terça-feira, 27 de abril de 2004

Shows XVIII - HIBRIA - RS METAL FEST (11/05/2003 - Bar Opinião)

- esta é a banda que eu assisti mais vezes ao vivo. A maioria dos integrantes estudou no meu colégio (uma ou duas séries mais adiantado), e posso dizer que os acompanhei desde os seus primórdios. No início os caras atendiam por Malthusian (não sei se é essa a grafia correta), e mudaram o nome para o atual em 1996, aproximadamente. Acho que só trocaram a formação, algumas vezes, nos postos de guitar e vocalista. A primeira apresentação deles que eu vi foi ainda no colégio, com a formação primitiva, e lembro que eles tocaram THE EVIL THAT MEN DO (do Iron). Senti-me extremamente privilegiado quando assisti, algum tempo depois, um ensaio da banda no salão de festas da casa do baterista, o grande Sávio Sordi (o cara é grande mesmo, e toca muito), com a formação um pouco mais evoluída (vocal). Neste ensaio, as músicas tocadas fizeram parte, posteriormente, da demo-tape Metal Heart da Hibria. Já com esse nome, e com o meu grande amigo Diego Kasper na guitar, assisti os caras no Garagem Hermética, lá por 1996. Os caras mandaram bem, e lembro com clareza de alguns momentos, como o solo do baixista em THRONE OF GLORY (não sei ao certo se é essa), além do cover de TORNADO OF SOULS (do Megadeth) que não foi cantada pelo vocalista (que, aparentemente, não sabia a letra - acho que quem cantou foi a Dige). Aliás, o baixista é sempre um destaque à parte, com visual (e jeito de tocar) lembrando muito o Steve Harris, até no empenho nos backing vocals (geralmente inaudíveis).

Assisti o show de despedida da banda no Bar João antes da viagem para a turnê na Europa. Foi num domingo à tarde, e acho que foi no dia da final da Copa América de 1999 (Brasil 3x0 Uruguai, em 18/08/1999). O show foi brilhante - os caras têm presença de palco, e a galera (animada, e que lotou o local), para minha surpresa, conhecia as músicas (até cantaram o refrão de STARE AT YOURSELF). A música de abertura foi MR. CROWLEY, para minha total surpresa (na época, achava que não era o ideal para uma banda com músicas próprias abrir um show com um cover). Teve ainda os covers indefectíveis de TORNADO OF SOULS e THE EVIL THAT MEN DO. Já se fazia perceptível, quanto aos guitarristas os guitarristas, extremamente técnicos, algumas características que os distinguiam: o Abel tocava muitos arpejos, de modo que o seu jeito de tocar era mais expressivo e impressionante visualmente; já o Diego se mostrava mais contido, sem perder em técnica e segurança (não é para qualquer magrão tirar o solo de TORNADO igual ao original). Nos covers, reparei que os solos que eu mais curtia (tipo nas músicas do Iron, com 2 solos) eram tocados pelo Diego. Acho que a partir dessa época os caras deixaram de tocar DRAFT, que eu considero uma grande música, mas reconheço que se ressente um pouco de forte influência do Iron, que talvez não se encaixe mais no estilo da banda.

Aliás, o estilo da banda é muito difícil de descrever. Esse foi o primeiro show que eu assisti no Bar João, numa época em que a BURNIN´ BOAT ainda se resumia a eu-e-o-Bruce e lutava por estabilizar a formação ideal, e naquele dia me deu um estalo do tipo "um dia vou tocar no Bar João". Acredito que, grosso modo (e num sentido jocoso), é a mesma sensação que o Paul Stanley teve quando assistiu ao Led Zeppelin no Madison Square Garden.

Outro show que me ocorre foi um que também se deu no Bar João, num domingo à tarde extremamente chuvoso. Dessa vez, me fiz acompanhar do grande Bruce. Novamente o local estave lotado, com o público muito vibrante. A primeira música foi THE HELLION/ELETRIC EYE, e teve outros covers como FEAR OF THE DARK, THE TROOPER, acho que 2 MINUTES, um MANOWAR, entre as músicas próprias. Depois da metade do show, nos posicionamos atrás do palco (naquela parte da sinuca) e ficamos só com a visão da bateria - e eu posso dizer que aprendi bastante vendo o Sávio tocar, com uns truques e levadas bem interessantes, que geralmente são imperceptíveis pra quem só ouve nos headphones as músicas.

O último show que eu assisti foi o que se deu em 11/05/2003 no Bar Opinião, no RS Metal, com outras bandas (que eu não fiquei para assistir). A banda investiu numa produção mais forte (rolou um vídeo de introdução no telão). Tocaram algumas músicas novas (que eu não conhecia), bem como a minha favorita de todas STEEL LORD ON WHEELS (essa é uma das melhores músicas que eu já ouvi de hard rock, totalmente do meu estilo, com um baita riff). O vocalista Iuri é realmente o melhor que já tocou com a banda - e o cara é muito bom mesmo (me lembra muito o Rob Rock - aquele que cantou com o Impellitteri, Axel Rudi Pell, MARS -, grita um monte, é carismático com a galera, e segura o pique até o final. Outra de minhas favoritas do repertório da banda, a STARE AT YOURSELF foi apresentada em versão bastante alterada; rolou uma atualização que eu considerei um tanto perniciosa, que tirou bastante a característica orinal da música (que eu curtia bastante). O fato rudinei da apresentação foi quando eles estavam começando a última música, mas que tiveram de interromper por causa do limite de tempo do show que já havia esgotado. Foi um verdadeiro anti-clímax. Nesse show eu encontrei muito poucos conhecidos no público, diferentemente do que ocorria tempos atrás. Acho que isso demonstra que a banda conseguiu renovar o seu público durante esses anos, mesmo não fazendo shows muito regulares.

sábado, 24 de abril de 2004

Fórmula 1 - 1986

- nesse feriado de Tiradentes aluguei na Espaço Vídeo um documentário sobre a temporada de Fórmula 1 do ano de 1986, vencida por Alain Prost. Sabidamente, sou fã de F1 desde a mais tenra infância, de modo que tenho lembranças vivas de alguns momentos das temporadas dos anos 80. Mas a experiência de ver esses vídeos das temporadas passadas é ainda mais impressionante hoje em dia, em que os campeonatos andam unilaterais (só o Schumacher ganha). Em 1986 as coisas eram muito diferentes.

Com efeito, a McLaren-Porsche era a melhor equipe, e tinha o campeão do ano anterior Prost, ao lado de Keke Rosberg. A Williams-Honda, por outro lado, tinha o melhor carro e uma dupla brilhante: Nigel Mansell e Nelson Piquet. A Lotus-John Player Special-Renault despontava com o Ayrton Senna (ao lado do inexpressivo Johnny Dumfries). A Ferrari não era de nada, com Michele Alboreto e Stefan Johansson. A recém criada Benetton (adquirira a Toleman) tinha Teo Fabi e o novato à época Gerhard Berger. A Ligier-Renaul, com René Arnoux e Jacques Laffite, assim como a Lola-Hart com Patrick Tambay e Alan Jones ainda são dignos de comentários. Nota-se, de pronto, a grande qualidade e quantidade de carros competitivos e pilotos de ponta.

Em 1986, Senna conquistou a maioria das poles. As corridas eram bastante disputadas - claro que sempre havia o líder que ficava alguns segundos à frente dos demais, mas nada que tornasse as corridas previsíveis. Aliás, os abandonos por quebras de motor e falhas mecânicas eram mais freqüentes, sem contar que os pneus não eram muito duráveis, forçando paradas nos boxes seguidas.

Nessa temporada que se registrou a segunda menor diferença entre o primeiro e segundo colocado - foi no GP da Espanha, o segundo da temporada, vencido por Senna com Mansell em segundo por 0.014secs. Outros momentos foram duas ultrapassagens memoráveis de Nelson Piquet: uma sobre Senna na Hungria (atrasou violentamente a freada na entrada da curva, saindo de lado como se fosse um kart, muito impressionante), e outra sobre Mansell em Monza (essa eu lembro perfeitamente - Piquet deu um "chega pra lá" no inglês). Outros fatos que eu lembro da época: o acidente na largada do GP de Brands Hatch, em que Jacques Laffite quebrou as pernas (a corrida só reiniciou mais de uma hora depois, devido à necessidade de esperar a volta do helicóptero que levara o francês ao hospital), e a morte do italiano Elio de Angelis, nos testes particulares da Brabham em Paul Ricard.

Vendo a fita, reparei que Keke Rosberg era mesmo bom piloto, pontuando, liderando e fazendo boas corridas, contrariamente ao que eu pensava, em que pese aquele ano fosse o de sua despedida dos circuitos. Um Momento Lucky Strike da temporada foi na Hungria, quando Piquet entrou nos boxes quando a equipe estava preparada para trocar os pneus de Mansell - a imagem mostra claramente a irritação de Patrick Head com a malandragem do brasileiro, que venceu a corrida.

O campeonato só foi decidido na última corrida, em Adelaide (Austrália), num lance de muita sorte. Três pilotos tinham chance: Mansell, que liderava com folga, Piquet e Prost, que só podiam pensar em vencer e tirar o inglês da corrida (na época a vitória valia 9 pontos). Senna havia saído da disputa na corrida anterior (Portugal). Prost não tinha o melhor carro, mas foi premiado pela regularidade - pontuou em quase todas as corridas.

Durante a temporada, a Williams, que tinha o melhor carro, se viu dividida entre Mansell e Piquet. O contrato deste último era para ser o primeiro piloto, mas a equipe de ingleses, capitaneada pelo projetista Patrick Head, tomou preferência por Mansell. Mas não havia uma tomada de posição definitiva - na pista não tinha essa de deixar o outro passar. Frank Williams, dono da equipe, tinha preferência pelo brasileiro, mas devido ao acidente que o deixou paraplégico, não se fazia presente às corridas, pelo menos até perto do final da temporada. Piquet, então, teve de lutar sozinho contra toda a equipe, e essa briga interna da Williams custou o campeonato de pilotos. A Williams, diga-se, é conhecida por não tomar preferência por tal ou qual piloto - o que interessa é o título de construtores.

Em dado momento da prova de Adelaide, o pneu Goodyear de Prost furou, mas como o piloto estava perto dos boxes, pode realizar um pit-stop oportuno. Entretanto, essa parada não prevista parecia ter expurgado do francês as chances do bicampeonato.

Logo em seguida, Rosberg também parou com seu pneu Goodyear furado. Outros pilotos com a mesma marca de pneu tiveram problemas. Quando Mansell teve o pneu explodido em plena reta, Piquet liderava e corria para o tricampeonato. Entretanto, devido aos precedentes na prova, e em atenção ao perigo de vida dos pilotos, a Goodyear comunicou a todas as equipes que entrassem nos boxes imediatamente para troca de pneus. Então se revelou a sorte do francês, que foi o único que não precisou parar. Piquet resolveu não arriscar, entregando a Prost a vitória e o título.

sexta-feira, 23 de abril de 2004

Shows XVI - YNGWIE J. MALMSTEEN (03/10/2001 - Bar Opinião)

- seguramente, este é o show mais controvertido que eu assisti. O evento se deu poucas semanas depois dos ataques-do-11-de-setembro-nos-EUA. Pelo que me lembro, o show aconteceria bem na semana do meu aniversário... e também estava prevista para a mesma época o show do Megadeth (que, devido aos ataques, acabou cancelando todas as datas da turnê fora dos EUA). O YJM, pelo menos, não se tremeu tanto, e só adiou em algumas semanas as apresentações.

Estava prevista, ainda, a abertura da banda Hibria, dos grandes Diego Kasper e Sávio Sordi, que, no entanto, restou abortada sem maiores esclarecimentos durante o dia do show pela produção do sueco. Foi um pouco decepcionante, mas todos éramos (e somos mais do que nunca) sabedores das excentricidades (e juquices) do guitarrista.

Fiquei um bom tempo na fila, mas consegui me posicionar na pista de dança do Opinião, um pouco à esquerda do centro do palco (perspectiva da platéia), do lado contrário ao que estavam os amplis do YJM. Fiquei, pois, bem perto do palco, mas não tanto quanto o Bruce e Raquel, que inclusive conseguiram contatos mais imediatos com o Doogie White durante a apresentação. Aliás, a banda de apoio que o Malmsteen formou para aquela turnê, e que posteriormente entraria em estúdio para gravar o cd Attack (lembremos que a formação anterior era os não menos admirados Jorn Lande, John Macaluso, e o tecladista Mats Olausson - que em seguida formariam o Ark), aguçou ainda mais a expectativa sobre a apresentação, uma vez que além do precitado vocalista, estaria no palco o legendário Derek Sherinian. Realmente, não tinha como dar errado.

Antes de entrar no palco, Malmsteen provocou a galera com a introdução da Nona (ou Quinta?) sinfonia de Beethoven. Seguiu, então, a 1.ª música, RISING FORCE. Bem, a partir da 3.ª ou 4.ª música já havia ficado um pouco enfadonha aquela repetição ad nauseam de escalas rapidíssimas. O Christian, meu colega do TJRS, resumiu bem a sensação: "ele só faz isso". Em que pese tocar com rapidez e precisão escalas e arpejos não seja pouca coisa, eu, como fã do sueco, admito que em seguida que as emoções do início do show se arrefeceram, a técnica (única) do Malmsteen cansou. Outra engraçadíssima do Christian: como ele chegou no instante imediatamente anterior à entrada no palco dos músicos, não sabia nada do cancelamento do show da Hibria. Assim, quando o palco estava vazio, mas com aquelas fumaças (gelo seco, embora não seja esse o nome científico), e o YJM tocou aquele trechinho da Quinta (ou Nona) sinfonia, o nosso amigo disse ter pensado "Nossa, esses caras da Hibria são f*da!".

Como se tratava da turnê do cd War to End All Wars, mais da metade de suas músicas ocuparam o set list. No meu caso, senti falta das músicas da época do Michael Vescera (Seventh Sign e Magnum Opus). Do Fire and Ice já sabia que não ia rolar nada, assim como o Marching Out (com exceção da excelente I´LL SEE THE LIGHT TONIGHT - não lembro se rolou I AM A VIKING). As músicas mais empolgantes, sem dúvida, foram o cover do Rainbow ALL NIGHT LONG (pulei muito nessa) e YOU DON´T REMEMBER I´LL NEVER FORGET.

O solo de bateria foi o Momento Lucky Strike da noite. Patrick Johanssen tocou os trechos mais clássicos de bateria - Painkiller, I Love it Loud, Sacrifice, entre outros que não lembro agora (Rock and Roll? Territory?). Desprezível, por outro lado, foi o solo de baixo.

Todos sabemos e lembramos do rolo entre o guitarrista e o público por causa do hino americano, de modo que não vou ingressar de novo nesse mérito (já foi objeto do post de 06/10/03). Quero só, neste passo, me reportar ao post sobre o show do Steve Vai, que eu aditei recentemente, para acrescentar que Vai tocou o Hino Nacional Brasileiro durante a música LIBERTY.

quinta-feira, 22 de abril de 2004

Shows XV - JUDAS PRIEST (04/09/2001 - Bar Opinião)

- essa é uma das minhas bandas favoritas, pela quantidade de músicas boas, onde há total predominância de riffs absolutamente marcantes, e que abriram caminho, junto com outras bandas clássicas, para o heavy melódico dos anos 90. Realmente teve uma época, lá por 98/99 que eu ouvi bastante o Judas, especialmente os discos STAINED CLASS e PAINKILLER. O BRITISH STEEL é outro clássico. Curiosamente, fui apresentado à banda através daquele tributo com 2 volumes, com versões do Angra, Mercyful Fate, Iced Earth, Helloween, Stratovarius, entre muitas outras.

Era a turnê do cd Demolition, que se não era melhor que o Jugulator, pelo menos ainda trazia os bons vocais de Ripper Owens (que, com pequena margem de diferença, eu prefiro ao Rob Halford). O show abriu com uma surpresa: METAL GODS - e Ripper Owens adentrou ao palco com uma bela capa brilhante. Seguiram outras clássicas, além de umas poucas que eu desconhecia, tipo DESERT PLAINS. De resto, a apresentação não fugiu muito ao set list do cd duplo ao vivo da turnê do Jugulator. Guitarras com afinação mais pesada. KK Downing e Glenn Tipton bastante carismáticos, cada um do seu jeito. Todos os riffs e solos mais legais são tocados por Tipton. Downing é realmente um coadjuvante, mas daquele tipo de coadjuvante indispensável (mal comparando, seria um Malcolm Young, no AC/DC).

O mais impressionante foi mesmo o novato Ripper Owens, com total domínio da voz e alcance irrepreensível. O cara gritou a noite inteira, mas exasperou alguns fãs mais ardorosos do Halford pela falta de movimentação mais agressiva no palco (ele é um pouco durão, parecia um robocop andando), além de uma certa apatia entre uma música e outra.

O set list foi bom, sem surpresas como um show do Kiss/Iron Maiden (até as falas do vocalista nos intervalos entre as músicas eram previsíveis), sendo que a empolgação rolou em BREAKING THE LAW.

quarta-feira, 21 de abril de 2004

Shows XIV - THE WISE - EPITAPH - SPARCATUS - FIGHTERLORD (13/07/2001 - Teatro de Elis)

- PRELIMINARMENTE: acredito que agora posso retomar a ordem cronológica dos shows.

Honestamente, não lembro como surgiu a idéia de assitir a esse show. Mas tenho boas lembranças - fomos eu, Bruce e Luciano Gillan - e vimos quatro bandas de metal de relevo da cena porto-alegrense, com músicas boas. A que mais nos causava curiosidade era a The Wise, pois o Bruce chegou a iniciar contatos com o baixista da banda a fim de integrá-lo à BURNIN´ BOAT, quando nossa formação ainda era precária (98/99). Mas a que mais nos apeteceu foi a Epitaph, que se valeu com elegância da influência de Black Sabbath, com paradas certeiras nas músicas para emersão de riffs matadores. O guitarrista era talentoso e o baterista seguia bem a linha dos grandes bateras das grandes bandas de hard rock dos anos 70, nomeadamente o próprio Sabbath. A The Wise tinha um vocalista fantástico, com timbre bem alto, e surpreenderam com o cover de TRASHED da multicidada banda do Ozzy/Butler/Iommi/Ward. Também apresentou bons momentos, com músicas mais trabalhadas (o baixista era bom mesmo). Da Spartacus não tenho muitas lembranças, mas apresentaram boas músicas e boas idéias também. Já a Fighterlord causou alguma decepção - a banda tinha 2 guitarristas e um tecladista, e tocava um heavy melódico que, para mim, soava datado já na época. Nada contra, mas entendo preferível um punhado de riffs bons do que várias correrias insandecidas com teminhas que reproduzem o refrão ou alguma parte cantável, que um sem-número de bandas já faz há tempo. Em todo o caso, o baterista era o grande Sávio Sordi, que foi meu contemporâneo no colégio, toca na Hibria desde sempre, e por quem eu guardo muito respeito (o cara toca muito). Ao final da noite, voltamos os três à pé, descendo toda a Av. Protásio Alves até o Hospital Pronto Socorro.

terça-feira, 20 de abril de 2004

Shows XIII - APOCALYPSE (data incerta inverno 2000 - Salão de Atos da UFRGS)

- esse show foi num final de tarde/início de noite de um domingo de inverno. Acho que nesse a BURNIN´ BOAT se fez quase inteiramente presente (juntamente com as respectivas namoradas, não lembro bem), dentre outros amigos, parceiros e conhecidos (até o grande Jorge Gordo tava lá), motivados que estávamos de conhecer a banda de rock progressivo gaúcha, além do fato de que o show foi gratuito. Antes da apresentação, adquiri o cd duplo ao vivo gravado no Progfest nos EUA.

Todas as músicas tocadas eram próprias da banda, e em português - não teve cover, o que nos decepcionou grandemente; esperávamos, no mínimo, um cover do Yes. Como estávamos em bom número, fizemos muitas palhaçadas, e a que ganhou total destaque, a ponto de se tornar o Momento Lucky Strike da noite, foi quando o Nilton gritou "aí Rafael do Polegar" na hora em que o Eloy Fritsch empunhou um teclado daqueles presos no ombro pra tocar em pé. Risos pelo auditório inteiro, até do tecladista. Aliás, que tecladista! O cara tinha uns 15 teclados, além de um grande piano. Mandou muito bem no mini-moog, do qual sou fã. O vocalista/baixista decepcionou, com sua voz extremamente limitada, que restou ainda mais prejudicada pelas letras, que não pareciam se encaixar com o som. O guitarrista era técnico, mas insistiu demasiadamente nos vanhalenismos (os harmônicos - naturais e artificiais - ficaram irritantes a certa altura). Mas a banda é boa, e curti alguns momentos.

Esperamos até o bis (ou encore) - mas fomos embora quando percebemos que eles não iriam tocar nenhum cover, limitando-se a reproduzir alguma música que já fora tocada no set normal.

segunda-feira, 19 de abril de 2004

Shows XII - LABYRINTH - VISION DIVINE (data incerta 12-01-2000 ou 26-11-2000 - Bar Opinião)

- foi num domingo, e resolvi assistir a esse show de duas bandas de heavy melódico stricto sensu. Em todo o caso, eu já tinha alugado o cd mais recente do Labyrinth na época (acho que Sons of Thunder), e já tinha comprado o cd mais recente do Vision Divine na época (o primeiro), fruto de uma época (97/98/99) em que eu alugava muitos cds na Mad Sound (a locação era muito barata, além da promoção que rolava - 5 cds por uma semana). Eu realmente alugava muito cd, tanto de bandas que eu conhecia só de nome, como de outras que eu alugava o cd pela capa (a capa, em geral, denuncia o estilo de som da banda) - na época era o jeito de conhecer bandas novas, e eu me empolgava bastante, mesmo que um dado cd tivesse só UM riff bom (quanto mais uma música boa).

Não lotou o Opinião, de modo que consegui ficar sossegado na pista de dança observando atentamente a técnica dos guitarristas italianos (muito embora os caras do Vision Divine assumam nomes alemães!). O mais conhecido de todos era o vocalista do Vision Divine Fabio Lione, devido ao sucesso que o Rhapsody alcançou entre os fãs do gênero (eu não curti nenhum cd do Rhapsody - mas o cara canta bem).

O Labyrinth abriu a noite, com dois guitarristas que abusavam dos arpejos, muito bem executados. Um dos guitars era o Olaf Thorsen, que também é o líder do Vision Divine. O vocalista era Rob Tyrant, um baixinho barrigudo que gritava muito. No final de uma das músicas ele alcançou um agudo muito violento, de modo que eu suspeitei imediatamente da presença de algum recurso (tecnológico) extra para adivitivar a performance.

Vision Divine tinha melhores músicas, e eu conhecia quase todas. O cover de WASTED YEARS do Iron levantou a galera. Rolou, ainda, um cover de Savatage - GUTTER BALLET. O vocalista Fabio Lione confirmou as expectativas - o cara é muito bom mesmo, apesar de se ressentir um pouco do sotaque.

Depois desse show, não ouvi mais nenhum som dessas bandas, nem de outras neófitas que surgiram na onda do estilo.

domingo, 18 de abril de 2004

Shows XI - KISS MY ASS - PARASITE KISS COVER BAND (10/04/1999 - Bar Opinião)

- PRELIMINARMENTE: pelos mesmos motivos expostos no post abaixo, onde se lê "Shows XI" entenda-se "Shows IV".

Para quem não sabe, ou não lembra, eu cheguei a tocar na Parasite por alguns poucos meses (janeiro/fevereiro de 1999). Naquela época (final de 98/início de 99) estávamos tentando estabilizar a formação da BURNIN´ BOAT com o Pedro no baixo e o "Paul Stanley" da Parasite (banda de cover do Kiss, anos 70) na guitar e vocais. Num dos primeiros ensaios tocamos várias músicas do Kiss - o que era natural para nós na época - de modo que quando os caras da Parasite tiveram que substituir o "Ace Frehley" deles, o Felipe Stanley me fez convite, que foi aceito com orgulho pela lembrança e apreensão pela responsabilidade. Entretanto, as coisas não funcionaram como deveriam, e logo a Parasite se acertou com o grande Daniel Ace, muito mais talentoso, e com maior disponibilidade para a banda.

Algumas semanas depois a ZH noticiou a confirmação do show do Kiss em Porto Alegre, que mobilizou rádios e jornais por um bom tempo. No meio desse espaço, surgiu a oportunidade de um show no Opinião com bandas cover do Kiss - a Parasite e a Kiss My Ass (do Jacques Maciel e seu irmão, além do lendário baterista Beat Barea, todos do Rosa Tattooada). Rolou até uma cobertura prévia do show, com fotos, na ZH. Foi realmente notável.

No dia do show, à tarde, eu casualmente passei pelo Opinião, e pude acompanhar a passagem de som da Parasite. Dentre os presentes, tinha um também fanático, que havia levado uma réplica da guitar do Paul Stanley. Até hoje não entendo porque ele levou a guitar na passagem de som, uma vez que não foi usada no show (acho que até poderia ter rolado um empréstimo, mas o Felipe Stanley é canhoto).

O evento mobilizou grande número de fãs de Kiss, ainda mais pelo fato de que uma semana depois o próprio Kiss faria show no Jockey. Presença do Tatata Pimentel entrevistando a galera na fila. Apesar de tudo, não lotou, e foi bom, pois permitiu circulação e boas conversas entre a galera (muitos conhecidos presentes).

Para minha surpresa, quem abriu a noite foi a Kiss My Ass. Os caras não são estranhos a esses shows, e contagiaram o público com som potente (Marshalls gigantes da Good Music, sem contar as Les Paul e Flying V que os caras usaram), além da excelente performance e execução das músicas. Jacques Maciel tem presença de palco brilhante, além de tocar e cantar muito. O Ace Frehley deles era muito bom, e ainda fazia backing vocals com competência. Não lembro muito do repertório, a não ser que eles tocaram WAR MACHINE, a única que não era da época da formação original. Lembro também da reação do Jacques em BLACK DIAMOND, quando a galera fez o "uh-uh-uhhhh"; in verbis: "afudê!".

O show da Parasite, por outro lado, foi severamente prejudicado pelo baixo som do equipamento, potencializado pelo nervosismo dos músicos. Felipe Stanley surpreendeu, tocou e cantou com segurança, apesar das condições adversas. Daniel Ace desempenhou bem o papel de Ace Frehley, assim como o Erico Simmons mandou bem como Gene. O batera Love acho que era o mais nervoso. Mas, realmente, o que prejudicou foi essa pouca potência do equipamento dos caras, que não deu conta de cobrir o Opinião. Durante a apresentação dava pra conversar sem dificuldades com qualquer pessoa a alguns passos de distância, algo impensável na maioria dos shows. Entretanto, o público foi paciente e acompanhou a apresentação dos caras com interesse. Pelo que sei, a banda fez um baita show alguns dias depois no Garagem Hermética.

sábado, 17 de abril de 2004

Shows X - TRITONE (18/03/1999 - Bar Opinião)

- PRELIMINARMENTE: a partir deste post sou forçado a abandonar o meu intento inicial de rememorar em ordem cronológica os shows que eu assisti. Efetivamente, tem alguns shows em que foi difícil localizar a data precisa (tem outros que eu não descobri ainda), de modo que quando comecei, ainda não tinha providenciado a ordem exata. Enfim, onde se lê, portanto, "Shows X", entenda-se, na verdade, "Shows III".

Não lembro como surgiu a idéia de assistir a esse show. Só sei que se tratava da estréia em palco do trio de guitarristas brasileiros - Frank Solari, Edu Ardanuy e Sérgio Buss - que se juntaram na esteira do G3 (Satch, Vai, Eric Johnson). A diferença fundamental é que os brasileiros gravaram um disco com músicas inéditas.

Eu e o Bruce chegamos bem cedo, de modo que nos posicionamos colados junto ao palco, logo abaixo dos músicos, e esperamos muito até começar o show. Não lotou o Opinião - nem perto. Esperávamos que os caras fizessem uns covers - eu esperava algo do Hendrix. O set list foi o repertório do cd recém lançado, sendo que o cover foi a última música - o tema do PETER GUNN (o que me decepcionou severamente).

Sérgio Buss tinha o estilo mais diferente - virtuoso contido, se preocupa mais em experimentar do que fazer aquele sobe-desce de escalas. Edu Ardanuy exibiu técnica impecável - o cara tem uma das melhores palhetadas do meio guitarrístico. Frank Solari também exibe boa técnica, e, se não me engano, tocou com uma guitar de 7 cordas em uma das músicas.

O Momento Lucky Strike I foi quando, lá pelas tantas, eles convidaram 3 caras da platéia pra subir ao palco e fazer um mini-concurso: solar enquanto a banda fazia um acompanhamento de 8 compassos estilo blues (shuffle?). Nesse momento, quando os caras perguntavam "e aí, quem vai querer subir?", o Bruce chamou a atenção do Sérgio Buss e apontou pra mim. O guitarrista me olhou, e perguntou algo "ah é, tu quer vir?" e já estava se aproximando pra me ajudar a subir ao palco, mas nessa hora eu me tremi, apertei mesmo, e declinei o convite. O Bruce, naturalmente, tentou insistir e incentivar ("bah, tu vai te arrepender"), mas eu realmente estava convencido de que não ia dar certo.

O Momento Lucky Strike II foi em dado momento do show que os caras serviram um tipo de coquetel pra galera: trouxeram umas bandejas com uns salgados, tipo sanduíche-aberto. O Bruce se valeu da sua altura e de seu braço pra alcançar um, ao que, incontinenti, passou pra mim ("certo que esse troço tem coisas que eu não curto" - nós que o conhecemos perfeitamente não nos surpreendemos mais com essas restrições alimentares - entretanto, hoje em dia, certamente ele não recusaria, contanto que fosse o famigerado picadinho-do-Milano).

O Momento Lucky Strike III foi no dia seguinte, quando saiu a resenha do show no 2.º Caderno da ZH - na foto que ilustrou a reportagem, nossas cabeças privilegiadas aparecem no canto da foto, que eu coloquei lá no CONTRA LEGEM.

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