segunda-feira, 15 de março de 2010

CDs do Kiss - Parte XIX "Kiss Unplugged" (1996)


1996 foi um ano bom para ser fã do Kiss. A banda recém havia terminado várias sequencias de shows em diversos países (inclusive o Brasil em 1994), e se encontrava em um bom momento. Entre 1995/1996, os caras se dedicaram a comparecer às convenções de fãs do Kiss, nos EUA e na Austrália, e se apresentaram tocando músicas de todo o seu repertório em formato acústico. Essa iniciativa foi muito bem sucedida. Só não sei se isso levou ao “MTV Unplugged” ou se por causa do “MTV Unplugged” a banda resolveu praticar nas convenções. Acredito, talvez ingenuamente, que Gene e Paul queriam participar do “MTV Unplugged”, e resolveram tocar suas músicas de forma acústica nessas convenções. A partir do contato com a emissora, elegeram as mais pedidas ou melhor tocadas e agilizaram a participação na famigerada série de programas “Unplugged”. Para agregar uma espécie de atrativo bônus, resolveram chamar Peter Criss e Ace Frehley, da formação original, para tocar em algumas faixas, uma vez que (a) Peter Criss participou com sucesso de uma convenção cantando “Hard Luck Woman”, e (b) desde sempre houve o clamor popular pela volta da formação original. Então se materializou um programa que deu origem a um DVD e a um CD espetaculares.

Lembro que a MTV local anunciou bastante a transmissão do programa do acústico do Kiss. E na data noticiada (uma sexta-feira de maio, acredito) me pus em frente à TV com o videocassete ligado para gravar o evento. Se antes disso ficava imaginando que tipo de repertório seria apresentado (o Giulia e eu achávamos que algumas músicas eram certas, como “Forever”), muito me surpreendeu que os caras abriram com “Comin´ Home” – que na época não conhecia – e ainda incluíram outras para mim inéditas (“Goin´ Blind”, “See You Tonite”), e ainda outras bastante obscuras e inesperadas (“Plaster Caster”, “Sure Know Something”, “A World Without Heroes”). Em todo o caso, agradou-me bastante essa eleição de faixas representativas de grande parte da discografia da banda (só ficou de fora os discos sem máscara dos anos 1980). E não há como negar que a banda estava no auge da forma e que a execução das músicas foi perfeita.

Atribuo o resultado excelente do disco ao entrosamento da formação Stanley/Simmons/Kulick/Singer. Bruce fez um trabalho espetacular, tanto na guitarra base como nos solos precisos (até o solo de “Domino”, bem complicado, ficou igual ao original de estúdio). Eric também estava em noite inspirada, como de costume (o cara sempre tocava bem nessa época – mais recentemente é que resolveu optar por levadas de bateria mais simples e pedestres). Não bastasse isso, Gene e Paul estavam com excelentes vozes (o mesmo não se pode dizer hoje em dia, quase 15 anos depois). Peter e Ace tocam com a banda em dois momentos: o primeiro, acompanhados apenas de Gene e Paul, promovendo uma reunião da formação original, para tocar “2000 Man” e “Beth”, e o segundo, com a formação atual (Bruce e Eric incluídos), para executar “Nothin´ To Lose” e “Rock and Roll All Nite” (três violões e duas baterias, sendo que Eric fez os vocais principais na primeira).

Pelo formato acústico, esse disco é um dos poucos da discografia da banda que posso emprestar ou presentear sem susto e independentemente do gosto musical do destinatário do empréstimo ou do presente. Particularmente, não consegui esperar pelo lançamento do CD em versão nacional, e assim adquiri o importado na CD Express em maio/junho de 1996. O DVD foi disponibilizado por algum tempo, mas achei que era inoportuno comprá-lo, pois já tinha gravado em VHS com boa qualidade. Durante muitos anos esse DVD desapareceu das prateleiras, e voltou agora somente com o volume 3 do Kissology, dessa vez na íntegra (incluindo todo o show – com direito a erros e repetições e músicas excluídas).

A partir do sucesso desse “MTV Unplugged”, sobretudo pelo reaparecimento da formação original, Gene e Paul não resistiram e tomaram duas medidas: (a) engavetar o “Carnival of Souls”, que já havia sido anunciado como o novo disco de material inédito com Bruce e Eric; e (b) retomar a formação original e embarcar numa turnê mundial, registrando, ainda, um novo CD com músicas inéditas (que veio a ser o “Psycho Circus”).

domingo, 14 de março de 2010

Ensaio The Osmar Band - "Einunddreissig" 09.03.2010

Particularmente acredito que era o mais ansioso pelo retorno das atividades da Osmar Band. Afinal, havia motivos de sobra, além da criativa produção musical e da costumeira parceria: no caso, o arsenal de equipamentos tinha um qualificado acréscimo. Acima de tudo queria conferir a performance da Fender Stratocaster Am Std para além dos headphones. Além disso, estão mais fortes as vozes de fora que clamam por uma apresentação da banda, e estamos começando a pensar em como concretizar essa ideia e anseio. O primeiro passo foi fácil, que é a eleição do set list; a parte difícil é limitá-lo a umas 10 músicas ou 45min. Discute-se, agora, onde seria o palco, e aí não faltam motivos para as brincadeiras. Então, nesse ensaio, nos concentramos no set list e revisitar as principais composições, entendendo-se estas como as que se encontram já basicamente formatadas e conhecidas por todos nós. Acredito que em breve retomaremos algumas das antigas, nem que seja para descartar definitivamente. De modo geral, as músicas saíram bem, apesar do recesso de mais de um mês (os caras tiveram oportunidade para ensaiar nas minhas férias, mas o fizeram em formato acústico devido ao calor ensurdecedor do início de fevereiro). Particularmente gostei bastante daquela com sotaque do centro do país, sobretudo pelo meu solo de guitarra pois tive segurança para acertar as notas (a primeira versão, não gravada, ficou melhor e mais espontânea e com melhores licks que a segunda, gravada). O ponto alto foram os 10min daquela com uma sequência memorável de acordes a partir do Am, na qual o Alemão emprega um timbre magnífico no Triton, e que lembra o som da tela inicial do site oficial do Jean Michel Jarre. Quanto à Fender, levou-me um par de músicas para acertar o timbre adequado no PODxt: utilizei a reprodução do amplificador Hiwatt utilizado por David Gilmour, e funcionou tanto no canal limpo como com a agregação do Fuzz quando queria um pouco de distorção. Todos foram unânimes em saudar o timbre novo dos captadores simples, que diferem bastante dos captadores duplos da Gibson Les Paul. Aparentemente a Fender levou vantagem nas preferências, mas não estou certo se as opiniões não mudariam se a Gibson fosse manejada nas mesmas condições – lembro de que é mais ou menos como experimentar colchão: gostamos do 1.º, experimentamos um outro e achamos bom também, até que voltamos para o original e aí sim tomamos a opinião definitiva. Enfim, também com os mp3 podem-se avaliar as performances e os diferentes timbres.



















quinta-feira, 11 de março de 2010

Discografia Deep Purple – Parte XIV “Perfect Strangers” (1984)

Após sair do Deep Purple em 1975, Ritchie Blackmore formou o Rainbow com Ronnie James Dio e manteve a excelência de composições de hard rock e de apresentações incendiárias. O guitarrista, entretanto, não é do tipo “easy going”, e assim o Rainbow teve diversas formações e passou por distintas fases musicais até chegar a 1984. Blackmore e Roger Glover receberam proposta para reunir a formação clássica do Deep Purple – o Mark II – e assim, junto com Jon Lord, Ian Paice e Ian Gillan, a banda gravou um grande disco e saiu para uma exitosa turnê.

“Perfect Strangers” ouvi emprestado por alguém – ou alugado – no final dos anos 1990 ou início dos anos 2000, e desde logo percebi que se trata de um disco melhor do que poderia esperar caso só conhecesse a faixa-título. É fato que “Perfect Strangers” é a música mais conhecida desse disco, além de ser a mais frequentemente eleita para cover pelas mais diversas bandas, desde o Dream Theater até a Burnin´ Boat. Trata-se de uma excelente música do Deep Purple, mas não é das minhas favoritas e nem é divertida de tocar. Veja-se que grande parte do material do Deep Purple e do Rainbow é muito divertido de tocar na guitarra, pelas linhas marcantes de Blackmore. Não é o caso de “Perfect Strangers”, que se centra bastante nos versos nos quais são tocados apenas os Power chords C-D e F-G por várias vezes. A melhor parte é um riff tocado após o 2.º refrão e antes do último verso – em A - e depois do último refrão até o final – em E - por guitarra, baixo e teclado, com um último compasso maior que os outros.

Mas o álbum tem outras composições com momentos legais. “Knocking At Your Back Door” tem cara de single, com um riff bom de teclado e guitarra, além de um refrão radiofônico. Destaque para a introdução de Jon Lord, que confere uma atmosfera sombria para se resolver no riff faceiro.

“Under the Gun”, “Nobody´s Home” e “Mean Streak” seguem como três faixas boas de hard rock típico do Rainbow. O riff de “Nobody´s Home” é nas mesmas posições de “Lay Down Stay Down” da época do “Burn”, de 1974, só que é de execução mais divertida e mais desafiadora. E “Mean Streak” tem trechos instrumentais com utilização das famosas escalas menor harmônica ou menor melódica cujo manuseio deram fama a Yngwie Malmsteen (Blackmore empregava bastante essas escalas no Rainbow, embora já fossem ouvidas em “Stormbringer” e nas apresentações ao vivo do Mark III). Essas escalas voltam no riff de “Hungry Daze”, que é muito legal de tocar na guitarra e são o tipo de “ear candy” muito boas de ouvir.

“A Gypsy´s Kiss” é outra faixa acelerada, sendo que o destaque são as várias partes instrumentais com sugestão erudita inspirada em Bach nos duetos de Blackmore e Lord, altamente sofisticados; “Wasted Sunsets”, por outro lado, é uma balada arrastada, e aqui fica mais evidente que Ian Gillan não tem mais a voz magnífica dos anos 1970 – a interpretação não é tão arrebatada e arrebatadora quanto deveria ser (como em “Child in Time”, por exemplo). Blackmore compensa com um solo cheio de feeling para os seus padrões.

O CD ainda conta com duas faixas bônus: “Not Responsible” e “Son of Alerik”. A primeira é muito boa e se encaixa perfeitamente no estilo do álbum. Já a segunda é um longo instrumental, no qual Blackmore e Lord trocam solos por 10min.

“Perfect Strangers” é um álbum que se alinha entre os melhores do Mark II, e esse feito não foi repetido nos discos posteriores até a saída definitiva de Ritchie Blackmore em 1993.

Mesmo com a disponibilização do CD de fabricação nacional, demorei vários anos para me decidir pela sua aquisição, pois achava que o preço não era convidativo (aproximadamente 25pila). Resolvi adquiri-lo apenas quando a Saraiva fez uma promoção no Dia do Rock de 2007 ou 2008, mas me enganei e o disco não estava na promoção, então paguei o preço que repudiara anteriormente (agora na mesma loja se encontra o álbum por 16 pila, ou menos se forem comprados 3CDs ou mais).

quarta-feira, 10 de março de 2010

Discografia Deep Purple – Parte XIII “In Concert – King Biscuit Flower Hour” (1995 - bootleg)

Até onde sei, “King Biscuit Flower Hour” é um programa de rádio dos EUA no qual eram transmitidas apresentações ao vivo de bandas de rock, muitas das quais foram lançadas em CD. Numa loja da Gal. Chaves (a excelente Porto Alegre CDs que ficava no 2.º andar, depois mudou-se para o térreo, e há um lustro aproximadamente mudou de dono e de foco) encontrei essa preciosidade, com o registro de uma apresentação do Mark IV. A qualidade da gravação é excelente, e mostra um show de fevereiro de 1976 em Long Beach.

Nenhuma novidade em dizer que o estilo de Tommy Bolin é completamente do de Ritchie Blackmore. Então não há surpresa no fato de que Bolin toca ao seu jeito as músicas antigas do Deep Purple, e “tocar a seu jeito” significa muitas vezes “tocar de qualquer jeito” os riffs de músicas como “Burn” ou “Smoke on the Water”, sendo que nos solos as diferenças ficam ainda mais marcantes (é certo que Blackmore improvisa muito os solos, e nem ele costumava executá-los da mesma forma que em estúdio, mas alguns solos são definitivos, como o de “Highway Star”). Então músicas como “Burn”, “Smoke on the Water”, “Stormbringer” e “Highway Star” ficam marcadas pelo timbre único de Bolin e uma execução meio bagunçada em alguns momentos. De outro lado, no entanto, é legal ouvi-lo tocando “Lazy” (o riff é executado praticamente igual, mudando apenas algumas notas nas partes mais rápidas – o riff é bem trabalhado e trabalhoso), e mais legal ouvir Glenn Hughes e David Coverdale cantando alternadamente os versos.

As melhores faixas de “Come Taste the Band” foram eleitas para o set list: “Lady Luck”, “Gettin´ Tighter” (encompridada com uma jam que inclui a parte “Dance to the Rock´n´roll”), “Love Child”, “This Time Around” – faltou “You Keep on Moving”.

Aqui localizei a origem da fenomenal performance de Glenn Hughes no final de “Smoke on the Water” cantando “Georgia On My Mind”, a qual ouvi pela primeira vez, com qualidade sonora inferior, no bootleg “Live Storm I & II).

"This Time Around" é dedicada por Hughes a Steve Wonder, e a passagem para "Owed to G" é perfeita. Tommy Bolin, então, assume o centro do palco e conduz uma barulheira por 10min. Ao final de "Stormbringer" a banda engata em mais uma jam funky. Há espaço para interpolar "Not Fade Away" em "Highway Star". O segundo disco abre espaço para músicas de outra apresentação, de janeiro em Springfield/Mass. Os caras tocam "Goin´ Down" antes de "Highway Star", e uma versão melhorada de "Smoke on the Water" (Bolin para de tocar pouco antes de entrarem os versos, provavelmente por ter arrebentado a corda, ou algum problema com o cabo, e achei muito legal ouvir só vocal, baixo, teclado e bateria). O momento de Hughes em "Georgia On My Mind" é repetido, mas não tão quanto do outro show (que foi muito melhor), embora o cara alcance os agudos arrepiantes.

terça-feira, 9 de março de 2010

Discografia Deep Purple – Parte XII “Live Storm I & II” (1996)

Há quase 15 anos atrás a Colombo do Praia de Belas também vendia CDs, muitos dos quais de excelente qualidade. Encontrei um bootleg do Deep Purple com registros de diferentes épocas, mas o que valia a pena era o segundo disco desse CD duplo “Live Storm I & II”. O primeiro disco era dedicado ao Mark II, então, conforme o encarte desse bootleg de um selo italiano, o trak list contém faixas de demos de 1970 (“Speed King”, “Child in Time” e “Black Night”) – sendo certo que se pode cogitar de que se tratam das versões originais de estúdio com um som muito ruim -, e registros de uma “US Tour 1972” (“Strange Kind of Woman”, “Smoke on the Water” e “Space Trucking”) – e aqui não há nada de novo. O ouro está no segundo disco, com uma “US Tour 1976”, no qual há parte do repertório de apresentação do Mark IV, i. é, com Tommy Bolin na guitarra e algumas faixas do “Come Taste the Band”. Não há discussão que (a) Tommy Bolin é um excelente guitarrista, e que (b) o estilo de Bolin é completamente diferente do de Ritchie Blackmore, então concluo, pela audição de vários registros do Mark IV, que Bolin não toca adequadamente as faixas da época de Blackmore, embora seja muito bom quando toca o repertório do “Come Taste the Band”. Assim, as versões de “Burn”, “Smoke on the Water” e “Highway Star” são confusas e muito fracas em termos de guitarra, com Bolin atrasando frequentemente a entrada dos riffs principais e executando solos genéricos e superficiais. Melhor ouvi-lo – e o restante da banda – em “This Time Around/Owed to G”, “Lady Luck” (ficou bem legal ao vivo), “Wild Dogs” (essa é uma de Bolin, cantada pelo próprio, e que ficou massa), além de “I Need Love”. “Woman From Tokyo” que aparece no track list é apenas executada brevemente por Jon Lord. Os meus destaques particulares ficam por conta da comovente interpretação de “Soldier of Fortune” com David Coverdale (acompanhado por Lord, Glenn Hughes e Ian Paice nos respectivos instrumentos) e, acima de tudo, o adendo que seguiu a “Smoke on the Water”. Desde o California Jam que se via que ao final de “Smoke on the Water” a banda fazia alguma jam na qual se destacava o vocal de Glenn Hughes. Pois no caso desse bootleg encontrei a melhor jam que já ouvi nesse contexto, bem como os vocais mais excepcionais e magníficos (não encontro outros adjetivos) de Glenn Hughes: o cara simplesmente canta “Georgia on My Mind” com os vocais mais altos e impossíveis de alcançar que ouvi, e lembro de ouvir repetidamente esse trecho, maravilhado pelo alcance e a interpretação de Hughes, não por acaso, “the voice of rock”. Nunca encontrei vídeos com performances desse jeito, então vale a pena localizar esse bootleg e ouvir Glenn Hughes cantando como nunca no auge de sua forma musical.

domingo, 7 de março de 2010

CDs do Kiss - Parte XVIII "Lick It Up" (1983)


Sobre “Lick It Up” já dediquei uma resenha nos primeiros tempos deste blog, e não tenho maiores reparos a fazer, a não ser lembrar que ouvi pela primeira vez o disco quando o Giuliano trouxe uma fita k7 com a gravação do vinil que ele havia obtido por empréstimo com uma vizinha, tudo isso no longínquo verão de 1996. O CD comprei na The Wall que funcionava no Iguatemi, em 1997, quando resolvi adquirir todos os CDs do Kiss. Além disso, localizei vídeos no youtube com aulas de Vinnie Vincent nas quais demonstra uma técnica peculiar e que me pareceu inacreditável: o guitarrista utiliza-se de uma espécie de “chicken picking”, que consiste em tocar com a palheta e com os demais dedos da mão direita (ao invés de só com a palheta, como ocorre via de regra com guitarristas de rock, ou só com os dedos – “fingerstyle” – como os estudiosos do violão clássico; a técnica do “chicken picking” é mais comum entre músicos de country dos EUA, para tocar em banjo, e é uma das mais difíceis de aplicar na guitarra). Só que Vinnie toca licks rapidíssimos com as palhetas e com os dedos utilizando-se dessa técnica, e isso explica o timbre dos solos do cara: as notas não soam limpas e definidas, e sim uma debulhação em alta velocidade, mas respeitei muito o cara por empregar uma técnica tão complicada. E confesso que assisti várias vezes aos vídeos pois não acreditava no que estava vendo (não por acaso Vinnie se julgava maior que os outros guitarristas, e essa megalomania é que deve ter prejudicado sua carreira – quando formou o Vinnie Vincent Invasion, sua banda de apoio abandonou-o para ter mais sucesso sob o nome de Slaughter).

"LICK IT UP é de 1983 e inaugurou uma nova fase na história do KISS. No seu lançamento a banda promoveu a retirada das características máscaras (transmitida pela MTV). Além disso, 2 vídeos promocionais foram produzidos, e bastante veiculados na emissora americana. Toda essa estratégia restou bem sucedida: o álbum vendeu bem, e a banda começou a retomar o seu espaço dentre as grandes bandas da época.

Afora isso, musicalmente o disco é muito bom. Pode-se dizer que é uma continuação do álbum anterior (CREATURES OF THE NIGHT). Segue a tendência de músicas pesadas, onde só há espaço para os instrumentos: guitarras, baixo e bateria. Não há nenhuma extravagância (v.g., uso de orquestras), e as composições são simples e eficientes – não há grandes invenções, mas as músicas funcionam e dentro da simplicidade foram muito bem construídas. Entendo que Vinnie Vincent teve papel fundamental para sedimentar esse som mais orgânico (especialmente pelo fato de ter co-composto quase todas as faixas). Pode-se dizer qualquer coisa sobre Vinnie, mas é inegável que se trata de um grande músico. A produção, mais uma vez a cargo de Michael James Jackson, leva ao extremo essa simplicidade – parece mais uma demo ajeitada. Ainda aqui, as guitarras foram prejudicadas com a mixagem. Mas tudo isso não tira a grande qualidade de LICK IT UP: é um grande disco de rock (hard rock), com boas músicas.

EXCITER é uma ótima música de Paul Stanley, construída com várias partes: há uma introdução, o riff principal, o verso, pre-chorus (ou bridge) e refrão. Há um interlúdio antes do solo. O guitarrista que gravou o solo não se sabe com certeza – vi em alguns lugares por aí que foi Rick Derringer; mas não vejo como não ter sido o próprio Vinnie. Muito boa música; é uma de minhas preferidas.

NOT FOR THE INNOCENT é mais contida, no estilo SAINT AND SINNER do álbum antecessor. Música de Gene Simmons, com boa letra. Aqui começa a aparecer com veemência o estilo shred de Vinnie Vincent no solo, com o uso abusivo muitas notas tocadas rapidamente.

A faixa-título é o grande hit do disco, e ajudou a promovê-lo bastante. Não basta toda a campanha de marketing para ressuscitar a banda – o disco tem que ter pelo menos um sucesso comercial. Essa música inicia uma série de hits patrocinada por Paul Stanley (até aquela época, os 2 grandes hits da banda – ROCK AND ROLL ALL NITE e I LOVE IT LOUD – eram composições de Gene). E o empenho de Paul foi recompensado – a música é boa, tem um marcante riff principal que é repetido no refrão. Seria esperado um solo de Vinnie, mas tudo indica que Paul não achou conveniente. Há também um interlúdio, ao que parece, contribuição de Adam Mitchell (não creditada).

YOUNG AND WASTED é uma das melhores músicas de Gene. Durante algum tempo, Eric Carr encarregou-se dos vocais nas apresentações ao vivo. O solo de Vinnie é bem feito e pertinente – ao final, funde-se com o pre-chorus cantado por Gene, criando um efeito que não é nada inovador, mas funciona muito bem. No final, o refrão é repetido várias vezes, mas a banda faz umas paradas bem interessantes quebrando a monotonia que esse recurso (repetir várias vezes o refrão no final da música) geralmente proporciona.

GIMME MORE é uma música acelerada, ao estilo do que Paul costuma fazer em boa parte dos discos da banda (ver, entre outras, DANGER, I STOLE YOUR LOVE, UNDER THE GUN). O vocal já mostra indícios do que seria uma constante nas músicas de Paul – vocais bem agudos (high-pitch).

ALL HELL´S BREAKIN´ LOOSE traz uma colaboração escassa de Eric Carr (o riff principal). É também uma das únicas músicas em que todos os 4 integrantes são creditados compositores. Paul, Gene e Vinnie transfiguraram bastante a idéia inicial de Eric, sendo que o primeiro canta os versos em forma de rap. Mas a música é boa (teve um vídeo promocional hilário), um momento mais leve do disco.

A MILLION TO ONE é uma brillhante composição de Paul & Vinnie. Aqui Eric reina absoluto na bateria – realmente, um grande destaque. A música é toda simples – o riff principal (que funciona também como refrão) chega a ser banal – mas a interpretação de Paul no vocal, e de todos os demais, engrandece a faixa. Vinnie, particularmente, consegue registrar o melhor solo do disco.

As 3 últimas músicas (FITS LIKE A GLOVE, DANCE ALL OVER YOUR FACE e AND ON THE 8TH DAY) são de Gene – a última em colaboração com Vinnie. FITS... segue a linha de YOUNG AND WASTED – tem um bom riff, e no final tem aquelas paradas interessantes. Durante boa parte dos anos 80 fez parte do repertório ao vivo da banda. DANCE é a música mais fraca do disco – destaque para a letra de Gene. A última faixa é imbuida de um tom ufanista, que a banda volta e meia repete (v.g., I, CRAZY CRAZY NIGHTS, PSYCHO CIRCUS, WE ARE ONE), e isso é resumido pelo refrão “And on the 8th day/God created rock´n´roll). A música começa muito bem, mas perde-se depois com a excessiva repetição dessa mensagem ufanista.

Concluindo: LICK IT UP é um grande disco, como o fora CREATURES OF THE NIGHT, mas que dessa vez contou com uma boa estratégia quando do seu lançamento. Considero esses dois discos como gêmeos até – a única diferença entre ambos é que um tem máscaras na capa e o outro não - , mas CREATURES sofreu com a repugnância de público e crítica na época do lançamento. Questões musicais aparte, é também um marco – a partir dele a banda iria se identificar mais e mais com o hard rock praticado pelas bandas da época, num definhamento que viria a tornar o KISS apenas mais uma entre as hair metal band (como Motley Crue e Poison). Em LICK IT UP encontram-se também as últimas músicas realmente decentes compostas por Gene (que só viria a compor boas músicas novamente 10 anos mais tarde)".

quinta-feira, 4 de março de 2010

Discografia Deep Purple – Parte XI “Come Taste the Band” (1975)

Diferentemente do que Jon Lord pensava, David Coverdale entendia que a saída de Ritchie Blackmore para formar o Rainbow não acarretava, necessariamente, o encerramento das atividades do Deep Purple. É fácil se colocar no lugar de Lord e pensar “quem fará os riffs de guitarra?”. Coverdale convenceu o tecladista de que há vida após Blackmore e a banda chamou Tommy Bolin, conhecido guitarrista de jazz e blues (o cara tocou até com Billy Cobham, o que por si só já é um feito). Bolin era afinado com a orientação funky preconizada por Glenn Hughes e David Coverdale e bem recebida por Jon Lord e, sobretudo, Ian Paice. Entretanto há hard rock o suficiente para que “Come Taste the Band” se qualifique como um bom disco do Deep Purple. Tomei contato com esse disco só quando o adquiri ao localizá-lo na Boca do Disco, no início dos anos 2000, CD importado (evidentemente, não há notícias de CD de fabricação nacional), por aproximadamente 30pila (margem de erro de 5pila para mais ou para menos).

O disco começa como se fosse uma apresentação ao vivo: uma explosão com acorde de guitarra, baixo e teclados até ingressar efetivamente em “Comin´ Home”, um rock acelerado no qual o timbre bem característico da Fender Stratocaster de Bolin já se faz presente.

“Lady Luck” inicia com acordes mas é caracterizada pelo funk capitaneado pelo baixo de Hughes e a bateria de Paice, além dos excelentes vocais – e letra típica - de Coverdale (“She was a jukebox dancer, a blue eyed gypsy queen (...)”). A faixa não alcança 3min e é muito divertida de ouvir, com refrão marcante.

Outra que tem suingue é de Hughes, a clássica “Gettin´ Tighter”. Bolin é responsável pelo riff principal e pelo tema que é executado antes dos versos. Há espaço para um breve interlúdio instrumental com pequeno solo de guitarra.

Com um riff mais sóbrio, “Dealer” conta com uma parte com vocais de Bolin, que me parecem não funcionar aqui tão bem quanto em “Wild Dogs”, que é uma composição da carreira solo do guitarrista executada pelo Purple nos shows da turnê de “Come Taste the Band”. Desse mesmo tipo de riff é “Drifter”, não por acaso outra composta por Bolin/Coverdale.

Um belo riff de guitarra abre “Love Child”. A estrutura da faixa é simples, passa pouco dos 3min e a base instrumental dos versos é atípica do Deep Purple à época, vez que se cuidam apenas de Power chords em E com pausas longas entre os compassos. Posteriormente essa característica foi resgatada pela banda com o ingresso de Steve Morse (é só ouvir “Purpendicular”, “Abandon”, “Bananas” e “Rapture of the Deep”).

O álbum encerra com duas composições clássicas e majestosas, com interpretações marcantes de Glenn Hughes: “This Time Around/Owed to G” e “You Keep on Moving”. A primeira começa com piano e voz e é toda cantada por Hughes, com delicada e comovente interpretação vocal. A parte “Owed to G” é instrumental e foi composta por Bolin, e muda o clima da música para dar-lher maior peso. Por sua vez, “You Keep on Moving” é interpretada em maior parte em uníssono de Hughes e Coverdale, embora particularmente ache que ela fica muito melhor com vocais exclusivos de Hughes, como aparece no “Burning Japan Live” registrado na carreira solo do baixista/vocalista. A música é conduzida por um riff repetitivo no baixo baseado em B, desce para G, depois E, e volta para B. A parte “Dawn will soon be breaking, the day has just begun (...)” acredito que é em A e E.

Evidentemente que não é o tipo de disco para se ouvir pensando em Blackmore. “Come Taste the Band” deve ser curtido como o álbum que contém “You Keep on Moving”, “This Time Around” e “Gettin´ Tighter”, além de composições boas como “Lady Luck” e “Love Child”.

Após turnê de divulgação que durou menos que um semestre, a banda se dispersou. Cada integrante se entreteu com outras atividades musicais. Quem levou a pior foi Tommy Bolin: o cara não conseguiu conter seus vícios e em dezembro de 1976 foi fazer companhia a Jimi Hendrix entre os Guitar Gods. A banda só retornaria em 1984, na reunião do Mark II, com o grande álbum “Perfect Strangers”.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Discografia Deep Purple – Parte X “Archive Alive!” (1996 - bootleg)

Procurei com entusiasmo os bootlegs com shows do Deep Purple, sobretudo os da época do Mark III, pois apesar do repertório com poucas músicas, o resultado era sempre imprevisível dadas as notáveis e notórias improvisações dos integrantes daquela formação. Esse “Archive Alive!” foi adquirido numa extinta loja de CDs do Praia de Belas, e o preço era o de um CD simples importado (30pila – localizei no Mercado Livre para venda por 110reais) apesar de se tratar de um CD duplo bootleg, então tratou-se de uma barbada. O registro é de alta qualidade, pois sabe-se que esse material foi a base do “Made in Europe”, com desvantagem para este (o som deste bootleg é melhor). Para diferenciar do que foi um lançamento oficial da gravadora, o bootleg contém registros das performances de Paris e Graz, e a vantagem é que reproduz com fidelidade o repertório daquelas apresentações. Então começa com “Burn” (não difere muito do "California Jam" e do próprio "Made in Europe"), segue com “Stormbringer" (também não difere muito do "Made in Europe"), “The Gypsy” (excelentes vocais em uníssono de Coverdale e Hughes, e assim a música ficou bem melhor que a versão de estúdio), “Lady Double Dealer” (até o início é igual ao "Made in Europe", mas há diferenças nos vocais - talvez seja o mesmo take, mas com overdubs de estúdio para o lançamento oficial - Coverdale e Hughes se alternam no "Lady Double Dealer, get out of my way", “Mistreated” (incrivelmente Blackmore erra grotescamente no mítico riff introdutório - a guitarra engasga, parece que não vai sair nada, mas enfim o cara consegue iniciar a música), “Smoke on the Water” (início com uma jam curta sobre o riff de "Lazy", e ao final momento para demonstração do alcance vocal de Glenn Hughes, com uns agudos fora do comum), “You Fool No One” (no show de Paris, Jon Lord toca "A Marselhesa" no solo introdutório, que segue com umas jams muito legais; depois do riff e na hora de tocar o acorde antes dos versos, Blackmore erra o acorde - o cara estava distraído nessa noite... no mais, solo de bateria e riff de "The Mule"), “Space Truckin” (Momento Lucky Strike é Jon Lord tocando o tema de "Assim Falou Zaratustra" - é por essas que é bom ouvir os shows dessa época. Além disso, várias jams inusitadas, incluída breve execução instrumental de "Child in Time", e outra "Dance to the Rock´n´roll", que não sei como não virou música do "Come Taste the Band", além de barulheiras infernais) e “Going Down/Highway Star”, além de versões adicionais de “Mistreated” (pequeno discurso de Hughes - "It´s a song about everyday life", e Blackmore executa as primeiras notas do hino nacional alemão - achei melhor essa versão) e de “You Fool No One” (introdução completa de Coverdale, apresentando todos os músicos, e Jon Lord executa um tema clássico de Mozart, e depois uma jam jocosa ao seu estilo na época - essa versão também ficou melhor que a outra disponível neste bootleg, com solo de Blackmore ao invés do solo de bateria de Ian Paice).

terça-feira, 2 de março de 2010

Discografia Deep Purple – Parte IX “Made in Europe” (1976)

Em 1976 Ritchie Blackmore já havia abandonado o Deep Purple, tendo sido substituído por Tommy Bolin, sendo que um disco de músicas inéditas com essa formação, o Mark IV, foi lançado naquele ano (“Come Taste the Band”). Entretanto, ainda havia espaço para a gravadora capitalizar com o Mark III e assim foi lançado um álbum ao vivo com algumas das últimas performances do lendário guitarrista com o Purple (Graz, Saarbrücken e Paris, em 1975 – diz-se que a maior parte do material de “Made in Europe” teve como base o show na cidade alemã). Essas últimas apresentações em 1975 são excelentes e foram ensejadas pela turnê do “Stormbringer”. Nessas condições, o repertório de “Made in Europe” foi composto de cinco faixas extraídas dos álbuns “Burn” e “Stormbringer”. Ouvi esse disco pela primeira vez em 1995 (aluguei na extinta Symphony, que ficava na R. José Bonifácio), quando resolvi superar meu preconceito contra o David Coverdale (achava que ele era um fraco imitador do Robert Plant com uma banda de hard rock farofa, o Whitesnake – posteriormente virei fã incondicional tanto de Coverdale quanto do Whitesnake). Já tinha assistido ao documentário “Heavy Metal Pioneers”, então mesmo sem saber já estava familiarizado com o riff de “Burn”. E soube que “Made in Europe” se tratava de um disco magnífico quando ouvi o riff de “Burn” e “associei o nome à pessoa”. Essa versão ao vivo é mais agressiva e dinâmica que a versão de estúdio (que já era espetacular), sobretudo quanto à bateria de Ian Paice. Blackmore faz uns gracejos nas várias partes que o riff é executado, notadamente antes e depois dos solos. O solo de guitara é bem diferente da de estúdio, como de costume, pois o cara costuma improvisar bastante nesses momentos. Pode-se questionar a escolha de uma música lenta como “Mistreated” após o início arrasa-quarteirão com “Burn”; o certo é que Coverdale manteve o nível da performance vocal, interpretando a comovente letra com a mesma dedicação da versão original. A banda se dedica a interpolar um cover de blues, “Rock Me Baby” após o que seria o final da música conforme a versão de estúdio. Basicamente, a banda toca alguns compassos com os acordes E-F#-B-A e Coverdale canta repetidamente “I want you to rock me baby, rock me all night long” ou “Roll me over (...)”, além dos “baby, baby, baby” e “woman, woman, woman”. A faixa mais curta é “Lady Double Dealer”, praticamente igual à versão de “Stormbringer”, com solos de Blackmore e de Jon Lord. Melhor que a original ficou “You Fool No One”: Jon Lord comandou uma introdução muito legal nos teclados, tocando uns temas divertidos como costumava fazer desde o “Made in Japan”, e sempre fui fã dessas improvisações (hoje em dia já estou com o ouvido cansado – afinal, esses trechos já estão no meu DNA – mas achei muito marcantes esses momentos nos quais os caras davam algo mais do que simplesmente reproduzir as músicas que estavam nos discos de estúdio). Além disso, há extensos solos e assim a faixa alcança quase 17min. Coverdale e Glenn Hughes mandam muito bem nos vocais em uníssono. O disco fecha com uma versão perfeita para “Stormbringer”. Particularmente, gosto bastante do Mark III, de maneira que esse registro é bastante especial. Não por acaso, fui atrás dos bootlegs que encontrei disponíveis no final dos anos 1990 para ouvir o tanto quanto fosse possível da época em que David Coverdale e Glenn Hughes dividiam vocais no Deep Purple. Adquiri o CD, usado, provavelmente na Boca do Disco, no final dos anos 1990.

segunda-feira, 1 de março de 2010

CDs do Kiss - Parte XVII "Hot in the Shade" (1989)

Se tem um disco que é bom de ouvir no verão é “Hot in the Shade”. Por alguma razão, o Kiss decidiu abandonar o visual multicolorido após a turnê de “Crazy Nights”, e voltou ao couro preto para os vídeos das duas inéditas que apareceram na coletânea “Smashes, Trashes & Hits” de 1988. Entretanto, o som dessas músicas ainda era reminiscente do hair metal orientado para o rádio. Em 1989, no entanto, os caras resolveram fazer um disco mais coeso, e mandaram uma quantidade enorme de novas composições nas quais se percebe uma polida nos excessos guitarrísticos e valorização de melodias.

Entendo que “Hot in the Shade” tem três músicas brilhantes, que não por acaso foram (a) lançadas como singles nos EUA e (b) compostas por Paul Stanley: “Forever”, “Rise to It” e “Hide Your Heart”.

“Forever” é a melhor balada do Kiss, e é muito conhecida por aqui em razão de propagandas de cigarro e por ter feito parte da trilha sonora de alguma novela da época. Trata-se de uma magnífica composição de Paul Stanley, que se beneficiou de contribuições inestimáveis de Bruce Kulick e de Eric Carr. O guitarrista brindou-nos com um espetacular solo de violão, e o baterista conduziu a música de forma brilhante, colocando sua assinatura ao fazer rolos nos tons durante os refrões. A versão do “Alive III”, com Eric Singer na bateria, e vocais magníficos de Stanley, é a definitiva.

“Rise to It” é a faixa que abre o disco; cuida-se de um rock muito bom, com riff caprichado que acompanha os versos. O refrão é dos melhores da banda. O vídeo é muito legal por mostrar os caras tocando e tirando sarro uns com os outros; além disso, no início e no fim aparecem Gene e Paul colocando as máscaras e vestindo as roupas como se estivessem em 1975, alimentando os boatos sobre uma reunião da formação original, ou uma volta do visual aposentado a partir de “Lick It Up”.

“Hide Your Heart” é a tentativa mais bem sucedida de Paul Stanley de se tornar um compositor para outros artistas. A música é excelente, seguindo a típica receita de sucesso de Paul, tendo sido gravada por Ace Frehley (não sei até hoje porque o cara gravou essa) e Bonnie Tyler, dentre outros. O refrão é perfeito, inclusive a parte “ah ah aaaaah, hey hey heeeeey, tchu tchu tchu tchuuu tchu-ru tchu ru-ru”. É o tipo de música que tem a cara dos anos 1980, com estrutura perfeita e refrão marcante. É feita para tocar na rádio, mas não tem como não gostar.

Paul compôs, ainda, “Read My Body”, “Silver Spoon”, “King of Hearts”, “You Love Me to Hate You”.

Gene Simmons voltou a colaborar efetivamente, trazendo para o disco “Betrayed”, “Prisoner of Love” (coautoria com Kulick), “Love´s a Slap in the Face” (acredito que nessa Eric Carr não tenha tocado, pois o som parece um loop infindável da mesma batida – não há nenhum ataque nos pratos), “Cadillac Dreams”, “The Street Giveth and the Street Taketh Away” (primeira aparição de Tommy Thayer num disco do Kiss), “Somewhere Between Heaven and Hell” e “Boomerang” (coautoria com Kulick).

[Adendo em 10.03.2010 - terminei de ler hoje uma longa entrevista do Eric Singer para o Kiss FAQ, na qual o baterista revelou minúcias saborosas para os fãs do Kiss. Uma delas diz respeito ao "Hot in the Shade". Singer revelou que em 1989, mais ou menos no período em que escursionou com Paul Stanley na sua turnê solo, fez demos para várias músicas que vieram a fazer parte do "Hot in the Shade", dentre as quais "King of Heart". Segundo o baterista, Paul, Gene e Bruce moravam em Los Angeles, e só Eric Carr morava em New York, então foi natural chamar Singer para as demos. Da mesma forma ocorreu com Kevin Valentine, de quem eu nunca havia encontrado maiores informações, e que vem a ser um amigão do Singer. Então ambos fizeram demos para o álbum, inclusive "Forever", e segundo Singer, Eric Carr refez e regravou todas as linhas de bateria, de maneira que não há nada de Singer ou de Kevin no álbum. Singer disse ainda que muito do disco foi gravado com bateria eletrônica, tipo Roland V-Drums, o que provavelmente explica o loop de bateria em "Love´s a Slap in the Face").

Eric Carr sempre foi competente nos vocais, mas sua atuação se resumia aos backing vocals. Além disso, o cara costumava compor bastante e submetia suas músicas à aprovação de Paul e Gene. Apenas em “Hot in the Shade” a dupla concedeu a oportunidade de Carr inserir uma música no disco e cantá-la: "Little Caesar". Simmons mexeu na letra, e a faixa foi registrada no resto como havia sido visualizada por Carr.

A turnê de “Hot in the Shade” serviu para preparar o caminho para os bons anos que se seguiram, que culminaram com a excelente receptividade de “Revenge”. A banda retornava às suas origens e diversas músicas antigas foram revisitadas e voltaram a fazer parte do set list. O bom momento só não foi pleno em razão da perda de Eric Carr, no início dos anos 1990. Adquiri esse CD no final de 1994, em pleno verão escolar, na Mad House.

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