quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

CD - Helloween "The Dark Ride" (2000)

Nesse ano de 2008, especialmente no 2.º semestre, encontrei vários cds há muito perseguidos por preços interessantes. É comum ter visto em determinada época em loja um cd de uma das minhas bandas favoritas, mas que por uma razão ou outra deixei de levar para casa; em regra acabo me arrependendo depois, e aí passo o resto do tempo tentando reencontrar o disco, geralmente esgotado. O "Rising" do Rainbow é um bom exemplo disso, e o mesmo se pode dizer do "The Dark Ride" do Helloween.

Esse disco foi lançado em 2000, e sucedeu o excelente "Better Than Raw" de 1998 (este, particularmente, é um dos discos essenciais). Os alemães trouxeram o Roy Z para a produção (o cara estava muito badalado, então, pelos expressivos resultados dos trabalhos com Bruce Dickinson, Rob Halford, além de ser um baita guitarrista e compositor) e, seguindo em parte a tendência da época, baixaram a afinação das guitarras. Tão logo o cd chegou na Mad Sound, aluguei e fiz back-up, mas não fiquei totalmente satisfeito com o álbum. De fato, as músicas são mais pesadas em razão da afinação diferenciada, mas as composições não pareceram tão inspiradas. Chamou-me a atenção a quantidade de faixas creditadas a Andi Deris e Uli Kusch (o baterista se revelou uma fonte muito boa a partir de "Better Than Raw"), e a presença de apenas duas de Roland Grapow - no disco anterior não havia nenhuma do guitarrista e isso me levou a concluir que os seus discos solo eram melhores que os mais recentes do Helloween (hoje em dia o meu entendimento já é inteiramente diverso).

Mesmo não muito empolgado com o disco, nunca deixei de acompanhar os lançamentos da banda. Em 2001 fui no show que eles fizeram no Opinião, na última turnê do Helloween com Uli Kusch e Roland Grapow (são bem conhecidas as diferentes versões para a demissão desses caras, que, para mim, eram os melhores músicos da banda). O interesse ficou renovado ano passado quando resolvi ouvir "Rabbits Don´t Come Easy" e a terceira parte de "Keeper of the Seven Keys", e assim fui motivado para assistir ao show dos caras em 2008 no Pepsi On Stage. Nem parece que a banda tem quase 25 anos de estrada, pois apesar de todos esses discos lançados, nos shows são as músicas antigas que fazem a galera vibrar com mais intensidade. Pessoalmente, me divirto bem mais ouvindo o material recente, i. é, o da época de Andi Deris. E acho que os caras conseguem se desincumbir com razoável eficiência da tarefa de não se repetir, embora essa conclusão não seja totalmente pacífica. E acho que tanto quanto possível todas as bandas deveriam lançar discos regularmente, a cada dois ou três anos - na média acabam sobressaindo os discos bons e dão aos ruins a qualidade de discos obscuros.

Parece-me inegável que "The Dark Ride" contém todos os ingredientes do som do Helloween, desde o som mais antigo, que deu início ao que se convencionou chamar de heavy melódico ou, hoje em dia, power metal (nas faixas "All Over the Nations" e "Salvation"), até o som mais modernoso, com bastante peso e riffs brutalizados (como em "Mr. Torture", notadamente nos versos, e "The Departed" que tem uns efeitos bem diferentes também). Acho legal o início de "The Departed (The Sun Is Going Down)"; composta por Kusch, ouve-se um riff com pausas indicando um andamento que é, depois, quebrado quando entra a bateria e os demais instrumentos - parece outro riff, ou outro groove. Os melhores refrões estão em "Mr. Torture" e "Immortal (Stars)". Weikath ainda curte os teminhas de guitarra no início das músicas, e isso está presente nas suas duas composições, "Salvation" e "All Over the Nations". Ainda não estou certo mas parece que o disco não foi bem recebido na época do lançamento, e após o fim da turnê e da demissão de Kusch e Grapow, os integrantes remanescentes foram instados pela companhia para produzir um disco que marcasse uma volta em grande estilo, e isso acabou frutificando em "Rabbits Don´t Come Easy".

As duas composições de Grapow são muito boas. A faixa-título encerra o disco e se extende por quase 9min com direito aos mais furiosos duetos de guitarra no meio, de tantas notas e arpejos que são executados com a conhecida proficiência. Todos os riffs e todas as partes são brilhantes, alternando a velocidade dos tempos (mais rápido e mais lento). De outro lado, "Escalation 666" tem andamento mais cadenciado, riff inicial utilizando harmônico artificial no estilo Zakk Wylde e conta com afinação ainda mais pesada (talvez com guitarras de 7 cordas, ou guitarra-barítono - as guitarras rugem durante os versos, e são acompanhadas por voz bem rasgada de Deris nessa parte). É muito legal a quebrada no tempo durante o refrão, algo meio incomum e, por essa razão, digno de atenção. O solo começa na manha e depois vem umas notas com um pitch-shifter que aumenta várias oitavas a nota digitada (Satriani e Vai costumam utilizar bastante esse efeito - exemplo, no caso de Satriani, seria "Cool #9").

Deris é o principal compositor em "The Dark Ride", contribuindo com 5 faixas. "Mirror Mirror" é a primeira delas; geralmente não gosto quando a música começa com guitarras distorcidas e dá uma acalmada nos versos com guitarra limpa ou violão. Mas no geral a faixa tem várias partes boas e uns solos legais.

O "single", como de costume, é uma faixa de Deris, "If I Could Fly". Na época em que ouvia o disco não dei muita bola; depois de ver essa música ao vivo no show de 2008 no Pepsi On Stage formei outra convicção sobre ela: trata-se de uma composição com estrutura bastante simples mas com utilização eficiente de acordes repetidamente tocados com afinação mais pesada. Acabou, então, se tornando uma faixa divertida de ouvir. O cd que encontrei para aquisição é um recente relançamento nacional (na época, 2000, só importado), que já veio com todos os bônus possíveis. Assim, além da versão original, há mais duas para essa "If I Could Fly": uma "EP version" e outra "Extended Version". Admito que só uma audição mais cuidadosa e apurada para notar alguma diferença, e acho que nem é o caso de se dar a esse trabalho.

Ainda com as faixas de Deris, "I Live for Your Pain" começa com baixo e bateria e depois vem as guitarras com bastante peso na afinação. A estrutura é convencional, verso/pre-chorus/chorus, mas todas essas partes fluem naturalmente, então é mais uma boa do Deris, com refrão marcante e tudo. A banda só pisa no acelerador, contudo, na décima faixa, "We Damn the Night". A parte mais legal vem antes do solo, com uns riffs com palhetada staccato bem rápida; depois disso, mas ainda antes do solo, vem uns arpejos bem rápidos. Enfim, vem o solo curto, umas repetições do riff principal, e o tradicional coro para a galera "ô-ô-ô" (obrigatório para o heavy melódico). "Immortal" é a mais atípica, pois começa com violão e quando se agregam os demais instrumentos já há menção à melodia do refrão. A afinação continua pesada, mas a distorção das guitarras não é tão forte. A parte de guitarra fica realmente legal a partir do segundo verso.

Geralmente o Helloween grava mais músicas do que as que constam dos álbuns para lançar como lados-B de EPs. Acho essa estratégia uma grande sacanagem com quem adquire o álbum, pois ainda se vê obrigado, caso queira ter a coleção completa, a comprar o single com duas ou três músicas, sendo certo que esse formato não colou por aqui. Seja como for, no cd constam os bônus para o mercado japonês/europeu/brasileiro: "The Madness of the Crowds" (outra de Deris - rápida e comum) e "Deliver Us From Temptation" (solitária contribuição de Markus Grosskopf - outra rápida, com estilo Judas Priest, inclusive no vocal bem agudo nos versos).

O que se tem é um disco com afinação pesada, riffs bons e muitos momentos marcantes, que fazem ficar com determinadas músicas na cabeça por muito tempo. Talvez não seja o tipo de som que algum fã mais tradicional gostaria de ouvir, mas o fato é que o Helloween continua produzindo bons discos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Discos Essenciais - Stratovarius "Visions" (1997)

Há cinco anos fiz uma resenha sobre discos do Stratovarius, mas na época ainda não seguia a regra de escrever apenas sobre os discos que tenho em casa. Pois em data recente na Fnac, por um belo preço, achei o primeiro cd do Stratovarius que ouvi, aquele que para muitos é o disco definitivo da banda: "Visions". O disco foi lançado em 1997, e mais ou menos por essa época que aluguei na extinta Mad Sound. Essa locadora tinha um bom acervo de bandas de todos os gêneros do metal, e no local onde estavam os cds do Stratovarius constavam outros de bandas de heavy melódico como Helloween. O nome "Stratovarius", espécie de sacada-genial, já antecipa o que se pode esperar da banda, e isso somado à capa e ao nome das faixas dava indícios de que seria uma boa alugar para ouvir o som que esses caras mandavam.

Sabe-se que essa banda finlandesa foi capitaneada pelo guitarrista Timo Tolkki, e esse disco foi o registro definitivo da sua formação clássica (mas não original): Tolkki (além de guitarrista, é o principal compositor, uma espécie de Blackmore/Malmsteen), Timo Kotipelto (vocalista com boa interpretação e registro muito alto), Jari Kaiulanien (baixista figuraça), Jörg Michael (baterista alemão já conhecido pelo seu trabalho com Rage) e o lendário Jens Johanson (sueco tecladista que se tornou conhecido por formar a Rising Force de Yngwie Malmsteen).

Para mim é líquido e certo que Rainbow fundou as bases para o heavy melódico, que ganhou nome a partir do Helloween, que, por sua vez, deu ares definitivos a essa tendência do metal. Muitas bandas se dedicaram a reproduzir o som do Helloween, e a mim parece que a mais bem sucedida foi o Stratovarius.

Particularmente gosto bastante de boa parte da discografia da banda, e agora vejo que isso se deve ao fato de que diferentemente de outras bandas do estilo, Tolkki compõe riffs excelentes e boas músicas. As outras bandas acabam, invariavelmente, caindo na rotina de compor sempre o mesmo tipo de música (que não tolero), que assume a seguinte fórmula: início à toda velocidade, com bumbo duplo da bateria pegando, guitarras base com power chords executados na velocidade do bumbo duplo da bateria, e uma ou mais guitarras harmonizadas tocando um teminha (depois disso vem o grito high pitch do vocalista, versos, refrão grandioso, solos, etc.). O maior exemplo disso é"I Want Out" (embora o andamento não seja tão rápido), que não por acaso é um dos maiores clássicos do Helloween. Mas esse padrão é tão manjado, e a fórmula tão desgastada, que me parece despiciendo tentar repetir, a não ser que se trate de uma composição muito qualificada. E esse é o caso de "Black Diamond", que também não por acaso é o maior clássico do Stratovarius. "Visions" sempre foi conhecido pelo notório erro na ordem das faixas na contracapa do cd: ali constava como 1.a faixa "Kiss of Judas", mas o disco iniciava com "Black Diamond". Nesta o teminha é um riff executado no teclado com som de harpischord, sob o qual as guitarras, bateria e baixo fazem os power chords à toda velocidade, e o refrão é grandioso. É a tal fórmula, mas aqui o resultado foi muito bom.

Tolkki é um compositor com bom gosto para riffs, e todos os seus discos contêm um punhado de excelentes exemplares. No caso de "Visions", os melhores são os que abrem "Legions" e "Forever Free". Nesses casos, Tolkki se vale da influência de Blackmore ("Burn" e até "Smoke on the Water") e Malmsteen ("I'll See the Light Tonight" e "Never Die"), e já faz abrir a música com o riff principal, só com a guitarra, e depois ingressam os demais instrumentos. Geralmente são esses primeiros instantes que me fazem ter vontade de ouvir toda a faixa.

A essencialidade reside, pois, no som monumental das guitarras, na pegada dos riffs, e na boa interação geral dos instrumentistas em cada faixa. Tratou-se de um daqueles momentos raros em que todos os caras estavam perfeitamente sintonizados e compenetrados para registrar um álbum importante.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Município

Depois de cinco anos de espera tanta coisa aconteceu, as condições originais se modificaram em todos os sentidos, que agora chegou tarde. De qualquer maneira, serve como uma espécie de prêmio a todos nós que nunca deixamos de acreditar.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

CD - Heaven and Hell "Live from Radio City Music Hall 2007"

Diferentemente de Ozzy, Tony Iommi e Geezer Butler estão em plena forma e com todo gás. Então os caras fizeram a coisa mais certa ao se juntar a outro cara que tem mantido uma produtiva carreira solo, Ronnie James Dio, e promover a reunião da formação do Black Sabbath dos álbuns "Mob Rules" e "Dehumanizer" (este último é um disco essencial) para uma turnê em 2007. Apesar de Iommi deter os direitos sobre o nome Black Sabbath, teve-se o cuidado de fazer com que essa formação se apresentasse sobre o nome Heaven and Hell (primeiro disco de Dio com o Black Sabbath); não estou certo se isso também não foi motivado por algum receio de disputas judiciais com o vocalista original, mas tocar como Heaven and Hell e não Black Sabbath evita confusão de parte do público e repele antecipadamente os pedidos para tocar "Paranoid", "Iron Man", "War Pigs", "Children of the Grave". No (meu) mundo ideal o Sabbath retomaria atividades e no set list conteria músicas de todas as épocas, incluindo os discos dos anos 1980, que invariavelmente contêm músicas excelentes (talvez para isso fosse o caso de retornar com Tony Martin, rejeitado por parte do público - injustamente, a meu juízo -, ou outro vocalista). Seja como for, é bom os caras trilharem caminho próprio sem Ozzy, pois é sabido que com este o repertório fica limitado a um punhado de faixas por demais conhecidas e batidas.

Iommi, Butler, Dio e Appice gravaram três novas músicas para uma coletânea e ensaiaram um set list contendo músicas de três álbuns dos "anos de Dio". Da turnê subseqüente lançaram "Live at Radio City Music Hall 2007". Ficaram de fora algumas das minhas favoritas como "TV Crimes" e "Time Machine", mas outras muito boas foram registradas como "I", "After All (The Dead)", e "Computer God", além de "Neon Knights".

Ao tentar acompanhar o cd na guitarra, percebi que a afinação das faixas é um tom abaixo, sendo que nas correspondentes ao disco "Dehumanizer" é possível tocá-las relativamente bem com afinação drop-D. Acredito que as versões originais não foram gravadas com essa afinação, de maneira que é provável que a alteração tenha sido feita para facilitar a tarefa de Dio; seja como for o resultado foi excelente, tanto em relação ao extra-peso das guitarras (em algumas músicas ouve-se uma guitarra base durante os solos, e é possível, então, que haja uma guitarra base durante os riffs e bases para versos também), quanto à excepcional performance de Dio, que ainda mostra o carisma habitual.

As músicas são bem conhecidas, a não ser pelas novas "The Devil Cried" e "Shadow of the Wind", que são mais lentas e tenho quase certeza que, por essa razão, se encaixam no estilo preferido de Dio (li uma entrevista com Doug Aldrich, num site, no qual o guitarrista revela que Dio é responsável pelas músicas mais arrastadas dos discos solo, pois, segundo ele, o vocalista adora esse tipo de som).
Fiquei de olho nesse cd duplo desde o lançamento, mas achei o preço salgado (R$ 49,90). Mesmo assim, continuei conferindo nas maquininhas da Saraiva, sempre acreditando em algum dia encontrá-lo com preço promocional, e a recompensa veio há um mês, com o desconto de R$ 20,00.

As notícias dão conta de que Iommi, Butler, Dio e Appice gravarão um disco inteiro de músicas inéditas, e essa notícia, por si só, é uma baita notícia.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

CD - Queen: "The Works" (1984)

No início deste ano de 2008 consegui trocar umas tranqueiras (mal adquiridas) na Saraiva pelo “The Works” do Queen, que levei na convicção de que se tratava de um disco clássico da banda pelo set list: o disco abre com “Radio Ga-Ga”, e tem, ainda, “I Want to Break Free” e “Hammer to Fall”. Recentemente escutei o disco com mais atenção e conclui que tirantes estas e "Tear It Up" e talvez "It´s a Hard Life" e "Is this the World We Created?", as outras (três) músicas são fracas, e assim torna o disco irregular em comparação com o excelente "News of the World". Ocorre que "Radio Ga-Ga", "I Want to Break Free" e "Hammer to Fall" estão entre as melhores composições do Queen, então não é um disco que possa passar despercebido.

"Radio Ga-Ga" é uma rara excelente composição de Roger Taylor; a letra é muito boa, a respeito da nostalgia provocada pelo incremento tecnológico que poderia acarretar na substituição do rádio por outro equipamento modernoso (quase 25 anos depois, essa inquietação perde sentido quando se sabe que o rádio ainda é um forte meio de comunicação). A música tem um refrão marcante, e a bateria tem uma espécie de riff que nas apresentações ao vivo permite uma incrível interação com o público, que levanta as mãos para cima e bate palmas no ritmo da bateria (essa reação da platéia ocorreu em todas as execuções da música, desde o primeiro show). Lembro da minha mãe chamando a atenção para essa música durante o Rock in Rio de 1985.

O vídeo promocional de "I Want to Break Free" é muito conhecido, pois Freddie Mercury aparece vestido de mulher manejando um aspirador de pó. As versões ao vivo dessa faixa são muito melhores que a de estúdio, pois o acompanhamento da guitarra fica muito mais marcante. Assim como Taylor, John Deacon estava muito inspirado quando compôs essa música espetacular.

"Hammer to Fall" é um hard rock muito bom, sendo certo que o Queen sempre mandou muito bem nas músicas mais rocker com guitarra. Brian May foi o responsável por esta que abre com um riff com pausas, e é uma das poucas que exigiram um rhythm guitar durante o solo de May (solo esse muito legal).

Essas faixas são únicas no sentido de que as letras encaixam perfeitamente na parte rítmica, e são exemplo do talento dos caras para criar músicas muito originais tanto em relação ao próprio repertório, como em relação ao rock em geral (i. é, e a meu juízo, os cara não reciclaram material próprio ou alheio nesses casos). Talvez não seja por acaso que as coletâneas da banda fazem tanto sucesso (o primeiro "Greatest Hits" é um dos discos com vendagem mais expressiva).

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

CD - Rainbow "Rising" (1976)

Quem acompanha mesmo que parte da extensa discografia do Deep Purple imperiosamente toma contato com muitas das bandas derivadas, conduzidas pelos integrantes das diversas formações, que compõem uma espécie de family tree; uma das bandas mais importantes que nasceram nesse período foi o Rainbow, e a história do nascimento dessa banda é bem conhecida: após a saída de Ian Gillan e Roger Glover do Deep Purple, que por sua vez ocorreu após o lançamento do disco "Who do we think we are", de 1973, a banda se desincumbiu com êxito da tarefa de encontrar substitutos, os lendários David Coverdale (à época sem atividade musical profissional) e Glenn Hughes (baixo e vocal do Trapeze). Com essa formação, chamada Mark III, o Deep Purple gravou dois discos: o essencial "Burn", e o excelente "Stormbringer", ambos em 1974. Ocorre que os novatos trouxeram ingredientes até então inéditos ao som do Purple, e isso ficou mais evidente em "Stormbringer", com músicas com levada funky como "You Can´t Do It Right". Aparentemente esse novo som empolgou Jon Lord e, principalmente, Ian Paice, então Ritchie Blackmore, guitarrista e principal compositor, decidiu abandonar o grupo e formar outra banda para fazer o seu puro hard rock, sem concessões para outros estilos (essa convicção do guitarrista fica bem evidente no vídeo "Heavy Metal Pioneers": "I don´t like funky thing, funky blues"). Blackmore já conhecia (mediante turnês e shows de abertura) os caras da banda Elf, e os chamou para formar o Ritchie Blackmore´s Rainbow. O primeiro disco foi gravado em seguida, contém as clássicas "Man on the Silver Mountain" e "Catch the Rainbow", mas não é dos meus favoritos.

Em 1976 foi lançado, então, "Rising", já com Blackmore e Ronnie James Dio acompanhados pelo lendário Cozy Powell e os competentes Tony Carey e Jimmy Bain. Esse é um disco muito especial, registrado por uma banda muito talentosa e criativa, capitaneados por Blackmore e Dio na melhor forma. Há quem diga que todas as faixas são clássicas, e não é exagero dizer que esse disco é melhor do que boa parte dos lançados pelo Deep Purple. As faixas principais são: "Starstruck", que é minha favorita, pelo riff inicial não muito comum sobre a pentatônica, a levada totalmente típica de Blackmore nos versos, e acima de tudo a letra e vocal de Dio; "Stargazer", favorita de um monte de gente, que conta com uma monumental introdução de bateria de Powell, ritmo cadenciado, escala menor melódica, solo no estilo Blackmore quando quer utilizar essas escalas mais incomuns no rock, e letra e interpretação insuperáveis de Dio; "Tarot Woman" é uma bela faixa obscura, com introdução de Mini-Moog (ou outro similar), andamento mais rápido, interpretação de Dio muito legal. Outro clássico é a faixa de encerramento, "A Light in the Black", com mais de 8min, e andamento acelerado. "Run With the Wolf" lembra o Purple, e é o tipo de música que Blackmore compõe com facilidade e acaba se repetindo (é da mesma linha de "LA Connection" do disco seguinte, "Long Live Rock´n´Roll"). A mais fraca é "Do You Close Your Eyes"... fico embaraçado com o refrão "Do you close your eyes (3x) when you´re makin´ love"... fica a sensação de que os caras podiam ter se puxado um pouco mais.

Não lembro ao certo de quando ou como havia feito o back-up; há um ou dois anos atrás vi na Saraiva do Praia de Belas por 19 pila, mas resolvi não comprar; tempo depois, já decidido, não encontrei mais. Restou-me aguardar, então, para encontrar o disco com o preço bom na Saraiva do recém-inaugurado BarraShoppingSul.

sábado, 22 de novembro de 2008

Gravações caseiras IV (novembro/2008)

Depois de muito tempo, tive um momento para retomar as gravações (a última série remontava a agosto). Não estava conseguindo obter resultados satisfatórios com o feijãozinho via usb, mas no método da tentativa e erro descobri que poderia utilizá-lo como gravador e como reprodutor (e assim ouviria por ele o playback e o metrônomo). A motivação, no entanto, agora ficou maior, pois consegui novos equipamentos para registrar guitarra e baixo (BFG, SX SJB75, UX1). Tenho ouvido bastante o "Death Magnetic" do Metallica, além de - em maior ou menor medida - "Gambling With the Devil" e "The Dark Ride" do Helloween, "Twilight in Olympus" do Symphony X, "Live Radio City Music Hall" do Heaven and Hell/Black Sabbath, "The Inner Mounting Flame" do Mahavishnu Orchestra, "Black Ice" do AC/DC, "Subliminal Verses vol.3" do Slipknot, "News of the World" do Queen. Escolhi refazer a gravação de "Shark Attack", e utilizei a distorção "over bite". Gravei basicamente os mesmos riffs da versão original, em todos os casos toquei quatro vezes os riffs, duas vezes cada (em um ou outro caso gravei uma terceira guitarra uma oitava acima). Desta feita, no entanto, resolvi tentar colocar os riffs em ordem de execução para facilitar a tarefa de reunir esses riffs, pois o método de composição que tinha inicialmente imaginado não deu certo, e vou tentar fazer por conta. E aí me ocorreu a dificuldade de compor músicas muito boas, com todas as partes e riffs fortes. Mais ou menos com o próprio Hetfield admitiu ao comparar "Load"/"Reload" e "Death Magnetic" e fazer o seguinte raciocínio: "é melhor compor poucas músicas fortes do que um monte de músicas com resultados variados". Sei que alguns riffs que tenho na manga há muitos anos muito bons, mas a dificuldade é criar outras partes (para versos, refrões, etc) que sejam tão dinâmicos e fortes quanto esses riffs originais. No caso dessa segunda versão para "Shark Attack", tirei alguns excessos e agreguei dois riffs para a parte que vem depois do riff SOAD, sendo o primeiro no mesmo esquema Em, mas executado de um jeito que exigiu bastante da palhetada na mão direita (é certo que uma das virtudes de Hetfield é o domínio dos downstrokes e da palhetada staccato); a segunda parte é uma modulação desse riff para Fm, mas um pouco mais cadenciado e execução facilitada. A partir daí me ocorreu de tocar uns acordes (power-chords) B-D-A-G com umas firulas no último compasso; quando toquei para ouvir se as guitarras estavam sincronizadas, ocorreram-me algumas notas e resolvi registrar um pequeno solo sobre essa parte. Todos esses riffs, tocados quatro vezes, consumiu mais de 5min, de maneira que a música será longa se mantidas todas essas partes, e a intenção é exatamente essa. Parti, então, para a gravação do baixo, e o fiz basicamente no primeiro take, preservando as linhas da guitarra. Permiti incorporar uns mini solos de baixo na parte em que ficam os acordes F-E suspensos, criando a tensão que se resolve no riff SOAD, apenas como sugestão para um baixista de verdade debulhar nessa parte. Gravei tudo com afinação normal e fiquei bastante satisfeito com o timbre na hora que estava tocando (ainda preciso avaliar se o registro está bom). Agora penso em como posso fazer para registrar as idéias para a linha de bateria. Ao final, ouvi as gravações de "Oblivious", "Fistful", "Heal my Soul", "Aunt Evil" e "Ace´s High" e fiquei positivamente surpreendido com o bom resultado na maioria dos casos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

CD - Slipknot "Subliminal Verses Vol. 3"

Esse ano tive a oportunidade de completar a coleção de cds do Pantera, Led Zeppelin e quase todos do Slayer, e passei algumas semanas ouvindo sons bem mais pesados que o costume (no início do inverno). Assim, quando tive de fazer uma troca de uma aquisição equivocada da minha mãe, elegi o disco mais recente do Slipknot, “Subliminal Verses Vol. 3”.

Já em 1999/2000, o Barboza estava atento às bandas de metal mais novas (em relação às quais se convencionou rotular de “new metal”), notadamente Korn, Limp Bizkit, System of a Down e Slipknot. Em relação a essa última, chamou-me a atenção uma música (“Spit it Out”); tempos depois, aluguei na MadSound um dvd com registro de um show ao vivo. A não ser por alguns riffs inspirados (e inspiradores), não cultivei maior interesse na banda, assim como em relação às demais que tocam “new metal”, pois em regra não aprecio (a) vocais gritados/guturais; (b) pouca diferenciação entre as músicas – com a afinação ultra-pesada das guitarras, e uma não linearidade das composições, que contêm muitas partes e às vezes não seguem o padrão verso-ponte-refrão-verso-ponte-refrão-interlúdio-solo-refrão, as músicas se parecem muito umas com as outras; (c) riffs extremamente pesados mas básicos, com nenhum espaço para solos de guitarra; (d) vocais que misturam rap/hip-hop. Inobstante tudo isso, sempre atento aos balaios, adquiri alguns cds do Korn, pois é fora de dúvida que alguns riffs são muito bons, e o baterista é excepcional.

Até que, há uns 2 ou 3 anos, tive a oportunidade de assistir na MTV o vídeo de uma música então nova do Slipknot, “Before I Forget”: além do vídeo ser bem legal (pois os caras estão desmascarados e sem as fantasias, mas não aparecem as faces), a música é muito boa. As guitarras são bem sacadas, o vocal é cantado (isto é, com alguma melodia) na maior parte, e o refrão é excelente. Então, achei que poderia arriscar a aquisição do cd que contém essa faixa. Só depois fiquei sabendo que nesse disco, produzido pelo famigerado Rick Rubin, a banda incorporou alguns solos de guitarra, e até música com violões. Não por acaso, achei o cd muito bom e o ouvi por algum tempo. As melhores faixas, além de “Before I Forget”, são "Duality", "The Blister Exists", "Opium of the People" e "Three Nill".

Todas as faixas têm bons refrões, e muitas delas têm vocais excelentes (as partes gritadas, que geralmente não são boas, ficam em segundo plano). Diferentemente dos discos anteriores da banda, neste "Subliminal Verses" os guitarristas fazem pequenos solos com extremo virtuosismo (em "Vermilion" há até solo com wah-wah). Alguns riffs são muito bons (e brutais), como é o caso de "Pulse of the Maggots" (nessa há um pouco de exagero na gritaria nos versos, mas os riffs compensam - inclusive com harmônicos artificiais no estilo Zakk Wylde, mais para o final), "Before I Forget" (a melhor faixa, sem dúvida, com riffs matadores e refrão contagiante), "The Nameless" (no melhor estilo thrash metal, antes e depois de entrar nos versos, nos quais predomina a pancadaria - e ainda há espaço para uma pequena parte acústica e com vocal limpo e melódico), "The Blister Exists" (que tem uma guitarra muito shred durante os versos! e um riff muito bom lá pelo meio, antes da parada de bateria), "Three Nill", "Duality" (essa é outra das melhores do disco, e é interessante a seqüência de acordes no refrão: B-B-B-B-B-B-B-B-D-D-D-D-F-C-C-C), "Opium of the People" (começa com guitarras harmonizadas muito rápidas).

Outra diferença em relação aos discos anteriores, é a presença de músicas mais calmas, inclusive com utilização muito eficiente de violões, como é o caso de "Vermilion pt. 2". Além disso, a última faixa, "Danger - Keep Away" é conduzida por um belo piano Fender Rhodes (ou outro vintage muito legal).

Apesar de um eventual pré-conceito que o rótulo de “new metal” pode atrair, acredito que bandas como Slipknot e Korn, bem ou mal, conseguiram formar um som próprio, e esse é um baita mérito que consiste em compor sem mostrar descaradamente as influências. Em tempos de Youtube, é fácil localizar vídeos dessas bandas em quase todo o tipo de situação, e em alguns deles pude ver que os caras são excelentes músicos que gostam dos mesmos Black Sabbath, Metallica, Yngwie Malmsteen que todos nós gostamos. E o som que eles fazem não remete imediatamente a essas influências, e é assim que se pode chamar que se trata de um novo tipo de metal. A essa conclusão cheguei ao constatar que jamais comporia “da minha cabeça” músicas como as do Slipknot, e que para superá-los deveria compor músicas que inovassem ainda mais o estilo, o que, convenhamos, não é tarefa simples.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Livro - "The Dark Side of the Moon - Os bastidores da obra-prima do Pink Floyd"

Parece-me indiscutível que o disco mais importante dos anos 1970 é "Dark Side of the Moon" do Pink Floyd. Aqui ainda não é o espaço para desenvolver essa idéia, mas embora tenha firmado tal convicção há uns 5 anos, demorei para decidir pela aquisição desse livro que se propõe a descortinar os "bastidores" de um dos discos mais vendidos de todos os tempos e recordista em permanência na lista da Billboard. Há um ano resolvi que seria uma boa fazer essa leitura (pela escassez de livros sobre música - tendência que parece estar revertendo nos últimos tempos - e pelo fato de que se trata, efetivamente, de um disco fundamental), mas estava aguardando por alguma espécie de promoção na Saraiva (e esse ano veio uma, na época da semana ou mês do rock).

Algumas coisas já sabia, como as participações de Alan Parsons, Clare Torry e Dick Parry, os truques de estúdio (gravação dos relógios, das falas de pessoas que respondiam às perguntas formuladas por Roger Waters e impressas em cartões, entre outras), bem como sobre a temática das músicas e do disco, e a inspiração de alguma(s) música(s) em Syd Barrett; o que sempre espero em livros como esse é informações a respeito dos métodos de composição, e histórias do tipo "esse riff criei quando estava em casa ouvindo uma música no rádio", ou "essa melodia veio à cabeça quando estava dirigindo para casa de um amigo".

Diferentemente de outros livros de música, e dos livros de música que costumo gostar de ler, a leitura deste não é das mais fluidas. Afinal, o livro é sobre um disco específico, mas o autor sentiu a necessidade de dedicar aproximadamente 80 páginas para explicar as fases da banda até chegar em "Dark Side", e se uma introdução é recomendável, de outro lado achei exagerada e comprida, sobretudo pela ênfase em Syd Barrett. Fico intrigado com essa inquietação a respeito de Barrett: apesar do cara ter sido o líder original e compositor principal, Barrett participou apenas do primeiro disco, sendo certo que a partir daí a banda lançou pelo menos três discos excepcionalmente bem sucedidos (pessoalmente, acho a fase sem Barrett muito melhor...). Entendo menos ainda a escolha de uma foto da época de Barret, sem Gilmour, para ilustrar a capa do livro. É possível dizer, então, que, no mínimo, o livro demora para engrenar.

As coisas ficam realmente compensadoras quando o autor trata da banda em estúdio, assim como o processo de refinamento das composições nas apresentações ao vivo. Não há muitos esclarecimentos a respeito de como as músicas foram nascendo, mas na primeira fase de gravações a banda tinha reunido material suficiente para o disco novo, que só precisava de amadurecimento - e para isso foi fundamental testar as músicas nos shows, além da valiosa colaboração de Alan Parsons no registro das performances em estúdio. Particularmente dignas de atenção são as partes que descrevem a execução da íntegra do disco, muito antes do seu lançamento, e a forma como evoluíram as faixas desde o estágio inicial (com acréscimos de novas partes, novos instrumentos - sabe-se que "On the Run" era apenas uma jam de guitarra, e que ganhou nova dimensão com a utilização do VCS3 - e novas participações - como cantoras de backing vocals). Outra parte muito boa é a que trata da contribuição de Clare Torry em "The Great Gig in the Sky"; realmente é difícil imaginar o que seria dessa música sem o memorável solo de vocal de Torry, e parece merecido que tenha ganho crédito autoral na faixa, mediante decisão judicial (no cd que eu tenho ainda não aparece essa co-autoria). Para mim foi muito esclarecedora também a questão da utilização do sintetizador VCS3. Ponto positivo na narrativa é a de contar a história desde o estágio inicial nos estúdios Abbey Road, com espaço para as turnês que entremearam as gravações, além da própria gravação de um outro disco ("Obscured by Clouds"), e assim é possível saber a quantas andavam as gravações quando se adicionou o VCS3, ou o saxofone de Dick Parry, ou o vocal de Clare Torry. Por fim, muito reveladora e bem explicada a produção da capa e encarte do disco, conduzida pela notável Hipgnosis e Storm Thorgeson.

Se não tivesse gasto tantas páginas com a fase inicial da banda, talvez o autor tivesse tido mais espaço para tratar da fase posterior ao lançamento do disco; seja como for, é interessante a observação a respeito do desconforto dos caras com o fato de que o público da banda aumentou muito, mas isso não significou necessariamente que se agregaram novos fãs, e assim passou a ser normal que, durante os shows, nas músicas calmas (tipo o início de "Echoes"), parte do público gritasse por "Money". Sabendo o tipo de temperamento de Waters, por exemplo, e o próprio comporamento pouco caloroso de todos os integrantes, fica fácil antecipar os desdobramentos que viriam, como a dificuldade inicial para criar músicas novas para "Wish You Were Here", e até o incidente durante a turnê de "Animals" que deu a Waters a idéia de erguer um muro na frente da banda durante a turnê de "The Wall".

sábado, 15 de novembro de 2008

Discos Essenciais - Mahavishnu Orchestra "The Inner Mounting Flame" (1971)

Há uns anos atrás tive a oportunidade, aqui, de expressar a profunda admiração que tenho pelo som das bandas de fusion, ou jazz fusion ou jazz rock dos anos 1970, aí incluídas, basicamente, Return to Forever, Weather Report e, especialmente, Mahavishnu Orchestra. Acho que o Bruce e eu tomamos conhecimento sobre essas bandas a partir das resenhas sobre discos do Dream Theater, e mais especificamente na época do lançamento dos discos do Liquid Tension Experiment (projeto de Mike Portnoy com Jonh Petrucci, , em 1998/1999, e naturalmente fomos buscar maiores informações sobre essas bandas com músicas instrumentais e instrumentistas virtuosos. O Bruce, então, adquiriu no balaio da Stoned uma coletânea da Mahavishnu Orchestra; escutei por alguns dias e fiquei muito impressionado com o som poderoso dos caras.

Com o auxílio do Audiogalaxy e do Soulseek consegui formar uma opinião sobre o melhor disco da banda: para mim é o primeiro, "The Inner Mounting Flame" (geralmente nas listas de discos mais influentes se fala no "Birds of Fire"), e durante uns 8 anos aguardei pelo lançamento desse disco na versão nacional (importado é caríssimo, e já sabia que há anos atrás tinha saído por aqui, então aguardava a reedição). Então, foi um belo momento quando há uns 2 meses encontrei esse disco na Cultura por preço bem tranqüilo.

"The Inner Mounting Flame", assim como "Birds of Fire", foi registrado pela primeira formação da Mahavishnu Orchestra, e sempre se ressalta que se trata de uma formação multinacional: John McLaughlin, guitarra, é inglês; Billy Cobham, bateria, é panamenho; Jerry Goodman, violino, é americano; Rick Laird, baixo, é irlandês; Jan Hammer, teclado, é tcheco. Curioso é que a primeira opção de McLaughlin para a posição de violino era Jean Luc Ponty, francês, mas este aparentemente teve problemas com visto de entrada nos Eua e teve que ceder lugar para Goodman.

Geralmente se diz que Mahavishnu Orchestra é mais demonstração de técnica e virtuosismo, ao passo que Weather Report tem mais melodia. Talvez essa possa ser uma constatação do tipo prima facie, e é só assim que se pode concordar com um palpite desses. Admito que me impressionaram muito faixas como "Awakening", "Meeting of the Spirits" e "Noonward Race", mas é evidente que a banda não é só de virtuosos quando se ouve faixas bonitas como "Dawn".

"Meeting of the Spirits" é um bom jeito de começar um disco dessa banda: a introdução é um dedilhado complicado e com efeito hipnótico, ao qual se segue um tema tocado simultaneamente na guitarra e no violino. É uma das minhas favoritas da banda, e tem uma versão muito boa tocada pelo primeiro guitar trio: McLaughlin, Paco de Lucia e Larry Coryell.

A segunda faixa, "Dawn" é belíssima, com uma bela linha de baixo, bem lenta, que faz a base para uma melodia bonita de guitarra e violino. Até o solo de guitarra, mesmo com várias notas em algumas partes, encaixa nesse clima. Em seguida a música evolui para um andamento mais faceiro, com solo de violino, e volta para a parte inicial lenta.

Em "The Noonward Race" volta o andamento mais frenético, e no começo há uma espécie de dueto entre guitarra e bateria (McLaughlin e Cobham). Segue-se, então, o solo de violino de Goodman (com um efeito tão diferente que parece outro instrumento), sob o qual Laird faz uma linha de baixo muito legal, e Cobham se destaca como sempre, com levadas que vão mudando a cada 4 ou 8 compassos. Ao final do solo de Goodman, todos se unem para uma virada (um riff), e então segue o solo de Hammer, mais uma virada, e o solo de McLaughlin.

Uma faixa só de violão com cordas de aço, violino e piano elétrico é o que é "A Lotus On Irish Streams". Tem partes muito bonitas, e mostra que McLaughlin manda bem até no violão.

Cobham faz a introdução para "Vital Transformation" e a banda o acompanha, como se todos estivessem tocando o mesmo riff. O baterista não demora para fazer o que mais admiro no cara, que é a variação das levadas. A música, no entanto, dá uma acalmada para uma melodia crescente e, após um momento de tensão, segue para o solo de guitarra. Aqui, como em todo o disco, é interessante ouvir a linha de bateria.

"The Dance of Maya" começa com um dedilhado na guitarra com wah-wah que evoca a imagem de uma pessoa caminhanado com incrível dificuldade, tropeçando e se arrastando. Isso se dá pelas mudanças de tempo durante os compassos. Esse dedilhado é base para um solo de violino, e a partir daí segue uma inesperada jam blues em com tempo quebrado - mais uma vez vale a pena ouvir o que Cobham está tocando (o cara tem uma facilidade absurda, pela fluidez, para tocar nessas situações).

A Mahavishnu Orchestra mais melodiosa aparece novamente em "You Know, You Know", que começa com volume bem baixo, com poucas notas e um solo de Hammer na manha. Aos poucos, McLaughlin impõe umas pontuações vigorosas. Há uma pequena melodia, que é tocada entes e depois do curto solo de bateria.

"Awakening" é uma impressionante demonstração de virtuosismo, que já começa arrebentando: todos os instrumentos tocam simultaneamente o mesmo número de notas à toda velocidade. Depois há uma base para cada instrumentista fazer o seu solo, e logo ao final do primeiro, de violino, percebi que os caras erram a execução pois perdem o tempo para voltar ao tema de abertura: Goodman toca primeiro, os outros hesitam, e voltam ao final; ao final do solo de Hammer, a coisa já fica melhor. Durante o solo de McLaughlin, bem enérgico, a base acompanha o entusiasmo e é muito legal, mas acho que em todos os casos os recursos ficariam melhor aproveitados se o tempo dos solos fosse o dobro, pois fica a impressão de que quando os caras estão se soltando no solo, o tempo acaba e têm que voltar ao riff inicial. A música é a mais curta do disco, e poderia tranquilamente ter o dobro do tempo.

"The Inner Mounting Flame" é um disco espetacular de jazz rock, ou fusion; aguardo o lançamento dos demais discos da banda em versão nacional.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails