome. Das 27 edições disponíveis no google livros, Eddie é capa de 4 (Hendrix e Kirk Hammett, no mesmo período, têm dedicadas apenas 2 capas). Embora essas edições com Van Halen não tragam nada de novo a não ser descrições de novos equipamentos com o nome do guitarrista (amplificadores, guitarras, efeitos, etc.), parece-me que é certo que uma capa com Eddie Van Halen é certeza de vendas expressivas, pois deve haver muito interesse sobre o que o cara tem a dizer. Devo dizer que não votei na enquete, pois teria dificuldades de fazê-lo. O meu favorito, dentre os 5, é o próprio Eddie Van Halen, mas me parece impróprio defini-lo como melhor guitarrista de todos os tempos. Esse título é merecidamente de Jimi Hendrix, pois é o único que se pode dizer que sem ele a guitarra não seria tocada do mesmo jeito pelos outros 4 e por todos nós guitarristas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Shows XVIII - Absence Of (12.12.2009, Eclipse Studio Bar)

Desde sempre tive curiosidade de assistir a um show da Absence Of; afinal, o tecladista Vinicius Möller é conhecido de longa data e já tivemos oportunidades de dividir o palco em uma trinca de bons shows da Burnin´ Boat (no Arsenal, na Croco e no Coruja de Minerva). Entretanto, por uma razão ou outra, jamais estive disponível; desta feita, os planetas se alinharam e pude comparecer no Eclipse Studio Bar, quase em frente ao Opinião, para assistir ao show dos caras no último sábado, 12.12.2009 (na verdade, entramos depois da meia-noite, então o show foi na madrugada de 13.12.2009). Admito que não estava familiarizado com grande parte do material, vez que apenas ouvi um par de vezes umas duas ou três faixas disponibilizadas pela banda no seu sítio no MySpace. Os caras se propõem a um prog metal, mas minhas deficiências impedem de identificar o tipo de prog metal (nesse estilo fiquei apenas no âmbito do Dream Theater, Symphony X, Fates Warning e OSI; em outras palavras, não avancei para bandas mais novas como Porcupine Tree e Pain of Salvation, dentre outras).

A Absence Of dividiu a noite com outra banda, e sabiamente se posicionou para iniciar as atividades (nos liberando do compromisso com antecedência). O repertório, no qual todas as músicas tinham mais de 5min (no mínimo), teve duração ideal, o que permitiu até - como bem observou a Cris - que a galera se empolgasse novamente para a última música do set list (pois a música era, de fato, empolgante). Em contrapartida, o microfone para backing vocal do baixista Daniel Ruschel estava com volume bem melhor do que o microfone disponibilizado para o vocalista Arthur Ávila, mas talvez a posição dos cabos não permitisse a troca definitiva. Além disso, o Valmor concordou com a minha percepção de que o volume e o timbre distorcido da guitarra do Orontes Mariani ficaram a desejar (nas partes mais pesadas não consegui ouvir a guitarra, embora percebesse que o cara tocava coisas legais olhando para o que ele digitava com a mão esquerda na guitarra). O Valmor e a Cris ponderaram que o batera Chantos Mariani demorou um punhado de músicas para se soltar; de minha parte, achei que o cara mandou bem o tempo todo. Realmente achei que esse baterista tem um estilo muito legal de tocar, mantendo os braços ocupados o tempo todo, ocasionalmente utilizando eficientemente o pedal duplo (com som bem alto, em prejuízo da guitarra); em vários momentos, achei que o baterista era o MVP da banda. O Vinícius, por seu lado, teve oportunidade para executar uns 3 ou 4 solos de teclado do tipo arrasa-quarteirão, com timbres bem pegados.

Particularmente, entendo que o show se dividiu em duas partes: antes e depois das assim anunciadas músicas novas. Na primeira parte, os meus ouvidos de guitarrista de heavy metal sentiram falta de riffs de guitarra com utilização da 6.ª corda solta (independentemente de afinação, riffs bons geralmente utilizam a 6.ª corda solta, sendo certo que há riffs que utilizam exclusivamente a 6.ª corda solta, como "Kill the King" do Megadeth, dentre outras). A banda abriu com "I´m Coming" e seguiu com "Blank", ambas com alta rotação no MySpace dos caras. "I´m Coming" tem um riff pesado lá pelas tantas que parece meio retão (face aos acentos), mas os caras resolvem com uma melodia muito legal com um acorde numa região mais aguda da guitarra. "Blank" me serviu para mostrar como é possível que a guitarra silencie durante os versos, desde que se conte com um qualificado timbre de teclado para fazer a base, o que foi exatamente o caso. Além disso, achei interessante os acordes de guitarra que apareceram antes do solo. O Arthur anunciou um cover de música e banda sobre os quais ainda não pesquisei: "Incommunicado" do Marillion/Fish. É possível que a escolha tenha feito sentido, desde que se saiba o tipo de prog metal que a Abscence Of se dedica. "Goodbye Bunker Hill" é possivelmente a faixa mais conhecida dos caras - ou pelo menos o público assim me fez entender - e encerrou essa que eu chamo de primeira parte do show. Desde o início percebi que a banda estava perfeitamente ensaiada, e acho sensacional que assim o seja pois acredito que ensaios frutíferos são três quartos do caminho para um bom show; em "Goodbye Bunker Hill" os caras mostraram que estavam afiados, sobretudo num trecho em que a banda executou em uníssono com teclado, baixo e guitarra, no melhor estilo Dream Theater/Rush.









O Arthur anunciou, então, que seriam executadas duas músicas inéditas. E aí o show ficou ainda mais interessante, pois essas músicas são muito boas. "The Greatest End" e "Ennui". A primeira tem melodias grandiosas nos vocais, lembrou-me de alguma coisa do Iron Maiden na época do "The X-Factor" (admito que a referência deve ser só uma lembrança pessoal minha). "Ennui" tem partes de guitarra mais marcantes, com o riff inicial cheio de pausas (acho legal quando penso "bem que podiam botar a 6.ª corda solta nessas pausas" e lá pelas tantas o guitarrista faz exatamente isso - as vezes o meu ouvido não se engana). Achei muito legal um trecho em uníssono com teclado, guitarra, baixo e bateria, quase fusion. O solo de guitarra foi de debulhação, mas na hora não ouvi quase nada - acompanhei só pelos movimentos das mãos. A música que me era mais familiar foi o cover de Porcupine Tree, "Open Car" e a banda executou uma versão que me pareceu fiel à original - e foi boa a eleição de um cover com guitarras destacadas. "Herd" é uma bela composição, curti a agressividade até o início dos versos (e eventual retorno mais adiante), bem como o pequeno solo de teclado lá pelos 5:30 (notas legais e timbre massa). A prova da eleição coerente de um bom set list se deu quando a Abscence Of mandou a última música: "One Warm Day", com um riff dinâmico e empolgante com drop D, injetou ânimo na galera que agitou apesar do cansaço pelo horário avançado. A música é muito boa, e curti bastante a seção instrumental do meio da faixa, bem como mais um solo de teclado arrebatador e com timbre legal.













Mais do que tudo, foi inspirador assistir a uma banda bem ensaiada com músicos competentes executando um bom prog metal.

Resenha de CD - Ratt "Detonator" (1990)


Talvez o grunge não seja o único culpado pelo encerramento (por quase uma década) de atividades de muitas das bandas de hard rock farofa dos anos 1980 (hair metal, ou glam metal). Afinal, no início dos anos 1990, na iminência do novo movimento que, dentre outras coisas, preconizava guitarras com distorção e algum peso executando riffs e melodias simples, as bandas que faziam sucesso na década anterior se colocaram numa situação de eleger entre (a) continuar fazendo o mesmo som de antes, ou (b) tentar se reinventar e fazer outra coisa, ou (c) tentar acompanhar o som do momento. O Ratt foi uma das bandas que continuou fazendo hair metal no seu disco "Detonator" de 1990. Se as coisas parecem promissoras em "Intro to Shame", na qual Warren DeMartini e cia. executam nas guitarras algo que lembra o início de "Shine On You Crazy Diamond" do Pink Floyd, e "Shame Shame Shame" que é uma música razoável, o restante do disco é bastante genérico e fraco. Particularmente, gostei de ouvir timbres de Fender Stratocaster com distorção em ambiente hard rock, mas admito que é pouco para fazer um bom disco.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Pantera "Reinventing Hell"


Para quem tem a discografia completa do Pantera, como é o meu caso, essa coletânea interessa exclusivamente por um par de faixas inéditas e, fundamentalmente, pelo DVD bônus com os vídeoclipes da banda. Um dos meus vídeos favoritos de todos os tempos é o de "Five Minutes Alone": a música é espetacular, sobretudo em razão do riff de guitarra, e alguém teve a genial ideia de fazer closes em slow motion dos instrumentos. Assim, as cordas abafadas e as palhetadas, os slides, os hammer-ons e pull-offs na guitarra e no baixo ficam ainda mais expressivos com esse recurso visual. Lembro do tempo em que o vídeo de "I´m Broken" era lider do Disk MTV. E estando os vídeos em ordem cronológica, é possível acompanhar a evolução da banda e do som dos caras até o último álbum, "Reinventing the Steel".

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

CDs do Kiss - Parte VI "Creatures of the Night" (1982)


Sobre “Creatures of the Night” já tive oportunidade para escrever, nos primórdios deste blog, incluindo apreciação do momento histórico do seu lançamento no início dos anos 1980, bem como algumas memórias pessoais. A versão em CD apareceu em meados dos anos 1990, com capa diferente (sem máscaras e com Bruce Kulick) e ordem alterada das faixas; tive essa versão até que comprei em 1998 o CD remasterizado e importado (com a sensacional capa original) de um amigo (Humberto) que tinha uma locadora (e acesso à distribuidora de discos importados a preço bem abaixo das lojas convencionais). Cabe dizer que o som do remasterizado é MUITO melhor que o da versão original, sobretudo o som da bateria (o que já é um baita ganho, sabendo-se como se sabe que o registro de bateria nesse disco é um dos melhores de todos os tempos). Comentários atualizados estão entre []'s.

“23.07.2003 - Creatures of the Night – trata-se do meu disco favorito de todos os tempos; faço questão de ressaltar isso de início. Lançado em 1982, após o fracasso de Music from the Elder, Creatures retomou a idéia de lançar um disco de rock pesado (hard rock), numa tentativa de mostrar aos fãs que o Kiss ainda era capaz de produzir bons discos como no passado (anos 70). Mas a essas alturas, boa parte dos fãs já havia abandonado a banda [sobretudo pelo som suave de "Unmasked" e "Dynasty e] diante do surgimento de novas bandas de heavy metal e hard rock no início dos anos 80. Iron Maiden, Judas Priest, Motorhead, Saxon, Def Leppard, Diamond Head, entre muitas outras bandas inglesas ganharam notoriedade quando o movimento punk foi perdendo espaço.

Desse modo, Creatures não gozou do sucesso esperado. Injustamente, devo dizer. Trata-se de um grande disco de hard rock, composto de 9 músicas comprometidas com o estilo. Em Creatures ouvem-se riffs pesados e rápidos. O baixo também se destaca em algumas músicas. E a bateria de Eric Carr se beneficiou tremendamente com a mixagem, alcançando um dos melhores registros da história do rock. Entendo que nesse processo de mixagem, as guitarras não levaram a melhor, ficando às vezes difícil de ouvir alguns riffs (notadamente em Saint and Sinner e Danger). Mas isso não compromete o álbum, e é daquelas imperfeições que compõem as grandes obras.

O disco inicia com a faixa título, e uma abertura fenomenal de Eric Carr. A edição remasterizada do cd realça ainda mais esses detalhes. Cabe referir, neste passo, que uma das grandes belezas desse disco é que o lead guitar Ace Frehley não participou das gravações. Todos os solos foram gravados por outros guitarristas: e a tarefa de adivinhar que guitarrista gravou qual solo é bastante divertida (na minha opinião). No caso da música Creatures of the Night, o solo principal (um dos melhores que eu já ouvi) foi gravado por Steve Ferris. Como curiosidade, vale lembrar que Eddie Van Halen chegou a comparecer às gravações para gravar o solo da faixa-título, cogitando-se até que seria o guitarrista substituto de Ace. Os demais mini-solos (fills entre os versos) foram obra de Adam Mitchell (que compôs essa música com Paul Stanley). Bela música, belos versos, fantástico solo, e brilhante de bateria de Eric Carr.

Saint and Sinner é a primeira faixa de Gene Simmons. Tem um andamento mais cadenciado. Sobressai aqui a bateria muito criativa de Eric Carr, que acompanha os versos de maneira bem inusitada; no refrão Eric acompanha as guitarras criando um belo efeito com os vocais. O solo (memorável), tudo indica, foi patrocinado por Vinnie Vincent (então Vincent Cusano), que compôs várias músicas nesse álbum e viria a ser o substituto de Ace na turnê e no álbum seguinte.

Keep me Coming é de Paul, e tem um bom refrão que repete o título da música várias vezes. O riff principal tem uma característica de Paul, apresentada também em outras músicas como The Oath (do Elder) e Get all you can take (do Animalize). Outra característica do Paul em muitas músicas é um trecho antes e depois do solo (ver Under the Gun do Animalize). Gosto muito do pre-chorus “Sweet little innocent girl...”. Seguramente o solo foi gravado por Vinnie.

Rock and roll hell foi composta por Gene, Jim Vallance (que compôs muitas outras com o Kiss) e Bryan Adams (o cantor canadense aquele)
[na verdade, aparentemente a faixa foi composta exclusivamente por Vallance e Adams], e é calcada basicamente no baixo de Gene. Bastante marcante e até representativa do ânimo do baixista/vocalista naquela época. “Get me out of this rock and roll hell”. Eric é bastante criativo nessa música (acompanha os versos com o tom, e ajuda a construir a ‘tensão’ que termina com o refrão). Nessa e em todas as músicas Eric produz belos ‘rolos’ na bateria (acho que essa é a melhor característica dele, e nesse disco particularmente – todos os rolos são brilhantes; o modo como ele insere na música, marcando o fim de um trecho e o início de outro). Não estou muito seguro, mas parece que o solo é de Vinnie também.

Danger é uma música bem rápida, composta por Paul e Adam Mitchell (a dupla da faixa título). Aqui acho que a mixagem prejudicou as guitarras. Bom refrão. Solos de Vinnie, com certeza. Eric dá mais um show na bateria – há um overdub no hi-hat. E os rolos são soberbos. Talvez seja a melhor contribuição de Eric no álbum. Repare na tensão criada no pre-chorus que vem depois do solo – Paul cantando com muita emoção.
[O baixista do Yellowjackets Jimmy Haslip foi chamado por Michael James Jackson, o produtor, para colaborar nas sessões e acabou registrando o baixo dessa música].

I love it loud é hino da banda nos anos 80. A música é inconfundível, todo mundo conhece. O bumbo de Eric está com afinação bem mais pesada (como nas outras músicas). O solo é extremamente simples – pode ter sido tocado por qualquer um; não tem como identificar nenhum estilo
[Gene já contou a história de que Vinnie Vincent queria fazer um solo acrobático de guitarra, mas o baixista fez prevalecer um solo bem simples]. Ao final, há uma utilização do recurso fade out – fade in – fade out (a música parece que termina, mas volta pra, aí sim, terminar).

I still love you é a balada de Paul. É tão triste e comovente que eu nao costumo ouvir regularmente. Destaque todo especial pra letra, realmente tocante. Já é de conhecimento público, mas não custa lembrar que Eric foi quem gravou o baixo. O solo, com muito feeling, ao que parece foi gravado por Robben Ford.

Killer até hoje eu a vejo como a música dispensável do disco. O riff lembra Led Zeppelin na fase hard (primeiros discos). Não é ruim a música, mas não é nada memorável. Solos de Vinnie Vincent, seguramente.

War Machine encerra o disco com um peso nunca visto em um álbum do Kiss. Composta pelo trio Gene/Vallance/Bryan Adams, tem uma boa letra e um belo riff, bem heavy mesmo. O solo tem todo o jeito de ser de Vinnie.

Concluindo: é o meu disco favorito de todos os tempos, e minha ligação com ele vai além da questão musical: visualizo nele algumas lembranças de infância – lembro da época em que foi lançado, do poster do disco nas lojas Breno Rossi, e da turnê promocional no Brasil (e do programa especial que foi ao ar pela TV Globo). Mas foi um disco excelente lançado numa época desfavorável para a banda, pois os fãs, após 3 discos desacertados, já haviam abandonado a banda. Sabe-se que os shows no Brasil foram os últimos com máscara – e para a banda retomar o seu lugar dentre as grandes bandas de rock, não bastava lançar apenas bons discos: era preciso mais. Desligar-se do passado de excessos e excentricidades era medida que se impunha e isso passava por tirar as tradicionais máscaras e mostrar que a banda não estava mais para brincadeira.”

domingo, 13 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Rammstein "Rosenrot" (2005)


Durante os últimos 12 meses convivi com a noção de que as melhores músicas de "Rosenrot" não são melhores do que as melhores músicas de "Reise, Reise", e que por essa razão este último seria melhor que o primeiro. Pois há um mês ouço os três álbuns mais recentes do Rammstein e estou revendo essa ideia: "Rosenrot" é melhor disco no geral, em comparação com "Reise, Reise". Há mais espaço para melodias ("Spring", "Wo bist Du", "Stirb nicht vor mir"), e a interação entre teclados e guitarras é inspirada e inspiradora (como de costume). As melhores faixas são "Benzin", "Mann gegen Mann", "Rosenrot", "Zerstören", "Te Quiero Puta", e "Ein Lied".

"Benzin" abre o disco com uma letra fácil de acompanhar. Talvez o melhor riff do disco seja o de "Mann gegen Mann", uma porrada típica do Rammstein (como bônus, o solo de teclado tem um timbre muito legal). Tenho me esforçado para decorar a letra de "Rosenrot", pois é uma das mais fáceis para cantar e tocar na guitarra, se for o caso. Trata-se de uma música perfeita, com suas partes muito bem encadeadas; destaque para um riff que serve de interlúdio e aparece também ao final. "Zerstören" é a mais pesada do disco, tem bons riffs de guitarra e um excelente timbre de teclado estilo Melotron sobre o riff principal. "Te Quiero Puta" é a música de gozação que os caras costumam lançar a cada disco: há instrumentos de sopro estilo mariachi, a letra hispânica de duplo sentido, e um baita riff de guitarra no refrão. "Ein Lied" conta apenas com um dedilhado no violão, voz e teclados com timbres variados, incluindo um de Theremin.

Tanto "Rosenrot" quanto "Reise, Reise" foram lançados no Brasil, mas com preços exorbitantes; encontrei esses álbuns na Musimundo em Buenos Aires por aproximadamente 30 pesos, o que em reais é bem mais atraente.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Resenha de CD – Rammstein “Liebe ist Für Alle Da” (2009)


Hoje em dia já consigo ouvir pacificamente os discos mais recentes do Rammstein e curto os riffs repetitivos e precisos de guitarra do grupo alemão (os caras são muito bons nisso). A respeito do disco novo, apenas li notícias sobre o título das faixas, nada que se referisse ao som das novas composições. Pouco antes do lançamento, no entanto, vi o vídeo do single “Pussy” hospedado em site pornográfico, bem de acordo com o conteúdo; isso me valeu um diálogo atípico com a moça do caixa da Cultura, onde adquiri por preço exorbitante o “Liebe ist Für Alle Da”.

Rammstein é uma das bandas que não me preocupo em ficar imaginando o que os caras vão mostrar em dado disco novo, pois o resultado será sempre um heavy metal com bateria bem marcada (influência Techno ou dance, como eles gostam de divulgar), e invariavelmente conterá bons riffs de guitarra, e o timbre das guitarras será sempre majestoso e sinfônico (como se 100 guitarras estivessem tocando o mesmo acorde simultaneamente). Então não há como se decepcionar com “Liebe ist Für Alle Da”. Admito que temi perder essa convicção quando ouvi/assisti “Pussy”, que tem uma letra com rimas rasteiras e riffs pedestres (na verdade, são acordes com um monumental timbre de distorção de guitarra) . Como se sabe, porém, nada mais injusto que julgar um livro pela capa ou um disco pelo single. Além disso, os discos mais recentes do Rammstein contêm pelo menos uma música do tipo gozação (“Te Quiero Puta” e “Amerika”, por exemplo).

Fiquei intrigado com a faixa de abertura, "Rammlied": é uma música ou uma vinheta? Afinal, o refrão é apenas um coro teutônico com o nome da banda gritado, do qual gostei a partir da segunda audição: "RAMM - STEIN". As coisas ficam verdadeiramente boas em "Ich Tu Dir Wen", que tem um baita riff de guitarra do estilo Rammstein. "Waidmanns Heil" tem andamento mais acelerado e lá pelas tantas, depois do refrão, aparece apenas uma guitarra desacompanhada tocando o riff, dando um efeito devastador de peso. "B**********" tem um ruído legal no último compasso do riff de entrada. Gostei bastante da balada "Früling in Paris", tanto do dedilhado no violão como a melodia dos vocais (no refrão, especialmente), e é legal o timbre de teclado durante o respectivo solo. "Wiener Blut" é ótima para acompanhar a letra perfeitamente soletrada por Till Lindemann. A faixa-título é das melhores, com andamento acelerado e bons riffs. Rammstein é a banda que melhor se vale de sons de sintetizadores em ambiente heavy metal, e isso fica patente em "Mehr", que inicia com um hipnótico som de teclado que, após os versos, dá lugar a um pesado riff de guitarra enquanto Lindemann cospe o nome da faixa.

Talvez não tenha individualmente faixas melhores do que as melhores faixas de "Reise, Reise", mas a audição de "Liebe is Für Alle Da" é tão ou mais divertida que "Rosenrot". E a capa, encarte e embalagem são de excelente qualidade. No país de origem chegou a ser vetado por órgãos públicos, que é o tipo de polêmica que a banda costuma se meter.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Rammstein "Reise, Reise" (2002)

Uma das coisas que jamais vou esquecer é o show infame do Rammstein na abertura para o Kiss no Jockey Club em 1999. Na época não conhecia nada do som dos caras, e aquele show, apesar de ter curtido um punhado de riffs das guitarras distorcidas e pesadas (executados com bastante repetição), acabou sendo marcado pelas performances de palco, digamos, bizarras dos alemães (aqui estou referindo especialmente a um episódio de interação entre o tecladista e o vocalista, que motivou reações de hostilidade com humor por parte da platéia...). Desde aquele show, apesar de um tempo depois o Bruce ter dito que os caras tocavam algumas boas músicas, jamais me interessei pelo som do Rammstein.

Isso mudou há um par de anos, quando vi no balaio da Multisom o disco "Mutter", que trouxe para casa pela curiosidade e pelo preço barato. Tive a surpresa, então, de que havia, de fato, músicas muito boas e riffs bem legais. A isso somava o fato de que o encarte com as letras em alemão poderia facilitar a aprendizagem da língua, quando resolvesse retomar os estudos. Naturalmente que, a partir daí, pesquisei a banda e baixei mp3 de alguns discos, notadamente "Reise, Reise" (o "Rosenrot" aluguei na Espaço Vídeo).

De todos, o disco que achei com o melhor conjunto de composições foi esse "Reise, Reise". A banda tem uma característica muito forte de riffs de guitarra arrasa-quarteirão conduzidos por uma bateria marcante, e o resultado é curioso, meio "dance metal" como já li em algum lugar. Sobre tudo isso há ainda uns bons sons com sintetizadores, com umas melodias legais sobre os riffs e acordes. Acaba sendo inspirador, pois.

Ainda não cheguei no estádio de compreender grande parte das letras - e geralmente isso é dispensável quando se está diante de boas faixas de guitarras. A faixa-título traduz o método de composição da banda: um riff poderoso de guitara, versos sobre uma base mais tranquila para enfatizar os vocais, refrão majestoso sobre o riff, e timbres excelentes de sintetizadores. Além desta, as melhores músicas de "Reise, Reise" são "Los", "Keine Lust", "Amerika", "Mein Teil". Demais músicas, como "Dalai Lama" e "Stein Um Stein" (que tem bonitas melodias), também são muito boas.

"Los" é uma faixa com violões e bateria; mas não é balada, é um heavy metal típico da banda. O violão manda ver num riff valoroso e simples, sobre o qual Till Lindemann canta a maior parte dos versos e do refrão. Percorre a faixa solos de uma espécie de harmônica desafinada. É a minha música favorita da banda.

"Keine Lust" é legal pela interação dos vocais com as guitaras nos versos. Ademais, o teclado complementa o riff principal de guitarra.

Aparentemente a letra de "Amerika" é uma gozação/crítica com símbolos tradicionais americanófilos; independentemente disso, o refrão é muito bom "We´re all live in Amerika, Amerika ist Wunderbar", tanto quanto as guitarras e as melodias.

"Mein Teil" é outra demonstração do tipo de inspiração que os caras trazem: um riff estupidamente pesado sobre o qual paira uma melodia de sintetizador. Além disso, os versos trazem a conhecida expressão "Du bist was du isst".

Se há apenas um disco para gostar de Rammstein, provavelmente esse disco é "Reise, Reise".

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Resenha de CD - Mötley Crüe "Red, White and Crüe" (2005)


No acervo da Espaço Vídeo achei a melhor coletânea do Mötley Crüe, e a razão é uma só: além de reunir os clássicos da banda até 1989 (do tipo "Live Wire", "Looks That Kill", "Shout At The Devil", "Girls, Girls, Girls", "Kickstart My Heart", "Dr. Feelgood" e "Home Sweet Home") e conter uma das excelentes faixas da época com John Corabi ("Hooligan´s Holiday"), "Red, White and Crüe" conta com a minha música favorita da banda. Curti muito "Hell On High Heels" desde a primeira vez que ouvi, na MTV com o clip que passava no Fúria. O riff é muito bom e bem bolado, com vários acordes rock´n´roll posicionados entre pausas certeiras. O refrão é matador (a melhor parte da música), e o solo de Mick Mars incorpora vários licks clássicos de pentatônicas com bends inspirados. "Hell On High Heels", então, é uma música do tipo perfeita. Tirante essa, das particularmente melhores estão "Looks That Kill" (que demonstra como os caras têm talento para compor riffs de gutiarra muito bons com as mesmas notas e recursos que todos utilizamos, no entanto sem soar parecido com ninguém, ou genérico em excesso), "Girls, Girls, Girls" (guitarras com peso bom, embora a faixa seja típica de hard rock), "Kickstart My Heart" (músicas rápidas nesse estilo são geralmente boas, sobretudo com um bom riff), "Bitter Pill" (é legal a palhetada no riff principal).

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