segunda-feira, 29 de setembro de 2008

10.º show da Burnin´ Boat - 17/05/2003 Guanabara Bar

Poucas memórias sobre esse primeiro show que fizemos em 2003 no Guanabara Bar (local que foi palco para um homicídio, alguns meses depois, numa festa hip hop). O Valmor Senior se fez presente, assim como o Bernard e o Gabriel, ambos ex-Bed Reputation; o último era o baixista da banda do Dioberto (Firewall), e ele, juntamente com o tecladista da mesma banda, foram os responsáveis por conseguir um bom público (parecia o recreio do Rosário). O show foi organizado exclusivamente pelo próprio Dioberto, em comemoração ao seu aniversário, de modo que ele tocou com sua banda de covers, e depois fomos nós (não lembro se teve outra no meio). O repertório não deve ter diferido muito do que executávamos na época: uns covers de Deep Purple, Black Sabbath, talvez algum Iron Maiden.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

CD ao vivo – Deep Purple “Come Hell or High Water” (1994)

O primeiro cd do Deep Purple que ouvi foi logo um dos melhores cds ao vivo de todos os tempos, o “Made in Japan”, isso em 1993, bem na época em que estava alugando tudo quanto era disco para conhecer tantas bandas quantas possíveis e tal. Sem saber de nada, previamente, sobre a banda ou o repertório, fui logo com a cara de “Highway Star” (sempre gostei de músicas rápidas, i. é, com andamento rápido) e, evidentemente, de “Smoke on the Water” (só era familiarizado com o riff, que todo mundo conhece). Mas foi apenas quanto tomei contato com outro cd ao vivo, registrado em data mais recente (1993/94), que comecei a ter o Deep Purple como uma das minhas bandas favoritas. Em 1995 adquiri por um preço bem acessível, numa loja no térreo da Gal. Chaves, o “Come Hell or High Water”. Esse disco, lançado em 1994, contém registro da última turnê de Ritchie Blackmore com a banda, no ano anterior, que promovia o disco de estúdio “The Battle Rages On”, e este, por sua vez, representava a volta (pela 2.ª vez) da formação clássica (Mark II) de Blackmore/Glover/Gillan/Lord/Paice, tudo isso em comemoração aos 25 anos de atividade da banda..

É curioso como dos inúmeros cds ao vivo (entre oficiais e bootlegs) de todas as inúmeras fases do Deep Purple, foi a partir desse “Come Hell or High Water” que comecei a querer ouvir (e saber sobre) a banda. É certo que o disco não conta com as melhores performances (só pude avaliar isso bem depois), mas, bem ou mal, é divertido de ouvir e particularmente foi suficiente para apresentar algumas faixas mais importantes, além de servir como prévia da notória característica dos caras de improvisar em algumas faixas. Um bom exemplo é durante “Speed King”, na qual após uma troca de licks entre Blackmore e Jon Lord, a banda toca por oito vezes o riff de “Burn” (que não faz parte do repertório desse Mark II, vez que, como se sabe, foi registrada pelo Mark III).

Se se pode opor alguma resistência à performance de um ou outro integrante, ou à execução de alguma música, o fato é que não há como reclamar do set-list, pois todas as faixas são muito boas ou excelentes: “Highway Star”, “Black Night”, “A Twist in the Tale”, “Child in Time”, “Anyone´s Daughter”, “`Perfect Strangers”, “Anya”, “Smoke on the Water” (Blackmore e Lord se revezam durante o solo que, na versão de estúdio, é de guitarra), “Speed King”. Pessoalmente, as favoritas são “Highway Star” (mesmo na fase com Tommy Bolin, qualquer versão dessa música é boa; nesse disco Lord acompanha Blackmore na parte rápida e mais famosa do solo de guitarra), “Black Night” (embora, atualmente, já esteja cansado de ouvir essa música manjada), “A Twist in the Tale” (riff rápido, lembra o Rainbow - talvez não seja por acaso que a faixa título de "The Battle Rages On" recicla, digamos assim, um riff que aparece no meio da faixa "Fire Dance" do disco "Bent Out of Shape" do Rainbow), “Anyone´s Daughter” (quase idêntica à versão de estúdio, e muito legal, com guitarra limpa, Hammond e meia-lua e bumbo de Paice), bem como a própria “Anya” (com riff de teclado legal e tudo). Além disso, aqui aparece a última versão defensável para “Child in Time”, pois a voz de Gillan já não acompanha mais os agudos e os gritos histéricos da parte final.

Nesse ano de 2008, o Marcelo "Osmar Band" tomou contato com o Deep Purple (e curtiu bastante) através de outro disco ao vivo, desta feita o registrado no famoso festival de Mountreaux, já com a formação mais recente (Airey/Gillan/Glover/Morse/Paice), o que me faz concluir que independente da fase, do repertório ou da formação, um disco ao vivo do Deep Purple sempre é um bom jeito para conhecer e virar fã da banda.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Aknowledgements

Nesses mais recentes três anos tive a oportunidade de conhecer pessoas realmente especiais, com as quais estabeleci muito mais do que relações profissionais; o convívio diário, em maior ou menor medida (conforme o caso), me permitiu conquistar amigos muito bons, que estou certo de que não encontrarei em outro lugar. Então, apesar de não ter tido a oportunidade de fazê-lo da melhor forma, ou da forma mais apropriada - por razões explicáveis e outras inexplicáveis - , quero expressar o meu agradecimento por ter conhecido e me tornado amigo de pessoas tão importantes: Anelise, Cláudio, Eduardo, Elenise, Gilberto, Karin, Marcelo, Márcia, Rafael; além destes, Aline, Cristiane, Simone e Vera (RIP). Realmente me sinto grato por simplesmente tê-los conhecido, e com eles tido convivência no dia-a-dia durante esses três anos, assim como me sinto privilegiado de dizer que são meus amigos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Livro – “Rough Guide to Led Zeppelin”

Da série “Rough Guide”, encontrei na Cultura (também por um bom preço) um volume dedicado ao Led Zeppelin, e fiz a aquisição pelos mesmos motivos que me levaram a trazer para casa o do Pink Floyd (com a diferença de que, ao contrário do Led, gosto mais de algumas músicas e discos da banda de Waters e Gilmour). Mas ao contrário da leitura guerreada que foi a do “Rough Guide to Pink Floyd”, esse do Led Zeppelin está muito bem escrito, tanto que resolvi ler praticamente capa-a-capa, desde o início, incluindo a infância dos quatro integrantes. O texto flui e as informações são colocadas com parcimônia nos parágrafos (não é preciso ficar voltando páginas atrás para conferir ou lembrar alguma coisa). E tem o esquema que achei muito legal: história cronológica, resenha disco por disco, comentários sobre as 50 melhores faixas (na opinião do autor do livro), dentre outras partes (resenhas dos vídeos, bootlegs, projetos paralelos, livros e sites).

Já havia aproveitado o balaio da Multisom para reunir todos os discos de estúdio, mas estava tendo dificuldades para depurar o que havia de bom a ser ouvido nesses álbuns, então a leitura veio em boa hora. Afinal, sempre me inquietou o fato de que o Led Zeppelin é considerado um dos fundadores do hard rock/heavy metal, em 1968, além de ter influenciado todas as bandas do gênero, sendo certo que existem outras bandas da mesma época (como Deep Purple e Black Sabbath, ou de data anterior, como Blue Cheer, Cream e Hendrix) que fizeram rock mais hard e metal mais heavy. Além disso, a discografia dos caras não me parecia permitir uma proeminência tão grande (se é certo que “Led Zeppelin IV” é um baita disco - já escrevi isso aqui - , o mesmo não se pode dizer de “In Through the Out Door”). Evidentemente que tenho ciência de que isso tudo é falta de visão de minha parte, e essa deficiência o livro ajudou a suprir.

Com efeito, o livro esclarece que a banda nasceu de uma idéia de Jimmy Page para superar o fracasso dos Yardbirds; essa banda, na qual já haviam tocado Clapton e Jeff Beck, era dedicada à produção de singles para os top 10 britânicos, com pouca atenção aos álbuns. Isso acabou refletindo na própria opção do Zeppelin de não lançar singles durante anos. Page encontrou Robert Plant, os dois passaram umas semanas na casa do guitarrista ouvindo discos e compondo músicas; Plant sugeriu John Bonham; Page já conhecia John Paul Jones de trabalhos prévios como “session musician” (os dois ganhavam uma boa grana com esses trabalhos, sendo incontáveis os singles dos mais variados artistas nos quais registraram participação); eis o Led Zeppelin. Mas a banda não seria o que acabou sendo se não contasse com um produtor eficiente, e esse papel foi exercido por Peter Grant. Page queria controle total sobre a 1.º gravação, então o cara custeou as sessões e apresentou o trabalho pronto para a gravadora, que apenas lançou o disco. Notável que o sucesso já veio desde o início, em muito maior medida nos Estados Unidos do que na Inglaterra. Então veio o segundo disco, ainda em 1969, que sedimentou a reputação da banda para o hard rock. Parece que não foi só a mim que causou estranheza o “Led Zeppelin III” (conforme já escrevi aqui), metade acústico, metade elétrico, pois o disco obteve “mixed reception”. Dispostos a fazer um disco espetacular, “que venderia muito de qualquer maneira”, os caras compuseram as músicas que imortalizaram o “Led Zeppelin IV”. Após um grande disco, veio o criticado “Houses of the Holy” (não concordei com os comentários a respeito de “The Song Remains the Same”, de que não seria uma música de abertura tão forte quanto a dos discos anteriores... acho uma baita música). Se algumas músicas de “Houses of the Holy” não foram bem aceitas, a banda resolveu levar adiante o projeto de um álbum duplo e reuniram sobras de outras gravações com composições novas e lançaram o muito elogiado “Physical Graphitti”. Em 1975, Plant sofreu um violento acidente automobilístico, e assim, inapto para uma turnê americana que se viu cancelada, reuniu-se com Page para compor e eventualmente gravar um disco, “Presence”, no qual desempenhou os vocais numa cadeira-de-rodas. Reabilitado para a turnê, o cara teve a devastadora notícia do falecimento do seu filho, que o retirou de circulação por um ano. Reunidos para gravar mais um disco, “In Through the Out Door”, o resultado saiu abaixo da expectativa, dado o ânimo dos integrantes (além da perda familiar de Plant, Page estava consumido pela heroína, Bonham loqueando como de costume; apenas Jones tentou seguir em frente, e não por acaso foi o principal compositor do disco). Com o falecimento de Bonham, não houve dúvidas de que a banda deveria encerrar suas atividades. O autor do livro chega a fazer um exercício de futurologia, dando conta de comentários posteriores de Page a respeito das idéias que ele tinha para o próximo disco; conforme esses depoimentos, Page declarou em algumas oportunidades que havia já conversado com Bonham que o próximo álbum seria de “heavy riffin´”. O próprio autor parece duvidar disso, o que me parece correto, sobretudo quando se sabe que Page não deixou de aderir ao Roland guitar syntesizer e ao som pop-rock típico dos anos 80, não havendo nada de “heavy riffin´” nos trabalhos de Page (e mesmo de Plant e Jones) no período pós-Zeppelin.

As descrições sobre gravações de discos e turnês são muito boas e bem distribuídas (diferentemente da biografia do AC/DC, que privilegia as turnês, tornando a leitura complicada em muitos momentos), além de registros sobre as reações de crítica e público em relação ao lançamento de cada álbum. Parece que não faltou nada: desde explicações sobre as capas dos discos, os “artworks” viajantes, a história dos símbolos do “Led Zeppelin IV”, o interesse de Page sobre ocultismo e outras questões místicas, tudo com detalhes, respeitando o estilo enxuto e os limites da obra. Notável como a banda conseguiu público expressivo desde o início nos Estados Unidos, e por lá realizou turnês com mais shows e com mais freqüência, e não tanto na sua terra natal. No livro constam ainda comentários sobre as notórias farras que os caras cometiam nos anos 70, especialmente nos EUA, inclusive com depoimentos de pessoas de fora da banda a respeito do comportamento inapropriado e de alguns eventos particularmente repugnantes (não descritos no livro), o que me permite concluir que os músicos, sobretudo Page, eram dados a experiências grosseiras e humilhantes, de certa forma. A boa sacada, que ainda não havia me dado conta, é da dinâmica “lento-rápido-agitado-calmo” que caracterizam parte do repertório da banda, sendo um bom exemplo “Babe I´m Gonna Love You” do 1.º disco: começa com um dedilhado, os “baby, baby, baby” que Plant imortalizou (e é uma das razões pelas quais ouço a banda mais pelo trabalho desenvolvido pelos outros músicos), e segue uns acordes descendentes Am-G-F#-F-E com guitarra e bateria à milhão, depois voltando para o dedilhado inicial com um solinho bem legal.

Das poucas partes que não gostei no livro, a principal foram os comentários gravosos ou jocosos em relação a outras bandas. Tipo, comparar Zeppelin com Black Sabbath, e sugerir que esta copiava aquela nos momentos mais hard ou heavy, não me parece nem um pouco apropriado. Cada uma surgiu, se desenvolveu e seguiu os seus próprios rumos, com maior ou menor êxito, e não vejo nada que permita concluir que uma possa ter influenciado a outra (a não ser na questão de aumentar o público e vender mais discos, e isso parece ser comum a todas as bandas da época). Além disso, o autor tomou partido em favor de Plant e aderiu ao coro dos que acham que David Coverdale, notadamente nos anos 80, foi uma espécie de cover do vocalista do Led. Nesse sentido, o cara destruiu o projeto Coverdale & Page de 1993, definindo como um disco fraco. Bem, particularmente sou fã de Coverdale, e acho que esse disco de 1993 é muito bom (prefiro este aos discos do Zeppelin, ou pelo menos a maior parte deles, conquanto não tenha o costume de ouvir nenhum deles regularmente). É possível que Coverdale tenha ido um pouco além na “influência Plant”, mas quem não o fez nos anos 80? Posso citar aqui Steven Tyler, Brett Michaels, enfim, todos os vocalistas das bandas de hard rock farofa dos anos 80. O autor do livro não fundamenta adequadamente porque o disco “Coverdale & Page” seria fraco; pois as músicas são boas, na maioria, e o resultado final é muito melhor do que todos os “Zeppelin friends & relatives” lançaram após a dissolução da banda (qualquer hora dessas vou dar uma ouvida no “UnLedded”, sendo certo que assisti ao especial na MTV, na época, além do show durante o verão no Hollywood Rock, e não fiquei entusiasmado com nenhuma performance). Realmente, acho que num livro desses não cabem comentários depreciativos em relação a outras bandas (a não ser que a piada seja muito boa, o que não foi o caso).

Durante a leitura, fiz um exercício de, num sábado a tarde, ouvir a discografia a partir do 1.º disco até o 5.º (passando algumas faixas, eventualmente). Minha mulher teve a mesma impressão que eu: algumas músicas são muito boas, mas em geral não dá para ficar ouvindo direto. E, nessas condições, continuo com a mesma opinião: sou mais Deep Purple e Black Sabbath.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

9.º show da Burnin´ Boat - 22.05.2002 – Teatro de Câmara Túlio Piva (com Trem Bala e Carbono)

O contato com o Hernani rendeu mais um fruto, desta feita no Teatro de Câmara Túlio Piva, que fica na R. República, perto do Colégio Pão dos Pobres. Esse foi o único show no qual não contamos com o Cláudio, que não estaria disponível tendo em vista uma viagem para Campinas/SP (acredito que era um congresso relacionado com a faculdade dele). Resolvemos que seria só eu o guitarrista, mas achamos que seria uma boa também ter dois vocalistas se revezando no palco, e depois os dois se juntarem no palco. Em relação ao repertório, as músicas não poderiam ser muito complicadas dada a minha limitação como solista, e convencionamos que as canções deveriam ser mais ou menos conhecidas. De músicas próprias, a serem cantadas pelo Luciano, escolhemos “Boats are Burning”, “Hidden” e “Ace´s High”, sendo que esta última era uma excelente composição do Daniel Ace Lairihoy (houve uma época em que o Bruce e eu fizemos algumas jams com ele, e um dos temas era esse, com um riff cromático, que vinha depois de um hipnótico riff principal. A idéia era excelente, e o Bruce inventou uma quebrada magnífica, que nos deixou desconcertados e nos deu trabalho para aprender a contar e tocar corretamente. Posteriormente o cara nos liberou essa composição, pois não pretendia utilizá-la em nenhum dos seus muitos projetos inacabados. Nós nos incumbimos de finalizar a música e o fizemos em ensaios, incorporando umas partes mais ou menos diferentes).

Valmor: Se o posterior show da Croco é ainda o mais memorável show da BB, guardo este como o show com o melhor som. Tenho uma vontade enorme de voltar a tocar naquele teatro, cuja acústica é fenomenal. Lembro que a sonoridade encorpada da minha bateria afetou substancialmente a minha maneira de tocar naquela noite.

Em relação aos covers, estipulamos “Mistreated”, na versão do álbum Made in Europe (contendo o clássico blues “Rock me Baby”), e o clássico “Smoke on the Water”, ambas do Deep Purple. Para fechar, duas do Kiss na versão do disco Alive III: “Rock and Roll All Nite” e “Lick it Up”.

GILBERTO: Eu lembro que a entrada de "Lick It Up" no set list se deu por iniciativa minha, grande apreciador de medleys. Ensaiávamos pela primeira vez tendo esse show em vista e ao acabar Rock "And Roll All Nite" eu engatei "Lick It Up" instintivamente, a banda abraçou, e o resto é história.

A noite era fria e chegamos por volta das 20h, encontrando todos do lado de fora do teatro. Não recordo da passagem de som, mas lembro um pouco da performance enérgica da banda que tocou antes de nós.

O legal era que se tratava de um teatro, e assim nos arrumamos com as cortinas fechadas. Iniciamos “Boats are Burning” e as cortinas se abriram. Permaneci tranqüilo, na medida do possível, e até aproveitei um pouco. O Gilberto sempre foi o mais performático e era muito legal vê-lo no palco, sobretudo pela interação com o público. Assim, o cara anunciou que a próxima música seria uma bem desconhecida, ao que eu iniciei “Smoke on the Water”. Foi muito legal a reação da galera a esse riff clássico (apesar de que errei feio no solo).

GILBERTO: fato é que eu sempre tentei compensar minha falta de grandes alcances agudos (totalmente dispensáveis) com uma boa performance e improvisação. Mas o crédito todo fica com o clima que emana de um palco e da iluminação que aquela estrutura nos oferecia - anima tocar num lugar próprio pra um grande show como foi aquele.

Valmor: Gosto muito de curtir em vídeo nossa auto-indulgente performance de "Mistreated" deste show, uma das nossas mais ousadas e longas.

Os shows das bandas que nos precederam não foram marcantes, senão pelo fato de que o vocalista da banda que subiu ao palco antes de nós estava visivelmente alterado (leia-se: sob efeitos de psicotrópicos).

Set list: Boats Are Burning, Ace´s High, Hidden, Smoke on the Water, Mistreated, Spectreman, Rock and Roll All Nite & Lick it Up.

GILBERTO: se não me engano, aquele foi meu "ticket de entrada" pra Burnin' Boat como membro efetivo.

sábado, 30 de agosto de 2008

Gravando guitarras III

Já recebi (há alguns meses) do Bruce um mp3 dando conta de um experimento com "Oblivious", que para mim serviu apenas para mostrar que ficou legal o acréscimo de um solo pré-gravado do Vinícius. O mp3 não serve como música (afinal, contou com bateria e baixo bem simples e retos), nem como um esqueleto da ordem dos riffs (desde logo ficaram insatisfatórias a repetição dos riffs e a sucessão dos mesmos). As partes de guitarras são muito boas, e a faixa deve ficar tão memorável quanto possível.

Por diversos motivos, as gravações não estão sendo tão freqüentes quanto seria desejável. Apenas recentemente, após ser provocado pelo Bruce, descobri que o feijãozinho pode ser utilizado para gravação pela saída USB, dispensando a placa de som (line in), o que permitiria um registro totalmente digital, sem perda de freqüências. Ao mesmo tempo, estou há mais de um mês amadurecendo a idéia de adquirir um baixo, o que se intensificou após os produtivos ensaios com a Osmar Band.

(7) Ace´s High - É irônico que uma das melhores músicas que a Burnin´ Boat toca, na minha opinião, foi composta por um guitarrista conhecido nosso. Lá por 1999, o Bruce e eu fizemos umas jams com o Daniel "Ace" Lairihoy (que havia sido o meu substituto na Parasite). O cara era muito bom, tinha uma Epiphone Les Paul sunburst igual a do Ace Frehley, e curtia fazer uns sons mais bizarros. Então ele apareceu com um riff bem pesado e que me parecia hipnótico com as notas E-G-E-F-E-F-E-G (levei um tempo para assimilar as repetições), seguido de uma parte Bb-B-Bb-A, e depois G#-G-F#-F-E-F-F#-G-G#. O Ace revelou que a intenção era fazer uma música cromática mesmo. Fizemos um punhado de ensaios (os três), e ele deu o nome para uma banda que queria criar (e eventualmente o Bruce seria o baterista - a banda jamais se concretizou, até onde sei): Alien Abhort. O Bruce teve a grande sacada de dar uma quebrada na 3.ª parte: ao invés do 432101234 na 6.ª corda, fomos obrigados a adaptar o riff para essa quebrada 7/8 monumental (realmente, parecia uma paulada na cabeça), e o resultado final ficou muito legal. Acabamos não tocando mais com o Ace, mas essas partes eram muito legais para ficarem impunes, então, com a licença do compositor, adotamos para a Burnin´ Boat (lá por 2001/2002), e após alguns ensaios fizemos variações dos riffs para as bases dos solos (primeiro o do Cláudio, depois o meu). O Bruce compôs a letra, que até onde me consta, é uma homenagem ao próprio Ace Frehley, o guitarrista solo original do Kiss (sacada genial - música composta pelo "Ace", letra em homenagem ao Ace). Incorporamos ao repertório dos shows (tocamos no Arsenal, Croco, Coruja de Minerva), e considero uma música excelente para abrir ensaios e shows. É direta, selvagem e bem pesada. Depois do show na Croco, o Vinícius manifestou interesse em subir ao palco conosco para tocá-la, e tivemos essa oportunidade no Coruja de Minerva, mas numa falha de comunicação, o Bruce entendeu que se tratava de "Hidden", então o cara foi obrigado a tirar e tocar a música errada. Gravei com o timbre Spinal Puppet, e reproduzi os riffs sem alterações significativas.

(8) Ramses - toda banda de heavy metal tem uma música "egípcia", isto é, com utilização de escalas digamos orientais. "Wherever I May Roam" (Metallica), "The Seventh Sign" (Yngwie Malmsteen), sendo a mais clássica delas "Gates of Babylon" (Rainbow). Então, uma das minhas metas desde o início da Burnin´ Boat, era compor um bom riff "egípcio". Depois de muitas tentativas, cheguei em um que achei satisfatório, e a partir daí fui agregando algumas partes. Mas jamais consegui finalizar a composição, e acho que só eu me empolgo com esses riffs. Basicamente, desde 2001 tenho o riff principal (com um pouco de Malmsteen em "Voodoo"), a parte dos versos (que é bem lenta e pesada, com uns hammer-ons e pull-offs no último compasso - e vibrato), a parte do "pre-chorus" (apenas nos power chords B-Bb-B-G-A) e uma espécie de refrão (meio Stratovarius). Esse refrão tinha, originariamente, uma descida sobre notas da escala "egípcia", uma vez normal (nota por nota), a segunda vez com nota pedal. Registrei tudo isso com distorção (talvez meio saturada, não sei se dá para consertar ou se tem que gravar de novo) de uma música do Metallica (exceto pela introdução, com guitarra limpa e algum chorus e delay). Percebi que o Bruce ainda está mixando uma guitarra de cada lado (uma na direita e outra na esquerda), então resolvi gravar pelo menos 3 guitarras de cada parte, para ficar uma parede de guitarra tipo no "Black Album". Experimentei, então, um pequeno trecho com 3 guitarras tocando simultaneamente coisas diferentes na mesma escala (não sei se vai funcionar, mas vale a tentativa). Por fim, gravei versões diferentes para um riff livremente inspirado em Dream Theater na época do "The Glass Prison", com várias notas e palhetadas para baixo. Ainda está incompleta.

(9) Sluts of Justice - distorção Metallica de fábrica. Essa tem uma longa história. O riff principal foi o primeiro que compus, juntamente com o de "Timeslide", numa tarde de outono de 1998, inspirado em Yngwie Malmsteen e Stratovarius. Nunca consegui fazer uma música satisfatória com esse riff, e já tentamos muitas coisas. O título da faixa veio de uma idéia do Barboza, que adaptei e fiz uma letra, em homenagem às nossas colegas de curso. Lá por 2001/2002 a música ganhou outras partes além do riff, inclusive um "teminha", que não costumo compor, mas que acredito ter ficado legal. Sempre que fizemos alguma gravação caseira, procurei registrar essa, e agora a oportunidade me parece ideal para finalmente compor uma grande música. Gravei os riffs e as partes originais, e tentei agregar algumas coisas novas. Em todo caso, ainda está incompleta.

(10) Experiment - agora com a gravação via USB a pleno vapor, o Bruce sugeriu que eu colocasse umas guitarras sobre uma música que ele compôs. É uma faixa instrumental (não sei se há intenção de colocar vocais), já totalmente estruturada, com bateria, baixo, guitarras e um monte de sintetizadores. Os riffs já estavam todos lá, com afinação dropped-D, então ouvi algumas vezes e gravei uma faixa-guia de guitarra, preservando algumas coisas da gravação original, mas incorporando alguns toques que me vieram espontaneamente. Não me preocupei em tirar nota por nota os riffs do Bruce, pois acho que a intenção era que os mesmos fossem personalizados (se não curtir, basta manter a gravação original). O riff principal, basicamente, é sobre o D com pausas, estilo que o Bruce parece gostar bastante e incorporar em quase todas as faixas dele que eu conheci (e que lembra Evanescence). No original tinha um riff quebrado muito interessante, sobre o qual fiz um mais simples, mas acompanhando a levada da bateria. Pretendia fazer umas notas com tapping, repetindo as notas com eco do sintetizador no começo da faixa, mas abandonei a idéia. Enquanto escutava o resultado de uma gravação de uma das bases, brinquei um pouco com as notas da escala e tive a idéia de registrar um solo, o primeiro nesse esquema de gravação. Deu um trabalho enorme, sobretudo porque não tenho o cacoete de guitar hero, e o resultado final não ficou totalmente satisfatório. Gravei 4 versões, sendo que a última parece ser a melhor (e foi registrada algumas horas depois das 3 primeiras). O groove da bateria lembrou-me uma das primeiras faixas do disco "Alive in an Ultra World" do Steve Vai, e com aproximadamente 40s de espaço para o solo, fiz uns licks com muitos slides, hammer-ons e pull-offs, que me pareceram legais em boa parte do tempo. Não toquei nenhum bend, o que contraria totalmente o meu "estilo" de solar, inspirado em Ace Frehley (afinal, os solos de Ace foram os únicos que tirei nota-por-nota desde que comecei a tocar, em fev/1995). Realmente, esse foi um experimento muito divertido.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Melhores discos de todos os tempos - Metallica "Black Album" (1991)

É como eu digo: nada como uns bons riffs com guitarras distorcidas. Nos primórdios de 1991, quando se instalou a MTV por aqui, e durante algum tempo, não achava nada de bom no Metallica. Inclusive colocava no “mute” quando rolava “Enter Sandman” ou “The Unforgiven” no Disk MTV (que era um baita programa, apesar de que as mesmas músicas eram tocadas todos os dias, o que se tornou enfadonho em pouco tempo). Mas em 1992 os caras tocaram no tributo ao Freddie Mercury, no antigo Wembley Stadium (transmitido o VT pela Bandeirantes, numa sexta-feira de Páscoa), e então achei sensacional a performance ao vivo dos caras (acho que tocaram “Stone Cold Crazy” e “Enter Sandman”), muito impressionado que fiquei com o baterista (que marretava e pulava com fúria, e ainda mantinha o ritmo). Com o ouvido mais treinado, e já em 1993 (na era do cd player), sob orientação dos meus colegas Diego e Gustavo Rocha, adquiri o “Master of Puppets”. Bem, admito que então (e até hoje) esse cd não causou maior impressão. Posteriormente, aluguei na MadSound o “Black Album" (backup na C-60), mas foi só em 1995, quando aluguei mais uma vez, desta feita na CD Express ,que cai na real e finalmente vi que se tratava de um disco matador.

Sabe-se que “Black Album" é o disco de maior sucesso do Metallica, e que representou a superação da fase anterior dos caras, mais underground, digamos assim. Afinal, depois do 1.º disco (“Kill ´em All”) com músicas mais diretas, a partir do 2.º álbum (“Ride the Lightning”) a banda foi aperfeiçoando um estilo de heavy metal com músicas longas e várias partes complexas nas quais mudanças de andamento (rápido/lento, 4/4, 7/8, 5/4, 7/4) não eram incomuns, numa espécie de metal progressivo (o próprio Hetfield sintetizou jocosamente, mas com precisão, ao anunciar o “...And Justice for All medley” – que consistia nos principais riffs do disco de mesmo nome - , no vídeo do show no México de 1993, que se tratava de um “rhythm guitar solo”). Além disso, os caras não produziram singles, nem gravaram clipes para a MTV até 1988 (“One” do “...And Justice for All”). Então, a um só tempo, com o “Black Album", o Metallica: (a) encurtou e simplificou as músicas, significando isso que as músicas ficaram mais acessíveis e que não havia mais mudanças abruptas de andamento e múltiplas partes com vários riffs, além de que os riffs mesmos seriam diferentes dos dos discos anteriores, em regra sem o característico “staccatto” na mão direita; (b) contou com o renomado produtor Rob Rock (que já havia trabalhado, dentre outros, com Bon Jovi), em desfavor dos produtores dos discos anteriores, o que viabilizou uma melhora significativa no som da guitarra, da bateria e da voz, sem contar ainda nos palpites do produtor sobre as próprias composições, sendo certo que deu força para que o Metallica ousasse e tentasse coisas novas e diferentes como gravar suas primeiras baladas – o que era impensável até então; (c) gravou vídeos para as principais faixas do disco, o que representou a democratização do acesso a um público novo – não raro aparece alguém para dizer que acha muito legal aquele “primeiro disco do Metallica, o da capa preta”.

Então, se por um lado essas características do “Black Album" proporcionaram novos fãs, como eu, por outro lado desgostou os que já eram afinados com o som dos caras e esperavam por um disco no mesmo estilo de “metal progressivo” (e aqui é comum alguém dizer que o último grande disco do Metallica é o “Master of Puppets”, como os meus colegas de colégio). Talvez tenha sido mesmo decepcionante (para estes últimos), ao esperar por um novo “Master of Puppets” ou “...And Justice for All”, deparar com o “Black Album". Mas tomando este último por si só, não vejo razões para não considerá-lo perfeito. Salta aos ouvidos (sic) que o som das guitarras e da bateria é impecável. O peso das guitarras está lá, não há como negar, sem prejuízo da definição das notas (todas são muito bem ouvidas); e a bateria é marcante, bem diferente do som de lata dos discos anteriores (e de um posterior, o “St. Anger”). Além disso, James Hetfield, em 1991, estava no auge da forma vocal, e nessas condições e com esse parâmetro, não consigo ouvir os primeiros discos do Metallica sem pensar em como a voz do cara nesses discos é muito ruim.

No vídeo “A Year in a Half”, oportunamente gravado durante as sessões e a turnê do “Black Album”, tem uma cena, provavelmente registrada após as gravações e pouco antes da finalização das sessões de mixagem, na qual Rob Rock anuncia para Hetfield e Ulrich que o disco conta com músicas que serão clássicos, não apenas da banda, mas do próprio heavy metal. Entendo que ele não podia estar mais certo, vez que “Enter Sandman”, “Sad But True”, “The Unforgiven”, “Wherever I May Roam” e “Nothing Else Matters” são clássicos indiscutíveis.

A música que abre o disco, “Enter Sandman”, é a mais conhecida, e foi a primeira música que tirei no violão em março de 1995 (comprei a cópia da partitura na MadHouse, que ficava numa galeria na R. Duque de Caxias, perto do viaduto da Av. Salgado Filho – ou da Av. João Pessoa, depende do ponto de vista - a loja não existe mais, e era um dos 10 melhores lugares para comprar CDs em Porto Alegre). Aprendi muito com essa faixa, sobretudo pela utilização invariável da 6.ª corda solta (“E”, ou “mi”). Não demorei para perceber que a 6.ª corda solta, bem vistas as cosias, é um excelente e utilíssimo recurso para dar dinâmica aos riffs que funciona sempre (às vezes a 6.ª corda solta, por si só, tocada determinado número de vezes por determinada freqüência, já proporciona o riff... como em “Kill the King” do Megadeth). “Enter Sandman” á uma música bem simples para o padrão Metallica, com partes bem definidas e, por isso, facilmente assimiláveis. Clássico instantâneo. É tocada em todos os shows desde então e até hoje, notadamente no “encore”.

Algumas músicas me parecem perfeitas, com início, meio e fim formatados com precisão e na medida certa. Esse é o caso de “Sad But True”. O riff principal é matador, com pull-offs que jamais ouvi em lugar algum, e que nunca imaginaria a utilização dessa técnica para fazer um riff desse tipo (não por acaso, considero um riff espetacular). A afinação é um tom abaixo (6.ª corda em D, 5.ª corda em G, etc), o que confere um peso especial, mas não demasiado. E o groove é muito legal. Lars Ulrich acompanha a cadência do riff no hi-hat, durante as paradas (o que confere uma tensão, que se resolve naquele tá-tá-tátátá na caixa), e a batida é impiedosa e certeira no restante. Os solos de Kirk Hammet são os melhores do disco inteiro (ou os segundos melhores, porque o solo em “The Unforgiven” pode ser considerado o melhor...). Enfim, toda a “Sad But True” me parece uma música de heavy metal sem precedentes, no riff, versos e refrão. Durante o solo e em várias partes é perceptível que os riffs são tocados com algumas alterações, o que só contribui para tornar a composição como um todo muito interessante tecnicamente.

Para mim é impertinente a questão de saber se “The Unforgiven”, assim como “Fade to Black” (do disco “Ride the Lightning”) é ou não uma balada. O certo é que é uma baita composição do Metallica, praticamente sem recorrer à onipresente 6.ª corda solta; o riff dos versos é com a 4.ª e a 5.º corda soltas. A alternância entre momentos suaves e pesados pode lembrar Led Zeppelin (que tem um punhado de músicas nesse esquema como “Babe I´m Gonna Leave You” do seu disco de estréia em 1969), embora entenda que a comparação é desprezível, vez que “The Unforgiven” é tão boa e tão bem composta e executada que dispensa esse tipo de cotejo. É particularmente notável o solo de Kirk Hammet, e a composição e gravação deste foi um dos momentos legais do vídeo “A Year and a Half”, no qual se mostrou que as tentativas anteriores do guitarrista haviam sido todas infrutíferas (os solos eram bem ruins mesmo), motivando Rob Rock a dar uma bronca no cara para ele “fazer o dever de casa” e aparecer com um solo decente, o que eventualmente acabou acontecendo.

O melhor groove do disco, no qual inevitavelmente ou a cabeça ou o pé acompanham a levada, é o de “Wherever I May Roam”. Nas revistas de guitarra costumo ler comentários sobre músicas desse tipo ressaltando a interação entre os acordes E e Bb, que formam alguma espécie de escala inusual, com resultado bem expressivo, o que, de fato, é justamente o caso. O riff é, como tantos outros, exemplar a respeito da fase inspirada que a banda vivenciava: não há nada que lembre, nem remotamente, nos discos do Metallica ou de qualquer outra banda, esse riff memorável. O solo de Hammet acompanha a sugestão da música para escalas orientais, e se utiliza eficazmente do timbre do pedal wah-wah.

“Nothing Else Matters” é uma boa balada, que começa com um dedilhado magnífico, em relação ao qual o Diego costumava dizer, na época do colégio, que utilizava como se fosse diapasão para afinar o violão/guitarra. Evidentemente que não era uma música típica para o Metallica até então, mas se tornou uma balada típica do Metallica a partir de então (o disco seguinte, “Load”, contou com “Mamma Said”). Particularmente é bem legal de tocar; o Christian e eu já tivemos oportunidade para fazer uma versão bem defensável com dois violões e voz.

As outras músicas todas são muito boas, em maior ou menor extensão. Gosto muito (a) do riff e da dinâmica mais rápida de “Through the Never”, (b) do riff, da parte da guitarra nos versos e do clima de “The God That Failed”, (c) o riff muito bem sacado e original, a parte da guitarra nos versos, e as partes de bateria de “Of Wolf and Man”; (d) o riff principal, a parte de guitarra nos versos, o riff principal depois do solo de Kirk Hammet, em “Holier Than Thou”; (e) as partes de bateria e alguns riffs com staccatto em “Don´t Tread on Me”; (f) a introdução de baixo de Jason Newsted, o riff, e os solos de Kirk Hammet em “My Friend of Misery”; (g) o solo de guitarra de Hammet em “Struggle Within”.

Particularmente, gosto bastante da abordagem “tantos-riffs-quantos-possíveis-em-uma-só-música” que caracteriza discos como “...And Justice for All”, mas admito que é fácil perceber que o “Black Album", com sua produção impecável, enfatizou mais do que nunca os riffs de guitarra (pesados mas com definição), distribuídos com parcimônia nas músicas. Dessa forma, cada faixa é um momento único no qual praticamente cada riff se torna memorável. Particularmente, entendo que é o melhor disco lançado nos anos 1990, bem como é o disco mais importante lançado nos anos 1990 (embora possa conceder que neste último caso talvez o disco mais importante tenha sido o "Nevermind" do Nirvana, mas aí a minha opinião já não é tão favorável, pelo contrário...).

Top 5 “Black Album” riffs:
1) Sad But True
2) Wherever I May Roam
3) Through the Never
4) Holier Than Thou
5) Of Wolf and Man
Bonus track: The God That Failed

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ensaio - The Osmar Band - "Force Ten" ou "Ten Years Gone" 21.08.2008

Depois de um magistral ensaio n.º 9, recebi a notícia de que ficaríamos duas semanas sem ensaios como um verdadeiro anti-climax. Afinal, a introdução do baixo (Tonante, conforme apurou o Marcão) e da “armonica blusera” rendeu mais do que se podia esperar desses instrumentos, e acredito que a produção das músicas ganhou nova dimensão para além do Triton-guitarra/violão-bateria-vocal-outros instrumentos percussivos. O Marcão chegou a sugerir que eu fizesse uma resenha de um ensaio “fake”, para não perder o hábito, mas isso, ao final, não se fez necessário; mesmo com o Marcelo fora da área de cobertura, os caras me convidaram para um ensaio que serviria para “acertar umas bases”. Evidente que não nos limitamos a isso. Vitaminados com uma holandesa de 11%, e acompanhados, depois, de umas uruguaias, fizemos umas 2 ou 3 jams de aquecimento, nas quais utilizei o baixo, e ficamos basicamente sobre os acordes Am-G-F. Logo na primeira jam, percebi que havia algo errado com a 1.ª corda do baixo (a G); de fato, o capostraste cedeu mais uma vez, e a 1.ª corda ficou fora da escala nas primeiras casas. Falta pouco, como anunciou o Marcão, para chegarmos ao ideal de tocar um baixo com uma corda só. O Alemão deu a dica e entendi o recado: “o violão está ali no case”. Numa fração de segundo (ou algo equivalente), raciocinei (ainda raciociava até então) que se impunha o violão Yamaha de cordas de aço naquela hora, vez que já estávamos nos repetindo com os meus grooves no baixo sobre os acordes Am-G-F. O violão é magnífico (som e acabamento primorosos), e fui me acostumando com as cordas duras. Puxei os acordes daquela Am - Dmadd9 - Dmadd11 - Asus4/5+, que apareceu pela primeira vez no 6.º ensaio e é um dos nossos clássicos, e ficamos nela por uns 10min, com os mesmos 4 acordes, o teclado climático do Alemão (com outro timbre, não o de costume) e a levada da bateria, e durante a execução apenas fomos alterando momentos mais calmos com outros mais empolgados e expressivos. Foi difícil tocar os acordes no violão de cordas de aço, mas o resultado acho que ficou muito bom: é uma música muito boa de tocar, com efeito arrebatador. Após, o Alemão achou um timbre que lembrou uma flauta estilizada; alinhei, então, uns acordes F e G, e depois agreguei o E (ou Em) e fiz uma levada espanhola (Aranjuez). O resultado ficou matador. O Marcão recém havia deixado o recinto para um pit-stop, teve que voltar na correria para gravar e tocar a bateria. Foi um belo momento de criatividade e inspiração puras. Continuamos nas jams, e em determinado momento o Marcão começou a cantar umas letras que o Marcelo deixou impressas pelos cantos. Então rolou “Smoke on the Water”, “Stairway to Heaven”, "Jump", Wander, entre outros, sobre bases improvisadas e improváveis. Acho que essas ficaram bem longas, com mais de uma música sobre a mesma jam, numa autêntica viagem. Foi numa dessas que rolou a homenagem a uma história inacreditável que aconteceu com um cara que tocou baixo com eles ocasionalmente antes do meu ingresso na banda (nessa o Marcão e o Alemão se dividiram nos vocais). E não perdi a oportunidade para, no violão, fazer a levada de "New York Groove" versão do álbum-solo de Ace Frehley.

O Alemão adquiriu para o Marcão a conhecida (“Not for the Pros”) vídeo-aula do Ian Paice, e não é novidade que tenho a opinião de que o baterista do Deep Purple tem a melhor “levada fluída” ou “faceira” - também já escrevi sobre isso aqui (outro que é bom nisso é o Alan White, do Yes - conforme já escrevi, mas aí o estilo é diferente, pois este incorpora andamentos quebrados). O Marcão já havia comentado favoravelmente sobre os discos do Black Sabbath que alcancei no ensaio passado, e achei muito bons os comentários do Alemão sobre os que lhe coube: ao que me conste, ele não tinha opinião prévia sobre Malmsteen (o disco era o fraco, mas com boas músicas, “Trilogy”), e então achei bastante respeitável o parecer que ele deu sobre o guitarrista sueco: “o cara é muito rápido, claro, mas as músicas são previsíveis”. De fato, as músicas começam de um jeito, e por aí já dá para antecipar o que vem depois, e depois, e depois, e o final (apesar de reconhecer isso, não me impede de achar legais algumas faixas como “You Don´t Remember, I´ll Never Forget”, “Liar” e a própria “Trilogy Suíte Op. 5 - escrevi um parágrafo sobre "Trilogy" aqui). Quanto ao “Close to the Edge”, do Yes, para minha satisfação, o parecer foi totalmente favorável; o cara curtiu as mudanças de andamento, clima, ritmo, enfim a loucurada que é uma música de 23min da banda de Anderson/Bruford/Howe/Squire/Wakeman.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

8.º show da Burnin´ Boat - dez/2001 Auditório Araújo Viana, Sala Radamés Gnatali

No final de 2001 tivemos a oportunidade de participar de mais um evento patrocinado pelo Hernani, dessa vez numa sala do Auditório Araújo Viana no Parque da Redenção (ou Farroupilha). O palco ficava a alguns centímetros do chão, e o público era posicionado sentado em cadeiras enfileiradas de frente para a banda, como uma sala - a sala Radamés Gnatalli.

Lembro que sai do meu estágio, no final da tarde, e fui com o Christian fazer a passagem de som. Tocamos “Boats are Burning” e algum outro cover, e o Christian, para minha satisfação pessoal, comentou que o meu solo era melhor que o do Cláudio (na verdade, o meu solo era mais planejado, pois compus basicamente nota por nota, ou blocos de licks, deixando pouco espaço para improvisação, ao contrário do Cláudio, que debulhava as notas com a costumeira proficiência).

Éramos bastante confiantes a respeito das nossas músicas e do nosso som, e acreditávamos que a Burnin´ Boat era a atração principal da noite, e que as outras seriam as bandas de abertura. Nada disso havia de arrogância: apenas uma constatação, com boa dose de orgulho, de que, afinal, já havíamos nos apresentado algumas vezes (não era nem de perto o nosso 1.º show), e nosso repertório era formado grandemente por composições próprias. Só que fui percebendo que as pessoas que estavam ali para assistir ao evento eram, na verdade, amigos e familiares das tais "bandas de abertura", de modo que o nosso show pouco importava. Assim, não era incomum que as pessoas debandassem no início da nossa apresentação, quando ouviam as primeiras notas das nossas guitarras distorcidas, o que me decepcionou um pouco, e posteriormente me fez pensar que melhor seria se apresentar primeiro, e deixar para outra banda fechar a noite. Até que tivéssemos um público nosso (o que jamais conseguimos fazer, conquanto eu tenha intuição de que algumas pessoas realmente gostavam do nosso som), o melhor seria reconhecer as nossas limitações e dar um jeito de tocar para o maior número de pessoas, que afinal não estavam ali para nos ver, e sim para ver as outras bandas.

Seja como for, tentávamos nos comportar o mais profissionalmente possível, obedecendo as orientações do Hernani e sendo sempre bastante tranqüilo e cuidadoso. Era evidente que essa atitude foi a que nos proporcionou todos esses shows com o Hernani, e pelo fato de não ter percebido isso na época, nunca tive a chance de agradecer aquelas oportunidades.

O repertório foi curto, tipo 40min. Não localizei nenhum registro visual dessa apresentação, de modo que fica complicado lembrar o repertório que tocamos. Provavelmente não deve diferir muito dos demais shows da época.

O Bruce e eu, com o Dioberto e mais um guitarrista e um baixista, voltaríamos à Sala Radamés Gnatalli no inverno de 2002 para uma apresentação com a Bed Reputation, projeto paralelo que serviu para incorporar o Dioberto à Burnin´ Boat. O repertório e a proposta eram totalmente diferentes, e nos divertimos bastante nesse período.

domingo, 24 de agosto de 2008

Formula 1 - GP da Hungria (11.ª etapa, 03.08.2008, 9h)

A McLaren conseguiu colocar na pista um carro realmente competitivo nas últimas provas, e em Hungaroring Hamilton e Kovalainen ocuparam a 1.ª fila no grid de largada. Pelo menos Raikkonen largaria algumas posições atrás, mas ainda assim a tarefa de Massa não era fácil, vez que o campeonato deste ano está sendo disputado ponto a ponto.

Já deveríamos estar acostumados a ver largadas espetaculares, mas ninguém estava preparado para ver Massa avançar e passar Kovalainen e Hamilton já na primeira curva. A manobra foi simplesmente magnífica, e parecia ser tudo o quanto bastava para que o brasileiro conseguisse uma vitória importante. Mas aí é a tal da coisa. O cara liderou a corrida inteira, mas faltando 3 voltas para o final, o motor Ferrari, que "quase" nunca falha, falhou e acarretou o abandono de Massa. A vitória caiu no colo de Kovalainen (a primeira na carreira do finlandês), vez que Hamilton teve seus problemas com um pneu que esvaziou. Bom que Piquet fez mais uma corrida consistente e finalizou em 6.º.

Próximo GP é o da Europa, no circuíto de Valência.

Hungarian Grand Prix Results - 3 August 2008 - 70 Laps
POS DRIVER NATIONALITY ENTRANT LAPS TIME/RETIRE
1. Heikki Kovalainen Finland McLaren-Mercedes 70 1h37m27.067
2. Timo Glock Germany Toyota 70 11.061
3. Kimi Raikkonen Finland Ferrari 70 16.856
4. Fernando Alonso Spain Renault 70 21.614
5. Lewis Hamilton Britain McLaren-Mercedes 70 23.048
6. Nelson Piquet Brazil Renault 70 32.298
7. Jarno Trulli Italy Toyota 70 36.449
8. Robert Kubica Poland BMW Sauber 70 48.321
9. Mark Webber Australia Red Bull-Renault 70 58.834
10. Nick Heidfeld Germany BMW Sauber 70 1m07.709
11. David Coulthard Britain Red Bull-Renault 70 1m10.407
12. Jenson Button Britain Honda 69 1 Lap
13. Kazuki Nakajima Japan Williams-Toyota 69 1 Lap
14. Nico Rosberg Germany Williams-Toyota 69 1 Lap
15. Giancarlo Fisichella Italy Force India-Ferrari 69 1 Lap
16. Rubens Barrichello Brazil Honda 68 2 Laps
17. Sebastien Bourdais France Toro Rosso-Ferrari 67 3 Laps
18. Felipe Massa Brazil Ferrari 67 3 Laps, Engine
R Adrian Sutil Germany Force India-Ferrari 62 Brakes
R Sebastian Vettel Germany Toro Rosso-Ferrari 22 Engine
FASTEST LAP: Kimi Raikkonen Finland Ferrari 61 1:21.195

Points standings (after 11 rounds)

DRIVERS CHAMPIONSHIP POSITIONS:
POS DRIVER NATIONALITY ENTRANT POINTS
1. LEWIS HAMILTON Britain McLaren-Mercedes 62
2. KIMI RAIKKONEN Finland Ferrari 57
3. FELIPE MASSA Brazil Ferrari 54
4. ROBERT KUBICA Poland BMW Sauber 49
5. NICK HEIDFELD Germany BMW Sauber 41
6. HEIKKI KOVALAINEN Finland McLaren-Mercedes 38
7. JARNO TRULLI Italy Toyota 22
8. MARK WEBBER Australia Red Bull-Renault 18
FERNANDO ALONSO Spain Renault 18
10. NELSON PIQUET Brazil Renault 13
TIMO GLOCK Germany Toyota 13
12. RUBENS BARRICHELLO Brazil Honda 11
13. NICO ROSBERG Germany Williams-Toyota 8
KAZUKI NAKAJIMA Japan Williams-Toyota 8
15. DAVID COULTHARD Britain Red Bull-Renault 6
SEBASTIAN VETTEL France Toro Rosso-Ferrari 6
17. JENSON BUTTON Britain Honda 3
18. SEBASTIEN BOURDAIS France Toro Rosso-Ferrari 2

CONSTRUCTORS CHAMPIONSHIP POSITIONS:
POS CONSTRUCTOR POINTS
1. FERRARI 111
2. MCLAREN-MERCEDES 100
3. BMW SAUBER 90
4. TOYOTA 35
5. RENAULT 31
6. RED BULL-RENAULT 24
7. WILLIAMS-TOYOTA 16
8. HONDA 14
9. TORO ROSSO-FERRARI 8

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