quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Discos essenciais – Judas Priest “Jugulator” (1997)

Lembro bem da época que se seguiu à saída de Rob Halford do Judas Priest (em 1992), pois a banda permaneceu inativa por um longo período. Cheguei até a considerar que o Judas havia encerrado suas atividades, e que Halford se sairia muito bem na tarefa de reerguer o Black Sabbath (nesse sentido, são bem conhecidos os shows que o cara conduziu no início dos anos 90 quando Dio se recusou a participar de algumas datas, o que alimentou os rumores de que Halford seria o novo vocalista do Sabbath. Eventualmente isso não frutificou, e Halford se dedicou apenas, no período, aos seus projetos solo e a sua banda Fight). Ainda não consegui apurar exatamente como nem quando, mas o fato é que 5 anos mais tarde foi anunciado o retorno do Judas Priest, e o vocalista seria Tim “Ripper” Owens, que fazia parte de uma banda cover do Judas Priest (essa história serviria para o filme “Rock Star”, cuja idéia inicial era mencionar expressamente o Judas Priest – e o nome do filme seria “Metal Gods”).

O disco de retorno, “Jugulator”, foi lançado em 1997, mas chegou na MadSound apenas em 1998, e acredito que tenha sido o primeiro a alugar o cd, no início do inverno daquele ano (a época era particularmente turbulenta). Botei o disco para rodar e imediatamente fiquei com uma impressão positiva. Eventualmente achei o disco na Siciliano do Iguatemi, juntamente com o cd tributo ao Judas Priest, e o preço era inacreditável, tipo R$ 8,90.

Absolutamente não entendo como um disco essencial como esse possa ser criticado. Bem, até entendo que alguém queira ouvir discos do Judas Priest com apenas Rob Halford nos vocais; entendo que essa questão fica superada quando se sabe que Black Sabbath com Ronnie James Dio (e mesmo Ian Gillan e Glenn Hughes) pode ser tão bom quanto o da fase com Ozzy Osbourne, que Deep Purple com David Coverdale e Glenn Hughes pode ser tão bom (e algumas vezes até melhor) quanto o da fase com Ian Gillan, e que Iron Maiden é definitivamente melhor com Bruce Dickinson do que com Paul DiAnno.

Mas “Jugulator”, por si só (ou seja, independentemente do vocalista), é um disco com composições muito fortes e boas. Definitivamente é um disco de guitarras e baterias agressivas, mas sem sair (muito) do heavy metal praticado pela banda, notadamente a partir de "Painkiller", aproximando-se com o que se denomina de thrash metal. É evidente que o som não é o mesmo do Priest dos anos 70 e 80; aqui os caras baixaram a afinação (no mínimo um tom abaixo - em um site diz-se que é C e C#, o que ainda falta conferir), e a batera de Scott Travis acompanha a pancadaria das guitarras. Simplesmente os caras seguiram o caminho aberto pelo “Painkiller” e foram além - e a meu juízo se deram muito bem.

Todas as faixas contêm vários riffs e partes de guitarra e bateria muito boas e marcantes (a introdução com guitarra limpa em quase metade das faixas é um pouco irritante, mas não compromete, pois geralmente o que vem a seguir é uma paulada). É um disco agressivo, não há dúvidas. E o vocal de “Ripper” Owens acompanha adequadamente todo esse clima. Particularmente, não divido preferências entre Halford e Owens (talvez tenha parecer ligeiramente mais favorável em relação ao segundo, apesar de que o primeiro é, indiscutivelmente, um verdadeiro mito no gênero): independentemente do vocalista, o legal é ouvir boas músicas de heavy metal, e em se tratando de Judas Priest, boas músicas de heavy metal são o que se ouve nesse “Jugulator”.

Destaques para as seguintes faixas:

(a) “Jugulator” – a faixa-título começa com uns sons mecanizados e de umas alavancadas nas cordas mais graves da guitarra soltas, simulando uma espécie de respiração de um monstro – o Jugulator. O truque é manjado, e a coisa fica boa mesmo quando entra a bateria à milhão, e depois uma sucessão de riffs arrasa-quarteirão. Antes de um dos inúmeros solos, “Ripper” Owens tem oportunidade para soltar um raro (nesse disco) e muito legal agudo na parte “now it´s time to jugulaaaaaaaaaaaaaaaaate”.

(b) “Blood Stained” – um recurso empregado em muitas faixas é a introdução com dedilhado tocado em guitarra limpa, ou, pelo menos, com o volume da guitarra mais baixo. Aqui se tem o primeiro exemplo, e depois da introdução vem outra sucessão de riffs bem pesados e acompanhados por bateria bem forte. Quanto aos vocais, há espaço para um bom refrão.

(c) “Bullet Train” - é o tipo de música que gosto, rápida e com vários riffs.

(d) “Dead Meat” – assim como as demais, conta com riffs excelentes e refrão matador.

(e) "Death Row" - essa faixa é muito boa e conta com o melhor refrão do disco. A interpretação de "Ripper" Owens é excelente em todas as faixas, mas se destaca aqui.

(f) "Burn in Hell" - outra com introdução clean e múltiplos riffs em seguida.

Disco que apresenta um Judas Priest ainda mais brutal nas guitarras, bateria e vocal, com excelentes resultados. Nada como ouvir bons riffs de guitarra com distorção, e "Jugulator" é uma aula do início ao fim.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

CD – Judas Priest “Painkiller” (1990)

O Judas Priest é uma das minhas bandas favoritas, e vai se apresentar em Porto Alegre em 12.11.2008; nesta data ainda estarei indisponível, então não poderei vê-los pela terceira vez (a primeira foi em 2001 no Opinião, e a segunda em 2005 no Gigantinho).

Deve haver uma razão, que ainda não descobri, pela qual as principais bandas de heavy metal/hard rock gravaram, no início dos anos 1990, discos excelentes, alguns dos quais o melhor de suas respectivas discografias. “Black Álbum” foi em 1991, “Rust in Piece”, em 1990, “Dehumanizer”, em 1992, “Revenge”, em 1992, e “Painkiller” em 1990. Todos os discos dessa época são obras-primas do gênero. “Painkiller”, em especial, foi um disco marcante para o Judas Priest, que superou todos os trabalhos anteriores desde talvez “British Steel”, e serviu para dar novo fôlego a uma banda já muito influente. Afinal, Judas Priest já era conhecido por um estilo de hard rock/heavy metal com músicas mais rápidas, e riffs dinâmicos, e em “Painkiller” essas características se intensificaram ao ponto que se pode dizer que esse disco, por si só, independentemente da discografia anterior do Judas Priest, é influência para o speed metal, ou algo assim. Em apertada síntese, “Painkiller” trouxe levadas de bateria mais rápidas e agressivas (cortesia de Scott Travis, ex-Racer X - o cara é tão preciso no bumbo duplo que às vezes causa sonolência), bem diferente dos bateristas anteriores (Dave Holland, dentre outros, cuja batida era mais hard do que heavy), que acompanharam os igualmente rápidos e agressivos riffs de guitarra. Tipton e Downing fizeram bem o dever de casa e nesse disco apareceram em excelente forma nos solos virtuosos (notável a evolução dos caras – das rápidas pentatônicas típicas dos anos 70, os caras passaram a ser guitaristas do tipo shredder). No topo de tudo isso, Rob Halford com vocal agudo em quase todas as faixas.

Essas observações todas aparecem bem sintetizadas na faixa-título, que abre o disco. Uma introdução inacreditável, magnífica e memorável de bateria (por si só já nomeia Scott Travis como um dos lendários bateristas do estilo), um bom riff típico e eficiente com a utilização da 6.ª corda solta (E) como pedal note, palhetadas rápidas acompanhadas de bumbo duplo, vocal high-pitch quase o tempo todo, e solos destruidores dos dois guitarristas (tomam mais de 2min da faixa).

Além dessa, destaques para “Nightcrawler”: introdução "clean", riff com as mesmas notas da introdução, bem marcante e típico de heavy metal, vocal melódico nos versos, pre-chorus bacana e refrão assimilável. Não basta conhecer a fórmula, o conteúdo é que faz da música um clássico.

O título da faixa "Metal Meltdown" já antecipa o que será ouvido em seguida: um autêntico "rock pauleira", conduzido pelas guitarras e bateria, além do vocal performático: "Here comes the Metal Meltdown, run for your life". Convém não dar bola para as letras, pois nesses casos o que mais interessa é o som. Gosto bastante dessas faixas mais rápidas, e essa deu nome até para o disco duplo ao vivo registrado já na fase "Ripper" Owens. A introdução da faixa é um solo de guitarra de pura demonstração de virtuosismo, que muitos podem facilmente dizer que é dispensável, exibicionismo ou simplesmente chato e irritante, mas a verdade é que para a época isso provavelmente era importante e servia para mostrar que Glenn Tipton, especialmente, estava nas mesmas condições de fazer solos tipo shred em comparação com outros grandes guitarristas de bandas de heavy metal contemporâneas.

O single é a faixa mais diferente do disco: lenta, com riff e estrutura simples, e refrão bombástico, "A Touch of Evil" foi apresentada à banda pelo lendário produtor Chris Tsangarides. É uma boa música, e senão para outra coisa serve para dar uma diversificada num disco tão intenso, muito embora se trate de outro clássico da banda, e que funciona muito bem ao vivo.

É bom ouvir um disco no qual até as músicas obscuras são excelentes. "Hell Patrol" e "All Guns Blazing" são as melhores nesse sentido. A primeira tem um andamento um pouco mais lento, conta com um dueto legal de guitarras (geralmente não curto esses "teminhas"), e dá uma acalmada após "Painkiller"; a segunda, por sua vez, tem uma introdução com o vocal absurdamente high-pitch de Halford, e assim como a introdução de guitarra em "Metal Meltdown", nesse caso servia para mostrar que o vocalista poderia acabar com qualquer outro concorrente nas mesmas condições.

"Painkiller" é, então, heavy metal do início ao fim, e uma amostra boa do tipo de heavy metal que o Judas Priest é capaz de fazer na sua melhor forma.

sábado, 8 de novembro de 2008

Livro - "A América aos nossos pés"

Depois de ver a série de DVDs "NBA Dynasty" sobre os títulos do Chicago Bulls e do Los Angeles Lakers, senti falta de DVDs e livros que documentassem os momentos mais marcantes do Grêmio. Isso começou a ser resolvido com os DVDs e livro sobre a Batalha dos Aflitos, mas sempre achei uma omissão imperdoável a falta de registros sobre os títulos mais expressivos e significativos como os títulos do Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial. Quando vi para vender o livro do Eduardo "Peninha" Bueno e seu irmão sobre o título da Libertadores de 1983, que recém completou 25 anos, nem esperei pela Feira do Livro, pois o preço já era baixo, menos de vinte reais.

O livro tem formato de bolso e a cronologia da narrativa é a que considero a ideal, i. é, jogo-a-jogo. O estilo do autor é o de sempre, exagerado ao extremo, mas totalmente adequado para esse tipo de literatura. Tirantes alguns pontos de vista com os quais discordo totalmente, o livro é muito bom, pois além das resenhas sobre os jogos, há ainda algumas linhas (poucas é verdade) sobre os aspectos secundários (mas importantes) que acompanharam a conquista histórica, como a fraca campanha no Brasileirão 1983, e é legal ver como as coisas mais ou menos se repetem (p. ex., Valdir Espinosa e o Pres. Fábio Koff foram bastante criticados pela desclassificação do Brasileirão pela Ferroviária de Araraquara, por 3x1 em pleno Estádio Olímpico, na véspera do primeiro jogo contra o América de Cali).

Ponto alto do livro é a narrativa do memorável confronto (pois de jogo não se tratou) entre Grêmio e Estudiantes, em La Plata. Eu já tinha visto os gols e cenas sobre as expulsões, mas o cara sugeriu (e eu acatei) olhar os vídeos disponíveis no youtube, e, de fato, é impressionante, vale a pena conferir.

Outras revelações legais são a organização do time, por Koff e Espinosa, no início da temporada de 1983, e a contratação de Mazarópi para a 2.ª fase da competição.

Para o meu gosto, o livro deveria ter o dobro de páginas e tamanho regular, mas isso provavelmente encareceria o produto e inviabilizaria a comercialização (p. ex., fiquei interessado no livro de René Simões sobre a volta do Coritiba à Série A, mas custa R$ 60,00, e aí ficou difícil - é só para fã-náticos mesmo). Li em aproximadamente 2 horas.

Resta aguardar DVD´s sobre as históricas conquistas de 25 anos (inclusive com a íntegra dos jogos, como os da NBA), bem como livros (bem que o Espinosa podia escrever um).

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Discos essenciais: Queen "News of the World" (1977)

Há algumas semanas, minha mulher resolveu ouvir algumas músicas do Queen que ela gosta (tipo "Under Pressure" e "A Kind of Magic") e olhou para os vários cds da banda na prateleira; aleatoriamente escolheu um e deixou tocando. Comecei a ouvir e me dei conta que era Queen, mas não conhecia nenhuma das músicas. Bem, essa é a conseqüência de adquirir discos e não ter tempo para ouvi-los. As músicas pareciam muito bem compostas e com melodias incríveis, então vi que se tratava de "News of the World", lançado em 1977, e adquirido há uns meses atrás, junto com outros da banda, por R$ 14,90 nas Americanas.

O disco abre com duas músicas instantaneamente reconhecíveis, vez que se tratam de verdadeiros clássicos não só do Queen como do rock e da música pop em geral: "We Will Rock You" e "We Are the Champions". São tão conhecidas que basta apenas dizer que acabam se tornando chavões, pois servem para tocar tanto em eventos esportivos como em formaturas. Mas é preciso admitir que são composições magníficas. "We Will Rock You", conforme consta do Wikipedia, foi uma idéia de Brian May de compor uma faixa absolutamente simples e que se tornasse uma espécie de hino para as apresentações ao vivo, nas quais a participação do público seria imprescindível. Nunca dei muita bola para "We Are the Champions", mas depois de ouvir algumas vezes, recentemente, e principalmente depois de ver a apresentação da banda no "Live Aid", finalmente pude perceber que se trata de uma música perfeita: todas as notas, batidas, melodias e letra se encaixam perfeitamente. É um daqueles momentos em que todos os músicos tocam suas partes com precisão e delicadeza: não há nada sobrando ou faltando. Destaque, no entanto, para a linha de baixo de John Deacon.

Duas outras faixas já eram minhas conhecidas, mas não costumo ouvi-las: "Sheer Heart Attack", rápida e agressiva, quase punk, é composição de Roger Taylor, que geralmente compõe as músicas mais fracas dos discos da banda. "Get Down, Make Love" é exageradamente, para o meu gosto, "stop-and-go" ou "anda-pára".

Ouvindo discos do Queen desde, pelo menos, 1989, firmei a convicção de que os álbuns sempre tinham uma ou duas faixas excepcionais e o resto seria material bem fraco. Os caras gostam de experimentar e compor faixas com estilos bem diferentes, não raro de gozação, e às vezes a piada não é boa. Não é esse o caso de "News of the World". As músicas, mesmo as mais diferentes, são muito boas, principalmente na questão das melodias, e mesmo as faixas não cantadas por Freddie Mercury são muito boas (se bem que ainda não entendo como os caras podem prescindir de um vocal tão forte e carismático em algumas faixas...). "All Dead, All Dead" é cantada por Brian May, é conduzida por piano e tem melodia muito bonita. O mesmo se pode dizer de "Spread Your Wings", composta por John Deacon, e que tem um refrão poderoso. "Fight From the Inside" é outra de Roger Taylor, cantada pelo próprio, e tem um riff legal até, mas parece ter sido finalizada às pressas. Uma das minhas favoritas é "Sleeping on the Sidewalk", composta e cantada por May, e alegadamente inspirada em Eric Clapton e gravada em um take, de galinhagem, com registro acidental do engenheiro de som (conforme o Wikipedia, segundo o qual, ainda, Deacon errou algumas das notas da linha de baixo... não reparei nos erros e justamente achava o baixo o que de mais legal tem a música). A faixa tem um estilo rock das antigas, e é absolutamente muito massa: levada de bateria, vocal de May, guitarra com solo rock e linha de baixo bem caractersística e bem legal. Deacon compôs mais uma balada, "Who Needs You", cantada por Mercury, e que tem uns violões muito bala (destaque para os solinhos flamenco de May). Há, ainda, espaço para uma épica de May ("It´s Late" - não reparei no uso de tapping, que seria precursor ao de Eddie Van Halen; vou ouvir com atenção na próxima) e um exercício jazz/blues anos 50 com vocal feminino de Mercury ("My Melancoly Blues").

Mais um disco divertido de ouvir, e a palavra que posso usar para resumi-lo é "melodia".

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Melhores discos de todos os tempos – Deep Purple “Made in Japan” (1972)

É possível que se trate de exagero, mas não consigo lembrar de outro cd ao vivo que seja melhor do que o “Made in Japan” do Deep Purple. Trata-se do registro da turnê da banda, no oriente, durante o lançamento do igualmente clássico “Machine Head”, em 1972 (foram colocadas no disco as melhores - ou com menos erros - performances de três shows em Osaka e Tóquio). E foi o primeiro cd que ouvi dos caras, em 1993, quando aluguei o disco numa locadora que ficava na Mal. Floriano, e é exatamente no ponto onde atualmente encontra-se sediada a “Boca do Disco”. E a aquisição do mesmo se impôs, alguns anos mais tarde (acho que em 1997, provavelmente no térreo da Gal. Chaves, por um preço barbada).

O registro é memorável por uma série de importantes razões: (a) gravação ao vivo da formação clássica da banda (Mark II – Blackmore/Gillan/Glover/Lord/Paice) no seu auge; (b) repertório matador, com a execução definitiva para “Smoke on the Water”; (c) performances arrebatadoras de todos os integrantes, notadamente Ian Gillan (é só ouvir “Child in Time” e “Strange Kind of Woman”); (d) espaços para improvisações inquietantes (demorei anos para entender que essas jams são, na verdade, ensaiadas em alguma medida, sem contar que Blackmore “rege” esses momentos com um aceno, gesto ou até o olhar – basta ver o vídeo do show no “California Jam”).

Durante a faculdade tinha um colega que reclamava do som de guitarra “magro” nos discos de estúdio do Deep Purple, dentre os quais o “Machine Head”. Se isso pode ser verdade, pelo menos os discos ao vivo compensam totalmente essa eventual deficiência: o som de guitarra é muito presente, e já é marcante na faixa de entrada, “Highway Star”. Logo após o C-Bb-G que precede o primeiro verso, nota-se a levada rápida, porém fluida conduzida por Ian Paice, que merece o crédito por fazer essa faixa ser uma verdadeira paulada na orelha. O solo de Blackmore não supera o da versão de estúdio, diferentemente do solo de Jon Lord, que é muito mais legal ao vivo.

“Child in Time” não é o tipo de música que dá para ouvir o tempo todo, pois requer certa disposição para ouvir uma faixa que começa calma, com acordes repetitivos (G-G-A e depois F-F-G), que acabam ganhando força com o acréscimo de distorção e volume, seguindo-se uma jam com solos bombáticos, cujo clímax leva para aquele início calmo. “Made in Japan” é um disco de performances definitivas para algumas músicas, e esse é o caso de “Child in Time”, sobretudo pelo extraordinário alcance vocal de Ian Gillan na época.

Uma das minhas favoritas é “Strange Kind of Woman”. O riff legal é bem acompanhado pela famosa levada fluida de Ian Paice. Por si só, a música vale o disco, mas no meio da execução há espaço para um memorável duelo entre Gillan e Blackmore. Acho que foi nas férias de inverno de 1995 ou 1996 que me dei conta do que estava acontecendo nesse cd em termos de música. Jamais poderia imaginar que se poderia improvisar desse jeito num palco (hoje sei que essas improvisações são até certo ponto ensaiadas): a música segue até determinado momento em que a bateria marca o ritmo e faz a base para dois músicos excepcionais demonstrarem virtuosismo nos seus instrumentos. Na verdade, o destaque é para o alcance vocal de Gillan, já suficiemente apreciado em "Child in Time", mas muito mais legal nessa "Strange Kind of Woman". Blackmore faz uns licks na parte mais aguda da guitarra, e são reproduzidos nota-por-nota por Gillan. É um negócio espantoso, e me impressionou por muitos anos. Até então achava que o ideal era que se reproduzisse em um show tanto quanto possível fielmente a versão de estúdio. Então "Made in Japan" serviu como influência para abrir a cabeça a respeto do que se poderia fazer ao vivo em termos musicais.

Só posso entender a inclusão de “The Mule” em desfavor de “Black Night” ou outra da mesma apresentação se deve ao fato de que é durante essa música que Ian Paice faz o seu solo de bateria. Hoje em dia, solos de bateria são desprezíveis, mas parece-me que à época se tratava de um momento importante do show (afinal, não deve ser por acaso que, por exemplo, “Alive!” tem solo de Peter Criss, “The Song Remains de Same” tem solo de John Bonham).

A versão do "Made in Japan" para "Smoke on the Water" é que imortalizou essa faixa como um dos hinos do rock. É absolutamente mandatório saber tocar esse riff, que todo mundo já ouviu.

Uma música divertida de ouvir, mas que jamais consegui tirar o riff, é "Lazy". É precedida de um solo de Jon Lord, e parece uma autêntica jam do início ao fim. E é uma baita duma música, um rock com levada "rhythm and blues". E a letra é bem humorada, como são algumas letras da banda (como a própria "Strange Kind of Woman" e "Anyone´s Daughter", sem esquecer das mais jocosas como "Mary Long").

O disco encerra com a última faixa do "Machine Head", numa versão longa com jams e solos intermináveis: "Space Truckin" não é das minhas favoritas, mas parece que os caras se divertiam um monte tocando essa música que, bem vistas as coisas, tem estrutura bem simples.

Se não for o melhor, é um excepcional exemplo de como devem ser feitos os discos ao vivo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

CD ao vivo – Deep Purple “Califórnia Jam 1974”

Depois de assistir ao vídeo “Heavy Metal Pioneers” - uma espécie de biografia do Deep Purple até a época do “Slaves and Masters” -, e conhecer o registro ao vivo do Mark III, fiquei obcecado pela famigerada apresentação da banda no lendário Califórnia Jam de 1974 (provavelmene isso tudo foi em 1995). Trata-se de um show bombástico, bem na época de lançamento do excepcional disco “Burn” (do mesmo ano), e que contou com performances inspiradas de todos os integrantes, mas se notabilizou pelos episódios envolvendo Blackmore: (a) o cara arrebentou a câmera que ficava ao seu lado com uma Fender Stratocaster, e (b) instigou os roadies a botarem fogo nos seus amplificadores, acarretando uma monumental explosão no palco (o pulo desajeitado do guitarrista e a fumaceira no palco denunciam que o efeito foi maior do que o planejado).

É sempre uma satisfação indescritível, como colecionador de cds, encontrar um item há muito desejado, e uma dessas oportunidades foi quando deparei, lá por 1998, na Multisom do Praia de Belas (que ainda ficava debaixo de uma escada rolante perto do supermercado – agora tem uma revistaria), com o cd que trazia o show quase na íntegra (uma música foi excluída, inexplicavelmente).

O som da gravação não é bom (existe uma versão do mesmo cd com capa diferente, que o Bruce tem, e possivelmente pode contar com qualidade melhor). Mas as performances estão todas lá. A ênfase é no repertório do recém-lançado “Burn”: das 7 faixas, são tocadas “Burn”, “Might Just Take Your Life”, “You Fool No One” e “Mistreated” (ficou de fora do cd – mas aparece no vídeo - “Lay Down Stay Down”). Até as pequenas conversas de Coverdale com o público são magistrais.

Em 2000/2001 apareceram nas bancas de revista diversos DVD´s excelentes, e um dos primeiros foi o que trouxe o registro desse California Jam. Vale a pena pesquisar no youtube as performances para "Burn", "You Fool No One" (com solo de Jon Lord, sinistro - o cara parece que vai comer os teclados), "Might Just Take Your Life", "Mistreated" (comovente interpretação do Coverdale, parece que o cara vai desabar chorando), "Smoke on the Water" (gosto muito do jeito que Coverdale e Hughes cantam os versos originais de Gillan) e "Space Truckin" (só para ver a explosão dos Marshalls).

sábado, 18 de outubro de 2008

Gibson Les Paul BFG

BFG é "bad f#ckin' guitar" ou "best f*ckin' guitar".

Desde o início do ano vinha me encantando com umas Epiphone Les Paul Standard, especialmente as modelo "sunburst". Há umas duas semanas, já mais decidido, experimentei na loja que vende cds, dvds, tvs lcd, etc e também instrumentos musicais (com abrangência estadual) duas Epiphone Les Paul Custom "Black Beauty", uma com dois e outra com três humbuckers. O visual é matador, mas o som não empolgou. Fiquei encucado, ainda, com o barulho das cordas nos trastes, som esse que não aparece no que sai do amplificador, mas incomoda de certa forma, e isso eu já tinha com a Ibanez. Achei, então, que seria o caso de tentar a Fender Stratocaster. Toquei quatro modelos na loja de esquina dos mil sons: duas mexicanas, mais baratas, e duas americanas (a Higwhay One e outra que não lembro exatamente se era algum modelo comemorativo). As mexicanas tinham som bem magro e não passaram no teste. A Highway One era preta e branca, e consegui tirar um som muito legal. Os captadores me pareceram bem quentes, fiz vários harmônicos artificiais com facilidade, e a tocabilidade era boa. A outra americana era bem mais cara, mas o braço era muito bom e os captadores idem. Em todo o caso, pedi para tocar na Epiphone Les Paul Standard que tinha lá, e ainda assim não me abri para o modelo. Pelo som e pelos riffs que estava tocando, o cara da loja sacou o meu lance e me ofereceu uma PRS com uma cor roxa bem escuro, e uns desenhos de morcego no braço. O som saiu muito bom, bem pesado, e o braço era muito confortável. Realmente um instrumento muito legal. Mas estava em busca de algo mais top de linha (mas que não fosse absurdamente abu$ivo), pois não adiantava ter uma guitarra pouco melhor do que a que já tinha. Pesquisei na internet e, pelos comentários/paliptes, o modelo Highway One (bem mais barato) seria totalmente não recomendável. Regra geral se disse que o acabamento era inferior (qualquer batida já lascava a pintura) e que seria melhor guardar um pouco mais de dinheiro e comprar uma American Standard usada. Não sei onde se vende esse tipo de guitarra usada por aqui, e nem confio suficientemente para saber se o que estão expondo não é uma espécie de enganação, então segui na pesquisa. No fim de semana percorri as mesmas lojas e parei na da boa música, final da tarde. Troquei uma idéia com um cara dali e ele me encorajou a tocar na BFG, que já tinha visto por ali, mas descartado por se tratar de um modelo muito diferente da tradicional. O preço era em conta e não custava experimentar. A guitarra é leve e tem uns captadores excelentes. Toquei uns riffs e fui testando captadores e a confortabilidade do braço, com som limpo e com distorção do ampli (deveria lembrar a marca do ampli, que tinha um som massa). Tudo que tocava na BFG era incrível (basicamente uns riffs próprios como "Shark Attack", "Sluts of Justice", e dedilhado de "Love is not a Fairytale"). Fiz uns bends para testar o sustain, que era uma coisa que estava em busca e achava importante (tanto sustain quanto possível). E o sustain era de chorar de tão legal. Notei que o pessoal que estava na loja (incluído o cara da "rosa tatuada") deu uma espichada no olho nesses momentos de bends "com feeling". A impressão sobre o instrumento foi muito boa. Em casa pesquisei na internet e só encontrei resenhas positivas. Vi vídeos no youtube de uns caras tirando um som destruidor da BFG. No dia seguinte, sábado, acordei cedo e fui para lá. Ainda deu tempo de experimentar duas Epiphone Les Paul Standard em duas lojas de mil sons que ficam quase lado a lado, e a Les Paul Custom de três humbuckers na loja dos múltiplos sons. Tão logo abriu a da boa música, pedi a BFG para experimentar novamente, e fiquei alternando-a com uma Epiphone Les Paul Custom de dois humbuckers com escudo espelhado (não é tão legal quanto as outras "Black Beauty"). Admito que chega uma hora que não se consegue mais distinguir o som de uma e de outra, mas prevaleceu a versatilidade dos captadores da BFG. Sai de lá carregado e com os parabéns do "rosa tatuada" pelo "brinquedo novo".

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

CD tributo – “A tribute to Judas Priest - Legends of Metal vol. II”

Hoje em dia praticamente toda banda com mais de dois ou três cds lançados foi objeto de um disco “tributo” lançado ou pela Magna Charta ou produzido por Bob Kulick (dentre outros, evidentemente). É certo que isso ajudou a vulgarizar o formato, mas também é inegável que os primeiros cds tributo são muito bons, e particularmente, entendo que se trata de uma excelente oportunidade para (a) conhecer o som da banda homenageada; (b) conferir performances atualizadas de alguns clássicos da banda homenageada, por bandas mais novas, não raro com resultados melhores que o original (por uma ou outra razão); (c) conhecer bandas novas que participam do tributo. Existe ainda a velha questão de saber se é melhor ouvir uma reprodução nota-por-nota ou se, diante da impossibilidade de superar a versão original, o negócio é dar uma personalizada e modificar alguma coisa, ou mesmo toda a faixa. Tenho tendência para achar que o melhor é a banda gravar a música tão parecido quanto possível ao original, com as devidas atualizações no som dos instrumentos, mas admito que o melhor mesmo é que, em qualquer caso, a versão fique, ao final, boa de ouvir (e assim, como tudo na vida, há os que acertam e os que erram na dose, seja ao tentar reproduzir o original, seja ao personalizar ao seu gosto).

Um dos primeiros tributos que tive notícia foi o dedicado ao Judas Priest, da Century Media, e isso foi em 1998, aproximadamente. Já havia alugado a famosa coletânea “Metal Works” (álbum duplo) na TV3, em algum lugar no começo dos anos 1990 (a partir de 1993), e não havia me impressionado, senão pela música mais conhecida dos caras e imortalizada por Beavies & Butthead, a clássica “Breaking the Law”. Em 1998 a MadSound já tinha quase de tudo em termos de hard rock e heavy metal, então trouxe para casa os volumes 1 e 2 do tributo ao Judas Priest.

Nesses dois cds constam boa parte das melhores músicas do Judas Priest, de todas as suas épocas até então (isto é, do primeiro disco ao “Painkiller”), interpretada por algumas bandas muito conhecidas, como Helloween, Stratovarius, Blind Guardian e até Angra, outras que conhecia só pelo nome, como Kreator, Gamma Ray e Virgin Steele, e, por fim, outras que desconhecia até então, como Iced Earth.

O volume 2 é o melhor, e inacreditavelmente achei o cd, importado, disponível na Siciliano do Iguatemi por um preço muito barbada. O disco talvez valha já pela primeira faixa, “The Ripper”, interpretada magistralmente pelo Iced Earth. O vocal é excelente, as guitarras precisas e muito bem gravadas, e a música, por si só, já é uma baita composição, o que facilita bastante. Essa versão matadora, então, me permitiu descobrir uma boa banda nova (para mim, pelo menos), Iced Earth, capitaneada por um competente guitarrista e compositor (Jon Schaffer) e que contava com um excepcional vocalista (Matthew Barlow). Já tive na minha coleção alguns cds dos caras (“Burnt Offerings”, “The Dark Saga”, “Night of the Stormrider”) e aluguei outros muito bons (“Alive in Athens”, “Something Wicked This Way Comes”).

O sotaque germânico de Hansi Kursch é bem característico, mas nem isso impediu que o Blind Guardian apresentasse uma versão absolutamente fiel à original para “Beyond the Realms of Death”. Só acho que uma música “épica” como essa, de 7min, com altos e baixos (versos calmos, refrão com guitarras e vocal gritado), poderia ter ficado mais adiante no cd, e não logo na 2.ª faixa.

Outra banda alemã, dessa vez o Heavens Gate, registrou uma música que não conhecia na época e que se tornou uma das favoritas: “The Sentinel”. Estava ouvindo recentemente, e tive a impressão de que essa é uma música divertida de ouvir do Judas Priest. Afinal, começa com uma guitarra fazendo uma introdução com oitavador, sendo que a música realmente começa com um mini-riff e depois a banda toda entra num ritmo mais acelerado, com uma levada muito legal. E o vocal do Heavens Gate é muito bom. As guitarras não estão muito distorcidas, respeitando um pouco o próprio som do Judas Priest nos anos 70, mas o resultado ficou uma versão atualizada excelente para uma bela composição de Tipton, Downing e Halford.

“Exciter”, por si só, já é uma música muito legal. É rápida, riffs muito legais, refrão marcante, e umas partes de guitarra muito boas, tanto na base dos versos como na base dos solos, sem contar ainda um teminha entre os solos que é massa. O Gamma Ray apresentou neste tributo a sua versão, gravada ao vivo, contando com o vocal de Ralf Scheepers, que posteriormente seria um dos cotados para assumir o posto de Rob Halford quando este deixou a banda (pelo que li em revistas ou sites especializados, o vocalista alemão teria ficado devastado com a perda da chance para o neófito “Ripper” Owens, tendo até se afastado da música por um tempo, voltando apenas diante do apelo do guitarrista do Primal Fear para montar essa banda – que segue o mesmo estilo do Judas, e tem músicas próprias muito boas).

O grande mérito do Angra (e isso lembro perfeitamente nas entrevistas que os caras deram para o Gastão no Fúria Metal, à época) foi ter reproduzido nota por nota, falsete por falsete, a versão original de “Painkiller”. Realmente os caras desempenharam a tarefa de maneira espantosa. Não sei exatamente se outros vocalistas não conseguiriam cantar em registro alto o tempo todo como André Matos fez nessa faixa (acredito que existem muitos, que poderiam até exibir performance superior), mas o solo de Glenn Tipton, reproduzido por Kiko Loureiro, ficou muito bom, além do fato de que Ricardo Confessori tocou com perfeição uma das melhores introduções de bateria de todos os tempos (cortesia do grande marreteiro Scott Travis).

O Stratovarius defendeu uma boa versão para uma música obscura do repertório do Judas Priest: “Bloodstone” é de um disco dos anos 1970, e não consta do set-list das últimas turnês da banda (particularmente, assisti a dois shows, um com o “Ripper” Owens, durante a turnê do “Demolition”, e outro com o Rob Halford, durante a turnê de retorno do disco “Angel of Retribution”). Não é uma música excepcional, mas o cover ficou muito bom, notadamente pela guitarra e pelos vocais.

Kreator é uma banda bem conhecida no gênero, e neste tributo veio com uma versão muito boa para outro clássico do Judas Priest: “Grinder”. A música é bem simples, mas ao mesmo tempo muito efetiva. Tem um riff em A e depois C-B, e o refrão em E-F#-E-F#-A-F#, repete o riff e o refrão, segue uma parte mais cadenciada e com peso, e volta para riff e refrão até o final. É simples, é efetivo (as parte se encaixam perfeitamente), e é muito bom. O Kreator se aproveitou bem do vocal mais brutal notadamente no refrão, conferindo ao “Grindeeeeeeer, looking for meeeeeeeat” um clima bem adequado.

“Tyrant” é outra que foi interpretada com vocal um pouco mais brutalizado (gutural), tendo em vista o estilo da banda que gravou a versão; só que dessa vez o resultado não foi tão bom. O que se salva, realmente, é o resto dos instrumentos, notadamente as guitarras. E a música, que, afinal, é boa.

“Dissident Aggressor” é a única faixa apresentada duas vezes, por duas bandas diferentes. A primeira versão, da Forbidden, é muito boa. Vários riffs qualificados, com guitarras bem gravadas, e o vocal é legal também, isso tudo respeitando a original do Judas Priest. A versão do Skyclad, por outro lado, é totalmente diferente da original, quase estilo balada, e, bem, posso dizer que, no mínimo, não me impressionou muito. Outra banda que personalizou demais e errou na dose foi o Nevermore em “Love Bites”. Essa é uma faixa dos anos 80, e que acabou ficando arrastada ao estilo doom metal, e nessas condições o “skip search” se impõe.

Então esse tributo ao Judas Priest serviu para me tornar fã da banda homenageada e para conhecer algumas bandas boas que tomaram parte no projeto (Iced Earth, Heavens Gate, Gamma Ray e Ralf Scheepers, entre outras).

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Livro - "Queen Live - A Concert Documentary"

Um livro que contém, exclusivamente, as datas de todos os shows do Queen, com o set list de boa parte deles, acompanhadas de breves comentários sobre fatos peculiares de alguns eventos destacados, bem como um levantamento dos set lists mais comuns ano a ano, das músicas nunca tocadas ao vivo, dos covers, das apresentações por ano e por país... parece um livro que só eu adquiriria. Pois "Queen Live - A concert documentary by Greg Brooks" é um livro inteiramente dedicado à parte da atividade do Queen desempenhada nos palcos. E se a descrição da vida na estrada comprometeu a leitura da biografia do AC/DC, o mesmo não se pode dizer desse que trata do Queen.

Há uma breve exposição sobre como a banda se formou, e uma descrição genérica dos shows embrionários. Segue-se, então, cronologicamente, â exposição de todos os shows, ano a ano, muitos dos quais com set list. O trabalho que o cara teve, bem se vê, foi notável, sobretudo quando se tem notícia de que a primeira edição do livro foi escrita antes do advento da internet; o autor se valeu de anotações pessoais, coletadas durante anos como fã da banda inglesa, e conforme revelado no prefácio, foram quase totalmente confirmadas a partir das informações que, enfim, a internet trouxe, bem como o apoio formal da banda, que oficializou o cara como uma espécie e arquivista (nada mal para um fã se tornar empregado da banda do coração - outros exemplos são o Tommy Thayer no Kiss e, mais notoriamente, o Tim "Ripper" Ownes no Judas Priest). Assim, o autor contou com uma inestimável fonte: os arquivos particulares dos integrantes do Queen.

Além de informações "preciosas" como a da vez em que Brian May quebrou duas cordas de duas guitarras diferentes durante o seu solo em "Brighton Rock" (09.08.1982, Meadowlands, NJ), há algumas curiosidades incríveis como a da turnê do disco "Jazz" na Europa, durante a qual, em quase todos os shows, a platéia pedia a todo o custo para a banda executar "Mustapha", o que por vezes enervou Freddie Mercury (afinal, o set list já estava pronto, e a música seria tocada um pouco mais adiante), sendo que me parece que "Mustapha" não é das mais conhecidas da banda (embora seja uma música boa, que ao vivo deve ficar melhor com a proeminência da guitarra - que falta na versão de estúdio).

Identifiquei-me na parte em que o autor reclama do disco "Live Killers", lançado em 1979 após a lendária turnê européia de lançamento de "Jazz", pois no registro teriam faltado (inescusavelmente) algumas faixas importantes do repertório daqueles shows, e que algumas conversas de Mercury com o público teriam sido editadas. Transcrevo o excerto: "As stated earlier, four other audience favourites ('Somebody To Love', 'It´s Late', 'If You Can´t Beat Them' and 'Fat Bottomed Girls') should also have featured on 'Killers', but didnt´t! I hope to see the day, sooner rather than later, when a revised 'Killers' album is released with the correct running order, no bleeps, the four AWOL´s, an unabridged 'Mustapha', the alternative 'Keep Yourself Alive' featuring Roger and Freddie´s 'Fun It' routine, and Freddie´s references to 'the girls'. I will be the first to fight for it!". É basicamente o mesmo sentimento que eu tenho em relação ao "Alive III" do Kiss (numa tentativa de vender mais discos, a banda resolveu lançar um disco simples de 74min com parte do repertório da memorável turnê de "Revenge", ao invés de seguir a tradição de discos duplos ao vivo - "Alive!" e "Alive II". Com isso, ficaram de fora, inescusavelmente, músicas importantes do período, como "Tears Are Falling" e "War Machine", além de "Love Gun" - as melhores versão deste clássico do Kiss são dessa época, 1992/1993).

Há uma razoável cobertura sobre os shows do Queen realizados no Brasil, em 1981 e no primeiro Rock in Rio. A última apresentação do Queen se deu em 09.08.1986, no Knebworth Park, no final da turnê de "A Kind of Magic". Conforme as transcrições das falas de Mercury para o público, essa época era marcada por muitas especulações sobre o fim das atividades da banda com a dispersão dos integrantes (em 1983 o Queen não fez nenhum show). O vocalista fazia questão de rechaçar essas notícias plantadas, e é verdade que a banda acabou por outras razões. Para mim é notável que o último show foi realizado em 1986, sendo que a banda ainda registrou mais dois discos de estúdio ("The Miracle", em 1989, e "Innuendo", em 1991). Isso não é cogitado no livro, mas provavelmente isso se deveu ao fato de que Mercury não teria condições físicas para embarcar em mais uma turnê mundial. Então foi no auge da carreira que a banda fez sua última apresentação, com um repertório composto quase exclusivamente de clássicos.

É claro que a leitura empolgou a ponto de dar uma ouvida nos cds ao vivo ("Live Magic" e "Live at Wembley '86"), além dos shows em dvd ("Live at the Bowl", "Rock in Rio"), e não demorei para constatar que o Queen é uma das melhores bandas em termos de apresentações ao vivo, e que o repertório dos caras, diferentemente da minha idéia inicial, era realmente matador (nos shows mais antigos, em algumas músicas me veio o pensamento do tipo "bá, nem lembrava que essa música era tão boa desse jeito"). A presença de Mercury é tão forte, sem contar o carisma e a voz inigualável, e isso me faz concluir que realmente o Queen acabou; acho legal que May e Roger Taylor estejam tentando reerguer a banda com Paul Rodgers nos vocais, mas aí parece uma banda cover (sem demérito, mas não tem comparação).

domingo, 12 de outubro de 2008

Formula 1 - GP do Japão (16.ª etapa, 12.10.2008, 2h)

Reta final: três corridas e a diferença entre o líder (Hamilton) e o 2.º colocado (Massa) é de 7 pontos. Mas nesse GP do Japão, disputado no circuito de Monte Fugi, um novo postulante ao título apareceu.

Não acompanhei o treino classificatório, às 2h de sexta para sábado. Hamilton fez o melhor tempo, seguido de Raikkonen, Kovalainen, Alonso e Massa. As coisas pareciam difíceis para o brasileiro, que seria obrigado a fazer uma daquelas largadas espetaculares, como a do GP da Hungria.

A transmissão começou quase meia-hora mais cedo, e não houve problemas com relação ao clima. A largada foi um momento empolgante, pois Raikkonen saiu melhor e assumiu momentaneamente a ponta; Hamilton, agressivo como sempre, forçou para cima dos finlandeses e, na confusão, Kubica e Alonso se deram bem e assumiram a ponta. Hamilton perdeu posições, ficou atrás de Massa, que, por sua vez, foi prejudicado por Raikkonen (na confusão, perdeu a freada da 1.ª curva e, inadvertidamente, pressionou o brasileiro para fora).

Não demorou para Hamilton mostrar mais uma vez o seu estilo agressivo em horas importantes: o inglês passou Massa, que tentou dar o troco. O choque foi inevitável e Hamilton rodou e voltou em último. O carro de Massa não sofreu avarias, e o ferrarista voltou em seguida. Algumas voltas depois, os comissários avaliaram os incidentes da largada e da ultrapassagem de Massa/Hamilton e puniram os dois pilotos com drive through: Hamilton por manobras arriscadas e Massa por ter causado o choque. Os dois passaram a maior parte da corrida fora da zona de pontuação, mas o brasileiro estava com mais carro, ou mais raça, e conquistou várias posições importantes até o final. Nesse sentido, a ultrapassagem sobre Webber foi emocionante (o cara forçou por dentro no final da reta dos boxes, de 1,5km, e foi pressionado pelo australiano contra o muro); sem contar a disputa, na mesma curva, com Bourdais, que vinha saindo dos boxes e não aliviou para o canditado ao título. Esta última manobra foi analisada pelos comissários após a prova, e foi decisiva, pois o canadense foi punido com perda de 25s, e assim ao invés de um ponto, Massa saiu do Japão com dois pontos, e cinco atrás de Hamilton.

Piquet fez uma excelente corrida, e teve chances de conseguir o seu primeiro pódio. No final da prova, o cara estava menos de 1s atrás de Raikkonen e andando mais rápido. O engenheiro deu a dica ("you can do it!"), mas o novato cometeu um erro, perdeu algum tempo, e assim a chance de passar o finlandês da Ferrari.

O bicampeão Alonso se valeu da estratégia consagrada na época de Schumacher e antecipou o primeiro pit para voltar à frente de Kubica, de onde não saiu mais. Segunda vitória consecutiva do espanhol, o que demonstra a boa fase da Renault nesse final de temporada. Com o 2.º lugar, e a pouco expressiva pontuação de Hamilton e Massa, Kubica aparece agora a 7 pontos de Massa e a 12 de Hamilton, de maneira que não são desprezíveis as chances do polonês se tornar campeão (embora remotas, como eram as chances de Raikkonen vencer a temporada de 2007).

Fim de semana que vem tem GP da China, no meio da madrugada, e Hamilton pode já se tornar campeão de 2008, bastando-lhe fazer 6 pontos a mais que Massa.

Japanese Grand Prix Results - 12 October 2008 - 67 Laps
POS DRIVER NATIONALITY ENTRANT LAPS TIME/RETIRE
1. Fernando Alonso Spain Renault 67 1h30m21.892
2. Robert Kubica Poland BMW Sauber 67 5.283
3. Kimi Raikkonen Finland Ferrari 67 6.400
4. Nelson Piquet Brazil Renault 67 20.570
5. Jarno Trulli Italy Toyota 67 23.767
6. Sebastian Vettel Germany Toro Rosso-Ferrari 67 39.207
7. Felipe Massa Brazil Ferrari 67 46.158
8. Mark Webber Australia Red Bull-Renault 67 50.811
9. Nick Heidfeld Germany BMW Sauber 67 54.120
10.* Sebastien Bourdais France Toro Rosso-Ferrari 67 59.085
11. Nico Rosberg Germany Williams-Toyota 67 1m02.096
12. Lewis Hamilton Britain McLaren-Mercedes 67 1m18.900
13. Rubens Barrichello Brazil Honda 66 1 Lap
14. Jenson Button Britain Honda 66 1 Lap
15. Kazuki Nakajima Japan Williams-Toyota 66 1 Lap
R Giancarlo Fisichella Italy Force India-Ferrari 21 Gearbox
R Heikki Kovalainen Finland McLaren-Mercedes 16 Engine
R Adrian Sutil Germany Force India-Ferrari 8 Tyre
R Timo Glock Germany Toyota 6 Damage
R David Coulthard Britain Red Bull-Renault 0 Accident
FASTEST LAP: Felipe Massa Brazil Ferrari 55 1:18.426
* Sebastien Bourdais was penalised 25 seconds for a collision with Felipe Massa, and dropped from 6th place to 10th.

Standings
Points standings (after 16 rounds)
DRIVERS CHAMPIONSHIP POSITIONS:
POS DRIVER NATIONALITY ENTRANT POINTS
1. LEWIS HAMILTON Britain McLaren-Mercedes 84
2. FELIPE MASSA Brazil Ferrari 79
3. ROBERT KUBICA Poland BMW Sauber 72
4. KIMI RAIKKONEN Finland Ferrari 63
5. NICK HEIDFELD Germany BMW Sauber 56
6. HEIKKI KOVALAINEN Finland McLaren-Mercedes 51
7. FERNANDO ALONSO Spain Renault 48
8. SEBASTIAN VETTEL France Toro Rosso-Ferrari 30
JARNO TRULLI Italy Toyota 30
10. MARK WEBBER Australia Red Bull-Renault 21
11. TIMO GLOCK Germany Toyota 20
12. NELSON PIQUET Brazil Renault 18
13. NICO ROSBERG Germany Williams-Toyota 17
14. RUBENS BARRICHELLO Brazil Honda 11
15. KAZUKI NAKAJIMA Japan Williams-Toyota 9
16. DAVID COULTHARD Britain Red Bull-Renault 8
17. SEBASTIEN BOURDAIS France Toro Rosso-Ferrari 4
18. JENSON BUTTON Britain Honda 3

CONSTRUCTORS CHAMPIONSHIP POSITIONS:
POS CONSTRUCTOR POINTS
1. FERRARI 142
2. MCLAREN-MERCEDES 135
3. BMW SAUBER 128
4. RENAULT 66
5. TOYOTA 50
6. TORO ROSSO-FERRARI 34
7. RED BULL-RENAULT 29
8. WILLIAMS-TOYOTA 26
9. HONDA 14

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