Todos ficamos empolgados com o som que rolou do ensaio passado, embora o Alemão tenha identificado que as músicas estavam muito parecidas umas com as outras. É provável que isso seja correto, mas o mesmo talvez se possa dizer de outros tantos ensaios, e no geral não há grandes problemas quando nos deparamos com grandes mega hits. Depois de muita negociação, conseguimos nos reunir para o último ensaio de 2009. Estávamos, no entanto, mais cansados do que o de costume, por diversas razões, e talvez tenha contribuído a frutífera concentração antes de descermos com os instrumentos. De qualquer maneira, fizemos umas 3 ou 4 jams e compusemos uma música nova, cujo título é dedicado ao meu novo pedal de efeitos (o qual ainda adestrando). Essa nova foi motivada a partir de um padrão de bateria eletrônica do Triton, sobre o qual toquei um riff com escala do tipo menor melódica, ou coisa que o valha. Ficou bem diferente do que costumamos tocar, quase um hip hop (pela batida e pelo vocal) e tentei empregar o pedal no refrão. O Alemão tocou uns acordes muito bons na nossa primeira jam, e lembrou-me das músicas que tocavam durante os episódios do Snoopy (talvez a referência esteja errada, pois ninguém concordou na hora). Das antigas, tocamos aquela sobre um sério problema masculino, e uma outra das favoritas que é com sotaque do centro do país. Em regra o Marcelo entrou nos momentos certos com a harmônica, de modo que estão cada vez menos frequentes os espaços nos quais ficamos apenas repetindo a base da música, i. é, sem alguém solando ou cantando; além disso, o encerramento das músicas está cada vez mais aprimorado. 2010 continuamos. "Iiiissa!".
sábado, 19 de dezembro de 2009
Resenha de CD – Slayer “World Painted Blood” (2009)
Há um ano atrás aproveitei o balaio de uma grande rede gaúcha de eletrodomésticos e comprei por aproximadamente 14 pila cada quase toda a discografia do Slayer (dispensei o disco de covers de bandas de punk). Trata-se de uma banda que dispensa apresentações – é uma das fundadoras do thrash metal, com Metallica, Anthrax e Megadeth – e lança discos com regularidade, mantendo cativo público fiel. Caracteriza-se pela velocidade das músicas que aproxima o Slayer do punk. Particularmente, nunca acompanhei a banda de São Francisco e durante muito tempo não curti o som dos caras (sobretudo em meados dos anos 1990, quando passavam os clipes da banda no Fúria Metal). Hoje em dia acho graça de uma noção que vi na internet, segundo a qual não há melodia nos vocais de Tom Araya. Realmente, o cara só grita as letras. O que me interessa no entanto, e o que efetivamente comecei a reparar a partir da audição desses álbuns todos do Slayer, é o trabalho das guitarras e os riffs de Kerry King e Jeff Hannemann.
Com as bandas de heavy metal em renovada evidência neste final dos anos 2000 (uma das causas é o Guitar Hero), o Slayer experimentou uma grande fase a partir de “Christ Illusion”, o álbum anterior, que marcou a volta de Dave Lombardo nas baquetas, apareceu bem no Top 200 da Billboard e valeu indicação para o Grammy daquele ano. Com a proximidade da data do lançamento do novo álbum “World Painted Blood” aumentou o interesse geral sobre a banda, conforme notícias dos sites especializados (a melhor revista de guitarra – Guitar World – em uma de suas edições teve uma sessão com depoimentos de várias bandas de heavy metal, novas e velhas, sobre a expectativa em relação ao disco novo do Slayer). Particularmente, ouvi uma vez as faixas disponibilizadas no MySpace e aguardei a chegada do disco na Cultura, por preço nada atrativo.
Está me parecendo que Dave Lombardo, além de excepcional baterista de thrash metal, exerce uma influência positiva sobre os demais músicos, pois geralmente os discos que ele participa soam bastante inspirados. O melhor disco do Testament, por exemplo, contou com Lombardo nas baquetas (“The Gathering”). “Christ Illusion”, o disco anterior do Slayer, marcou espécie de retorno à forma, e agora “World Painted Blood” parece um Slayer revigorado. As correrias estão todas lá, então é despiciendo descrevê-las. O que me importa são os riffs de guitarra. E há um punhado de bons deles nesse álbum. A faixa-título é muito boa (a melhor do disco, com várias partes), sobretudo pela alternância entre riffs rápidos e cadenciados. Se "Unit 731" é uma correria típica do Slayer, achei legal as pausas que Dave Lombardo enfiou durante o refrão no final de determinado número par de compassos, criando um efeito stop-start bem tenso. "Beauty Through Order" tem um interessante riff melódico. "Human Strain" é das mais diferentes do disco, tanto quanto "Playing With Dolls", e por essa razão se destacam na audição. "Americon" tem o melhor riff do disco, perfeito para headbanging.
No CD não constou uma faixa que havia sido resenhada pela própria banda para a melhor revista de guitarra do mundo, a Guitar World, numa entrevista que teve um dos momentos mais engraçados que já li. a música é "Atrocity Vendor" e sobre ela Kerry King disse o seguinte: "This one was built around two phrases I took from my notebook: 'atrocity vendor', and 'equal-opportunity offender'. The first line is 'You´re staring at the atrocity vendor, f*cking equal-opportunity offender'. When I got to the third verse, which repeated that line, I realized I was singing about being an offender but I hadn´t written anything offensive yet. So I wrote the most offensive thing I could think of: 'I´ll introduce you to my own morbid charm, and fist-f*ck you with your own severed arm'". É realmente impressionante o raciocínio e todo o trabalho intelectual por trás da composição de letras desse tipo (risos).
Com as bandas de heavy metal em renovada evidência neste final dos anos 2000 (uma das causas é o Guitar Hero), o Slayer experimentou uma grande fase a partir de “Christ Illusion”, o álbum anterior, que marcou a volta de Dave Lombardo nas baquetas, apareceu bem no Top 200 da Billboard e valeu indicação para o Grammy daquele ano. Com a proximidade da data do lançamento do novo álbum “World Painted Blood” aumentou o interesse geral sobre a banda, conforme notícias dos sites especializados (a melhor revista de guitarra – Guitar World – em uma de suas edições teve uma sessão com depoimentos de várias bandas de heavy metal, novas e velhas, sobre a expectativa em relação ao disco novo do Slayer). Particularmente, ouvi uma vez as faixas disponibilizadas no MySpace e aguardei a chegada do disco na Cultura, por preço nada atrativo.
Está me parecendo que Dave Lombardo, além de excepcional baterista de thrash metal, exerce uma influência positiva sobre os demais músicos, pois geralmente os discos que ele participa soam bastante inspirados. O melhor disco do Testament, por exemplo, contou com Lombardo nas baquetas (“The Gathering”). “Christ Illusion”, o disco anterior do Slayer, marcou espécie de retorno à forma, e agora “World Painted Blood” parece um Slayer revigorado. As correrias estão todas lá, então é despiciendo descrevê-las. O que me importa são os riffs de guitarra. E há um punhado de bons deles nesse álbum. A faixa-título é muito boa (a melhor do disco, com várias partes), sobretudo pela alternância entre riffs rápidos e cadenciados. Se "Unit 731" é uma correria típica do Slayer, achei legal as pausas que Dave Lombardo enfiou durante o refrão no final de determinado número par de compassos, criando um efeito stop-start bem tenso. "Beauty Through Order" tem um interessante riff melódico. "Human Strain" é das mais diferentes do disco, tanto quanto "Playing With Dolls", e por essa razão se destacam na audição. "Americon" tem o melhor riff do disco, perfeito para headbanging.
No CD não constou uma faixa que havia sido resenhada pela própria banda para a melhor revista de guitarra do mundo, a Guitar World, numa entrevista que teve um dos momentos mais engraçados que já li. a música é "Atrocity Vendor" e sobre ela Kerry King disse o seguinte: "This one was built around two phrases I took from my notebook: 'atrocity vendor', and 'equal-opportunity offender'. The first line is 'You´re staring at the atrocity vendor, f*cking equal-opportunity offender'. When I got to the third verse, which repeated that line, I realized I was singing about being an offender but I hadn´t written anything offensive yet. So I wrote the most offensive thing I could think of: 'I´ll introduce you to my own morbid charm, and fist-f*ck you with your own severed arm'". É realmente impressionante o raciocínio e todo o trabalho intelectual por trás da composição de letras desse tipo (risos).
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Resenha de CD - AC/DC "Black Ice" (2008)
Geralmente o lançamento dos discos do AC/DC somente são aguardados pelos fãs mais ardorosos, entendidos como aqueles que seguem a banda há anos, diferentemente do resto público em geral que consome música. De minha parte, ouço a banda australiana desde 1993 e ouvi todos os seus discos desde então. Como o AC/DC é o tipo de banda que lança dois discos a cada 10 anos, pude notar que jamais houve muito estardalhaço em volta dos lançamentos de "Ballbreaker" e "Stiff Upper Lip". Então foi com surpresa que acompanhei as notícias prévias, contemporâneas e posteriores à edição de "Black Ice". De fato, esse disco foi bastante antecipado e desde sempre se divulgou a noção de que se trataria do melhor disco desde "Back in Black". Pois o disco ganhou espaço generoso nas prateleiras das lojas (desde o lançamento e até hoje encontro com facilidade o disco na Saraiva ou na Cultura, sendo que até em Buenos Aires, em abril - meses após o lançamento do disco - ainda há um grande cartaz de "Black Ice" em uma das lojas da Musimundo, suplantando discos que chegaram ao mercado mais recentemente, como o último do U2), além de destaque no noticiário musical. As resenhas seguiram esse espírito "melhor desde 'Back in Black'" e as vendas foram excelentes, despachando outros discos talvez mais aguardados como o do Metallica e o do Guns´n´Roses.
Não precisei ouvir nenhuma música para trazer o disco para casa e para isso ajudou bastante o preço acessível (pelo menos em comparação com o de outros cds). Esperava um disco com guitarras mais pesadas, pois o álbum anterior ("Stiff Upper Lip") tinha uma levada bem mais sossegada de blues. Entretanto, as 15 faixas de "Black Ice" soam parecidas (todas as músicas do AC/DC são familiares e isso faz parte do estilo dos caras, e não há dúvidas de que as coisas devem permanecer assim; eles só usam acordes abertos e maiores, e ninguém está esperando que eles resolvam agregar novos sons), e o tom das composições é no blues e no soft rock. Só por isso já dá para discordar de quem disse que seria o melhor disco desde "Back in Black", pois a banda lançou discos excelentes nesse período, nomeadamente "The Razor´s Edge" (um dos meus favoritos) e "Flick of the Switch" (um dos meus favoritos de todos os tempos), sendo certo que recentemente descobri o quão divertida é a audição de "Fly on the Wall" (disco que considerava o pior da banda, mas, bem vistas as coisas, está longe de ser um disco ruim, antes pelo contrário)."Black Ice" fez parte da trilha sonora para as viagens a Rio Grande ano passado, e tive oportunidade para reparar que "Rock and Roll Train", a faixa de abertura e música-de-trabalho, é do tipo clássico, com tudo perfeitamente encaixado, inclusive o solo típico de Angus Young, com bends, double-stops, entre outros recursos e licks ouvidos em tantas outras músicas da banda. As primeiras músicas soam boas e tal, mas depois de uns 25min de audição tudo começa a parecer igual, com o mesmo andamento e as mesmas partes. Mas há destaques, como "Anything Goes", bem melódica e com refrão muito legal de Brian Johnson, talvez uma das novidades marcantes em termos de AC/DC.
Aliás, o vocalista está em excelente forma, e em "Black Ice" é provável que os caras tenham conseguido os melhores registros de toda a fase da banda com Brian Johnson. A voz dele está excelente - o cara está mandando ver tão bem quanto no início da década de 1980 (são poucos os vocalistas que não perdem a voz com o passar dos anos).
No final de novembro desse ano, o AC/DC veio ao Brasil para apresentação única em São Paulo. Achei que ia rolar pacotes e tudo mais, mas não vi nada e na última hora as coisas eram caras demais, inclusive assistir o show em Buenos Aires, onde teve show extra. O evento foi espetacular, conforme descrições, sobretudo pelo fato de que a banda veio fazer o show completo, com todos os sinos, trens, canhões e a Rosie de costume.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Resenha de CD – Mastodon “Crack the Skye” (2009)
Para um ouvido acostumado com as grandes bandas de heavy metal dos anos 1970 e 1980, é difícil acompanhar o som das bandas novas que surgiram a partir de 2000. Quase passei batido pelo nu-metal, e desde o último par de anos comecei a dar atenção às bandas que formam a nova onda do heavy metal americano. Nesse sentido, a melhor revista de guitarra do mundo, a Guitar World, tem dado um auxílio inestimável: recentemente, joguei no youbute os nomes das bandas citadas na revista para conhecer o som e, enfim, ver qual é dos caras. A grande maioria, no entanto, não impressiona. Seja como for, das bandas que já conhecia de nome, notei um certo padrão, além do fato de que nenhuma dessas bandas teve, até recentemente, CDs lançados no Brasil: os primeiros discos foram muito bem recebidos, mas para mim são duros de ouvir, em razão do peso das guitarras e dos vocais do início ao fim. Há que ter balanço e diversidade num álbum, sob pena de comprometer a audição, embora alguém possa argumentar que se trata de coesão do material composto. Enfim, o que me importa é que os discos mais recentes dessas bandas caracterizam-se por uma espécie de evolução: a banda deixa de lado alguns de seus elementos primitivos e parte para a agregação de outros, tornando o som menos duro. O Slipknot, por exemplo, incorporou solos de guitarras e adotou vocais mais melódicos. O Lamb of God, por sua vez, está fazendo músicas com os riffs.
O Mastodon é das bandas novas que tive grande curiosidade devido às descrições de que os caras tocavam heavy metal com toques de progressivo, jazz e fusion, com andamentos quebrados e bateria ocupada o tempo inteiro. No papel isso é muito interessante, mas as audições dos mp3 não agradaram. Recentemente a banda lançou, então, um disco que os próprios caras admitem terem dado uma maneirada no som, adicionando melodias e tudo mais, sem prejuízo do peso das guitarras. Pelo só fato de “Crack the Skye” ter sido lançado no Brasil em CD – apesar do preço extorsivo – trouxe para casa da Cultura.
A primeira noção é a de que, de fato, Mastodon não é uma banda comum de heavy metal. Há peso nas guitarras, e as guitarras fazem coisas complicadas e diferentes uma da outra, mas não há riffs convencionais (ou melhor, custam para aparecer riffs convencionais no decorrer das faixas). Em “Crack the Skye” há uns 4 ou 5 riffs que poderiam ser chamados de tradicionais, do tipo que eu poderia tirar na guitarra em casa. O resto todo são dedilhados inusitados, notas rápidas, acordes atípicos, sob os quais a bateria quebra o andamento com frequência. Particularmente, serve-me para abrir a cabeça e procurar ideias criativas e sem precedentes.
Além dos trabalhos da guitarra e da bateria, acrescente-se o fato de que em “Crack the Skye” os vocais são divididos entre um guitarrista, o baixista e o baterista. As letras são do tipo “viajantes”, e aparentemente os caras seguem um tema a cada disco (ar, água, fogo e terra).
Todas as faixas têm bons momentos, e me parece que a audição da íntegra do álbum, conquanto não totalmente pacífica, é recompensadora. Costumo ouvir as primeiras três faixas, e estou curtindo esse disco com o passar do tempo, à medida que me familiarizo com as diversas partes das diversas músicas. Uma coisa, porém, é certa: o riff dos versos de "Divinations" é espetacular.
O Mastodon é das bandas novas que tive grande curiosidade devido às descrições de que os caras tocavam heavy metal com toques de progressivo, jazz e fusion, com andamentos quebrados e bateria ocupada o tempo inteiro. No papel isso é muito interessante, mas as audições dos mp3 não agradaram. Recentemente a banda lançou, então, um disco que os próprios caras admitem terem dado uma maneirada no som, adicionando melodias e tudo mais, sem prejuízo do peso das guitarras. Pelo só fato de “Crack the Skye” ter sido lançado no Brasil em CD – apesar do preço extorsivo – trouxe para casa da Cultura.
A primeira noção é a de que, de fato, Mastodon não é uma banda comum de heavy metal. Há peso nas guitarras, e as guitarras fazem coisas complicadas e diferentes uma da outra, mas não há riffs convencionais (ou melhor, custam para aparecer riffs convencionais no decorrer das faixas). Em “Crack the Skye” há uns 4 ou 5 riffs que poderiam ser chamados de tradicionais, do tipo que eu poderia tirar na guitarra em casa. O resto todo são dedilhados inusitados, notas rápidas, acordes atípicos, sob os quais a bateria quebra o andamento com frequência. Particularmente, serve-me para abrir a cabeça e procurar ideias criativas e sem precedentes.
Além dos trabalhos da guitarra e da bateria, acrescente-se o fato de que em “Crack the Skye” os vocais são divididos entre um guitarrista, o baixista e o baterista. As letras são do tipo “viajantes”, e aparentemente os caras seguem um tema a cada disco (ar, água, fogo e terra).
Todas as faixas têm bons momentos, e me parece que a audição da íntegra do álbum, conquanto não totalmente pacífica, é recompensadora. Costumo ouvir as primeiras três faixas, e estou curtindo esse disco com o passar do tempo, à medida que me familiarizo com as diversas partes das diversas músicas. Uma coisa, porém, é certa: o riff dos versos de "Divinations" é espetacular.
Resultado da enquete "melhor guitarrista de todos os tempos"
Talvez devesse ter feito como um blog de um grande jornal local que, depois de eu ter lançado a enquete sobre o melhor guitarrista de todos os tempos, fez uma enquete igual, com a diferença de ter excluído desde já Jimi Hendrix. De qualquer maneira, serviu para confirmar minha noção particular de que Hendrix é o melhor guitarrista de todos os tempos, independentemente de suas músicas serem ou não as melhores de todos os tempos. Afinal, dos 21 votos durante os 30 dias disponibilizados, Hendrix recebeu 11 indicações. Curiosamente, três guitarristas ficaram empatados com 4 votos: Jimmy Page, Eric Clapton e David Gilmour. Em último lugar, com apenas 2 votos, ficou Eddie Van Halen. Entretanto, caso essa votação tivesse lugar nos EUA, é possível que o resultado fosse diferente. Afinal, a julgar pelas capas da melhor revista de guitarra do mundo, a Guitar World, Eddie Van Halen deve ser garantia de altas vendagens. Eddie é capa da edição mais recente (acompanhado de Tony Iommi), comemorativa de 30 anos do lançamento da revista, apesar de (a) não ter lançado nada novo nos últimos anos, e (b) sequer ter feito turnê com a banda que leva o seu nome. Das 27 edições disponíveis no google livros, Eddie é capa de 4 (Hendrix e Kirk Hammett, no mesmo período, têm dedicadas apenas 2 capas). Embora essas edições com Van Halen não tragam nada de novo a não ser descrições de novos equipamentos com o nome do guitarrista (amplificadores, guitarras, efeitos, etc.), parece-me que é certo que uma capa com Eddie Van Halen é certeza de vendas expressivas, pois deve haver muito interesse sobre o que o cara tem a dizer. Devo dizer que não votei na enquete, pois teria dificuldades de fazê-lo. O meu favorito, dentre os 5, é o próprio Eddie Van Halen, mas me parece impróprio defini-lo como melhor guitarrista de todos os tempos. Esse título é merecidamente de Jimi Hendrix, pois é o único que se pode dizer que sem ele a guitarra não seria tocada do mesmo jeito pelos outros 4 e por todos nós guitarristas.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Shows XVIII - Absence Of (12.12.2009, Eclipse Studio Bar)
Desde sempre tive curiosidade de assistir a um show da Absence Of; afinal, o tecladista Vinicius Möller é conhecido de longa data e já tivemos oportunidades de dividir o palco em uma trinca de bons shows da Burnin´ Boat (no Arsenal, na Croco e no Coruja de Minerva). Entretanto, por uma razão ou outra, jamais estive disponível; desta feita, os planetas se alinharam e pude comparecer no Eclipse Studio Bar, quase em frente ao Opinião, para assistir ao show dos caras no último sábado, 12.12.2009 (na verdade, entramos depois da meia-noite, então o show foi na madrugada de 13.12.2009). Admito que não estava familiarizado com grande parte do material, vez que apenas ouvi um par de vezes umas duas ou três faixas disponibilizadas pela banda no seu sítio no MySpace. Os caras se propõem a um prog metal, mas minhas deficiências impedem de identificar o tipo de prog metal (nesse estilo fiquei apenas no âmbito do Dream Theater, Symphony X, Fates Warning e OSI; em outras palavras, não avancei para bandas mais novas como Porcupine Tree e Pain of Salvation, dentre outras).
A Absence Of dividiu a noite com outra banda, e sabiamente se posicionou para iniciar as atividades (nos liberando do compromisso com antecedência). O repertório, no qual todas as músicas tinham mais de 5min (no mínimo), teve duração ideal, o que permitiu até - como bem observou a Cris - que a galera se empolgasse novamente para a última música do set list (pois a música era, de fato, empolgante). Em contrapartida, o microfone para backing vocal do baixista Daniel Ruschel estava com volume bem melhor do que o microfone disponibilizado para o vocalista Arthur Ávila, mas talvez a posição dos cabos não permitisse a troca definitiva. Além disso, o Valmor concordou com a minha percepção de que o volume e o timbre distorcido da guitarra do Orontes Mariani ficaram a desejar (nas partes mais pesadas não consegui ouvir a guitarra, embora percebesse que o cara tocava coisas legais olhando para o que ele digitava com a mão esquerda na guitarra). O Valmor e a Cris ponderaram que o batera Chantos Mariani demorou um punhado de músicas para se soltar; de minha parte, achei que o cara mandou bem o tempo todo. Realmente achei que esse baterista tem um estilo muito legal de tocar, mantendo os braços ocupados o tempo todo, ocasionalmente utilizando eficientemente o pedal duplo (com som bem alto, em prejuízo da guitarra); em vários momentos, achei que o baterista era o MVP da banda. O Vinícius, por seu lado, teve oportunidade para executar uns 3 ou 4 solos de teclado do tipo arrasa-quarteirão, com timbres bem pegados.
Particularmente, entendo que o show se dividiu em duas partes: antes e depois das assim anunciadas músicas novas. Na primeira parte, os meus ouvidos de guitarrista de heavy metal sentiram falta de riffs de guitarra com utilização da 6.ª corda solta (independentemente de afinação, riffs bons geralmente utilizam a 6.ª corda solta, sendo certo que há riffs que utilizam exclusivamente a 6.ª corda solta, como "Kill the King" do Megadeth, dentre outras). A banda abriu com "I´m Coming" e seguiu com "Blank", ambas com alta rotação no MySpace dos caras. "I´m Coming" tem um riff pesado lá pelas tantas que parece meio retão (face aos acentos), mas os caras resolvem com uma melodia muito legal com um acorde numa região mais aguda da guitarra. "Blank" me serviu para mostrar como é possível que a guitarra silencie durante os versos, desde que se conte com um qualificado timbre de teclado para fazer a base, o que foi exatamente o caso. Além disso, achei interessante os acordes de guitarra que apareceram antes do solo. O Arthur anunciou um cover de música e banda sobre os quais ainda não pesquisei: "Incommunicado" do Marillion/Fish. É possível que a escolha tenha feito sentido, desde que se saiba o tipo de prog metal que a Abscence Of se dedica. "Goodbye Bunker Hill" é possivelmente a faixa mais conhecida dos caras - ou pelo menos o público assim me fez entender - e encerrou essa que eu chamo de primeira parte do show. Desde o início percebi que a banda estava perfeitamente ensaiada, e acho sensacional que assim o seja pois acredito que ensaios frutíferos são três quartos do caminho para um bom show; em "Goodbye Bunker Hill" os caras mostraram que estavam afiados, sobretudo num trecho em que a banda executou em uníssono com teclado, baixo e guitarra, no melhor estilo Dream Theater/Rush.
O Arthur anunciou, então, que seriam executadas duas músicas inéditas. E aí o show ficou ainda mais interessante, pois essas músicas são muito boas. "The Greatest End" e "Ennui". A primeira tem melodias grandiosas nos vocais, lembrou-me de alguma coisa do Iron Maiden na época do "The X-Factor" (admito que a referência deve ser só uma lembrança pessoal minha). "Ennui" tem partes de guitarra mais marcantes, com o riff inicial cheio de pausas (acho legal quando penso "bem que podiam botar a 6.ª corda solta nessas pausas" e lá pelas tantas o guitarrista faz exatamente isso - as vezes o meu ouvido não se engana). Achei muito legal um trecho em uníssono com teclado, guitarra, baixo e bateria, quase fusion. O solo de guitarra foi de debulhação, mas na hora não ouvi quase nada - acompanhei só pelos movimentos das mãos. A música que me era mais familiar foi o cover de Porcupine Tree, "Open Car" e a banda executou uma versão que me pareceu fiel à original - e foi boa a eleição de um cover com guitarras destacadas. "Herd" é uma bela composição, curti a agressividade até o início dos versos (e eventual retorno mais adiante), bem como o pequeno solo de teclado lá pelos 5:30 (notas legais e timbre massa). A prova da eleição coerente de um bom set list se deu quando a Abscence Of mandou a última música: "One Warm Day", com um riff dinâmico e empolgante com drop D, injetou ânimo na galera que agitou apesar do cansaço pelo horário avançado. A música é muito boa, e curti bastante a seção instrumental do meio da faixa, bem como mais um solo de teclado arrebatador e com timbre legal.
Mais do que tudo, foi inspirador assistir a uma banda bem ensaiada com músicos competentes executando um bom prog metal.
A Absence Of dividiu a noite com outra banda, e sabiamente se posicionou para iniciar as atividades (nos liberando do compromisso com antecedência). O repertório, no qual todas as músicas tinham mais de 5min (no mínimo), teve duração ideal, o que permitiu até - como bem observou a Cris - que a galera se empolgasse novamente para a última música do set list (pois a música era, de fato, empolgante). Em contrapartida, o microfone para backing vocal do baixista Daniel Ruschel estava com volume bem melhor do que o microfone disponibilizado para o vocalista Arthur Ávila, mas talvez a posição dos cabos não permitisse a troca definitiva. Além disso, o Valmor concordou com a minha percepção de que o volume e o timbre distorcido da guitarra do Orontes Mariani ficaram a desejar (nas partes mais pesadas não consegui ouvir a guitarra, embora percebesse que o cara tocava coisas legais olhando para o que ele digitava com a mão esquerda na guitarra). O Valmor e a Cris ponderaram que o batera Chantos Mariani demorou um punhado de músicas para se soltar; de minha parte, achei que o cara mandou bem o tempo todo. Realmente achei que esse baterista tem um estilo muito legal de tocar, mantendo os braços ocupados o tempo todo, ocasionalmente utilizando eficientemente o pedal duplo (com som bem alto, em prejuízo da guitarra); em vários momentos, achei que o baterista era o MVP da banda. O Vinícius, por seu lado, teve oportunidade para executar uns 3 ou 4 solos de teclado do tipo arrasa-quarteirão, com timbres bem pegados.
Particularmente, entendo que o show se dividiu em duas partes: antes e depois das assim anunciadas músicas novas. Na primeira parte, os meus ouvidos de guitarrista de heavy metal sentiram falta de riffs de guitarra com utilização da 6.ª corda solta (independentemente de afinação, riffs bons geralmente utilizam a 6.ª corda solta, sendo certo que há riffs que utilizam exclusivamente a 6.ª corda solta, como "Kill the King" do Megadeth, dentre outras). A banda abriu com "I´m Coming" e seguiu com "Blank", ambas com alta rotação no MySpace dos caras. "I´m Coming" tem um riff pesado lá pelas tantas que parece meio retão (face aos acentos), mas os caras resolvem com uma melodia muito legal com um acorde numa região mais aguda da guitarra. "Blank" me serviu para mostrar como é possível que a guitarra silencie durante os versos, desde que se conte com um qualificado timbre de teclado para fazer a base, o que foi exatamente o caso. Além disso, achei interessante os acordes de guitarra que apareceram antes do solo. O Arthur anunciou um cover de música e banda sobre os quais ainda não pesquisei: "Incommunicado" do Marillion/Fish. É possível que a escolha tenha feito sentido, desde que se saiba o tipo de prog metal que a Abscence Of se dedica. "Goodbye Bunker Hill" é possivelmente a faixa mais conhecida dos caras - ou pelo menos o público assim me fez entender - e encerrou essa que eu chamo de primeira parte do show. Desde o início percebi que a banda estava perfeitamente ensaiada, e acho sensacional que assim o seja pois acredito que ensaios frutíferos são três quartos do caminho para um bom show; em "Goodbye Bunker Hill" os caras mostraram que estavam afiados, sobretudo num trecho em que a banda executou em uníssono com teclado, baixo e guitarra, no melhor estilo Dream Theater/Rush.
O Arthur anunciou, então, que seriam executadas duas músicas inéditas. E aí o show ficou ainda mais interessante, pois essas músicas são muito boas. "The Greatest End" e "Ennui". A primeira tem melodias grandiosas nos vocais, lembrou-me de alguma coisa do Iron Maiden na época do "The X-Factor" (admito que a referência deve ser só uma lembrança pessoal minha). "Ennui" tem partes de guitarra mais marcantes, com o riff inicial cheio de pausas (acho legal quando penso "bem que podiam botar a 6.ª corda solta nessas pausas" e lá pelas tantas o guitarrista faz exatamente isso - as vezes o meu ouvido não se engana). Achei muito legal um trecho em uníssono com teclado, guitarra, baixo e bateria, quase fusion. O solo de guitarra foi de debulhação, mas na hora não ouvi quase nada - acompanhei só pelos movimentos das mãos. A música que me era mais familiar foi o cover de Porcupine Tree, "Open Car" e a banda executou uma versão que me pareceu fiel à original - e foi boa a eleição de um cover com guitarras destacadas. "Herd" é uma bela composição, curti a agressividade até o início dos versos (e eventual retorno mais adiante), bem como o pequeno solo de teclado lá pelos 5:30 (notas legais e timbre massa). A prova da eleição coerente de um bom set list se deu quando a Abscence Of mandou a última música: "One Warm Day", com um riff dinâmico e empolgante com drop D, injetou ânimo na galera que agitou apesar do cansaço pelo horário avançado. A música é muito boa, e curti bastante a seção instrumental do meio da faixa, bem como mais um solo de teclado arrebatador e com timbre legal.
Mais do que tudo, foi inspirador assistir a uma banda bem ensaiada com músicos competentes executando um bom prog metal.
Resenha de CD - Ratt "Detonator" (1990)
Talvez o grunge não seja o único culpado pelo encerramento (por quase uma década) de atividades de muitas das bandas de hard rock farofa dos anos 1980 (hair metal, ou glam metal). Afinal, no início dos anos 1990, na iminência do novo movimento que, dentre outras coisas, preconizava guitarras com distorção e algum peso executando riffs e melodias simples, as bandas que faziam sucesso na década anterior se colocaram numa situação de eleger entre (a) continuar fazendo o mesmo som de antes, ou (b) tentar se reinventar e fazer outra coisa, ou (c) tentar acompanhar o som do momento. O Ratt foi uma das bandas que continuou fazendo hair metal no seu disco "Detonator" de 1990. Se as coisas parecem promissoras em "Intro to Shame", na qual Warren DeMartini e cia. executam nas guitarras algo que lembra o início de "Shine On You Crazy Diamond" do Pink Floyd, e "Shame Shame Shame" que é uma música razoável, o restante do disco é bastante genérico e fraco. Particularmente, gostei de ouvir timbres de Fender Stratocaster com distorção em ambiente hard rock, mas admito que é pouco para fazer um bom disco.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Resenha de CD - Pantera "Reinventing Hell"
Para quem tem a discografia completa do Pantera, como é o meu caso, essa coletânea interessa exclusivamente por um par de faixas inéditas e, fundamentalmente, pelo DVD bônus com os vídeoclipes da banda. Um dos meus vídeos favoritos de todos os tempos é o de "Five Minutes Alone": a música é espetacular, sobretudo em razão do riff de guitarra, e alguém teve a genial ideia de fazer closes em slow motion dos instrumentos. Assim, as cordas abafadas e as palhetadas, os slides, os hammer-ons e pull-offs na guitarra e no baixo ficam ainda mais expressivos com esse recurso visual. Lembro do tempo em que o vídeo de "I´m Broken" era lider do Disk MTV. E estando os vídeos em ordem cronológica, é possível acompanhar a evolução da banda e do som dos caras até o último álbum, "Reinventing the Steel".
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
CDs do Kiss - Parte VI "Creatures of the Night" (1982)
Sobre “Creatures of the Night” já tive oportunidade para escrever, nos primórdios deste blog, incluindo apreciação do momento histórico do seu lançamento no início dos anos 1980, bem como algumas memórias pessoais. A versão em CD apareceu em meados dos anos 1990, com capa diferente (sem máscaras e com Bruce Kulick) e ordem alterada das faixas; tive essa versão até que comprei em 1998 o CD remasterizado e importado (com a sensacional capa original) de um amigo (Humberto) que tinha uma locadora (e acesso à distribuidora de discos importados a preço bem abaixo das lojas convencionais). Cabe dizer que o som do remasterizado é MUITO melhor que o da versão original, sobretudo o som da bateria (o que já é um baita ganho, sabendo-se como se sabe que o registro de bateria nesse disco é um dos melhores de todos os tempos). Comentários atualizados estão entre []'s.
“23.07.2003 - Creatures of the Night – trata-se do meu disco favorito de todos os tempos; faço questão de ressaltar isso de início. Lançado em 1982, após o fracasso de Music from the Elder, Creatures retomou a idéia de lançar um disco de rock pesado (hard rock), numa tentativa de mostrar aos fãs que o Kiss ainda era capaz de produzir bons discos como no passado (anos 70). Mas a essas alturas, boa parte dos fãs já havia abandonado a banda [sobretudo pelo som suave de "Unmasked" e "Dynasty e] diante do surgimento de novas bandas de heavy metal e hard rock no início dos anos 80. Iron Maiden, Judas Priest, Motorhead, Saxon, Def Leppard, Diamond Head, entre muitas outras bandas inglesas ganharam notoriedade quando o movimento punk foi perdendo espaço.
Desse modo, Creatures não gozou do sucesso esperado. Injustamente, devo dizer. Trata-se de um grande disco de hard rock, composto de 9 músicas comprometidas com o estilo. Em Creatures ouvem-se riffs pesados e rápidos. O baixo também se destaca em algumas músicas. E a bateria de Eric Carr se beneficiou tremendamente com a mixagem, alcançando um dos melhores registros da história do rock. Entendo que nesse processo de mixagem, as guitarras não levaram a melhor, ficando às vezes difícil de ouvir alguns riffs (notadamente em Saint and Sinner e Danger). Mas isso não compromete o álbum, e é daquelas imperfeições que compõem as grandes obras.
O disco inicia com a faixa título, e uma abertura fenomenal de Eric Carr. A edição remasterizada do cd realça ainda mais esses detalhes. Cabe referir, neste passo, que uma das grandes belezas desse disco é que o lead guitar Ace Frehley não participou das gravações. Todos os solos foram gravados por outros guitarristas: e a tarefa de adivinhar que guitarrista gravou qual solo é bastante divertida (na minha opinião). No caso da música Creatures of the Night, o solo principal (um dos melhores que eu já ouvi) foi gravado por Steve Ferris. Como curiosidade, vale lembrar que Eddie Van Halen chegou a comparecer às gravações para gravar o solo da faixa-título, cogitando-se até que seria o guitarrista substituto de Ace. Os demais mini-solos (fills entre os versos) foram obra de Adam Mitchell (que compôs essa música com Paul Stanley). Bela música, belos versos, fantástico solo, e brilhante de bateria de Eric Carr.
Saint and Sinner é a primeira faixa de Gene Simmons. Tem um andamento mais cadenciado. Sobressai aqui a bateria muito criativa de Eric Carr, que acompanha os versos de maneira bem inusitada; no refrão Eric acompanha as guitarras criando um belo efeito com os vocais. O solo (memorável), tudo indica, foi patrocinado por Vinnie Vincent (então Vincent Cusano), que compôs várias músicas nesse álbum e viria a ser o substituto de Ace na turnê e no álbum seguinte.
Keep me Coming é de Paul, e tem um bom refrão que repete o título da música várias vezes. O riff principal tem uma característica de Paul, apresentada também em outras músicas como The Oath (do Elder) e Get all you can take (do Animalize). Outra característica do Paul em muitas músicas é um trecho antes e depois do solo (ver Under the Gun do Animalize). Gosto muito do pre-chorus “Sweet little innocent girl...”. Seguramente o solo foi gravado por Vinnie.
Rock and roll hell foi composta por Gene, Jim Vallance (que compôs muitas outras com o Kiss) e Bryan Adams (o cantor canadense aquele) [na verdade, aparentemente a faixa foi composta exclusivamente por Vallance e Adams], e é calcada basicamente no baixo de Gene. Bastante marcante e até representativa do ânimo do baixista/vocalista naquela época. “Get me out of this rock and roll hell”. Eric é bastante criativo nessa música (acompanha os versos com o tom, e ajuda a construir a ‘tensão’ que termina com o refrão). Nessa e em todas as músicas Eric produz belos ‘rolos’ na bateria (acho que essa é a melhor característica dele, e nesse disco particularmente – todos os rolos são brilhantes; o modo como ele insere na música, marcando o fim de um trecho e o início de outro). Não estou muito seguro, mas parece que o solo é de Vinnie também.
Danger é uma música bem rápida, composta por Paul e Adam Mitchell (a dupla da faixa título). Aqui acho que a mixagem prejudicou as guitarras. Bom refrão. Solos de Vinnie, com certeza. Eric dá mais um show na bateria – há um overdub no hi-hat. E os rolos são soberbos. Talvez seja a melhor contribuição de Eric no álbum. Repare na tensão criada no pre-chorus que vem depois do solo – Paul cantando com muita emoção. [O baixista do Yellowjackets Jimmy Haslip foi chamado por Michael James Jackson, o produtor, para colaborar nas sessões e acabou registrando o baixo dessa música].
I love it loud é hino da banda nos anos 80. A música é inconfundível, todo mundo conhece. O bumbo de Eric está com afinação bem mais pesada (como nas outras músicas). O solo é extremamente simples – pode ter sido tocado por qualquer um; não tem como identificar nenhum estilo [Gene já contou a história de que Vinnie Vincent queria fazer um solo acrobático de guitarra, mas o baixista fez prevalecer um solo bem simples]. Ao final, há uma utilização do recurso fade out – fade in – fade out (a música parece que termina, mas volta pra, aí sim, terminar).
I still love you é a balada de Paul. É tão triste e comovente que eu nao costumo ouvir regularmente. Destaque todo especial pra letra, realmente tocante. Já é de conhecimento público, mas não custa lembrar que Eric foi quem gravou o baixo. O solo, com muito feeling, ao que parece foi gravado por Robben Ford.
Killer até hoje eu a vejo como a música dispensável do disco. O riff lembra Led Zeppelin na fase hard (primeiros discos). Não é ruim a música, mas não é nada memorável. Solos de Vinnie Vincent, seguramente.
War Machine encerra o disco com um peso nunca visto em um álbum do Kiss. Composta pelo trio Gene/Vallance/Bryan Adams, tem uma boa letra e um belo riff, bem heavy mesmo. O solo tem todo o jeito de ser de Vinnie.
Concluindo: é o meu disco favorito de todos os tempos, e minha ligação com ele vai além da questão musical: visualizo nele algumas lembranças de infância – lembro da época em que foi lançado, do poster do disco nas lojas Breno Rossi, e da turnê promocional no Brasil (e do programa especial que foi ao ar pela TV Globo). Mas foi um disco excelente lançado numa época desfavorável para a banda, pois os fãs, após 3 discos desacertados, já haviam abandonado a banda. Sabe-se que os shows no Brasil foram os últimos com máscara – e para a banda retomar o seu lugar dentre as grandes bandas de rock, não bastava lançar apenas bons discos: era preciso mais. Desligar-se do passado de excessos e excentricidades era medida que se impunha e isso passava por tirar as tradicionais máscaras e mostrar que a banda não estava mais para brincadeira.”
“23.07.2003 - Creatures of the Night – trata-se do meu disco favorito de todos os tempos; faço questão de ressaltar isso de início. Lançado em 1982, após o fracasso de Music from the Elder, Creatures retomou a idéia de lançar um disco de rock pesado (hard rock), numa tentativa de mostrar aos fãs que o Kiss ainda era capaz de produzir bons discos como no passado (anos 70). Mas a essas alturas, boa parte dos fãs já havia abandonado a banda [sobretudo pelo som suave de "Unmasked" e "Dynasty e] diante do surgimento de novas bandas de heavy metal e hard rock no início dos anos 80. Iron Maiden, Judas Priest, Motorhead, Saxon, Def Leppard, Diamond Head, entre muitas outras bandas inglesas ganharam notoriedade quando o movimento punk foi perdendo espaço. Desse modo, Creatures não gozou do sucesso esperado. Injustamente, devo dizer. Trata-se de um grande disco de hard rock, composto de 9 músicas comprometidas com o estilo. Em Creatures ouvem-se riffs pesados e rápidos. O baixo também se destaca em algumas músicas. E a bateria de Eric Carr se beneficiou tremendamente com a mixagem, alcançando um dos melhores registros da história do rock. Entendo que nesse processo de mixagem, as guitarras não levaram a melhor, ficando às vezes difícil de ouvir alguns riffs (notadamente em Saint and Sinner e Danger). Mas isso não compromete o álbum, e é daquelas imperfeições que compõem as grandes obras.
O disco inicia com a faixa título, e uma abertura fenomenal de Eric Carr. A edição remasterizada do cd realça ainda mais esses detalhes. Cabe referir, neste passo, que uma das grandes belezas desse disco é que o lead guitar Ace Frehley não participou das gravações. Todos os solos foram gravados por outros guitarristas: e a tarefa de adivinhar que guitarrista gravou qual solo é bastante divertida (na minha opinião). No caso da música Creatures of the Night, o solo principal (um dos melhores que eu já ouvi) foi gravado por Steve Ferris. Como curiosidade, vale lembrar que Eddie Van Halen chegou a comparecer às gravações para gravar o solo da faixa-título, cogitando-se até que seria o guitarrista substituto de Ace. Os demais mini-solos (fills entre os versos) foram obra de Adam Mitchell (que compôs essa música com Paul Stanley). Bela música, belos versos, fantástico solo, e brilhante de bateria de Eric Carr.
Saint and Sinner é a primeira faixa de Gene Simmons. Tem um andamento mais cadenciado. Sobressai aqui a bateria muito criativa de Eric Carr, que acompanha os versos de maneira bem inusitada; no refrão Eric acompanha as guitarras criando um belo efeito com os vocais. O solo (memorável), tudo indica, foi patrocinado por Vinnie Vincent (então Vincent Cusano), que compôs várias músicas nesse álbum e viria a ser o substituto de Ace na turnê e no álbum seguinte.
Keep me Coming é de Paul, e tem um bom refrão que repete o título da música várias vezes. O riff principal tem uma característica de Paul, apresentada também em outras músicas como The Oath (do Elder) e Get all you can take (do Animalize). Outra característica do Paul em muitas músicas é um trecho antes e depois do solo (ver Under the Gun do Animalize). Gosto muito do pre-chorus “Sweet little innocent girl...”. Seguramente o solo foi gravado por Vinnie.
Rock and roll hell foi composta por Gene, Jim Vallance (que compôs muitas outras com o Kiss) e Bryan Adams (o cantor canadense aquele) [na verdade, aparentemente a faixa foi composta exclusivamente por Vallance e Adams], e é calcada basicamente no baixo de Gene. Bastante marcante e até representativa do ânimo do baixista/vocalista naquela época. “Get me out of this rock and roll hell”. Eric é bastante criativo nessa música (acompanha os versos com o tom, e ajuda a construir a ‘tensão’ que termina com o refrão). Nessa e em todas as músicas Eric produz belos ‘rolos’ na bateria (acho que essa é a melhor característica dele, e nesse disco particularmente – todos os rolos são brilhantes; o modo como ele insere na música, marcando o fim de um trecho e o início de outro). Não estou muito seguro, mas parece que o solo é de Vinnie também.
Danger é uma música bem rápida, composta por Paul e Adam Mitchell (a dupla da faixa título). Aqui acho que a mixagem prejudicou as guitarras. Bom refrão. Solos de Vinnie, com certeza. Eric dá mais um show na bateria – há um overdub no hi-hat. E os rolos são soberbos. Talvez seja a melhor contribuição de Eric no álbum. Repare na tensão criada no pre-chorus que vem depois do solo – Paul cantando com muita emoção. [O baixista do Yellowjackets Jimmy Haslip foi chamado por Michael James Jackson, o produtor, para colaborar nas sessões e acabou registrando o baixo dessa música].
I love it loud é hino da banda nos anos 80. A música é inconfundível, todo mundo conhece. O bumbo de Eric está com afinação bem mais pesada (como nas outras músicas). O solo é extremamente simples – pode ter sido tocado por qualquer um; não tem como identificar nenhum estilo [Gene já contou a história de que Vinnie Vincent queria fazer um solo acrobático de guitarra, mas o baixista fez prevalecer um solo bem simples]. Ao final, há uma utilização do recurso fade out – fade in – fade out (a música parece que termina, mas volta pra, aí sim, terminar).
I still love you é a balada de Paul. É tão triste e comovente que eu nao costumo ouvir regularmente. Destaque todo especial pra letra, realmente tocante. Já é de conhecimento público, mas não custa lembrar que Eric foi quem gravou o baixo. O solo, com muito feeling, ao que parece foi gravado por Robben Ford.
Killer até hoje eu a vejo como a música dispensável do disco. O riff lembra Led Zeppelin na fase hard (primeiros discos). Não é ruim a música, mas não é nada memorável. Solos de Vinnie Vincent, seguramente.
War Machine encerra o disco com um peso nunca visto em um álbum do Kiss. Composta pelo trio Gene/Vallance/Bryan Adams, tem uma boa letra e um belo riff, bem heavy mesmo. O solo tem todo o jeito de ser de Vinnie.
Concluindo: é o meu disco favorito de todos os tempos, e minha ligação com ele vai além da questão musical: visualizo nele algumas lembranças de infância – lembro da época em que foi lançado, do poster do disco nas lojas Breno Rossi, e da turnê promocional no Brasil (e do programa especial que foi ao ar pela TV Globo). Mas foi um disco excelente lançado numa época desfavorável para a banda, pois os fãs, após 3 discos desacertados, já haviam abandonado a banda. Sabe-se que os shows no Brasil foram os últimos com máscara – e para a banda retomar o seu lugar dentre as grandes bandas de rock, não bastava lançar apenas bons discos: era preciso mais. Desligar-se do passado de excessos e excentricidades era medida que se impunha e isso passava por tirar as tradicionais máscaras e mostrar que a banda não estava mais para brincadeira.”
domingo, 13 de dezembro de 2009
Resenha de CD - Rammstein "Rosenrot" (2005)
Durante os últimos 12 meses convivi com a noção de que as melhores músicas de "Rosenrot" não são melhores do que as melhores músicas de "Reise, Reise", e que por essa razão este último seria melhor que o primeiro. Pois há um mês ouço os três álbuns mais recentes do Rammstein e estou revendo essa ideia: "Rosenrot" é melhor disco no geral, em comparação com "Reise, Reise". Há mais espaço para melodias ("Spring", "Wo bist Du", "Stirb nicht vor mir"), e a interação entre teclados e guitarras é inspirada e inspiradora (como de costume). As melhores faixas são "Benzin", "Mann gegen Mann", "Rosenrot", "Zerstören", "Te Quiero Puta", e "Ein Lied".
"Benzin" abre o disco com uma letra fácil de acompanhar. Talvez o melhor riff do disco seja o de "Mann gegen Mann", uma porrada típica do Rammstein (como bônus, o solo de teclado tem um timbre muito legal). Tenho me esforçado para decorar a letra de "Rosenrot", pois é uma das mais fáceis para cantar e tocar na guitarra, se for o caso. Trata-se de uma música perfeita, com suas partes muito bem encadeadas; destaque para um riff que serve de interlúdio e aparece também ao final. "Zerstören" é a mais pesada do disco, tem bons riffs de guitarra e um excelente timbre de teclado estilo Melotron sobre o riff principal. "Te Quiero Puta" é a música de gozação que os caras costumam lançar a cada disco: há instrumentos de sopro estilo mariachi, a letra hispânica de duplo sentido, e um baita riff de guitarra no refrão. "Ein Lied" conta apenas com um dedilhado no violão, voz e teclados com timbres variados, incluindo um de Theremin.
Tanto "Rosenrot" quanto "Reise, Reise" foram lançados no Brasil, mas com preços exorbitantes; encontrei esses álbuns na Musimundo em Buenos Aires por aproximadamente 30 pesos, o que em reais é bem mais atraente.
"Benzin" abre o disco com uma letra fácil de acompanhar. Talvez o melhor riff do disco seja o de "Mann gegen Mann", uma porrada típica do Rammstein (como bônus, o solo de teclado tem um timbre muito legal). Tenho me esforçado para decorar a letra de "Rosenrot", pois é uma das mais fáceis para cantar e tocar na guitarra, se for o caso. Trata-se de uma música perfeita, com suas partes muito bem encadeadas; destaque para um riff que serve de interlúdio e aparece também ao final. "Zerstören" é a mais pesada do disco, tem bons riffs de guitarra e um excelente timbre de teclado estilo Melotron sobre o riff principal. "Te Quiero Puta" é a música de gozação que os caras costumam lançar a cada disco: há instrumentos de sopro estilo mariachi, a letra hispânica de duplo sentido, e um baita riff de guitarra no refrão. "Ein Lied" conta apenas com um dedilhado no violão, voz e teclados com timbres variados, incluindo um de Theremin.
Tanto "Rosenrot" quanto "Reise, Reise" foram lançados no Brasil, mas com preços exorbitantes; encontrei esses álbuns na Musimundo em Buenos Aires por aproximadamente 30 pesos, o que em reais é bem mais atraente.
Assinar:
Postagens (Atom)







