sábado, 17 de outubro de 2009
The Beatles remastered - "Rubber Soul" (1965)
Pouco depois de lançar "Help!" os Beatles se puseram a compor o que viria a ser "Rubber Soul" (a fim de coincidir com um lançamento natalino) e os resultados não poderiam ser mais expressivos. Trata-se de um álbum só com composições do quarteto e, acima de tudo, representa uma grande evolução da banda em muitos sentidos. Geralmente se diz que é um álbum inovador, no qual foram empregados instrumentos inusitados (cítara em "Norwegian Wood" é o exemplo mais evidente, mas há outras novidades em "Michelle", "Think for Yourself" e "Run For Your Life"), novas influências foram demonstradas, e até as letras ganharam roupagem mais elaborada ("Nowhere Man", por exemplo). A faixa que abre o disco é "Drive My Car" e desde logo se percebe a predominância de riffs e licks - com um punhado de slides e hammer-ons e pull-offs - de guitarra e baixo, desacompanhados das levadas de violão que caracterizavam boa parte do repertório dos discos anteriores. Não que a banda tenha ainda desprezado músicas acústicas, pois a faixa seguinte é conduzida por violões e é daquelas que contam com as fantásticas melodias típicas dos Beatles: "Norwegian Wood" tem aqueles vocais assertivos de Lennon, uma levada de violão muito boa em 12/8, um tema bem melódico executado na cítara e também no violão solo. É a melhor faixa do disco, ao lado de "Nowhere Man", sendo certo que ambas contam com as mesmas qualidades e que "Nowhere Man" tem o acréscimo de um belo solo de guitarra com timbre bem limpo (finalizando com harmônicos), e um tema na guitarra de cinco notas que é executado ao final dos versos antes da ponte para o refrão. "You Won´t See Me" traz de volta as guitarras e o piano, bem como uma linha de baixo pulsante e bem trabalhada, conduzindo a música de maneira diversa dos acordes de guitarra executados com pausas e staccatto; nos vocais aparecem os tradicionais "oooh-lah-lah-lah" em músicas pop. "Think For Yourself", de Harrison, apresenta cada instrumento tocando partes diversas: o baixo dá conta da estrutura sobre a qual são tocados acordes com pausas e staccatto numa guitara e melodias com timbre fuzz na outra guitarra, e tudo fica ainda mais sofisticado se considerarmos que a melodia da voz é igualmente diferente. "The Word" é outra que demonstra a tendência para a adoção de riffs e acordes marcantes de guitarra, especialmente nos versos em que Lennon canta desacompanhado e na base do solo de "harmonium" (conforme o wikipedia, George Martin, o produtor, quem gravou essa parte). McCartney mandou mais uma de suas delicadas e melódicas composições em "Michelle", cheia de violões inspirados e solo de guitarra no qual me parece que o botão de tom foi deixado no zero, produzindo um som bem fechado. Tanto quanto "Act Nacturally" de "Help!", "What Goes On" é mais uma das agradáveis contribuições de Ringo Starr. As guitarras são deixadas de lado e voltam os violões em "Girl" e "I´m Looking Through You". Por outro lado, "In My Life" contém guitarras com timbres limpos e um solo de piano que, conforme descrição do wikipedia, foi composto e executado por George Martin em estilo Bach-barroco, mas como o andamento da faixa era rápido, o cara tocou lentamente e após aplicou reprodução no dobro do tempo, gerando um efeito de cravo. Um exercício interessante é ouvir certas músicas dos Beatles e associar com músicas de bandas que vieram depois deles, sabendo-se como se sabe que os Beatles são influência universal no rock. Nesse sentido, "If I Needed Someone" me lembra o Yes, pela linha de baixo, timbre de guitarra e os vocais harmonizados (é possível que eu esteja pensando em "Yours Is No Disgrace"). "Rubber Soul", não por acaso, é tido como um verdadeiro disco clássico, e se atribui a ele a influência em Brian Wilson dos Beach Boys para compor outro clássico, "Pet Sounds" de 1966.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Discografia Dream Theater - Parte XIII "Black Clouds & Silver Linings" (2009)
Como de costume, Mike Portnoy tentou definir o som do que viria a ser o novo disco do Dream Theater como um misto de “A Change of Seasons”, “Learning to Live”, “The Glass Prison”, etc. Evidentemente que não levei isso a sério e mantive as expectativas bem baixas em relação a “Black Clouds & Silver Linings”, sobretudo quando ouvi os mp3 disponibilizados oficialmente (meses) antes do lançamento do álbum; numa primeira e perfunctória audição, “A Rite of Passage” e “A Nightmare to Remember” em nada diferiam dos exercícios comuns do Dream Theater sobre estruturas musicais tornadas tradicionais pelos caras nos discos mais recentes. Eventualmente baixei o restante dos mp3 – já não fico mais guardando a audição para a aquisição do CD – e acabei ficando com uma impressão melhor sobre as novas músicas. Acompanhei diariamente o site das duas principais mega-stores de livros, DVDs e CDs, e no dia marcado para o lançamento nacional comprei na loja que vendia mais barato (Cultura).De fato: “Black Clouds & Silver Linings” tem audição bem mais fácil do que os outros discos mais recentes da banda. São apenas 6 músicas, e apesar de longas na sua maioria, são de assimilação tranquila., facilitado pelas estruturas previsíveis das composições. Li uma entrevista de John Petrucci na Guitar World de outubro de 2009 que achei reveladora em muitos sentidos: o cara admite que uma das metas da banda é conciliar partes instrumentais bastante técnicas com refrões cativantes e riffs de guitarra acessíveis. Um grande exemplo disso é a primeira faixa, “A Night to Remember”. A letra é do próprio Petrucci e cuida de suas memórias sobre um acidente automobilístico passado na sua infância. A introdução é do tipo de trilha de filme de terror (Portnoy e Petrucci acreditam que poderia ser trilha de um filme do Tim Burton), incluindo timbre de teclado “fantasmagórico”. Segue-se, após essa sequência de acordes inicial, um riff bem básico de guitarra heavy metal, o qual efetivamente inaugura a música e acompanha os versos. Há um chorus bem definido. Mas a faixa fica boa, mesmo, quando dá uma acalmada a partir dos 7min, e aparecem versos com melodias muito legais (todas as partes com “magnificent desolation” são ouro). No youtube descobri um vídeo sensacional de uma banda japonesa fazendo um cover dessa faixa na íntegra, com resultado excelente.
O single eleito para divulgar esse disco foi “A Rite of Passage”, que no meu sentir é uma música com muito pouca inspiração. O refrão é outra tentativa de produzir um momento acessível e radiofônico (não há problemas quanto a isso), mas o resultado é fraco, sobretudo o backing vocal de Petrucci e a própria linha do vocal principal, com tom bem baixo. O momento no qual Petrucci e Rudess se revezam nos solos é previsível e em nada difere do que já ouvimos melhor anteriormente (a não ser um timbre meio vintage utilizado por Rudess em uma de suas intervenções).
Gostei bastante da faixa mais curta de “BC&SL”: “Wither”, com letra de Petrucci sobre a tarefa inquietante que qualquer compositor/escritor/artista é obrigado a desempenhar no início do seu trabalho: partir do zero, preencher uma folha/tela em branco, etc. Os vocais de LaBrie não demoram para aparecer, e a interpretação do cara é matadora (ele sempre se deu bem nesses momentos mais introspectivos, de encontrar o tom certo para interpretar – não apenas cantar – versos sobre bases mais lentas ou melódicas, ou com acompanhamento minimalista). Efetivamente, é uma das melhores baladas do Dream Theater, na linha talvez de “I Walk Beside You” e de “The Answer Lies Within”, só que muito-muito melhor. É um feliz momento em que tudo se encaixou, tanto a parte instrumental quanto a vocal.
A suíte de Portnoy sobre os 12 passos encerra com “The Shattered Fortress”. Se nas partes anteriores alguns riffs apareciam reciclados, “The Shattered Fortress”, por vezes, parece um grande medley de riffs, pois há reminiscências de todas as músicas que compreendem a suíte. Talvez funcione melhor quando ouvirmos toda a suíte na íntegra, mas por si só é uma faixa fraca, conquanto tenha seus bons momentos.
“The Best of Times” tem letra tocante de Portnoy, lembra bastante o Rush, e acaba sendo muito boa para o meu gosto. Na referida entrevista do Petrucci à GW, o guitarrista revela a dificuldade de compor em tom maior sem imprimir um aspecto alegre demais à composição, e sem ficar igual ao Queen ou ao Rush. Esse é o tipo de ponto de vista que jamais teria por conta própria, de maneira que me parece relevante ler todo o tipo de entrevista dos integrantes da banda a respeito dos seus discos, a fim de conhecer esses depoimentos que, por vezes, viabilizam a adoção de um enfoque diferente quando da audição da música. Afinal, e isso fica bem claro, existem os 5% de inspiração e os 95% de transpiração, e no caso do Dream Theater, geralmente há uma razão para que determinada música seja assim ou assado (as coisas não se passam arbitrariamente ou sem reflexão prévia, como aliás ocorre com toda banda de rock progressivo – sempre lembro do depoimento de Bill Bruford, segundo o qual um dos motivos de sua insatisfação com o Yes eram as homéricas e acaloradas discussões sobre se determinada nota a ser tocada deveria ser um F ou um F#).
O disco encerra com “The Count of Tuscanny”, que é outra de Petrucci com suas experiências pessoais (o guitarrista narra a ocasião em que encontrou um conde dessa cidade).
O lançamento de “BC&SL” não contou com tanta antecipação e com tantas entrevistas explanatórias em comparação com o disco anterior “Systematic Chaos”, mas alcançou a maior colocação no Top 200 da Billboard (#10). Além disso, está consolidada uma nova geração de fãs do Dream Theater, que se somam aos já tradicionais como eu.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
The Beatles remastered - "Help!" (1965)
Se em "A Hard Day´s Night" as melhores composições eram as cantadas por McCartney, no caso de "Help!" - outra trilha-sonora para um filme do quarteto fabuloso - as coisas se invertem e Lennon é responsável por um punhado respeitável de boas faixas. Duas delas são instantaneamente reconhecíveis como clássicos dos Beatles: a primeira é a faixa-título, que também abre o disco. A música já começa direto ao ponto, exclamando o pedido de ajuda, e desde logo se ouvem mais uma demonstração de virtuosismo dos caras nas harmonizações vocais: acredito que aqui os caras cantem em contraponto; Lennon conduz a melodia principal e os demais fazem as melodias derivadas. De qualquer maneira, a linha de baixo é uma verdadeira aula no instrumento (conduz a música e é ao mesmo tempo melódica). A estrutura é muito simples: são executados 4 vezes os versos, com duas ou três partes diferentes. A segunda música espetacular de Lennon é "Ticket to Ride", e aqui, além da melodia e dos vocais, destaco a bateria de Ringo Starr. Há uns 20 anos ouvi - e convivi com esse senso comum de - que Ringo Starr não é bom baterista, e seria o músico mais fraco dos Beatles; diz-se que Ringo "só sabe marcar, mas não sabe rufar". Nunca entendi o que isso significa. Entretanto, tenho ouvido o epertório da banda e percebo as várias batidas diferentes que Ringo emprega para conduzir as músicas (evidentemente que não tenho, por ora, conhecimento se o baterista criava suas levadas ou era instruído a tocar de tal ou qual jeito - talvez não por acaso, no wikipedia consta que McCartney, de acordo com John, teria sido responsável pela levada de bateria em "Ticket to Ride"). Além disso, as contribuições vocais de Ringo são geralmente agradáveis, e não é diferente o caso em "Act Nacturally". Uma das minhas favoritas, no entanto, é outra de Lennon: "You´ve Got To Hide Your Love Away" é conduzida por violões (com acordes sendo trocados constantemente) e tem um vocal bem rasgado, com uma melodia espetacular. "You´re Gonna Lose That Girl" é outra com vocal assertivo de Lennon, e uma letra verdadeira. De outra banda, não dá para reclamar das composições de McCartney, pois o cara mandou a faixa mais conhecida, gravada e falada dos Beatles: "Yesterday", que é bem bonita mesmo. Paul mandou outras duas muito boas: "The Night Before" e "I´ve Just Seen a Face". Esta última é meio country, com uma levada acelerada nos violões e nos versos longos. A melodia é extremamente familiar, mesmo na primeira audição. Então lembro que parte da melodia foi "homenageada" pelo Guns and Roses em "My Michelle" do "Appetite for Destruction" (aquele "oh, oh, oh, My Michelle"). Felizmente, é o último disco do quarteto a conter um cover ("Dizzy Miss Lizzy"), sem considerar "Maggie Mae" em "Let It Be". É possível que "Help!" seja o último disco da fase inicial dos Beatles, e provavelmente o melhor (ou com maior número de boas composições).
domingo, 11 de outubro de 2009
The Beatles remastered - "Beatles for Sale" (1964)
A ninguém escapou que lançar um disco com metade de covers representou um passo atrás na evolução da banda, considerando-se que o álbum anterior "A Hard Day´s Night" continha apenas composições próprias da banda (embora se possa conceder que não é fácil a tarefa de preencher discos com material novo a cada semestre). "Beatles for Sale" caracteriza-se, ainda, pelas letras autobiográficas de Lennon em "I´m a Loser", "No Reply" e "I Don´t Want to Spoil the Party". Indiscutivelmente as melhores são "Baby´s in Black" (com vocais harmonizados de Paul e John e bonita melodia) e "Eight Days a Week" (outra das instantaneamente identificáveis, com marca registrada e Iso 9001 de Lennon e McCartney, ficando aqui o destaque também para a linha de baixo de Paul, com várias notas e andamento "walking"). "Every Little Thing" é uma daquelas típicas obscuras e boas da discografia de uma banda, e conta com um refrão muito bom, acompanhado por uma melodia muito boa nos violões e no baixo. Seja como for, os Beatles voltariam em espetacular forma no disco seguinte, lançado em 1965.
sábado, 10 de outubro de 2009
The Beatles remastered - "A Hard Day´s Night" (1964)
O terceiro álbum dos Beatles, "A Hard Day´s Night", foi o primeiro exclusivamente com composições de Lennon & McCartney e serviu de trilha sonora do filme com o mesmo nome. Talvez não por acaso se trate do melhor disco da primeira fase da banda. São celebrados o acorde inicial da faixa-título (com a recém adquirida guitarra Rickenbacker de 12 cordas de George Harrison), bem como o fato de que a maioria das faixas é conduzida por Lennon, e - assim como "Let It Be" - não conta com vocais de Ringo Starr. Ouvindo o repertório do CD fico com a impressão de que as melhores faixas são as ímpares: "A Hard Day´s Night" (andamento acelerado com bons acordes, sendo certo que a faixa seguinte, "I Should Have Known Better" poderia ser tocada de forma emendada pela similaridade da levada nos violões); "If I Fell" (uma grande balada e que ganha com os vocais harmonizados de Paul e John); "And I Love Her" (mais uma das músicas coxudas de melodia de McCartney - aquelas primeiras quatro notas grudam no ouvido desde a primeira audição); "Can´t Buy Me Love" (uma das músicas mais conhecidas e características da época, outra cria de Paul). Das conduzidas por Lennon, uma das melhores é "You Can´t do That" com vocal rocker. Todas as faixas de uma maneira ou outra são conduzidas por levadas de acordes nos violões, dando a impressão de que foram compostas todas numa sentada de invejável inspiração.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Ensaio The Osmar Band - "Sechsundzwanzig" 08.10.2009
Ainda pilhado com o excelente show do Kip Winger, fui para o ensaio da Osmar Band sem BFG/XT, só com o baixo, com a intenção de tocar com o violão de cordas de aço do Alemão. Antes, porém, assistimos a alguns momentos do DVD do John Mayer e demos uma olhada no monte de livros de partituras que o Alemão conseguiu emprestado (BB King, Pink Floyd, Ramones, dentre outros). Uma vez satisfeitos com o bate-papo inicial e o barril holandês, descemos para tocar e logo nos desincumbimos da tarefa de retomar uma muito boa de um ensaio ainda recente, nos acordes Bm-A-G-F#, e com letra muito boa do Marcelo que havia sido motivada por um endereço infame. Acho que foi a primeira vez que nos concentramos em uma música e fizemos um esforço coletivo para refiná-la até chegar a uma versão definitiva que agradasse a todos; todos deram "inputs" desde logo adotados para finalizar mais um mega hit. Na primeira passagem toquei com a PRS do Alemão com a pedaleira Korg, mas depois assumi o violão pelo resto do ensaio. Não houve composições novas com letra, apenas uma jam com uns power chords em B-G-A e B-G-D-A, e o Alemão no baixo com captadores ativos. Realmente acho que é o caso de agilizarmos uma aprsentação para os amigos, e com isso em mente passamos a revisitar aquelas que consideramos confirmadas e testarmos outras candidatas com forte potencial. Tocamos aquela com sotaque do centro do país (Dm-G-Am), que nem precisamos ensaiar para ficar boa, uma outra com os acordes C-Bb-Eb-F que gosto bastante, e uma das antigas deles que tiramos na hora e tem um riff com acorde em Em cheio de notas e típico do Alemão. Nessa e noutra com letra sobre o kama sutra (acordes G e C) o Marcelo e o Marcão mandaram muito bem nos vocais. Os caras lembraram, ainda, de recuperar uma feita em homenagem a um baixista que tocou com eles antes do meu ingresso e que foi personagem de um episódio memorável (essa é no piano, com andamento bem calmo, e me limitei a pequenas intervenções e mini-solos, mas não deixei de imprimir minha marca com uma melodia com notas oitavadas como Wes Montgomery - ou pelo menos do jeito que deve soar como o guitarrista, de acordo com as tablaturas das revistas de guitarra).
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Discografia Dream Theater - Parte XII "Systematic Chaos" (2007)
A mudança de gravadora – para a Roadrunner – parece ter dado novo vigor à trajetória do Dream Theater. Afinal, o lançamento de “Systematic Chaos” foi acompanhado de ampla cobertura com (muitas) entrevistas (geralmente de Mike Portnoy e de John Petrucci) e resenhas favoráveis, produção de videoclipe (depois de anos sem utilização desse recurso), e edição especial com extras (um DVD). Além disso, foi disponibilizado um videoclipe muito legal para “The Dark Eternal Night” no youtube (disparado a melhor música do disco, e a melhor desde “The Glass Prison”) com imagens das gravações. Toda essa campanha acarretou a melhor posição até então de um disco do Dream Theater no Top 200 da Billboard (#19), e consequentemente vendas expressivas e novos fãs. O tratamento dispensado à banda pela nova gravadora foi bastante comemorado e explorado por Portnoy nas suas entrevistas, nas quais foram descortinados os bastidores da trajetória da banda nos anos anteriores, muitos dos quais referi nas resenhas dos discos anteriores (basicamente, a antiga gravadora se limitava a por no mercado os discos da banda, sem maiores preocupações com promoção e divulgação; assim, só os fãs já cativos adquiriam os CDs e a banda não atraia novos fãs). Particularmente, achei muito bem vinda essa vigorosa exposição do Dream Theater, ficando clara, para mim, a posição destacada da banda em relação a todas as demais que se propõe a fazer metal progressivo, sendo certo que a cena atual é mais favorável a bandas que se dedicam a compor músicas mais complexas em termos de guitarras e solos (superando, assim, e com vantagem, a fase do nu-metal que dominou o início da década).Já faz alguns anos que não prendo a respiração por um lançamento do DT, seguindo a filosofia de manter baixas as expectativas para evitar decepções. Então acompanhei as notícias sobre o início, o andamento e o término das gravações do disco, as tradicionais descrições de Portnoy (“é uma mistura de ‘Octavarium’ com ‘Train of Thought’, passando por ‘Surrounded’” ou algo do tipo), assisti ao vídeo de “The Dark Eternal Night” e comprei o disco na Cultura quando lançado. Naturalmente, o disco está longe de ser um clássico, mas a audição é um pouco mais pacífica do que a dos registros anteriores, contendo um punhado de bons momentos e de músicas legais.
O disco abre com a primeira parte de uma faixa de 25min dividida ao meio. A justificativa é que a banda (Portnoy) queria que abertura fosse com “In the Presence of the Enemies”, mas uma música tão comprida logo de cara poderia tornar as coisas enfadonhas, então se optou pela cisão em duas partes: uma para abrir e a outra para fechar o álbum. Assim compreendida – como uma música de 25min – fica mais fácil assimilar o fato de que os vocais só entram depois de mais de 5min de partes instrumentais. Seja como for, achei um pouco Rush demais essa abertura. Entretanto, a música é boa, sobretudo nas partes cantadas (James LaBrie mandando bem em ambiente de estúdio).
Petrucci resolveu compor letras ficcionais desta feita, e o tema segue em “Forsaken”, o “single” do álbum (videoclipe e tudo mais). Esta e a seguinte, “Constant Motion” (letra sobre si mesmo, como de costume, de Portnoy), me parecem exercícios genéricos com riffs pesados e refrões radiofônicos, sem maior impacto positivo, como tem sido regra a partir de “Train of Thought”.
As coisas melhoram significativamente em “The Dark Eternal Night”. Nada como um bom riff de heavy metal do estilo Dream Theater (e não do estilo de outras bandas), desta vez com várias notas e pausas cortantes. O refrão radiofônico, desta vez, é certeiro, e o dueto de LaBrie e Portnoy nos vocais funciona bem. Algumas partes instrumentais podem soar um pouco demasiadas, mas com boa vontade isso não compromete a melhor composição da banda em muitos anos.
A suíte de Portnoy dedicada ao tema do alcoolismo (que aparece em uma faixa a cada disco desde “6DOIT” e ao final formará uma grande faixa de aproximadamente 60min) segue em “Repentance”. Diferentemente das anteriores, trata-se de uma música calma, com predominância de timbres limpos (esse clima foi cuidadosamente calculado por Portnoy, pois quando a música for executada na íntegra – 60min – é indispensável um momento mais tranquilo, sob pena da audição (pelo público) e da execução (pela banda) se tornarem cansativas, para dizer o mínimo. Essa suíte (“Twelve-step Suite”) se caracteriza pela reciclagem de riffs empregados anteriormente, e sempre fico com a impressão de que são os riffs mais fracos que são utilizados nessas condições. Assim, uma variação de um riff fraco de “This Dying Soul” conduz a maior parte do tempo de “Repentance”, e esse riff fraco aparece ao final durante a parte em que vários músicos de bandas conhecidas (Jon Anderson, Joe Satriani, Steve Vai, David Ellefson, entre outros), sob convite prévio, prestaram depoimentos sobre o tema da música (arrependimento, desculpa, etc). O momento ouro, no entanto, fica por conta de um raro (hoje em dia) solo-com-feeling de John Petrucci: o cara economiza nas notas, mas manda ver nos bends espirituosos, sem mencionar o timbrão.
A audição de “Prophets of War”, com letra de LaBrie, provavelmente seria divertida não fosse a “influência” muito evidente de Muse. Portnoy costuma divulgar os seus discos preferidos, as suas influências e propagar o quão antenado ele é com bandas novas, mas tenho reparado que isso, no decorrer dos anos, teve o malefício de fazer do Dream Theater um repositório de referências e citações. Evidentemente que não há nenhum mal em compor algo similar ao som de alguma banda (todos fazem isso, de Angus & Malcolm Young a Keith Richards, e de James Hetfield até eu mesmo), mas no caso do Dream Theater acho ruim quando esse método é utilizado com preocupante regularidade (o Bruce já havia apontado acertadamente que “Never Enough”, de “Octavarium”, é quase um cover de “Stokholm Syndrome” do Muse, o que naturalmente deprecia uma faixa que poderia ser considerada muito legal). Independente disso, o timbre de teclado de Rudess é legal (tipo arpegiador, se não estou incorreto), bem como o vocal de LaBrie (os versos do refrão são facilmente assimiláveis, e a letra inteira o cara canta com convicção elogiável).
Nas resenhas passadas já sugeri algumas para o título de pior música do Dream Theater; uma das candidatas aparece em “Systematic Chaos": “The Ministry of Lost Souls”. Trata-se de uma faixa de 15min que já começa mal: uma melodia de Jordan Rudess, com timbre datado e fraco, executado a meia velocidade, como se fosse alguma espécie de épico. Ouvi essa faixa algumas vezes com o pensamento de que “com 15min de duração é impossível que não tenha partes boas que se salvem”, mas a conclusão foi sempre a mesma: é possível, “sad but true”, como diria o outro.
O disco termina com a segunda parte de “In the Presence of the Enemies”, que tanto quanto a primeira, tem momentos que funcionam muito bem.
Considero “Systematic Chaos” um disco bastante razoável (de bom) e tenho curtido mais a cada nova audição, desde que se dê atenção às músicas devidas. Apesar de já estarem consolidados os solos fritados de Petrucci e alguns timbres fracos de Rudess, e de marcar o início do ostracismo de John Myung (o cara não compõe mais letras e são cada vez mais raros os momentos em que o baixo se destaca), a mudança de gravadora parece ter facilitado o acesso ao som da banda para uma outra fatia de novos consumidores, além de ter proporcionado novos itens interessantes para os tradicionais seguidores.
Show XXVI - Kip Winger acoustic (07.10.2009, 21h, Drakkar Music Hall)
Geralmente vou desacompanhado nos shows de rock, por falta de parceria, mas o anúncio do show do Kip Winger em formato acústico me pareceu a oportunidade para levar a Sabrina e a Elenise, além do Christian, que curte um bom hard rock tanto quanto eu. O show estava marcado para 20h no Drakkar Music Hall, na Plínio, em frente ao Zaffari, onde antigamente ficava o Abbey Road. Chegamos por esse horário e encontramos uma cena típica das festas noturnas: fila do lado de fora, uma tática para atrair público. Depois de meia-hora na fila e pegando frio, Kip Winger passou na frente de todos e subiu a rampa acenando e sorrindo. Brincamos muito na fila, sobretudo as gurias que vieram basicamente porque eu pilhei bastante, mas achava que no final todos teriam se divertido e teriam curtido o programa. Quando finalmente entramos, em seguida ingressaram no palco dois caras (vocal e guitar) da Tempestt empunhando violões de corda de aço (um Takamine e outro não identifiquei a marca). Eles mandaram covers clássicos de hard rock: abriram com "Play The Game Tonight" do Kansas (o vocal ficou muito bom e igual ao original), fecharam com "Wanted Dead or Alive" do Bon Jovi, e mandaram uma desconhecida (para mim) do Jeff Scott Soto. Em "Don´t Stop Believin´" o guitar tocou de um jeito legal e diferente no violão, e o Christian deu o toque "não tem como gravar isso?"; estava reservando espaço para a atração principal, mas a versão dos caras para o clássico do Journey parecia valer os Mb de memória. Pois no meio da execução, Kip Winger apareceu para cantar alguns versos, promovendo um dos melhores momentos da apresentação deles. O vocal do Tempestt foi muito bom e o guitar também era competente. A ideia de uma dupla de abertura foi excelente e serviu para aquecer a galera. Só achei que o repertório devia ser exclusivamente de covers consagrados e matadores (além do Bon Jovi e Journey, poderia ter rolado Whitesnake, por exemplo). Finda a apresentação da dupla da Tempestt (que provavelmente servirá para inspirar o Christian e eu a retomar nossa dupla acústica de covers de hard rock), não demorou e Kip Winger com violão de (12) cordas de aço com afinação bem pesada (parece-me que a corda mais grave estava em C, mas vou conferir). O cara se ajeitou e mandou "Cross", uma faixa de um dos seus discos solo, e que sempre abre os seus shows acústicos. Kip emendou "Who´s the One", uma das belas faixas do "Pull", que já tive oportunidade para dizer que é um dos meus álbuns preferidos. Gravei ambas (8min) mas temi pelo espaço da memória comprometido logo no início do show, sendo certo que Kip não perdeu tempo para enumerar as minhas favoritas. "Down Incognito", com refrão magnífico, e mais uma - a terceira - do "Pull" - e a minha favorita do Winger - "Blind Revolution Mad" (achei que o cara não ia tocar essa, pois não é muito fácil encontrar versões acústicas dessa no youtube). A Ellen anunciou que estava achando o cara simpático, e de fato Kip tirou de letra e se mostrou totalmente a vontade, sem apelar para bajulações desnecessárias ("Rock star pose!"). Brincou com o cara que tava com a barriga colada no palco e fazia uma espécie de backing vocal em "Who´s the One" na parte "How loooooong", e pareceu bastante satisfeito com a reação da plateia, cantando as letras das músicas do Winger e da carreira solo do vocalista/baixista. Todos os presentes sabiam que Kip cantaria "Miles Away", mas achei que seria a música de encerramento; pois foi no meio do set, e Kip resolveu chamar um cara ("who is the best singer here?") para acompanhá-lo. Por sorte, Kip não deixou o cara cantando sozinho e interpretou a sua música mais conhecida (que, por sinal, é uma música do tipo que considero perfeita). Até aquele momento já havia reparado três coisas: (a) Kip Winger tem baita voz e não demonstra esforço algum para alcançar as notas altas e baixas; (b) ele executa acordes e dedilhados complicados no violão enquanto canta, o que sabidamente não é tarefa para qualquer um; (c) nunca tinha ouvido tantas notas diferentes soando dos mesmos acordes que estamos acostumados - parecia que qualquer posição de dedos que ele fizesse sobre o braço do violão sairia um acorde legal -, e nunca tinha ouvido tantas melodias (tanto na voz, especialmente nos refrões consagrados, como no violão). Evidentemente que não faltaram outras das obrigatórias do "In the Heart of the Young", como "Rainbow in the Rose" (na qual foi acompanhado do guitar da Tempestt, e contou com o vocalista da banda paulista em alguns versões e no refrão - ficou legal essa improvisação, e Kip estava bem tranquilo com a participação dos caras). Finalmente Kip mandou mais outra das minhas favoritas, "Easy Come Easy Go", que possivelmente fica melhor nesse formato acústico do que na versão original. O set list estava numa pequena anotação colada no violão, mas não é possível saber ao certo quantas músicas ele tinha inicialmente se disposto a tocar, pois na medida em que o tempo passou, a galera ia pedindo - e cantando junto - várias clássicas do cara, e quando terminaram as clássicas, foram pedindo as da carreira solo ("Daniel", dentre outras que não conheço - mas é só ouvir os mp3 dos discos para lembrar). Então rolou "Seventeen" (muito legal com backing vocal da platéia), "Madeleine", "Hungry", "Spell I´m Under", "Can´t Get Enough", "Headed for a Heartbreak" e em todas elas Winger não se tremeu para alcançar os característicos agudos e gritos típicos do hard rock farofa dos anos 1980. Pareceu-me que o set list já tinha ido embora, e o cara estava só se divertindo e valorizando a grana investida pelos presentes, executando todo o seu repertório, inclusive músicas que ele dizia que jamais havia tocado no violão, ou que não tocava há muitos anos. Lembro que rolou "Blue Suede Shoes", uma das grandes faixas do disco de estúdio mais recente do Winger ("IV"), e então o cara mandou uma instrumental na qual demonstrou que domina o violão de 12 cordas de aço (não conhecia, mas ele anunciou que se tratava de "Free", e acabei registrando apenas os últimos acordes - curti muito uns acordes pesados, bem como um truque massa que dava um toque oriental, sendo que essa parte consegui gravar). Admito que já estava satisfeito, e nem sabia mais o que esperar a seguir, então alguém pediu "Under One Condition" e Kip tocou mais uma das minhas favoritas (acho muito boa a letra, especialmente no refrão). Às 23h30min, preocupados com a questão do estacionamento e tudo mais, e, acima de tudo, satisfeito com a performance, fomos embora, mas tenho certeza que o cara ficou no palco por mais um bom tempo e ainda deve ter tirado fotos com todos os presentes. Na saída o consenso foi de que Kip Winger é um grande músico (acho legal como um cara faz uma apresentação boa dessas só com músicas que ele compôs o sofá de casa, cercado de fãs dedicados), e que nos divertimos bastante.
Vídeos a seguir (youtube lento para disponibilizá-los).
Vídeos a seguir (youtube lento para disponibilizá-los).
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
The Beatles remastered - "With the Beatles" (1963)
Nos anos 1960 o comum era lançar discos por semestre, então os Beatles lançaram mais do mesmo com "With the Beatles", com a diferença de que os caras já estavam consagrados e em vias de consolidar a Beatlemania. Indiscutivelmente a melhor faixa é "All My Loving", com 2min, e melodia espetacular - pelo que tenho ouvido, meu Beatle favorito é Paul - e a linha de baixo é bem trabalhada e pulsante, contrastando com os acordes ora strummed, ora staccato, e o solo de guitarra com notas oitavadas. Particularmente, não acho as demais faixas marcantes, sobretudo o punhado de covers que ainda respondiam por grande parte do repertório. Dessas covers se destacam "Please Mr Postman" (gostava bastante na época do filme "Backbeat" e trilha sonora respectiva - inclusive prefiro essa versão à dos Beatles) e "Money" (também registrada na mesma trilha sonora). Das da dupla Lennon & McCartney é boa "It Won´t Belong" (é legal o lick de guitar e baixo antes de entrar o refrão). No mais, fico com a impressão de que as melhores músicas ficaram nos singles (disponibilizados no "Past Masters").
sábado, 3 de outubro de 2009
The Beatles remastered - "Please Please Me" (1963)
Desde o final dos anos 1990, quando começou o esquema de relançar toda a discografia de uma banda remasterizada, nunca consegui me beneficiar completamente pois toda vez que chegou a coleção remasterizada de uma das minhas bandas favoritas, já tinha adquirido todos os CDs em versão simples (afinal, eram minhas bandas favoritas: Kiss, Van Halen, Deep Purple são os casos mais notórios). O caso dos Beatles é bem diferente, pois apesar de cultivar bastante respeito pela banda, jamais achei conveniente gastar 30 pila pelos CDs de álbuns lançados há 40 anos atrás (aliás, minha convicção é a de que os discos dos Beatles deveriam ser vendidos por 10 reais - ou menos -, para facilitar acesso universal). Mas os mesmos caras que não baixam o preço desses clássicos - apesar de já terem rendido o que podiam em 40 anos para várias gerações de executivos - são os caras que resolveram aproveitar a oportunidade para lançar toda a discografia britânica dos Beatles (é sabido que os discos lançados no mercado americano tinham repertório diverso) com novo encarte, documentário bônus e, evidentemente, remasterizado das fitas utilizadas por George Martin quando este viabilizou a primeira prensagem de CDs em 1987. O lançamento foi em 09/09/2009 para coincidir com um trecho repetitivo de "Revolution 9" do "álbum branco", e aproveitei o mês festivo para completar a coleção (já tinha "Abbey Road" e "Let It Be", escolhidos especificamente por ter curiosidade a respeito da fase final da banda), agregado ao fato de que desde o semestre passado estou entretido na leitura do Rough Guide dedicado à banda.
Da fase inicial, de rockinhos e covers, não sou muito fã, mas admito que grande parte das músicas mais significativas de Lennon & McCartney foram registradas nos primeiros discos e singles (especialmente nos singles). "Please Please Me" tem um punhado dessas músicas espetaculares. A música título abre com um dueto de harmônica e guitarra solo, seguindo-se acordes e os versos sempre harmonizados entre Lennon e McCartney, pontuados por uns riffs staccato e licks na parte mais grave da guitarra (à 1:44 aparece um ruído bem impertinente, e talvez seja a inconveniência do registro estereo...). "Love Me Do" é o primeiro single e uma das faixas mais conhecidas; a melodia na harmônica é bem característica, e os vocais harmonizados arrebentam e se alternam em registros alto e baixo. "Twist and Shout" por si já é um clássico, mas o filme de Ferris Bueller serviu para revitalizar uma faixa que tem a interessante história de bastidores de que foi a última a ser gravada nas rápidas e rasteiras sessões de gravação da época, pois era a que mais exigia dos vocais de John Lennon (o resultado é uma interpretação "prejudicada" de Lennon, cuja urgência ajudou a torná-la ainda mais significativa - parece visível o esforço do cara de se manter afinado gritando já com a voz arrebentada, e se tem uma performance arrebatadora). "There´s a Place" é uma que me era obscura, mas curti bastante em conta da harmonização de vocal muito boa nos versos "there´s no time". Notável que nesse primeiro LP mais da metade das faixas foi composta pela prolífica dupla e todos os quatro tiveram chance para mostrar seus competentes vocais, tanto solo como no apoio.
Da fase inicial, de rockinhos e covers, não sou muito fã, mas admito que grande parte das músicas mais significativas de Lennon & McCartney foram registradas nos primeiros discos e singles (especialmente nos singles). "Please Please Me" tem um punhado dessas músicas espetaculares. A música título abre com um dueto de harmônica e guitarra solo, seguindo-se acordes e os versos sempre harmonizados entre Lennon e McCartney, pontuados por uns riffs staccato e licks na parte mais grave da guitarra (à 1:44 aparece um ruído bem impertinente, e talvez seja a inconveniência do registro estereo...). "Love Me Do" é o primeiro single e uma das faixas mais conhecidas; a melodia na harmônica é bem característica, e os vocais harmonizados arrebentam e se alternam em registros alto e baixo. "Twist and Shout" por si já é um clássico, mas o filme de Ferris Bueller serviu para revitalizar uma faixa que tem a interessante história de bastidores de que foi a última a ser gravada nas rápidas e rasteiras sessões de gravação da época, pois era a que mais exigia dos vocais de John Lennon (o resultado é uma interpretação "prejudicada" de Lennon, cuja urgência ajudou a torná-la ainda mais significativa - parece visível o esforço do cara de se manter afinado gritando já com a voz arrebentada, e se tem uma performance arrebatadora). "There´s a Place" é uma que me era obscura, mas curti bastante em conta da harmonização de vocal muito boa nos versos "there´s no time". Notável que nesse primeiro LP mais da metade das faixas foi composta pela prolífica dupla e todos os quatro tiveram chance para mostrar seus competentes vocais, tanto solo como no apoio.
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